Revelação

esporte_américaPierre, de 17 anos, tem faro de artilheiro aguçado. Na linguagem dos boleiros, tem “cheiro de gol”. Não por acaso, fez cinco participando de três jogos com a camisa do América, dois como titular e um entrando na etapa final, no derby contra o Rio Preto pelo Campeonato Paulista Sub-17 (juvenil). Foram três gols nesta partida, que proporcionaram uma ascensão meteórica. Ganhou a vaga de titular contra o Novorizontino, quando fez mais um gol, e foi promovido ao profissional pelo técnico Renato Ferreira.

Entrou como titular diante do Presidente Prudente, sábado passado, pela quarta divisão, e fez outro gol. O retrospecto já coloca o jovem Alan Pierre da Cruz como principal revelação do América nos últimos anos. Raro como um rubi natural e que pode entrar no rol de craques que brilharam com a camisa vermelhinha com pouca idade. No final da década de 1990, aos 16 anos, Eduardo Alcides era titular na zaga americana na Série A-2 do Campeonato Paulista.

O atacante Marcinho, aos 19 anos, ajudou o Rubro a ser campeão do A-2 de 1999, sendo vendido depois para o Guarani. Em 2005, Danilinho, aos 18 anos, se projetava como garçom do atacante Finazzi, artilheiro do Paulistão daquele ano, com 17 gols. O último grande nome a brilhar no clube foi o atacante Luan, que chegou emprestado pelo Tanabi e pelo América disputou apenas a Copa São Paulo de Juniores, sendo comprado posteriormente pelo então gestor do América Dimas Macedo e levado ao Catanduvense, de onde seguiu para a base do Grêmio-RS.

A nova joia americana quer ser chamado apenas de Pierre. Mineiro de Santa Maria de Itabira, passou de zagueiro gordinho a atacante matador. Esteve em um projeto em Itajubá-MG e de lá foi para a base do Avaí, de Santa Catarina, onde ficou por um ano e meio. Voltou a Jacutinga-MG, onde fez parte do time sub-20 no Campeonato Mineiro e depois atuou na base de Grêmio Barueri e Capivariano.

“As coisas não vinham dando certo pra mim. Mas minha confiança está em Deus. A gente não tem só momentos bons, passa por provações e eu fui provado por Deus”, diz o garoto. “Sempre tive fé que Ele ia me colocar em um bom lugar para as coisas acontecerem e Ele escolheu aqui”, acrescenta, com uma confiança inabalável.

Para deixar de ser promessa e se tornar realidade, Pierre terá de mostrar o mesmo faro de gols para ajudar o Rubro a vencer o derby regional contra o José Bonifácio, neste sábado, às 15 horas. “Que seja o primeiro de muitos gols com essa camisa maravilhosa, com esse time que já está no meu coração”, afirmou. “Vou continuar trabalhando forte porque isso é só o começo de uma carreira que será abençoada”, emendou.

Diretoria promete blindar o novato

Os gols e a consequente badalação sobre Pierre serviram de alerta ao América, que ainda não profissionalizou o jovem atacante. Seu vínculo é apenas como amador e tem validade até 3 de abril de 2020. Porém, o presidente Luiz Donizete Prieto, o Italiano, e a empresa Brumed Sports, parceira da base e responsável por trazer o jogador para o Teixeirão, prometem blindá-lo com seu primeiro contrato profissional.

“Recebi no mínimo cinco ligações, até uma de fora do País perguntando sobre ele. Já conversei com o (Edilson) Lugui, que é nosso parceiro e nesta semana vamos profissionalizar o menino”, afirmou Italiano, que vê no jogador uma solução para dívida milionária do Rubro. “O América não vai ter pressa em vendê-lo. Pretendemos contar com ele até a Copa São Paulo (em janeiro de 2018) e só assim o clube pode sair desse buraco”, disse Italiano.

“Vamos segurá-lo para que ele possa proporcionar um bom dinheiro para o clube.” O atacante Fred, hoje no Atlético-MG, teve uma passagem meteórica na base do Rubro. Era reserva de Jales no sub-20 e saiu por problemas disciplinares para ganhar projeção no América-MG. “O Pierre lembra muito o Fred. Não vai driblar três, quatro adversários para fazer o gol, mas na hora que sobra na frente do gol ele guarda”, resume Italiano.

Fenômeno e Fred servem de inspiração

Pierre vem de uma família de “boleiros” que não saíram da várzea. Segundo ele, um tio era craque, poderia ter ido para a base do Cruzeiro, mas seguiu sua vida em Santa Maria de Itabira. O pai só jogava em torneios amadores e rachas. Vendo os gols de Ronaldo Fenômeno por vídeos e outros artilheiros em ação, Pierre buscou inspiração. “Cresci vendo os vídeos do Ronaldo, mas vi muitos gols do Fred, ultimamente vejo Lewandowski. O Ricardo Oliveira também é um exemplo de conduta fora de campo”, disse Pierre.

Evangélico fervoroso, o jovem atacante coloca Deus acima de tudo e procura comemorar seus gols com o dedo da mão direita em riste para o céu e cobrindo o rosto puxando a gola da camisa. “Em 2013, eu era zagueiro. De um tempo para cá comecei a gostar de gols. Era gordinho na infância e tinha um chute muito forte”, emendou o garoto. O colocaram na zaga para aproveitar sua estatura. “Era só chutão. Mas logo vi que não era a minha tirar a bola, mas botar para dentro. Não sou driblador, mas tenho bom posicionamento e de colocar a bola pra dentro eu entendo. Quem sabe não seja mais um que entra na história do América, que sempre foi grande”, finalizou.

Fonte: Diarioweb

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