Palavra do Bispo › 30/05/2017

“OS JOVENS, A FÉ E O DISCERNIMENTO VOCACIONAL.”

O Santo Padre o Papa Francisco, após dois sínodos sobre a família, convocou para outubro de 2018 a  XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional. ”  Em janeiro passado, ele escreveu uma carta aos jovens afirmando: “Quis que estivésseis no centro da atenção, porque trago-vos no coração”.

O tema sinodal é um convite ao jovem para que, guiado pela fé em Jesus Cristo, na Igreja, empreenda um itinerário de discernimento vocacional para descobrir o projeto de Deus para  a sua vida. Os jovens são convidados a escutarem o Espírito Santo que sugere escolhas audazes.

Por outro lado, a juventude deve, segundo o Papa, fazer ouvir o seu grito, deixando-o ressoar nas comunidades e fazendo-o chegar aos bispos, sacerdotes e leigos que os acompanham. O Papa conclui sua carta afirmando: “por meio do caminho deste sínodo, eu e os meus irmãos bispos queremos nos tornar ainda mais colaboradores da vossa alegria (2Cor 1,24).”

Na mesma ocasião, em janeiro passado, foi apresentado o “Documento Preparatório da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos”. O texto é a publicação de um primeiro instrumento   de trabalho enviado às Dioceses, tendo como anexo um conjunto de questões propostas para orientar a reflexão entre os jovens, fiéis que os acompanham, religiosos e ministros ordenados.

Na Diocese de São José do Rio Preto, o instrumento de trabalho foi disponibilizado para todas as paróquias, para os participantes do Setor Juventude e para os membros do Conselho Diocesano de Pastoral, mas qualquer pessoa pode ter acesso a ele, pois está disponibilizado, impresso, pelas Edições CNBB, podendo ser encontrado nas livrarias.

Ao longo do mês de maio, realizamos sete manhãs de trabalho com os padres da Diocese de São José do Rio Preto, procurando pensar e responder às questões propostas pelo documento preparatório. Muitos sacerdotes já haviam se reunido com os jovens, de suas respectivas paróquias, e feito um trabalho louvável.

O setor juventude, que reúne representantes dos jovens de todos os grupos existentes na Diocese, também se debruçaram sobre as questões, ajudados pelo Padre Rafael Dalbem. Os membros do Conselho Diocesano de Pastoral deram a sua contribuição na última reunião de maio.

Nestes dias, o Secretariado Diocesano de Pastoral da Diocese prepara a síntese das respostas para ser enviada como nossa contribuição diocesana para a equipe organizadora do Sínodo, na Santa Sé, através da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

O conteúdo do instrumento de trabalho, partindo dos jovens, desenvolve provocações sobre a fé e o discernimento vocacional dos mesmos. São duas questões delicadas e que atingem de modo diverso os jovens, dependendo do tipo de relação que estabelecem com a Igreja: os que se encontram próximos, os que a buscam ocasionalmente e os que não a procuram.

De modo geral, a questão vocacional, para grande parte da juventude, é complexa e tende a uma definição tardia. Há, por fruto da circunstância, uma “desorientação vocacional” generalizada, tal como é compreendida pela Igreja. No que diz respeito à fé, a situação é ainda mais complexa. São muitas “propostas de fé”, e não só cristãs. Por outro lado, cresce um sentimento de indiferença, menosprezo ou desprezo diante do “religioso”, ou da forma como ele é experimentado e apresentado pelos cristãos católicos.

No horizonte da Igreja, na minha compreensão, a questão vocacional pressupõe a fé. Ter ou não fé e o modo como se acolhe e vive a fé são determinantes para o discernimento vocacional correto: matrimônio, vida consagrada e vida sacerdotal. Mas encontramos jovens que não se enquadram em nenhuma das três alternativas e estes precisam ser considerados.

O abismo criado entre as gerações na transmissão da fé, o relativismo, o superficialismo, a fragmentação, a precariedade, a transitoriedade e o individualismo são fatores que afetam ainda mais incisivamente o discernimento e a opção vocacional no horizonte da fé cristã católica.

Em matéria de fé e de vocação, hoje nem tudo é tão claro e objetivo, pois não é um só o olhar, a compreensão da vida, o ponto de partida, o paradigma ou a moldura que sustenta estas duas facetas da vida. A percepção da Igreja é uma entre outras, e é bom não perder isto de vista, para uma compreensão adequada da realidade e uma ação pastoral eficiente e eficaz.

Até que ponto os jovens que estão ocasionalmente na Igreja e os que não se encontram nela se interessam ou tomam como referência a fé e o discernimento vocacional cristão católico? O que eles procuram é o que a Igreja oferece? Não há procura dos jovens porque não há oferta da Igreja, ou a oferta da Igreja não interessa a estes jovens?

Em contexto tão plural, a realização de um Sínodo sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional, é um bom momento não só para constatar  e interpretar a realidade, mas sobretudo para semear a fé, para sair ao encontro da imensa maioria dos jovens que ignoram parcial ou totalmente a pessoa de Jesus Cristo e o Evangelho da Salvação, consequência da crise na transmissão da fé entre gerações. Anúncio explícito da fé em Cristo aos jovens, eis a primeira e grande urgência.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP 

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