Palavra do Bispo › 24/05/2018

O jovem, a fé e a vocação

O horizonte em questão é a Fé Cristã Católica Apostólica Romana, tal como é compreendida pela Igreja. São dois mil anos de história, precedidos por séculos de fé judaica veterotestamentária.

A Fé Cristã Católica Apostólica Romana está centrada, como não podia deixar de ser, na pessoa, na ação e no ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, que ao longo dos últimos 21 séculos, foi se complexificando em doutrina, moral, rito e estruturas, tão gigantescas e ricas, que hoje dificultam a sua assimilação por jovens, hoje filhos do pragmatismo, da objetividade digital, de poucas palavras e muitos sinais, com pouca disponibilidade para um agir razoável.

Agir razoavelmente é deixar-se guiar pela iluminação da razão, agir com inteligência, capaz de discernir, de escolher e efetivar as ações que darão razão de ser à sua breve existência.

O não acesso ou o acesso a uma escolaridade inadequada, no conteúdo e na organização, a dificuldade de integração no mercado de trabalho, a mobilidade que leva a migrar para outras regiões e países, as novas configurações familiares, a releitura de valores humanos “tradicionais”, são apenas alguns elementos que contribuem para complexificar a realidade juvenil no Brasil e a impedir uma vida e ação razoável.

Há um titubeamento do anúncio da fé aos jovens, mas não só a eles, mas generalizada a todos os que são nossos e não estão conosco e os que não são nossos e que muitas vezes são contra nós. A “fragilidade” do anúncio e da vivência da fé não é exclusividade para os jovens e dos jovens, mas o fato é um termômetro para sentir a globalidade da Fé Cristã Católica Apostólica Romana no Brasil hodierno.

A dificuldade da Fé Cristã Católica Apostólica Romana entre os jovens, de modo particular, deve levar a repensar as relações religiosas na família, a catequese e os trabalhos do Setor Juventude da CNBB. Estes dois últimos devem ter a coragem de autoanálise e reconhecerem seus “enganos” e serem capazes de mudar os seus paradigmas e modos de ação.

Que segmentos juvenis estão distantes da fé e com dificuldades de discernimento vocacional? Os jovens do tráfico ou consumidores compulsivos de drogas lícitas e ilícitas? Os jovens que se encontram nas escolas particulares e universidades? Os jovens que não estudam e não trabalham? Os jovens trabalhadores urbanos e rurais? Ou todos os jovens?

Temos jovens que vivem a fé Cristã Católica Apostólica Romana de modo maduro e convincente. Muitos receberam a fé através da família e foi fortalecida na catequese, pastorais, movimentos e associações religiosas. São jovens que abraçam o conhecimento, o amor e o seguimento a Nosso Senhor Jesus Cristo e procuram viver os valores cristãos presentes na Sagrada Escritura e nos documentos do Magistério Eclesiástico.

Os ministros ordenados e os fiéis devem ser audaciosos no ir ao encontro dos jovens, nos lugares onde se encontram, mesmo naqueles espaços que contrariam efetivamente a Fé Cristã Católica Apostólica Romana, para anunciar-lhes o Kerigma: Nosso Senhor Jesus Cristo morreu e ressuscitou para a nossa salvação, manifestação da infinita misericórdia de Deus que chama o pecador à conversão.

O discernimento vocacional, distinto da escolha profissional, pressupõe a fé iluminadora e vivida. A vocação primeira para todos é à santidade, e é indispensável, base sólida para responder à vocação à vida matrimonial, aos ministérios ordenados e à vida consagrada e religiosa. Não se pode olvidar de que temos hoje outras formas de consagração, muitas vezes vinculadas a Associações Religiosas, Novas Comunidades e Movimentos.

Convoco a todos os fiéis cristãos Católicos Apostólicos Romanos a caminharmos nas direções que vão sendo apontadas pelo próximo Sínodo dos Bispos sobre os Jovens, a fé e o discernimento vocacional.

 

+ Tomé Ferreira da Silva

Bispo Diocesano de São José do Rio Preto – SP

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