Palavra do Bispo › 24/08/2018

Iniciação à Vida Cristã

Vida Cristã é viver em Deus, viver para Deus, viver a partir de Deus. A vida cristã é um mistério que se desenvolve à luz da graça de Deus, sob a direção do Divino Espírito Santo, cuja ação antecede e viabiliza a nossa. Não é fácil viver de modo cristão, mas um desafio permanente que perdura até o momento da morte. Por ser mistério e desafio, a Vida Cristã exige uma iniciação, uma introdução, que se desenvolve a partir da realidade concreta de cada fiel.

O objetivo da Iniciação à Vida Cristã é ajudar o fiel, na Igreja, a conhecer, encontrar, amar, seguir, celebrar e testemunhar Nosso Senhor Jesus Cristo, consciente de que esta dinâmica se desenvolve no contexto do mistério do Reino de Deus. A questão não é formal e nem de informação, mas de caráter existencial, vivencial. O que se deseja é uma pessoa nova, restaurada pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que viva comunitariamente a sua fé na Igreja e na sociedade civil experimente de modo peculiar os valores do evangelho.

O católico iniciado na vida cristã tem consciência de que vive em Deus, para Deus e a partir de Deus, não se pertence, está no mundo e não é do mundo, é um estrangeiro, mas também um cidadão do céu desde aqui e agora. A primazia da ação é do Espírito Santo, não a própria vontade, que possibilita surgir a nossa ação, que será sempre segunda, uma resposta à ação primeira de Deus.

Quem faz a experiência da iniciação à vida cristã batalha diariamente para viver sua vida pessoal, familiar, profissional e social guiado por valores éticos e cristãos: verdade, honestidade, integridade, solidariedade, fraternidade, justiça, pureza, castidade, fé, esperança, caridade, piedade, fortaleza e temperança. Vivendo assim ele se distingue das pessoas “mundanas”, isto é, dos que vivem segundo o mundo: mentira, desonestidade, falsidade, egoísmo, injustiça, erotismo, adultério, descrença, desespero, impiedade e maldade.

O iniciado na vida cristã vence o subjetivismo de uma fé autocêntrica e individualista e naturalmente se abre para viver a dimensão comunitária da fé na família, nas pequenas comunidades, na paróquia e na Diocese. Ele tem a Igreja como mãe e mestra, nela se faz filho e discípulo, com ela se torna apóstolo, missionário e testemunha de Nosso Senhor Jesus Cristo e de seu evangelho de salvação. É corresponsável pela vida da Igreja através da oferta do seu dízimo honesto e fiel, expressão sensível da doação de si mesmo, de uma vida oblativa   agradável a Deus.

Batizado e crismado, na Igreja, o iniciado à vida cristã vive dos sacramentos e dos sacramentais. É uma pessoa eucarística que se alimenta do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na sua caducidade e humildade, busca no sacramento da confissão o perdão dos seus pecados e a restauração da santidade comprometida ou perdida, confiante na misericórdia de Deus. Prepara-se para formar uma família, iniciando-a com o sacramento do matrimônio, este preparado e precedido devidamente pelos tempos do namoro e do noivado. Na enfermidade, na doença e na velhice busca a Unção dos Enfermos, um bálsamo para o corpo e a alma. Nasce, vive e morre iluminado e ungido pelos mistérios da fé, que brotam da vida e da ação redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado, morto e ressuscitado.

Não serei iniciado à vida cristã se não fizer uma experiência pessoal de encontro com a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eu preciso aceitá-lo como Senhor e Deus de minha vida, dizer sim a Ele, deixá-lo reconfigurar minha existência, livrando-me do vírus do pecado e de suas redes sedutoras que aprisionam e levam à segunda morte, ao distanciamento absoluto e definitivo de Deus.

Iniciantes ou iniciados à vida cristã, somos convidados, convocados e enviados a conduzir as pessoas até Nosso Senhor Jesus Cristo ou a oferecê-lo a cada pecador que precise de conversão. O iniciado à vida cristã é um missionário, apóstolo, testemunha de Nosso Senhor Jesus Cristo pela vida e pela palavra, vivendo e anunciando o Evangelho e sinalizando o Reino de Deus desde já, no mundo e na história, até a sua plenitude na eternidade feliz do céu.

 

+Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto  

 

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