Sanduíche de asfalto

Por conta de um erro no projeto inicial no Plano de Mobilidade Urbana, a Prefeitura de Rio Preto terá de gastar mais R$ 10 milhões – um quinto dos R$ 53 milhões totais do projeto – para poder erguer as calçadas e corrigir as valetas deixadas na guia entre a calçada e a rua em diversos pontos.

O projeto inicial previa que a empresa colocasse asfalto sobre a rua já existente, porém os responsáveis esqueceram que isso formaria degraus até mesmo nas rampas de acessibilidade.

Em alguns trechos, como na rua Pedro Amaral, o desnível chega a vinte centímetros de profundidade, o que causa transtorno até para veículos. O Diário apontou o problema em maio deste ano, mas nenhuma atitude foi tomada. Pelo contrário, as obras prosseguiram causando ainda mais inacessibilidade.

O problema é ainda mais grave para pessoas com dificuldades de locomoção. A atriz e performance Vanessa Cornélio, 40 anos, é cadeirante e mesmo com toda a habilidade que tem para manusear sua cadeira de rodas motorizada não consegue sozinha cruzar o meio fio da rua Marechal Deodoro da Fonseca entre as ruas Campos Sales e Major Batista França.

O serviço de recapeamento deixou a rua mais alta e uma valeta entre a rua e a calçada. “Não tem nenhuma acessibilidade. O rebaixamento das calçadas já era ruim, agora ficou pior”, disse.

Moradora da Boa Vista ela inclusive já teve problemas por conta do desnível da sarjeta. “Outro dia a roda da cadeira ficou presa, não ia para a frente e nem para trás. Tive de ficar no sol esperando alguém para me ajudar. A situação do meu bairro é bem triste”, afirmou.

O projeto de mobilidade urbana foi orçado em R$ 53 milhões, de acordo com o contrato firmado na gestão do ex-prefeito Valdomiro Lopes, e prevê o recapeamento de 80 quilômetros de asfalto.

A reportagem constatou que nas principais ruas do Centro e da Boa Vista, onde ocorreram as obras, a rua ficou mais alta e provocou o problema de acessibilidade. De acordo com a Secretaria de Obras, será preciso erguer a calçada para corrigir o problema, o que deve custar R$ 10 milhões e gerar ainda mais incômodo aos comerciantes.

A Prefeitura informou que notificou a ATP Engenharia, empresa localizada em Recife e responsável pelo projeto, sobre o erro, mas que ainda não sabe como vai pedir o ressarcimento dos valores. De acordo do administração municipal, a Constroeste, executora da obra, apenas seguiu o projeto inicial feito pela ATP.

“A Prefeitura de Rio Preto notificou a empresa responsável pelo projeto inicial e foi elaborado um novo projeto para alterar as guias. Esse projeto foi apresentado à Caixa Econômica Federal para reprogramação financeira da obra, porém a Secretaria de Obras ainda não foi informada sobre o resultado da reprogramação. Após a autorização da Caixa a Secretaria de Obras irá se reunir para decidir quais os procedimentos poderão ser adotados para o ressarcimento dos valores”, informou em nota.

A previsão é de que a autorização seja concedida em dezembro. A reportagem procurou a ATP Engenharia, mas nenhum dos responsáveis foi encontrado na tarde desta segunda-feira, dia 13. O Diário também procurou, por meio da assessoria de imprensa, o ex-prefeito Valdomiro Lopes, mas ele não foi localizado. A Constroeste não se manifestou até o fechamento desta edição.

Fonte: Diarioweb

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