Ronda da Guarda vai proteger mulheres

Mara Sousa 26/11/2018 | “Muitas vezes, a vítima volta a ser atacada pelo agressor, porque ele acha que não vai ser pego. Agora, com reforço da Guarda Municipal, aumenta a possibilidade de pegá-lo em flagrante” – Dálice Aparecida Ceron, delegada da DDM

Todos os dias, em média, são emitidas três medidas protetivas em Rio Preto. Para reforçar a proteção das vítimas, a Guarda Civil Municipal (GCM) vai implantar em dois meses a Patrulha Maria da Penha, uma ronda especial para garantir que as mulheres não voltem a ser atacadas pelos agressores.

A proposta é reforçar o patrulhamento, principalmente aos fins de semana, quando crescem os casos de agressões físicas, mas estão fechados dois pontos de socorro às vítimas, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e a Secretaria Municipal da Mulher.

Para fazer as rondas em Rio Preto, os guardas municipais vão receber cópias das medidas protetivas, com endereços e telefones das vítimas. Com base nestes dados, eles vão entrar em contato com as mulheres agredidas e irão fazer visitas periódicas nas residências, com determinação para prender agressores que forem flagrados descumprindo a medida. O patrulhamento será dividido por regiões da cidade e todas as equipes de plantão participarão das rondas.

De 1º de janeiro até 6 de novembro deste ano, foram emitidas 1.007 medidas protetivas, segundo a DDM. Número que já supera todo o ano passado, com 914 medidas. Em 2018, nove mulheres foram vítimas de feminicídio em Rio Preto. Neste ano, já são seis vítimas.

A primeira reunião de preparação da patrulha foi realizada na manhã desta quarta-feira, 6, na sede da Secretaria da Mulher, com participação da secretária, Maureen Leão Cury, do comandante da GCM, Silvio Pedro da Silva, do delegado seccional, Silas José dos Santos, da delegada Dálice Aparecida Ceron, e do capitão Alessandro Deladona, como representante do comando do 17º Batalhão da PM Rio Preto.

A implantação da patrulha vem após a sanção do prefeito, Edinho Araújo, de lei proposta pela vereadora Karina Caroline.

“Tivemos uma reunião intersetorial para elaboração do fluxograma para atendimento das vítimas, para orientar os guardas para onde levar essas vítimas. Em casos mais graves, ela pode ser levada para a Casa Abrigo, onde ficará escondida e protegida do agressor”, explica a secretária.

De acordo com Maureen, a cidade é referência no interior do Estado por ter uma grande rede de proteção às vítimas, mas necessita receber o reforço da proteção 24 horas da Guarda.

Modelo de Curitiba

Como parte do processo de implantação da patrulha, o diretor da GCM e os guardas Fabiano Luís Medeiros Sanches e Fábia Suaide foram até Curitiba para conhecer como as rondas funcionam para reproduzir o modelo aqui em Rio Preto. “Também conhecemos a ronda de medida protetiva criada pela Prefeitura de Suzano. Agora, vamos repassar essa capacitação para os 240 guardas municipais”, explica Sanches.

Como parte da divulgação da patrulha, em parte da frota da GCM será fixado o símbolo da ronda, mas o desenho ainda está em fase de elaboração.

A delegada Dálice acredita que a implantação é importante para garantir o cumprimento da medida protetiva. “Muitas vezes, a vítima volta a ser atacada pelo agressor, porque ele acha que não vai ser pego. Agora, com reforço da Guarda Municipal, aumenta a possibilidade de pegá-lo em flagrante. Quanto mais agressores forem parar atrás das grades, mais entenderão que devem respeitar a determinação de se manter cem metros afastados das vítimas”, comenta a delegada.

A PATRULHA

Patrulha Maria da Penha

  • Guardas municipais vão receber todas as medidas protetivas expedidas em Rio Preto e os endereços das vítimas
  • De janeiro a 6 de novembro, foram concedidas 1.007 medidas protetivas em Rio Preto – em todo o ano passado, foram 914 medidas
  • Rondas serão feitas 24 horas, com reforço principalmente nos fins de semana, quando a Delegacia de Defesa da Mulher está fechada em Rio Preto
  • Guardas vão ligar para vítimas de violência durante as rondas GCMs também vão visitar a casa das vítimas
  • Relatório da visita será elaborado, depois encaminhado para DDM, Secretaria da Mulher e Justiça
  • O agressor que for flagrado a menos de 100 metros de distância da vítima será encaminhado para a Central de Flagrantes
  • Caso a vítima peça socorro pelo 157 (número de emergência da Guarda), o pedido será transferido para a viatura da GCM ou da PM mais próxima para fazer o atendimento
  • Em parte dos veículos da GCM, será colocado adesivo com o símbolo da Patrulha da Maria da Penha

Estrutura da Guarda Municipal

  • 242 integrantes
  • 52 viaturas, carros e motos
  • Ronda motorizada
  • Ronda de bicicleta (Represa e Calçadão)
  • Ronda a pé

WhatsApp das denúncias

A delegada da mulher de Barretos, Denise Vichiato Polizelli, resolveu inovar para colher as denúncias das vítimas: criou um WhatsApp para que as mulheres atacadas possam enviar áudios, vídeos, fotos e prints de conversas como prova de agressão.

Denise afirma que a ideia de oferecer o WhatsApp para as vítimas veio de observar a dificuldade diária das mulheres agredidas em enviar as provas das agressões, que são necessárias para o andamento dos inquéritos policiais.

“A gente pedia para elas entregarem as fotos, vídeos e áudios em um CD ou em um pen drive, mas muitas delas não sabiam como tirar isso dos celulares. Isso praticamente paralisava as investigações. Agora pelo WhatsApp fica mais fácil. Todo mundo sabe compartilhar”, comenta a delegada.

Para não comprometer a privacidade dos policiais, a delegada criou uma conta de WhatsApp Business, que fica conectado a um computador da DDM de Barretos.

A ideia foi elogiada pela delegada coordenadora da DDM de Rio Preto, Dálice Aparecida Ceron, que pensa em copiar o modelo para atendimento das vítimas da cidade. (MAS)

Fonte: Diário da Região

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