Irmã Celeida se despede de São José do Rio Preto

IRMA CELEIDA (1)Irmã Celeida Ferreira é religiosa da Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado. Por decisão própria, decidiu deixar a casa da congregação, no Bairro Boa Vista, em São José do Rio Preto, para ir para a casa de Goiânia. A despedida se deu no último dia 11 de junho.

Em uma conversa descontraída e, ao mesmo tempo, emocionante, a irmã, com 83 anos de idade e 63 de vida consagrada, contou ao Diocese Hoje um pouco de sua história, do seu discernimento vocacional e da sua vida religiosa como missionária de Jesus Crucificado.

Família e origem

Irmã Celeida é natural da região do Triângulo Mineiro. Nascida em 14 de julho de 1934 em Areias, MG, na Fazenda do Rio Verde, é de família simples e a mais velha de três irmãos. Os pais são primos de primeiro grau.

Discernimento vocacional

Irmã Celeida tinha 15 anos quando sentiu o chamado à vida consagrada pela primeira vez. Estudava em Uberaba, no Colégio Nossa Senhora das Dores e, num retiro, ao ler “História de uma alma”, de Santa Teresinha do Menino Jesus, ficou encantada. “Eu pensei: ‘Jesus, será mesmo? Vou ter de deixar pai, mãe, namorado, tudo…’, mas entreguei nas mãos de Jesus e de Nossa Senhora”, lembra.

Decidida, Irmã Celeida comunicou aos pais. A primeira a saber foi a mãe. O pai contestou, por ser a mais velha das irmãs e que, por isso, deveria constituir família. Nessa época, já estava prometida em casamento. “Mas eu falei: ‘papai, se eu me casar, o senhor não tem certeza se eu vou ficar aqui perto do senhor; se eu for freira, também vou pra longe.’ Ele ficou meio assim [surpreso], mas não disse nada.”

O ingresso no convento

Na inauguração do seminário de Uberaba, Irmã Celeida viu algumas religiosas e aproximou-se para conhecê-las. Foi quando uma das irmãs apresentou-lhe a Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, fundada por Dom Francisco de Campos Barreto e Maria Vilac, em Campinas, 1928. “Eu perguntei como era isso [a vida na congregação] e ela me respondeu: ‘Olha, Celeida, é assim: um pé no mundo e outra no convento’. Na hora respondi: ‘É o que eu quero, porque não quero ficar presa, mas também não quero ficar solta.’”, se recorda, entre risos, a irmã. Assim, Irmã Celeida ingressou na congregação religiosa em 06 de julho de 1954, aos 19 anos e professou os votos perpétuos em 1961.

A vida na congregação

Irmã Celeida tem uma extensa ficha de trabalhos desenvolvidos e cidades por que passou em seus 63 anos de vida religiosa. Começou em Campinas, onde ingressou na congregação e já passou por Rio Claro, São Carlos, Pinhal, Elias Fausto, São Paulo e Santos (SP);  Alto Paraguai (MT); Goiânia, Planaltina de Goiânia e Itaguari (GO); Frutal (MG). Entre as atividades que constam em sua ficha, destacam-se formação, missão, curso de atualização e, sobretudo, trabalho pastoral. Chegou a São José do Rio Preto há 11 anos, em 2006, depois de ter ficado 15 anos em licença para se dedicar aos cuidados da mãe.

Em São José do Rio Preto

A Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado foi uma das primeiras a chegar a Rio Preto. Veio para a cidade a pedido de Dom Lafayete Libânio para cozinhar no seminário diocesano. Por muitos anos, as irmãs estiveram ligadas ao seminário.

Em Rio Preto, as irmãs já passaram por várias casas até se instalarem definitivamente na residência da Rua Raul de Carvalho, no Boa Vista. Por mais ou menos 30 anos, estiveram à frente do Colégio Santo Antônio. Na cidade, atuaram no movimento afro, na catequese, nos vicentinos e também no acompanhamento de casais, de onde saiu a Comunidade das Bodas de Caná, existente até hoje. Atualmente, o trabalho das irmãs restringe-se mais à visita às famílias e às casas no entorno de onde moram.

Nesses 11 anos em São José do Rio Preto, Irmã Celeida se recorda da sua acolhida na diocese, dos seus trabalhos desenvolvidos, da presença dos bispos junto a elas, especialmente de Dom Paulo Mendes Peixoto, da participação delas em todos os encontros e eventos possíveis desta igreja particular e da preocupação que a diocese e os bispos sempre mostraram para com a congregação. “Amo Rio Preto, amo essa Igreja e sou muito grata a tudo o que vivi aqui.”, diz ela.

Sua partida é uma decisão pessoal que foi tomada durante os quatro meses em que esteve em Goiânia, de novembro do ano passado a fevereiro deste ano, a pedido da superiora da congregação.

Perguntada como está se sentindo por ir embora, ela afirma, com olhar sereno e firmeza nas palavras: “Estou em paz e tranquila, de bem comigo mesma e com os outros.” De tudo o que já viveu e passou, entre desafios e dificuldades, Irmã Celeida deixa um ensinamento: “É na dor, é na cruz, que a gente amadurece!”.

A Diocese de São José do Rio Preto expressa profunda gratidão à Irmã Celeida, bem como a todas as irmãs missionárias de Jesus crucificado, e deseja-lhe as mais copiosas bênçãos de Deus, especialmente nesta nova etapa de sua vida recém-iniciada. Que São José e o Coração Imaculado de Maria sejam sempre seu auxílio e proteção.

Texto e Foto: Paulo Castro
Colaborou: Irmã Zilá Melo Marcondes

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