Palavra do Bispo › 14/03/2018

SEMANA SANTA NÃO É FERIADO PROLONGADO PARA OS CATÓLICOS APOSTÓLICOS ROMANOS

No Brasil, como se não bastasse o grande número de feriados, cristalizou-se o costume do “feriado prolongado”, isto é, unir a folga do dia de feriado a outro que não o é, aumentando os dias de descanso, às vezes incluindo o sábado e domingo em uma sequência.

Há uma grande tentação, ou fato consumado, em fazer do Tríduo Pascal, da Quinta Feira Santa ao Domingo de Páscoa, um feriado prolongado, ocasião para viagens, festas e descanso. Com isso, ignora-se a santidade do Tríduo Pascal, o que não pode ser esquecido pelos Católicos Apostólicos Romanos. Para nós, a participação nas celebrações do Tríduo Pascal não é “ponto facultativo”. Em família, você é convocado a viver e celebrar o Tríduo Pascal de modo intenso, em sua paróquia ou igreja que frequenta. Caso esteja em viagem, deve participar na paróquia da cidade em que se encontra.

O Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, 25 de março, recorda a entrada messiânica de Nosso Senhor Jesus Cristo em Jerusalém, nos introduz na vivência e na celebração do mistério da sua Paixão, Morte e Ressurreição. Neste dia, a participação na Procissão de Ramos e na Missa é associar-se à Igreja que vive e celebra o Mistério da Paixão do seu Senhor.

Na noite de Quarta-feira Santa, 28 de março, na Diocese de São José do Rio Preto, às 19h30, na Catedral, celebramos a “Missa do Crisma”, em que são abençoados os óleos dos enfermos, para o sacramento da Unção dos Enfermos, e dos catecúmenos, usado no sacramento do Batismo, e confeccionado o óleo do crisma, usado nos sacramentos do batismo, da crisma e da ordem, bem como para a consagração das igrejas. Neste mesmo dia e celebração, os sacerdotes realizam, em comunhão com o Bispo Diocesano, a renovação das promessas sacerdotais, realizadas inicialmente no dia da ordenação presbiteral.

“O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa na quinta-feira a noite com a Missa da Ceia (depois do pôr do sol) até a tarde do domingo da ressurreição com as Vésperas. É o ápice do Ano Litúrgico porque celebra a Morte e Ressurreição do Senhor, ‘quando Cristo realizou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo seu mistério pascal, quando morrendo destruiu a morte e ressuscitando renovou a vida’.”

Na Quinta Feira Santa, 29 de março, a participação na “Missa da Ceia do Senhor” ou “Missa do Lava-Pés” deve prolongar-se com um tempo de oração na Vigília Eucarística. A palavra que foi dirigida ao apóstolo São Pedro, no momento da Agonia, no Getsêmani, é também dirigida a nós: “ Simão, estás dormindo? Não foste capaz de ficar vigiando uma só hora? Vigiai e orai, para não cairdes em tentação! O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mc 14, 37-38). Ao menos uma hora de oração em família diante do Santíssimo Sacramento, do fim da missa da Ceia do Senhor até antes do início da Liturgia de Sexta Feira Santa, às 15 horas.

À participação na Liturgia da Sexta Feira Santa, 30 de março, às 15 horas, devemos unir o nosso jejum, abstinência de carne e penitência. “Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado 14 anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade, 18 anos, até os sessenta anos começados. Todavia, os pastores de almas e pais cuidem para que sejam formados para o genuíno sentido da penitência também os que não estão obrigados à lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade (cf Cân. 1252). “A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia.”

Contemplando o mistério do Cristo Sofredor, o sentido da abstinência de carne, privação de um alimento significativo, porém não essencial por um dia, é a mortificação dos sentidos, o sacrifício da renúncia livre, para associar-se com os que sofrem e passam fome e abrir-se à caridade com os necessitados. Neste contexto, devemos perguntar: que sentido penitencial há em substituir carne vermelha por peixe, bacalhau ou equivalente?

Sábado Santo, 31 de março, ainda não é Páscoa. A marca deste dia é silêncio, expectativa do anúncio da Páscoa e do canto do Aleluia na Vigília Pascal. “A Vigília Pascal é o cume do ano litúrgico. Sua celebração se realiza de noite; mas de maneira a não começar antes do início da noite e a terminar antes da aurora do Domingo.” A participação na Vigília Pascal é mais do que uma necessidade, é algo natural e decisivo em nossa vida de cristãos Católicos Apostólicos Romanos.

A alegria do Domingo de Páscoa, 01 de abril, é resultante do fato e da celebração da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A participação na Missa e a Comunhão Eucarística neste dia é o ponto alto. A alegria deste dia prolonga-se por outros cinquenta, período denominado de  Tempo Pascal, até 20 de maio, Solenidade de Pentecostes. A primeira semana da Páscoa , oitava, 2 a 8 de abril, é uma oportunidade extensiva de viver e celebrar a intensidade do Mistério Pascal, Nosso Senhor Jesus Cristo glorificado pela cruz e ressurreição. Bom seria nesta semana participar da missa diariamente e rezar todas as horas do Ofício das Horas.

Santa Páscoa! Amplexo e todo bem!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

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