Rillo ‘salva’ projeto do hospital de Edinho

Mesas vazias de vereadores que faltaram à sessão de ontem na Câmara de Rio Preto, a maioria da base aliada de Edinho, que colocaram aprovação de projeto sobre hospital na zona norte em risco

Apesar de ter maioria folgada na Câmara de Rio Preto dos 17 vereadores, apenas dois, Marco Rillo (PT) e Gerson Furquim (PP), são declaradamente de oposição , o prefeito Edinho Araújo (MDB) dependeu do voto de um deles para destravar, durante sessão extra na manhã desta quinta, 7, projeto que vai permitir a construção de um hospital na zona norte.

O governo precisava de 12 votos para aprovar projeto que corrige dados sobre a matrícula de área próxima do antigo IPA que será permutada pela construção do hospital. Na hora da votação, com as faltas de Cláudia De Giuli (PMB), Karina Caroline (PRB) e Jean Dornelas (PSL) na sessão, o governo contava com o voto de Jorge Menezes (PTB) para alcançar o quórum mínimo necessário, mas ele também não apareceu para votar. O voto que garantiu a aprovação do projeto foi justamente de Rillo, o maior crítico do governo na Casa.

A ausência de Jorge Menezes no plenário causou mal-estar no governo, que acusa o vereador de estar no prédio da Câmara quando a proposta foi votada. “Ele terá de explicar porque não votou no projeto do hospital. Ele se posicionou contra a zona norte, onde está a maior parte do seu eleitorado”, disse um assessor próximo de Edinho.

Integrante da cúpula do governo admitiu que Rillo “salvou” o projeto, considerado estratégico para a campanha de reeleição do prefeito no próximo ano. Edinho pretende intensificar as ações na zona norte, região mais populosa de Rio Preto e onde ele tem os índices mais baixos de intenção de voto, segundo a pesquisa Diário/PHD publicada em setembro. A construção do hospital na região, cuja licitação para a venda da área pública que financiará o investimento será aberta nesta sexta-feira, 8, é um dos trunfos do prefeito. Edinho marcou o ato para hoje já contando com a aprovação do projeto ontem, o que por pouco não ocorreu.

“Sabemos que o vereador tem autonomia. Nós arriscamos, mas estar na Casa e não ir votar por mero capricho não podemos aceitar. O cara não pode deixar de votar questões de interesse da cidade por conta de seus interesses particulares”, afirmou um membro do governo.

Menezes nega que estivesse na Câmara quando o projeto foi votado ontem.

Para garantir que o projeto fosse aprovado, mesmo sem o voto do petebista, o presidente da Câmara, Paulo Pauléra (PP), disse que foi falar com o petista. “Conversei com o Rillo sobre a posição dele no projeto. Ele disse que votaria a favor”, afirmou Pauléra.

O Diário apurou que o governo não conta mais com o apoio de Menezes nas votações. Na última sessão, o vereador já havia sinalizado que não está disposto a votar proposta de interesse do Executivo. “Não vou mais contar com ele [Menezes]. Não dá para confiar”, afirmou um interlocutor do prefeito, que pediu para não ser identificado.

Jogo de interesses

O governo acusa o petebista de ingratidão. Interlocutor do prefeito diz que recentemente a Secretaria de Governo atuou para conseguir alvará extraordinário junto ao Corpo de Bombeiros para a realização de show no Centro Regional de Eventos. A organização era da empresa de Menezes. “Consegui um alvará extraordinário, mas ele não reconhece. Vive precisando da gente. Ele [Menezes] está se lascando para a população”, afirmou o integrante do governo.

Licitação

A licitação que será aberta hoje pelo prefeito espera atrair até R$ 25 milhões para área com 150 mil metros quadrados. Quem comprar o terreno, perto do antigo IPA, destinará o dinheiro para a construção do hospital, na avenida Alberto Olivieri, no Parque Residencial Atlântica, na zona norte. A nova unidade de saúde deve ter 400 leitos.

‘Tem de provar’, afirma Menezes

O vereador Jorge Menezes (PTB) afirmou que não estava na Câmara no momento da sessão, como acusa o governo. “Tem de provar. Eu não estava na Câmara”, disse. “Tinha compromisso particular, de família”. Ele disse que, se estivesse na Casa, votaria a favor da proposta do prefeito Edinho Araújo (MDB) que regulariza área para permuta destinada à construção do hospital municipal na zona norte. “Marcaram uma sessão extra e não me consultaram”, afirmou. De acordo com o vereador, ele não deve satisfação para colegas na Câmara ou para membros do governo. Ele classificou as críticas disparadas contra ele como “conversa fiada”, sem fundamento.

Menezes, no entanto, admitiu que nos últimos anos tem enfrentado problemas na Secretaria de Agricultura para reservar data para eventos no Recinto de Exposições. “Faço pedido antes de uma data e dão prioridade para empresas de fora de Rio Preto”, afirmou ele, que é produtor de eventos. Em relação ao alvará extraordinário do Corpo de Bombeiros que o governo diz ter conseguido para que ele realizasse show no Centro Regional de Eventos, o vereador disse que foi ele quem conseguiu o documento.

Fonte: Diário da Região

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