Palavra do Bispo › 10/12/2012

Mulher incrivelmente bela, belíssima!

Quando temos alguém belo e ou bom na família, queremos condividir a alegria com os outros. Em oito de dezembro temos uma solenidade na Igreja Católica Apostólica Romana, a imaculada conceição de Nossa Senhora.

No início da história, quando o homem tomou consciência de sua imperfeição moral, recebeu de Deus uma promessa de restauração de sua condição. A realização desta profecia passaria pela cooperação de uma mulher, que seria inimiga do autor do mal e esmagaria a sua cabeça(cf Gn 3,1-20).

A promessa de Deus realiza-se na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. A mulher não é outra senão, a sua mãe, a Virgem Maria, a quem carinhosa e respeitosamente chamamos de Nossa Senhora. Ela é a Mulher do Novo Testamento, como Eva foi do Antigo, mas indizivelmente superior a esta.

Para o mistério da encarnação do Menino Jesus, Deus preparou a pessoa de Maria, desde o momento de seu nascimento, ocorrido quando seus pais, Joaquim e Ana, acreditavam não mais ser possível ter filhos. Deus preserva-a do pecado e de suas consequências para torná-la participante do mistério de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ao rezar uma das invocações a Nossa Senhora, dizemos: “Ó Maria concebida sem pecado, (…)”; assim recordamos a condição singular de sua vinda ao mundo, privilégio concedido por Deus em vista do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. O que Maria é, o é por causa de seu Filho.

Dizer que Maria foi concebida sem pecado é afirmar que é bela, belíssima, formosa, plenamente conforme ao que Deus pensou para ela, por isso agrada ao nosso olhar e ao nosso coração. Nela resplandece sem sombra ou opacidade a vontade de Deus, ela é diáfana.

Nossa Senhora é parte da Igreja, uma participante eminente, modelo ímpar e singular do que podemos e devemos ser por obra e graça de Deus. Em oito de dezembro exaltamos a Virgem Maria, mostramos com santo orgulho ao mundo o que temos de bom e belo, a sua imaculada conceição.

A afirmação da imaculada conceição de Nossa Senhora é um dogma de fé, proclamado pelo Papa Pio IX, em 1854, pela bula Ineffabilis Deus, respondendo a um clamor do Povo de Deus, já explicado por Santo Anselmo, Duns Scoto e assumido no Concílio de Basiléia, em 1439, como uma verdade de fé. Aos dogmas damos o nosso assentimento de fé, que não dispensa a razão.

Vivemos um intenso processo de exaltação da beleza, do cultivo do corpo, da busca da perfeição física. Em si, não há nada de mal nesta busca, desde que não se torne uma obsessão e não se perca de vista outras dimensões da pessoa humana. Ocorre também uma desproporcional erotização da sociedade que não promove igualmente o amor de amizade e a caridade.

Na moldura do advento, como expectativa da parusia e memória do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, a solenidade da imaculada conceição de Nossa Senhora propõe um caminho na busca da beleza que tem na intimidade da pessoa a sua origem e na moralidade o seu limite. Uma beleza transcendente que resplandece na pessoa por obra e graça de Deus.

A beleza de Maria é participação na beleza de Nosso Senhor Jesus Cristo, não só o autor da beleza, mas o Belo. Na beleza de Jesus Cristo, a beleza de Deus. Na beleza de Maria, a beleza de Jesus Cristo. Chamados a participar desta beleza, podemos e devemos, por obra e graça de Deus, acolher em nós a beleza de Maria.

A beleza de Nossa Senhora tem uma feição escatológica. “Maria Santíssima, subtraída ao pecado original é também a garantia de que, no mundo, o bem é mais forte e mais contagioso que o mal. Com ela, a primeira redimida, tem início uma história de graça contagiosa.”

O Prefácio da Missa desta solenidade afirma em concisas palavras: “A fim de preparar para o vosso Filho mãe que fosse digna dele, preservastes a Virgem Maria da mancha do pecado original, enriquecendo-a com a plenitude da vossa graça. Nela nos destes as primícias da Igreja, esposa de Cristo sem ruga e sem mancha, resplandecente de beleza. Puríssima, na verdade, devia ser a Virgem, que nos daria o Salvador, o Cordeiro sem mancha que tira os nossos pecados. Escolhida entre todas as mulheres, modelo de santidade e advogada nossa, ela intervém constantemente em favor do vosso povo.”

O dia oito de dezembro é dia santo de guarda, embora não seja feriado nacional. Podemos e devemos santificá-lo com nossa participação na santa Missa, de preceito, com nossa caridade e realizando dignamente nosso trabalho, se necessário. Podemos acrescentar uma saudável oração, quem sabe a recitação do santo Rosário, ou uma parte dele.

Rezemos juntos: “Ó Deus que preparastes uma digna habitação para o vosso Filho pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preservando-a de todo o pecado em previsão dos méritos de Cristo, concedei-nos chegar até vós purificados também de toda culpa por sua materna intercessão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!”

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