Juiz federal intervém em universidade e afasta reitor

Divulgação

Universidade Brasil é suspeita de venda de vagas e fraudes de até R$ 500 milhões

Por Marco Antonio dos Santos

O juiz federal Bruno Barbosa determinou intervenção na Universidade Brasil, de Fernandópolis, com o afastamento temporário do atual reitor, Adib Abdouni, e autorizou a Polícia Federal a cumprir mandado de busca e apreensão na casa dele e na sede da faculdade em São Paulo.

Abdouni é acusado de tentar atacar testemunhas do processo, policiais federais e até o juiz, durante transmissão ao vivo pelo Instagram.

Esta é a segunda fase da Operação Vagatomia da Polícia Federal, denominada “Verità Protetta” (verdade protegida), realizada na manhã desta quinta-feira, 13.

Inicialmente, o Ministério Público Federal de Jales pedia a prisão preventiva de Abdouni, após apresentar como prova relatos de uma série de ofensas e ameaças dele contra testemunhas e autoridades públicas responsáveis pela apuração dos crimes cometidos, mas o juiz autorizou apenas seu afastamento e a busca e apreensão de documentos.

Todo o material apreendido – documentos, dinheiro, celulares e computadores – foram enviados para a sede da PF em Jales para análise. O reitor poderá responder pelos crimes de obstrução de investigação de organização criminosa e coação no curso do processo.

O chefe da Polícia Federal em Jales, delegado federal Cristiano Pádua da Silva, responsável pelo inquérito da Operação Vagatomia, representou à Justiça Federal pela expedição de medidas judiciais contra o atual reitor a fim de cessar ameaças e intimidações proferidas por ele a testemunhas e uma colaboradora da investigação.

Por decisão federal, Abdouni está proibido de manter contato com investigados, é obrigado a comparecer ao juízo mensalmente para informar suas atividades e está proibido de se ausentar da região onde reside por mais de 30 dias sem autorização judicial.

O reitor também fica proibido de ter qualquer tipo de acesso à universidade ou outra instituição sob investigação; afastamento cautelar e a suspensão imediata do exercício das funções de reitor da universidade e de qualquer outra função nas entidades educacionais do grupo investigado. No caso de continuidade dos fatos ou o descumprimento das condições impostas, poderá ser decretada contra ele uma ordem de prisão preventiva nos termos do artigo 312, parágrafo único, do Código de Processo Penal.

A primeira fase da Vagatomia foi aberta em setembro de 2019 para investigar esquema no curso de Medicina da Universidade Brasil que envolvia venda de vagas, irregularidades nos cursos de complementação do Revalida (para revalidação de diploma), além de fraudes de até R$ 500 milhões em bolsas do ProUni e na concessão do Fies. Na ocasião, José Fernando Pinto da Costa, dono da universidade, e seu filho foram presos.

Outro lado

“A Universidade Brasil foi vítima de retaliação de um delegado da Polícia Federal ex-professor da escola, afastado e do Ministério Público Federal da cidade de Jales. O primeiro foi alvo de representação judicial do reitor Adib Abdouni. O delegado, consorciado com a ex-funcionária da Universidade que o havia contratado e se tornou delatora premiada com o apoio do MP, conseguiu de um juiz, também de Jales, inverter os papéis, de acusado para acusador”, diz a instituição em nota.

(Colaborou Yasmin Lisboa)

Fonte: Diário da Região

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