Nossa Senhora Aparecida

No próximo dia 12, católicos de todo o País comemoram os 300 anos do aparecimento da imagem de Nossa Senhora Aparecida; dez devotos contam ao Diário as bênçãos alcançadas

Imagem de Nossa Senhora Aparecida
Seja pela cura de uma doença, pela recuperação de um mal, por um emprego, por ter conseguido vencer obstáculos que, em determinado momento, pareciam invencíveis, são nos momentos mais difíceis da vida que as pessoas se voltam para a “mãe”. E é para a mãe suprema, a mãe de Jesus, a mãe de todos, que moradores de Rio Preto se ajoelharam, rezaram, pediram por uma interseção.

No próximo dia 12, católicos de todo o País comemoram os 300 anos do aparecimento da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio Paraíba. Uma série de acontecimentos fez dela a padroeira do Brasil. Segundo o chefe do Departamento de Ciências da Religião da PUC São Paulo, o teólogo Fernando Altemeyer, a identificação que o brasileiro criou com a essa santa se deve a uma identidade com sua história.

“Uma imagem descabeçada, que já foi toda esmigalhada, se assemelha à vida dos pobres do país. Não é de hoje que vivemos desmandos e desigualdades. A devoção está ligada também à maternidade, isso é psicanalítico, corremos para a nossa mãe quando as coisas realmente apertam. Em terceiro lugar, nenhuma outra imagem poderia representar melhor o Brasil, um país de maioria negra. A imagem que era rosácea, por causa do lodo do rio e outras questões, ficou negra”, diz o estudioso.

Segundo ele, nada mais simbólico do que o aparecimento da imagem ter se dado no Vale do Paraíba, onde a escravidão naquela época era brutal e os negros viviam no máximo oito anos, servindo aos senhores. “Essa devoção toda nasceu da sintonia que o povo tem com ela, que é uma fonte de apelo celeste”, conclui.

Para o arcebispo de Uberaba, que já atuou como bispo de Rio Preto, dom Paulo Mendes Peixoto, a raiz de tanta identidade e dedicação à santa se dá pelo fato de ela ter sido encontrada negra e o povo sente suas origens na imagem.

“Desde pequeno eu ouvia o padre Vitor Coelho de Almeida na rádio Aparecida e o que ele dizia tinha tamanha força que atingia o coração dos brasileiros. Toda a espiritualidade mariana leva a Deus. O povo se identifica com a simplicidade de Nossa Senhora”, conclui.

Nossa Senhora é também a “mãezinha” de muitos fiéis, que atribuem a ela, graças que foram alcançadas. A gratidão e a devoção fazem com que as histórias sejam interligadas a muitas emoções e mesmo lágrimas. Chorando, alguns devotos contaram ao Diário as bênçãos que alcançaram sob a proteção da santa.

Aparecida Donizete
Aparecida Donizete (Foto: Mara Sousa)

Aparecida pede à madrinha pelo neto

Quando minha filha estava grávida, soubemos que o bebê nasceria com uma doença cardíaca gravíssima, o lado esquerdo do coração, que é responsável por 75% das funções, não havia desenvolvido. As cardiopatias são classificadas de um a dez e Henrique tinha a de grau nove. As chances de sobreviver eram mínimas. Fui até uma igreja de Nossa Senhora Aparecida, em Monte Aprazível, e fiz uma promessa, além de ter pegado três mantinhos que são dados durante a missa. Ele nasceu e foi direto para a UTI, com três dias de vida passou pela primeira cirurgia, eu voltei na igreja e devolvi um mantinho. Com quatro meses e dez dias, passou pela segunda cirurgia e vou devolver o segundo mantinho. O terceiro será devolvido depois que ele fizer a terceira cirurgia, quando tiver três anos[ARTEFIOAMARE]

Aparecida Donizete, 61, engenheira civil

Maria Elisa Cardoso Martin
Maria Elisa Cardoso Martin (Foto: Mara Sousa)

As várias interseções por Maurício

Em 24 de abril, meu marido sofreu um grave acidente, quebrou três vértebras e ficou tetraplégico. Depois de duas cirurgias, foi quando as coisas se complicaram. Ele teve pneumonia, meningite e infecção hospitalar. Os médicos achavam que ele não sairia vivo do hospital. Pedi pela vida do meu marido para Nossa Senhora Aparecida e depois de 4 meses e 8 dias deixamos o hospital e voltamos para casa. Ele está acamado e agora peço novamente para Nossa Senhora e para Jesus por outro milagre, que ele volte a andar.

Maria Elisa Cardoso Martin, 63 anos, aposentada

Helena Maria Pires Ferreira
Helena Maria Pires Ferreira (Foto: Mara Sousa)

Raio-X da santa

Desde pequena eu tinha problemas nos quadris e aos 50 anos não conseguia mais andar. Minha família me levou ao médico que disse que eu precisaria colocar uma prótese nos quadris. Ele explicou que eu não andaria mais sem o procedimento, mas também poderia ficar em uma cadeira de rodas depois da cirurgia. Fiz uma promessa à minha mãezinha que, se conseguisse voltar a andar, iria a Aparecida do Norte para agradecer o milagre. O médico me disse na semana passada que a prótese está perfeita. No meu raio-x dá para ver a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a minha mãezinha, e logo abaixo, do lado direito, Jesus Cristo ajoelhado. Todos os anos volto a Aparecida para agradecer por ter sido tão abençoada

Helena Maria Pires Ferreira, 63, voluntária

Reinaldo Zaccharias
Reinaldo Zaccharias (Foto: JohnnyTorres)

Gratidão e fé

As dívidas se acumulavam e eu não via como sair daquela situação. Isso foi em 1996. Sem um caminho pedi a Nossa Senhora Aparecida que me abençoasse. De repente, o salário, que até então era insuficiente, passou a pagar todas as contas. As dívidas foram, uma a uma, sendo quitadas, consegui financiar uma casa e deixar o aluguel. A nossa condição de vida mudou para muito melhor e pude até comprar um carro. Vou a Aparecida todo ano agradecer.

Reinaldo Zaccharias, 54, agente dos Correios

Eliete Simone Alves
Eliete Simone Alves (Foto: Guilherme Baffi)

Recuperação sem cirurgias

Quando minha filha tinha 18 anos, ela foi numa festa e um amigo pediu para ela tirar a grelha da churrasqueira. Ainda havia brasa acesa e, quando ele jogou o álcool, o fogo atingiu minha filha. Ela foi socorrida, mas 20% do corpo tinha queimaduras de 2º e 3º graus e precisou ser levada para um hospital especializado em Goiânia. As queimaduras foram, principalmente, no rosto, colo e braços e foi uma batalha grande, ela sofreu demais. Eu fiz uma novena para Nossa Senhora Aparecida e pedi para que minha filha não ficasse com sequelas. Os médicos haviam dito que seriam necessárias cirurgias plásticas, mas dois meses depois minha filha estava recuperada. Três meses depois desse acidente fomos até Aparecida para agradecer a cura.

Eliete Simone Alves, 49, policial militar

Padre Torrente é pároco da Basílica de Rio Preto há 23 anos
Padre Torrente é pároco da Basílica de Rio Preto há 23 anos (Foto: Guilherme Baffi)

Só há 2 basílicas de Nossa Senhora no País

Em todo o Brasil, apenas Rio Preto e Aparecida têm basílicas de Nossa Senhora Conceição Aparecida. Com isso, as duas cidades podem receber fiéis que desejam pagar promessas por graças alcançadas. Uma curiosidade é que a Basílica que fica na região do Vale do Paraíba, apesar de ser grande, oficialmente, não tem a nomenclatura de maior, como todos a conhecem. É que apenas os templos de São Pedro Apóstolo, São Paulo Apóstolo, São João de Latrão e Santa Maria, todos em Roma, recebem a denominação de basílica maior. “Todas as outras são menores”, diz o pároco da Basílica Menor Nossa Senhora Conceição Aparecida, de Rio Preto, padre Torrente.

A igreja da cidade foi elevada de santuário para basílica em 4 de junho de 1954 pelo papa Pio 12, única autoridade da Igreja Católica que tem essa condição.

Padre Torrente conta que o bispo dom Lafayete Libâno era devoto fervoroso de Nossa Senhora Aparecida e a construção da Basílica de Rio Preto foi em pagamento a uma promessa que ele fez à santa.

“Em 1932, a Revolução Constitucionalista atingiu o estado de São Paulo, a diocese de Rio Preto abrangia toda a região do sertão da alta araraquarense, e a guerra chegou até a barranca do Rio Grande, um dos limites da diocese, mas não entrou. Com isso, dom Lafayete, primeiro bispo de Rio Preto, se viu na obrigação de construir a igreja, como prometido à Nossa Senhora”, conta Torrente.

Inicialmente, foi criada a paróquia do bairro Boa Vista e se construiu uma Matriz provisória. Em 1934, os franciscanos aceitaram a incumbência de construir o santuário e em 1937 foi lançada a pedra fundamental.

“Com a participação e o empenho generoso de todos, os devotos dos mais distantes lugarejos, fazendas, sítios, cidades da diocese, ele foi construído em poucos anos e consagrado Santuário em 7 de setembro de 1943, data da inauguração”, diz o padre.

O prédio é majestoso. Tem 50 metros de comprimento por 20 metros de largura, e 12 de altura, tendo 52 metros de torre e 13 altares em mármore. Caracteriza-se por uma construção em estilo art déco, com base neorromântica com arcos plenos e três naves internas. Sua capacidade é de 800 pessoas, mas, em missas especiais, chega a receber mais de 2 mil fiéis.

A Basílica de Rio Preto foi eleita a primeira das sete maravilhas de Rio Preto em agosto de 2007 pelo voto popular, em um concurso promovido pelo Diário da Região.

Grande festa religiosa

A basílica de Rio Preto se tornou uma referência de oração e meditação em toda a região. Segundo o padre Torrente, são esperados cerca de 15 mil fiéis na quinta-feira, dia 12, para as celebrações de Nossa Senhora Aparecida.

A igreja estará aberta durante o dia todo para receber fiéis e também para confissões. Logo pela manhã, começa a quermesse, com barracas de comidas e bebidas. Às 9h, vai receber uma comitiva que vai em carreata até o recinto de exposições, onde será realizada uma missa campal.

Apesar de ter a mesma função religiosa que a Basílica de Aparecida, padre Torrente, que é pároco da Basílica de Rio Preto há 23 anos, orienta os fiéis a somente pagarem promessas na igreja da cidade, se eles sentirem que estão com a consciência religiosa atendida. “O interior de cada pessoa é ela quem sente e é preciso ficar satisfeito se pagar a promessa aqui. Se for para se sentir em dívida, o fiel deve ir até Aparecida”, aconselha.

Auto da anunciação

Às 9h, em frente ao palco principal do Recinto de Exposições de Rio Preto, uma comitiva de viajantes sertanejos relembram o nascimento de Jesus. Com estrutura musical e linguagem melodramática, o espetáculo é ambientado em um universo regionalista, apresentado ao vivo, com canções que remontam à memória da cultura paulista.

Uma carreata, marcada para sair da Basílica às 9h, vai levar a imagem de Nossa Senhora até o recinto para uma missa campal, que será celebrada no palco principal, por dom Tomé Ferreira da Silva.

Paula Figueiredo
Paula Figueiredo (Foto: Arquivo Pessoal)

Novena contra tumor

Em 2013 fui diagnosticada com um tumor na hipófise, uma glândula que fica na base do cérebro. Ele era muito grande e precisava ser removido, mas a cirurgia poderia comprometer a visão, audição, locomoção ou mesmo me deixar em estado vegetativo. Passei a pedir à Nossa Senhora para que eu não tivesse as complicações. Os médicos ficaram abobados com o sucesso da cirurgia. Prometi e fui até Aparecida agradecer pelo milagre. A Basílica é um lugar emocionante, de uma espiritualidade ímpar.

Paula Figueiredo, 52, artesã 

Solenidade da padroeira

  • Domingo 8 – Missas às 7h, 10h, 12h, 18h e 20h
  • Segunda 9 – Missas às 7h, 12h e 19h30
  • Terça 10 – Missas às 7h, 12h e 19h30
  • Quarta 11 – Missas às 7h, 12h e 19h30

Quinta, 12

  • 0h – Missa de abertura com o padre Cleomar Bessa da Silva
  • 6h – Missa matinal com o padre Carlos Eduardo Pereira Nascimento
  • 9h – Missa concentração do Apostolado da Oração com o padre Jeová Bezerra da Silva
  • 11h – Missa Sertaneja com o padre José Vinci
  • 13h – Missa Afrodescendentes com o padre José Vinci
  • 15h – Missa Legião de Maria e Capelinhas de Nossa Senhora com o padre Rafael Dalben Ferrarez
  • 17h – Missa de solene da Padroeira Nossa Senhora Aparecida com o dom Tomé Ferreira da Silva
  • 18h30 – Procissão – carro andor com a imagem de Nossa Senhora Imaculada Conceição Aparecida
Interior da Basílica de Aparecida do Norte tomado de fiéis que passam pelo local durante todo o ano
Interior da Basílica de Aparecida do Norte tomado de fiéis que passam pelo local durante todo o ano (Foto: Thiago Leon/Divulgação)

Imagem que arrasta milhões foi encontrada há 300 anos

Uma imagem clara, e não negra, encontrada com o corpo separado da cabeça, que foi alvo de um atentado que a quebrou em mais de 200 pedaços, que depois de reconstruída, sofreu intervenção do próprio reitor do Santuário, é venerada e visitada por mais de 12 milhões de devotos por ano.

Nesta quinta-feira, dia 12, mais de 200 mil fiéis devem se dirigir à Aparecida para louvar Nossa Senhora Conceição Aparecida, agradecer por graças alcançadas e se achegar à mãe de todas as mães.

Em de outubro de 1717, os pescadores João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia foram para o rio Paraíba com a missão de conseguir peixes para um banquete que a Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá iria oferecer a dom Pedro de Almeida e Portugal, o Conde de Assumar, que estava visitando a região entre 17 e 30 de outubro.

Depois de jogaram as redes inúmeras vezes, sem pegar um peixe, os pescadores alçaram das águas escuras do rio a imagem de Nossa Senhora, que veio em dois pedaços: primeiro o corpo e, em seguida, a cabeça. Os pescadores, que antes não tinham conseguido pescar nada, encheram as suas redes com uma quantidade abundante de peixes. Antes de os levarem para o banquete, entregaram os pedaços da estátua a Silvana da Rocha Alves, mulher de Domingos, irmã de Felipe e mãe de João. Ela reuniu as duas partes com cera e colocou num pequeno altar da casa da família, agradecendo Nossa Senhora pelo milagre dos peixes. Nascia ali a história da Padroeira do Brasil.

A imagem peregrinou até 1732, quando o filho de Felipe, Anastácio, construiu um pequeno oratório público. Em 1740, uma capela foi feita para receber a imagem. Três anos depois, o vigário Vilela fez um relatório dos milagres e da devoção do povo para com Nossa Senhora e enviou ao bispo do Rio de Janeiro, dom Frei João da Cruz, para que fosse autorizada a construção de uma igreja em louvou à imagem da santa.

A obra foi edificada onde hoje é o centro de Aparecida e, em 25 de maio de 1745, a imagem foi levada em celebração solene e colocada no nicho do altar. No dia 26, aconteceu a primeira missa.

Dom Pedro 1º passou pelo Santuário de Aparecida em 22 de agosto de 1822 e, diante da imagem, prometeu consagrar o Brasil caso resolvesse favoravelmente sua complicada situação política. Quinze dias depois, em 7 de setembro, proclamou a independência do Brasil.

Dom Pedro 2º, a princesa Isabel e outros monarcas da época estiveram em frente à imagem da santa. Para agradecer a graça de ter gerado herdeiros, a princesa Isabel voltou a Aparecida e ofereceu um manto com 21 brilhantes e depois uma coroa de ouro 24 quilates, cravejada de brilhantes.

Em 24 de junho de 1888, foi inaugurada a Basílica Velha, como é conhecida hoje. Muitas coisas se passaram até a construção do Santuário Nacional de Aparecida, cuja pedra fundamental foi lançada em 10 de setembro de 1946, mas o início da construção, de fato, se deu em 11 de novembro de 1955. Até hoje, a obra está inacabada.

Em 4 de julho 1980, em uma visita do papa João Paulo 2º ao Brasil, ele consagrou e concedeu o título de Basílica Menor ao templo. No mesmo ano, o presidente do Brasil, general João Batista Figueiredo, declarou “feriado federal o dia 12 de outubro para o culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida”.

Foi a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), em sua Assembleia de 1953, que determinou que a festa da padroeira fosse celebrada no dia 12 de outubro. Uma das razões para a escolha dessa data foi a aproximação da época do encontro da imagem, que ocorreu na segunda quinzena de outubro de 1717.

Odete Ribeiro Badin
Odete Ribeiro Badin (Foto: Mara Sousa)

Entre delírios, Odete pediu pela vida

Há 25 anos, eu tive uma infecção nos rins em função de uma pedra que fechou o canal. Fui levada para o hospital com 41 graus de febre e delirando. Durante 15 dias os médicos tentaram todos os antibióticos para cessar a febre e poder fazer uma cirurgia, eles temiam que se me operassem no estado em que eu estava, acabaria não resistindo. Como a febre não passava e o risco de morrer aumentou, disseram para meu marido que fariam a cirurgia na manhã do dia seguinte. Em meio aos delírios que eu tinha, entendi o que estava acontecendo e pedi pela minha vida para Nossa Senhora. No dia seguinte, que era o da cirurgia, a febre havia cessado completamente. Os médicos puderam me operar e eu me recuperei, recebi a vida de volta como presente da santa.

Odete Ribeiro Badin, 54, comerciante

Mara SousaAllexandre Silva
Allexandre Silva (Foto: Mara Sousa)

Allexandre foi entregue à santa

Eu tinha entre 7 e 8 anos quando desenvolvi uma anemia profunda, uma espécie de leucemia. Aos poucos, parei de comer, de brincar, de ir à escola. Perdi metade do peso que eu tinha, era levado diariamente ao hospital, mas nada melhorava. Fui levado até uma casa onde tinha bandeiras de santo reis e colocado sobre uma com várias imagens de Nossa Senhora. Mesmo com todas as orações, piorei. Minha mãe e minha avó disseram que se eu sarasse, elas me entregariam à santa e eu seria dela para sempre. Comecei a melhorar um ou dois dias depois, o processo foi lento e só voltei a andar depois de mais de um mês. Estar sob as bênçãos de Nossa Senhora é ter um pouco da minha mãe e da minha avó ao meu lado.

Allexandre Silva, 43 jornalista

Guilherme BaffiAriovaldo Vieira de Souza
Ariovaldo Vieira de Souza (Foto: Guilherme Baffi)

Santa, santa, santa

Quando eu tinha 7 anos, recebi uma cura milagrosa de Nossa Senhora Aparecida. Eu morava em um sítio em Pereira Barreto e fiquei muito doente. Quando meu pai percebeu que morreria, foi até uma igreja na cidade e pediu para o padre que benzesse uma medalhinha de Nossa Senhora. Ele a colocou nas minhas mãos e eu sarei, sem remédios, sem médicos, só com a interseção da santa, a quem sou devoto há 60 anos. Aos 20, deixei a roça e fui para o seminário e descobri que Deus me deu o dom de pedir pela cura de outras pessoas. Tenho um amor que não pode ser mensurado por Nossa Senhora.

Ariovaldo Vieira de Souza, 67, padre

Mara SousaRizeti Bertelli
Rizeti Bertelli (Foto: Mara Sousa)

Rizeti pede emprego à santa

A minha situação financeira se complicou demais e em abril eu percebi que não conseguiria mais me manter. Precisava de um emprego, mas, aos 59 anos, sabia que era praticamente impossível conseguir. Nas agências, já tinham dito que não há emprego para pessoas com essa idade. A primeira coisa que eu fiz foi rezar uma novena para Nossa Senhora Aparecida, pedir por um milagre, e depois passei a falar com conhecidos. Cerca de 25 dias depois que fiz a novena surgiram três oportunidades de empregos, cheguei a ficar confusa sobre qual escolher, mas me ajoelhei em frente à imagem de Nossa Senhora e agradeci. Fui até a Basílica de Rio Preto para dizer para a minha santa que sabia que ela não me faltaria.

Rizeti Bertelli, 59, representante comercial

História cheia de milagres

Desde 1745, na pequena capela inaugurada pelo padre Vilela, já havia a Sala das Promessas. Naquele período, os objetos de graças alcançadas eram poucos e bem simples. A sala teve diversos nomes, como Casa dos Milagres, Quarto dos Milagres, Sala dos Milagres. Em 1974, a Sala das Promessas chegou ao subsolo do novo Santuário de Aparecida.

Entre os milagres atribuídos por interseção da santa está o de um menino salvo de um afogamento. Em 1862, morava nas margens do rio Paraíba do Sul, a família de um menino chamado Marcelino, que tinha três anos de idade. Durante uma brincadeira no barco o garoto caiu no rio. Sua mãe Angélica e sua irmã Antônia ajoelharam e pediram à santa para que Marcelino não se afogasse. Na mesma hora o menino começou a boiar, sem engolir água do rio, e seu pai o retirou são e salvo.

Outra história é a do escravo Zacarias. Ele voltava com seu feitor para a fazenda de onde havia fugido e, ao passar pelo santuário, pediu para rezar aos pés da Mãe Aparecida. Zacarias, como muita fé, fez suas orações e o milagre aconteceu: as correntes que o prendiam se soltaram e Zacarias ficou livre.

Em 1874, Getrudes Vaz e sua filha – cega de nascença – levaram três meses de viagem de Jaboticabal até Aparecida. A menina havia ouvido a história da pesca milagrosa e queria visitar Nossa Senhora Aparecida. Quando chegavam, ainda na estrada, a menina fixou o horizonte e exclamou: “Olha, mamãe, a capela da santa!”. Mãe e filha, curada, foram rezar agradecidas, ajoelhadas aos pés de Nossa Senhora.

A origem da imagem

De acordo com a historiadora Tereza Pasin, a imagem de Nossa Senhora teria sido esculpida por volta do ano de 1600, provavelmente pelo frei Agostinho de Jesus, discípulo de frei Agostinho da Piedade.

Não há informações sobre como a imagem foi parar no rio Paraíba. De acordo com a historiadora, ela pode tanto ter sido jogada por alguém que quis se desfazer da imagem ou a peça poderia estar abrigada em uma capelinha na cidade de Roseira, quando foi arrastada por uma enchente.

A imagem já passou por atentados. Em 16 de maio de 1978, durante a última missa na então Basílica Velha, ocorreu um blecaute que durou cerca de dois minutos. Rogério Marcos de Oliveira, de 19 anos, foi até o altar, deu um salto e com três murros quebrou o vidro protetor, pegou a imagem, mas a cabeça se desprendeu, caiu no chão, e se desfez em mais de 50 pedaços, parte ficou em farelos.

O rapaz fugiu pelas ruas de Aparecida com o corpo da imagem e, ao ser detido, o jogou no chão, quebrando-o em 165 partes. Coube à artista plástica Maria Helena Chartuni a restauração. Foi quando se descobriu que a cor verdadeira da imagem era rosácea. O lodo do rio a deixou amarronzada e a fumaça e fuligem, além das velas deixadas pelos fiéis, a tornaram negra.

A restauração causou controvérsia porque o padre Izidro de Oliveira Santos, reitor do Santuário de Aparecida, quis que a cor fosse levemente clareada, mas a artista Maria Helena discordou.

Santa já usou coroa feita em Rio Preto

Em 2003 foi realizado um Concurso Nacional de Design para escolher a Coroa do Centenário de Coroação da Imagem de Aparecida. Participaram 167 artistas, de 17 estados brasileiro.

O desenho vencedor foi o das artesãs Lena Garrido e Débora Camisasca e o artesão de Rio Preto José Costantini, proprietário da indústria de joias, junto com ourives da cidade, confeccionaram a peça.

A coroa comemorativa tem as mesmas dimensões da que foi doada pela princesa Isabel em 1887, com 13 centímetros de altura por 11 centímetros de largura.

A Santa usou a corou por um ano, para a comemoração do Centenário, e atualmente se encontra no acervo do Museu do Santuário.

A coroa tem mais de 600 pedras preciosas brasileiras, entre diamantes, topázios e turmalinas cravadas em 300 gramas de ouro 18 quilates.

artigo

‘Salve a Virgem Imaculada’

A Solenidade da Padroeira do Brasil nos recorda a presença materna e consoladora da Virgem Maria, experimentada em 1717 por três pobres pescadores, na aurora de nossa história nacional. Trezentos anos depois, este Ano Mariano comemora aquele evento extraordinário, quando as redes vazias dos pobres quase se romperam pela abundância de peixes, após o encontro da imagem enegrecida da Imaculada Conceição.

Desde então, a pequena imagem é venerada pelos brasileiros como sinal do cuidado carinhoso e providente da Mãe do Senhor, que está junto aos seus filhos na história, na terra, na vida do nosso povo. Por isso, em todo o território nacional, gente de todas as raças que fazem esta nação canta com devota gratidão: “Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Salve a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida”!

Não poderia ser diferente! Foi o próprio Cristo quem lhe deu essa missão materna em relação a nós, seus discípulos amados. Jesus olha para todo cristão – católico ou não – e indica: “Eis a tua Mãe”! Todo discípulo de Cristo tem o dever de acolher o dom do Senhor, o dever de levar a Mãe de Jesus – agora Mãe de cada cristão – para sua casa. Não fazê-lo é desobedecer a um preceito expresso e claro do Senhor, é privar-se de tão grande dom! Por isso, mil vezes tem razão o povo brasileiro em orgulhar-se hoje de ter Maria por Mãe. De tê-la proclamado Rainha e Padroeira do Brasil!

Como nossa Mãe Aparecida, que ela interceda pelo povo brasileiro, ajude-nos a construir um país mais cristão, mais justo, mais pacífico e solidário.

Cardeal Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro; ex-bispo de Rio Preto.

Fonte: Diarioweb

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