Economia

DOLAR_3128_1024x683Em Rio Preto, devido à instabilidade do mercado, agências cambiais chegaram a interromper transações e cotação pela manhã. No período da tarde, elas retomaram a compra e venda de dólares. Especialistas apontam que o mercado está instável e aconselham as pessoas que podem esperar um pouco mais para adquirir a moeda americana, para uma viagem por exemplo, a fracionarem a compra em vários meses, já que não dá para prever como será a reação da economia, ou pelo menos não adquirirem dólares nesse momento.

A auxiliar administrativa Rosilda Andrade Silva, da Valor Forte, estima que nesta quinta-feira diminuiu em 90% o volume de transações feitas. “Procura há bastante, mas geralmente é só especulação. Não teve quase negociação hoje (ontem). Há pessoas que não têm como esperar, então têm que comprar”, diz, e aconselha aqueles que podem esperar a aguardar pelos próximos passos. Ela ainda não parou para fazer as contas do prejuízo monetário da situação e acredita em uma melhora, mas não na retomada completa da situação nos próximos dias. “É imprevisível, com essa bomba estourando.”

Na Libra Câmbio as transações não foram paralisadas, mas caíram 50% em relação a um dia normal. “A maioria das pessoas ligou só para especular, ver quanto está. Acredito que, dos que ligaram para fechar, 70% tenham feito. Muita gente adianta a compra da moeda. Hoje (ontem) ninguém vai”, afirma a diretora Marina Queiroz Macedo. Ela acredita que pelo menos nos próximos três ou quatro dias o cenário será de alta do dólar. “Depois ele volta a recuar.” Seu conselho é que os investidores fracionem a compra da moeda em várias vezes, para arriscar menos.

A Confidence, que tem lojas em dois shoppings da cidade, pela manhã publicou em seu site nota dizendo que não havia condições de definição de preços das moedas e orientou seus clientes que tivessem condição a postergar a compra, aguardando a definição de mercado. Para as viagens urgentes, as lojas e mesas de atendimento operavam com preço fixo. Pela tarde, as vendas estavam ocorrendo normalmente.

O Banco Daycoval, que também tem loja em shopping de Rio Preto, disse em nota que suas lojas de câmbio operaram normalmente e recomendou aos clientes que mantenham contato frequente com sua loja para buscar informações e melhores taxas. A empresa não comentou sobre movimentação diária nem perspectivas para o mercado.

Fabiana Carvalho, funcionária pública de 38 anos, fará uma viagem de férias em setembro e precisa de euros. Ela já comprou parte do valor necessário. “No dia 10 de abril paguei R$ 3,49. Ontem estava R$ 3,64 e hoje R$ 3,99. Vou esperar, pois ainda tenho um tempo até a viagem e no valor que está hoje fica inviável”, considera. Ela tem medo dos valores que a moeda vai atingir. “Mas prefiro ser otimista. No ano passado aconteceu a mesma coisa, o euro estava R$ 4 e pouco e acabou baixando.”

Risco Brasil sobe quase 30%

O Risco Brasil medido pelo indicador CDS (Credit Default Swap) – um tipo de seguro contra calote – operou em forte alta nesta quinta-feira, 18, e chegou aos 269 pontos após o pronunciamento do presidente Michel Temer. A cotação registrada representa uma alta de 28,7% em relação ao nível do fim da tarde da véspera, quarta-feira, 17.

No dia 15 de maio, o CDS de cinco anos havia fechado abaixo de 200 pontos pela primeira vez no governo do presidente Michel Temer, a 199,32 pontos. Esse foi o menor patamar registrado desde 26 de janeiro de 2015. (AE)

Nervosismo vai continuar

O assessor de investimentos Rodrigo Moraes Pinto acredita que o melhor, para quem vai usar logo a moeda, é comprar o dólar agora. “Quem não vai precisar, deve deixar passar esse momento. Acredito que vai voltar para sua tendência de queda”, afirma.

Ele afirma que o mercado continuará nervoso e instável, com dólar e juros em alta e bolsa em queda, até que o problema político seja sanado e que é normal que a moeda americana oscile após uma acusação como a que foi feita nesta quarta-feira, 17. “Os juros vinham caindo, o dólar vinha caindo e bolsa subindo porque tinha uma expectativa que ia conseguir aprovar as reformas da previdência. O que precisa acontecer é acalmar e melhorar o cenário para o investidor voltar a entender o que pode acontecer com o mercado”, afirma.

O assessor financeiro Maikel Jacob aponta que o dólar é considerado uma moeda segura para momentos de incerteza como esta quinta-feira, e nessas horas seu valor sobe. “Todo mundo volta a procurar por dólar, faz o mercado disparar. Aumenta a procura e o preço tende a subir. É impossível prever por quanto tempo isso vai acontecer. Vai até que tenha uma definição política dessa situação”, fala.

Ele explica que a relação do real com o euro é indireta e passa pelo dólar. “O euro caiu em relação ao real porque o dólar se valorizou frente ao euro. O Real se desvalorizou em relação ao dólar.”

Seu conselho é que as pessoas que não vão precisar de moedas estrangeiras imediatamente façam a compra de forma fracionada.

Momento de esperar

Para o presidente da Acirp, Paulo Sader, a economia sente os reflexos da crise, mas acredita que é preciso aguardar os desdobramentos. “O dia seguinte ao furacão é de terra arrasada. A bolsa caiu, o dólar subiu. A redução de juros não deve seguir o mesmo rumo. É uma situação difícil, complicada.”

Para Sader, a crise deixa o governo de Michel Temer “fraco”. “Ele (Temer) está enfraquecido. Um governo fraco é ruim em qualquer circunstância. Mas acho que o momento é de esperar para ver desdobramentos e impacto na economia de forma mais clara”, afirmou. (MG/Colaborou Vinícius Marques)

Setor financeiro em choque

Os mercados financeiros no Brasil não viviam um dia como o desta quinta-feira, 18, desde que o banco americano Lehman Brothers quebrou, em 2008, arrastando as bolsas de valores de todo o mundo. A delação de Joesley Batista fez com que a bolsa brasileira recuasse 8,8%, pior resultado em quase nove anos. O dólar fechou em alta de 8,07% – o terceiro maior aumento da história do Real.

O mercado de ações viu ressurgir a figura do “circuit breaker”, mecanismo de defesa da Bolsa contra oscilações demasiadamente bruscas. Logo no início dos negócios, uma onda de operações de zeragem de posições levou o Índice Bovespa a cair até 10,70%, levando à interrupção das operações por 30 minutos.

Com o fim das correções de emergência, a queda se desacelerou e o Ibovespa terminou o dia aos 61.597,05 pontos, em queda de 5.943,20 pontos.

O resultado representou perda porcentual de 8,80%, a maior em um único dia desde 22 de outubro de 2008, última vez em que o circuit breaker havia sido acionado. O volume de negócios somou R$ 24,8 bilhões, o triplo da média diária de maio.

O pânico generalizado derrubou algumas das maiores empresas brasileiras, principalmente as estatais, cujos preços já embutem um risco político maior. A Petrobras, a maior delas, teve quedas de 11,37% (as ações ordinárias, com direito a voto) e de 15,76% (preferenciais, sem direito a voto).

O dólar marcou a terceira maior alta da história ante o Real, perdendo apenas para os dois episódios registrados durante a maxidesvalorização vista em janeiro de 1999, quando o Brasil abandonou o regime de bandas cambiais.

O dólar à vista no balcão subiu 8,07%, fechando a R$ 3,3868, o maior nível desde 16 de dezembro do ano passado. A alta porcentual só perde para 15 de janeiro (+11,10%) e 13 de janeiro (+8,91%) de 1999. O giro registrado pela clearing de câmbio da B3 foi de US$ 2,056 bilhões, bastante forte para a média recente. (Agência Estado).

Fonte: Diarioweb

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