Palavra do Bispo › 12/02/2018

QUARESMA: ORAÇÃO, CARIDADE E PENITÊNCIA

Os quarenta dias da quaresma são para serem santificados pela oração, caridade e penitência. São três caminhos que conduzem a pessoa, à comunhão com o mistério de Nosso Senhor Jesus Cristo, glorificado pela cruz e pela ressurreição.

O caminho da oração que santifica pressupõe a fé. Sem fé, a pessoa não ora. Ao mesmo tempo, a oração revigora a fé. Vivemos em tempo de muitas “fés” e de fé alguma. No desejo de construir uma “fé própria”, a pessoa fica sem a fé autêntica em Deus que nos salva em Nosso Senhor Jesus Cristo. A crise na oração, o não rezar, é um sintoma de fé doente ou de inexistência de fé. Suscitar a fé é pressuposto para recuperar a oração. Quem não sente necessidade interior de orar, quem não sente o bom sabor da oração, é porque está com uma enfermidade mais profunda que atinge a fé. Não adianta “exigir” que outros rezem, só eles estão com problemas sérios na base, na fé. É preciso restaurar a fé para recuperar a oração.

Nosso tempo é o da posse das coisas, das ideias e de si mesmo. Na abundância e no desperdício não existe renuncia voluntária. Impera a logística da autossatisfação sem limites. Ter, quanto mais, melhor. Dominar, quanto mais pessoas, é o ideal. Expandir a sua verdade e impor a sua vontade é estratégia. Fazer de si mesmo a referência para tudo e para todos é um projeto a ser executado. A penitência, na sua diversidade de formas, o jejum e outras práticas de “mortificação” são caminhos que nos conduzem ao equilíbrio, nos abrem os olhos para o que realmente somos: seres caducos.

A percepção da nossa caducidade nos permite abrirmos para Deus. Quem não se sente caduco, basta a si mesmo e ignora Deus, fica indiferente diante dele.

Os caminhos da oração e da penitência se completam com a caridade. No caminho da vida são muitos os que ficam à margem ou que prosseguem à custo de muita dor. Saber olhar e enxergar o outro com compaixão é caridade.

A caridade é uma luz que se decompõe em muitas cores. Ao lado da caridade deste que sacia a fome, que mata a sede, que veste o nu, que conforta o doente, que acolhe o transeunte e que ajuda o detento, há uma caridade que resgata e devolve à pessoa a sua dignidade de filho de Deus, uma caridade que restaura a alma e eleva o espírito. É desta caridade que o mundo tem urgência.

Vivamos profunda e intensamente a quaresma, no caminho para celebrarmos a glorificação de Nosso Senhor Jesus Cristo pela cruz e ressurreição. Façamos da oração, da penitência e da caridade estratégias para nossa santificação.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto – SP

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