Palavra do Bispo › 09/01/2013

O batismo de Nosso Senhor Jesus Cristo

“Depois do batismo de todo aquele povo, Jesus também foi batizado. E, quando Jesus estava orando, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu na forma de uma pomba sobre ele. E do céu veio uma voz, que disse: ‘Tu és o meu Filho querido e me dás muita alegria.’”(Lc 3, 21-22)

No domingo, treze de janeiro, celebramos na liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana a festa do Batismo de Nosso Senhor Jesus Cristo, conforme relato que encontramos no evangelho de São Lucas, capítulo três, versículos dezesseis a vinte e dois.

São João Batista, ao batizar o povo com água, convida os seus contemporâneos à conversão.Nosso Senhor Jesus Cristo, prestes a iniciar a sua vida pública, isto é, de anunciar e tornar presente o evangelho da salvação, apresenta-se também Ele para ser batizado pelo Batista às margens do rio Jordão. Ele não tinha necessidade de ser batizado, não tinha pecado, não precisava de conversão.

A humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao apresentar-se a João para ser batizado, cria o momento oportuno para que se explique a natureza do novo batismo a ser introduzido pelo Divino Salvador: “Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo”(Lc 3, 16).

Na ocasião do batismo de Nosso Senhor Jesus Cristo há um esclarecimento vindo do céu sobre quem Ele é: “Tu és o meu Filho querido e me dás muita alegria”(Lc 3, 22). Isto ocorre após uma manifestação do Divino Espírito Santo: “E, quando Jesus estava orando, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu na forma de uma pomba sobre ele”(Lc 3, 22).

A celebração litúrgica do batismo de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma ocasião propícia para recordar o batismo que recebemos, pois ele nos proporcionou o perdão do pecado das origens, nos fez filhos de Deus e nos integrou na Igreja, Povo de Deus, Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Há uma crescente tendência das famílias a adiar a busca do batismo para os seus filhos recém nascidos, com o argumento de que os mesmos devem escolher recebê-lo ou não quando adultos. Uma das causas desta atitude é a perda da consciência da natureza e do significado do batismo como porta de entrada para a Vida da Graça, isto é a vida nova em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não deixamos o filho escolher se quer ou não receber as vacinas, alimentar-se, tomar banho, ir ao médico ou freqüentar a escola. Por serem realidades boas e desejáveis, decidimos por ele, para o seu bem presente e futuro. Devemos batizar as crianças, sim, o quanto antes melhor, sem esperar por um futuro incerto.

Certa vez, atendi um jovem médico no escritório paroquial. Enquanto fazia a universidade, em Belo Horizonte, a namorada o introduziu na vida cristã, no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, o que suscitou nele o desejo de ser batizado, pois os seus pais, meus conhecidos e vizinhos, não lhe deram o batismo. O jovem expressou uma interrogação e exclamação: “Padre Tomé, não entendo como os meus pais, que gostam tanto de mim, privaram-me do batismo, da filiação divina e da pertença à Igreja.” Havia no seu coração ressentimento e mágoa, na sua inteligência a compreensão de uma negligência dos pais. No dia do seu batismo, primeira Eucaristia e Crisma, em uma só ocasião, os pais estavam em prantos de arrependimento e publicamente pediram perdão ao filho.

Quero saudar os leigos que trabalham na Pastoral do Batismo em nossas paróquias. Com nossos padres, sejam missionários indo ao encontro das famílias propondo-lhes o batismo dos filhos e explicando-lhes a natureza e necessidade do mesmo.

Não podemos esperar a procura das famílias pelo batismo, é preciso ir ao encontro delas propondo-lhes este sacramento de graça e salvação para os filhos, pois ele é necessário para a salvação e para o bem da vida da pessoa. Uma pastoral do batismo missionária é uma premente urgência na vida pastoral da Igreja: ir buscar nas famílias, conscientizando-as, os batizandos, e ajudando os adultos já batizados a fazerem o caminho de um “catecumenato pós batismal.”

Seria bom saber a data de seu batismo, recordá-lo festivamente trazendo à memória seus padrinhos e o padre ou diácono que o batizou. Este sacramento está na origem de nossa vida cristã e católica, é determinante para a nossa vida presente e futura.

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