Palavra do Bispo › 01/08/2018

Uma cultura vocacional

A edição do Sínodo dos Bispos, de 03 a 28 de outubro, em Roma, olhará os jovens na perspectiva da fé em Cristo e do discernimento vocacional. Vocação não é profissão, mas toda vocação deve ser vivida “profissionalmente”, se assim podemos dizer, com liberdade e responsabilidade.

O Sínodo é um encontro de bispos, representantes das conferencias episcopais de todo os países, e de convidados diretos do Papa, que se encontram para refletir sobre um determinado assunto a partir do Concílio Ecumênico Vaticano segundo.

Desta vez, o Sínodo voltará a sua atenção para o complexo fenômeno da juventude, a sua relação com a fé e a consequente resposta vocacional. Há um progressivo distanciamento do jovem da vida de fé em Cristo, da Igreja, dos sacramentos, da Palavra de Deus e da vivência diária das virtudes cristãs.

Na crise da fé, não se coloca a questão vocacional, isto é, o jovem não pensa e nem enxerga sua vida à luz da fé e não se coloca a questão: o que Deus quer de mim? Se no mundo de hoje há uma preocupação exacerbada com a formação profissional, há um esquecimento da escuta e resposta vocacional.

Antes de tudo, e sobretudo, o jovem é chamado à santidade moral, respondendo afirmativa e propositivamente à graça de santidade que nos é oferecida em Cristo. Esta resposta moral passa pela vida pessoal, familiar, escolar, nos grupos e “tribos”, na vida profissional e social. São João Paulo II convidava os jovens a serem santos de calça jeans, isto é, a viverem na santidade o cotidiano.

O jovem é vocacionado ao matrimônio e à vida familiar: homem e mulher na comunhão do amor e na geração e educação dos filhos. São chamados a fazerem da família a “casa do amor”, onde sendo amado se aprende a amar.A família assegura a perenidade do amor na passagem das diversas gerações.

Alguns jovens são vocacionados à vida religiosa e consagrada nas congregações religiosas ou comunidades de vida, através dos votos da obediência, pobreza e castidade. Desapegar-se da vida e da família para configurar-se a Jesus Cristo obediente, pobre e casto, é um projeto de vida onde o Espírito Santo é o guia. Ser um consagrado é uma resposta radical à radicalidade da entrega de Cristo por nós no mistério da cruz.

Outros jovens são vocacionados à vida sacerdotal, a se configurarem com Cristo Sumo e Eterno Sacerdote, para agirem como cooperadores da santificação do povo de Deus. Ser padre é uma graça de Deus, é uma bênção para o povo de Deus.

O jovem é vocacionado a ser agente transformador do mundo através da sua profissão, vivendo-a à luz da fé, da esperança e da caridade. Ele é chamado a integrar-se na estrutura da sociedade e transformá-la a partir de dentro, no horizonte do mistério do Reino de Deus.

Acompanhemos com nossa oração o Sínodo sobre a Juventude. Abramos o nosso olhar para enxergar os jovens. Apresentemos Jesus Cristo aos jovens. Cooperemos para que os jovens vivam a fé e se abram ao discernimento vocacional.

+Tomé Ferreira da Silva

Bispo Diocesano de São José do Rio Preto

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