NATAL DO SENHOR Missa da Noite 24 de dezembro de 2017

Leituras

Isaias 9,1-6. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz

Salmo 95/96,1-3.11-13. Dia após dia anunciai sua salvação.

Tito 2,11-14. A graça de Deus se manifestou para todos os homens.

Lucas 2,1-14: Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura.

 

“HOJE NASCEU PARA VÓS UM SALVADOR, QUE É O MESSIAS, O SENHOR!”

1- PONTO DE PARTIDA

 

É Natal! Que bom estarmos reunidos neste instante em torno do Mistério do Deus pobre no meio dos pobres. Sentimos este Deus bem pertinho de nós, bem do nosso jeito, menos no pecado. Valeu a pena termos nos preparado para esta noite.

 

Durante o Tempo do Advento, meditamos a Palavra de Deus, avaliamos nossa caminhada de discípulos e discípulas missionários do Senhor rumo ao futuro, penitenciando-nos de nossas falhas, fizemos nossa novena de Natal, buscamos aperfeiçoar nosso espírito de solidariedade. Feliz de quem aproveitou bem o tempo do Advento para viver esta noite, de fato, como uma “noite feliz”.

 

A Palavra proclamada nos transmite esta Boa-Nova. A Eucaristia celebrada faz-nos viver em Mistério. “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por ele amados!”

 

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

 

Primeira leitura – Isaias 9,1-6. O texto é uma das profecias messiânicas mais famosas do profeta Isaias e faz parte do assim chamado “Livro de Emanuel” (Isaias 7,12). A vocação de Isaias aconteceu no ano 740 antes de Cristo, quando os pequenos reinos, entre eles os Estados de Israel e Judá, estavam ameaçados pela expansão do Império Assírio. No meio da ameaça e da desgraça iminente, Deus faz surgir o profeta Isaias. Quando tudo parece levar ao desespero, aparece o profeta anunciando luz para quem vivia nas trevas. Nasce nova esperança para o povo de Israel, oprimido pelos assírios. Deus vai agir. Ele virá para salvar e haverá novamente a alegria para todo o povo. A esperança encontra-se na chegada de um novo rei, um menino que recebe títulos messiânicos: Conselheiro admirável (na linha da sabedoria de Salomão); Deus forte (na linha da bravura de Davi) Pai dos tempos futuros e Príncipe da paz (seguindo Moisés e os patriarcas).

 

Depois dessas afirmações o profeta desenvolve em três “porquês” (versículos 3, 4 e 5) os motivos da alegria. Juntos eles explicam como o profeta no seu tempo conseguiu ver a salvação divina e como ele imaginara o futuro rei de Deus.

Primeiro porque (versículo 3): terminou a dominação estrangeira. Como no passado, “na jornada de Madian” (cf. Juízes capítulos 7-8), Deus intervirá de novo em favor de seu povo. A intervenção de Deus no passado é o penhor da intervenção futura. A vitória está garantida. No “perfeito profético” Isaias declara o inimigo já por derrotado.

 

Segundo porque (versículo 4): terminou a guerra. Todo sinal de luta armada, tudo que lembra guerra, derramamento de sangue e forças armadas em marcha, desaparecerá do palco da história. Todo equipamento de guerra é jogado de lado para sempre, não serve mais (cf. 2,4).

 

Terceiro porque (versículo 5-6): nasceu-nos um menino que, uma vez entronizado como rei, nos trará paz e justiça.

 

Salmo responsorial 95/96,1-3.11-13.  Com o Salmo 95/96, resposta à Palavra de Deus, mesmo sendo um salmo de realeza, é também um hino de louvor. Israel tem por ofício louvar a Deus, e com este louvor leva todos os povos a conhecer a Deus. A eleição de Israel é missionária, seu louvor é testemunho. A ação criadora demonstra o poder de Deus.

 

O rosto de Deus no salmo. O Senhor sempre merece um canto novo porque é Criador, libertador universal. Canto novo, a todo momento porque a sua Criação não é coisa do passado, ela se renova em cada ser humano, animal e planta que nasce. A Criação também se renova através do nosso trabalho. Além de Criador, Deus é Libertador universal, (as “maravilhas” do versículo 3b recordam a saída do Egito) e, sobretudo, o Rei universal O seu governo e administração se caracterizam pela retidão, (versículo 10b), justiça e fidelidade (13b). O Senhor é um aliado da humanidade, soberano do universo e da história. Devemos proclamar isto, desmascarando tudo o que pretende ocupar o lugar de Deus. A criação inteira é convidada a festejar nosso Deus que sempre vem!

 

O tema da realeza de Jesus está presente em todos os evangelhos. Mateus mostra que Jesus traz uma nova prática da justiça para todos, e isso faz acontecer o reinado de Deus na história. Os contatos de Jesus com os não judeus demonstram que seu Reino não tem fronteiras e que seu projeto é o de um mundo cheio de vida para todos.

 

Por Ele, bendizemos nosso Deus e nos alegremos. Expressemos também nossa confiança, pois sabemos que Ele virá “julgar a terra inteira” e seu julgamento será justo. Cantemos ao Senhor nosso Deus porque Ele se revela na humanidade de Jesus e se faz presente em nossas vidas.

 

R: RESPLANDECEU A LUZ SOBRE NÓS,

PORQUE NASCEU CRISTO, O SALVADOR.

 

Segunda leitura – Tito 2,11-14. O nascimento de Jesus de Nazaré marca o início da era cristã, isto é, da era messiânica. A partir dele a história de salvação iniciada no Primeiro Testamento desenrola-se entre duas grandes manifestações. A primeira é a “manifestação da graça de Deus que traz a salvação a todas as pessoas” (versículo 11). A segunda é a “manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (versículo 13), por ocasião da segunda vinda.

Conforme a leitura de hoje, a graça de Deus não traz somente o perdão dos pecados já cometidos que, depois de repetidos, serão de novo perdoados, e assim por diante… “para que haja abundância da graça” (cf. Romanos 6,1). O que Deus quer não é uma “repetição do perdão”… e tudo fica como era; mas uma verdadeira história de salvação que renove a face da terra. Deus quer libertar as pessoas do pecado e de suas conseqüências (versículo 11). Como Deus quer alcançar isso? Por meio dos cristãos, “ensinando ou educando-os pela graça” (versículo 12a) e fazendo deles um “povo puro, que pertence somente a Ele, e que se dedica a fazer o bem” (versículo 14b).

 

“A graça de Deus se manifestou trazendo a salvação pra toda a humanidade”. Escrevendo a Tito, Paulo dá uma série de conselhos para ele coordenar bem a comunidade de Creta que lhe foi confiada. Na leitura que vamos ouvir nesta noite, Paulo apresenta o fato fundamental da vida e missão de Tito e de todos os cristãos. A leitura propõe o ideal de viver com equilíbrio, justiça e piedade. Essas são três qualidades a serem cultivadas por todo aquele que deseja conhecer a salvação e se tornar participante da obra salvadora do Pai. Com equilíbrio significa, provavelmente, compreender que as desigualdades sociais não podem mais persistir.

 

Vivendo em meio a uma sociedade corrupta, os cristãos são convocados a viver a novidade do Evangelho de Jesus Cristo. Por um lado é necessário romper com as atitudes e paixões do mundo, modo de viver contrário ao que Deus nos revelou no Messias; por outro lado somos convocados a viver no “tempo presente com equilíbrio, moderação, justiça e piedade à espera da bem-aventurada esperança” – a manifestação gloriosa de Jesus Cristo, que se entregou totalmente para nos resgatar e purificar.

 

O discípulo e a discípula de Jesus vivem nessa tensão: romper com a impiedade e viver a justiça. Ser cristão é dedicar-se à prática do bem, atualizando as ações libertadoras do Salvador.

 

Evangelho – Lucas 2,1-14.  Lucas não somente narra o acontecimento do nascimento de Jesus como historiador, mas também como teólogo manifestando seu sentido salvador. Por isso coloca este fato no pano de fundo da história geral, referindo-se ai imperador César Augusto e ao governador Quirino. Também nos informa o lugar onde Jesus nasceu, a saber: “em Belém, a cidade de Davi” (versículos 4 e 11). Por esta informação situa-se o fato dentro da história da salvação: Jesus, o Messias, é o novo Davi.

 

O Messias Jesus não nasceu no centro do Império Romano, que era a cidade de Roma, nem nos palácios dos poderosos, mas em um canto muito afastado do Império e em um abrigo de gado. Os primeiros homens a quem foi revelada a vinda do Salvador não foram altos funcionários do governo, nem autoridades religiosas, nem ricos e poderosos representantes da alta sociedade, mas simples pastores. Eles eram pessoas rejeitadas pela sociedade da época.

 

Os fatos são narrados de maneira bem simples: o trajeto de José e Maria para Belém e o nascimento de Jesus na pobreza. A tradição, que narra esses fatos, faz questão de exaltar o “maravilhoso”: a aparição dos anjos, o tema da glória divina que anuncia os últimos tempos e, especialmente, a realização das profecias do profeta Miquéias.

 

A primeira dessas profecias (Miquéias 3,1-4) inspira Lucas 2,6.8.9.14 e mostra que Cristo é, de fato, o rei davídico esperado. A segunda profecia (Miquéias 4,7-10) influencia Lucas 2,4.8.11, onde a realeza anunciada não é mais somente a de Davi, mas a realeza do próprio Deus. Percebe-se o desejo do evangelista Lucas de anunciar um acontecimento tão divino quanto humano: a própria realeza de Deus, ultrapassando-a, responderá à expectativa judaica de uma realeza davídica. Devemos ver nesta narração a oposição que se manifesta na narrativa entre a comunidade dos pobres de Belém e a cidade de Jerusalém. Surge Maria como a nova “filha de Sião” (Miquéias 4,10; 5,2) e os pobres que a cercam são envoltos daquela “glória” que era, até então, o privilégio da antiga Sião (Ezequiel 40,35).

 

O pequeno hino “Glória…” consiste em duas frases paralelas. As três partes destas frases correspondem uma à outra. A “glória” corresponde “paz”; a “no mais alto dos céus” corresponde “na terra”; a “Deus” corresponde “homens”. As duas frases não devem ser entendidas como desejos humanos (“louvado seja Deus, etc.”; “a paz esteja com os homens…”), mas como afirmações. O hino é um anúncio do sentido salvador do nascimento do Messias. Deus é glorificado no céu porque, agindo no mundo, revela aos anjos um Mistério de Sua glória até então desconhecido. Este Mistério consiste na entrada na história do mundo do “príncipe da paz”, que revela aos anjos que a humanidade é atingida pela salvação. O hino é, portanto, a Boa-Nova ou o Evangelho, proclamado pelos Coros Celestes e motivo de alegria para todo mo povo (versículo 10b).

 

O toque pessoal de Lucas faz-se notar, principalmente, na escolha de um vocabulário pascal (salvador, primogênito, Senhor). A criança já é o Senhor universal, sua pobreza é a da cruz, e a frase com que Lucas diz que “Maria guardava todas essas coisas no coração” (cf. ainda Lucas 2,51) exprime exatamente, que Maria considera os acontecimentos de Belém como sinais proféticos de um mistério mais profundo: o Mistério Pascal.

 

Se não fosse a Páscoa, o Natal não seria o que é: tão importante para os cristãos. Nem mesmo Maria seria o que é: tão importante para a humanidade como Mãe do Salvador e nossa Mãe.

 

São Lucas nos ajuda a passar do fato ao Mistério, da história à doutrina que exorta. A reflexão da comunidade primitiva e a de São Lucas concentram-se no caráter humano, senhorial e divino do recém-nascido de Belém. Convida-nos a manter, com firmeza, a nossa fé nas duas naturezas do Homem-Deus. A festa do Natal foi precisamente instaurada para lutar contra as heresias que alteravam a personalidade de Cristo e pretendiam reduzir Cristo a uma pessoa humana, o Evangelho a um sistema humanístico, a Igreja a uma instituição humana, política ou social. Ou então consideravam apenas a natureza divina de Cristo, professando um desprezo absoluto da criação, da natureza humana e mesmo de todo o esforço humano.

 

Ora, toda a liturgia do Natal se elaborou nas épocas em que a Igreja lutava contra as heresias que davam tudo a Deus ou, pelo contrário, tudo ao ser humano. Nossa Pastoral de Natal corre hoje o risco de inclinar-se para um ou outro desses excessos, seja considerando nessa época somente os problemas humanos de paz ou os da pobreza com as soluções humanas apresentadas; seja também considerando a divindade de Cristo a ponto de esquecer sua trajetória humana engajando na realidade social e o os longos discursos da fé.

 

Uma exata visão da personalidade de Cristo permite-nos, aliás, renovar, por ocasião do Natal a nossa maneira de celebrar e Eucaristia, tomando maior consciência de que ela não é um rito mágico caído do céu, mas um encontro da pessoa humana e de Deus, preparado e celebrado pela mediação do padre.

 

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

 

Celebramos o Natal do Senhor. A liturgia do Natal recorda todo o realismo da encarnação terrestre do Verbo. O Filho de Deus não se disfarça em homem, mais, permanecendo Deus, é também real e concretamente homem; e se manifesta na realidade humana. Tão humano assim só Deus, como dizia o teólogo.

 

Com a Encarnação do Filho de Deus, teve início a era cristã, a era messiânica. Nós vivemos no tempo intermediário entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. É tempo da graça, isto é, da salvação, do perdão, da conversão, da penitência. É tempo da Igreja, tempo da pregação, da missão, da semeadura, do plantio, da pesca, do trabalho apostólico, do pastoreio. Tempo em que Deus tem paciência para conosco. É o tempo entre o nosso primeiro Natal (batismo) e o nosso segundo e derradeiro Natal (morte e ressurreição). Tempo em que somos provocados, desafiados pelo amor e pela bondade do nosso Deus.

 

Hoje, uma luz brilhou para nós. Nesta noite a esperança é renovada. É possível um mundo de paz, justiça, amor e fraternidade. Com a Encarnação, Jesus uniu todas as pessoas. Deus se fez solidário com todos. Emerge a vida, alegria e encontro. Todo o cosmo é atingido pelo mistério da Encarnação. O Verbo entrou na história, recriando todas as coisas. O sol nascente veio nos visitar e guiar nossos passos no caminho da paz.

“Não pode haver tristeza quando nasce a vida”, dizia o papa Leão, no século V. Ouçamos a palavra do anjo: “não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é Cristo Senhor” (vv. 10-11).

 

Viver a espiritualidade do Natal significa reconciliar-se totalmente com nossa realidade humana, pessoal e social. Reconhecer Jesus “deitado nas palhas da manjedoura” nos chama a reencontrar o nosso jeito de ser, nossas fragilidades e problemas, unindo a ele o mais profundo da nossa condição humana.

 

Com o coração agradecido pela opção que Deus fez por nós, retomamos a mística da luta e do compromisso pela paz, pela justiça. São muitas as iniciativas, organizações ou associações que promovem a paz no mundo. Ser seguidor ou seguidora de Jesus Cristo e ser capaz de se comprometer com um Natal sem fome; uma vida sem dor, sem miséria, sem doenças, sem guerras, sem dominadores e dominados, sem violência, sem armas, sem corrupção… Santo Irineu dizia: “A glória de Deus é o homem vivo” afirmando a vida como o maior dom de Deus para a humanidade. Com o nascimento de Jesus podemos afirmar: A glória de Deus é a pessoa humana viva e solidária com seus irmãos. Que se torne realidade o anúncio pascal desta noite. Somos co-responsáveis por isso.

 

“Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Cristo Senhor”, diz o Evangelho. Cristo Senhor é o título que foi dado a Jesus depois que Ele morreu e ressuscitou. A partir da Páscoa, os cristãos se deram conta da importância daquela criança nascida pobre entre os pobres: ela tem origem divina. A parti da sua morte e ressurreição, nos convencemos de ser Ele de fato o Salvador. É a partir da Páscoa que a festa do Natal tem toda sua razão de ser como verdadeira festa da Luz que vem iluminar as trevas da nossa história.

 

Em outras palavras, “o Salvador é pobre e se comunica a seu povo como pobre: Vocês encontrarão um recém-nascido envolto em faixas e deitado na manjedoura”. Deus utiliza a linguagem dos empobrecidos (faixas, manjedoura), dos migrantes e rejeitados da sociedade. A salvação entra na história com as características do povo pobre, longe dos palácios e dos becos de ouro.

 

Depois, à luz da Páscoa, podemos finalmente ver o Menino pobre entre os pobres como sendo o verdadeiro “Conselheiro admirável” (mais sábio que Salomão), o “Deus forte” (mais forte que o rei Davi), “Pai dos tempos futuros” (mais líder que o líder Moisés), “Príncipe da paz” (mediante sua liderança, fazendo justiça e defendendo o povo, criará a verdadeira paz), vislumbrado pelo profeta Isaias.

 

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

 

Ouvir a sabedoria de Deus no “hoje” da vida

 

Ouvimos repetidas vezes na liturgia do Natal a palavra “hoje”: “hoje sabereis que o Senhor vem e nos salva”: “és meu Filho, eu hoje te gerei”; “hoje nasceu o Salvador do mundo, desceu do céu a verdadeira paz”; “fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da vossa luz”; “hoje surgiu a luz para o mundo”; “por ele, realiza-se hoje o maravilhoso encontro que nos dá vida nova em plenitude”. Também, depois, na Epifania: “hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela”; revelastes hoje o mistério de vosso Filho como luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação.

 

“Este “hoje” quer significar que o que celebramos no Natal não é um aniversário, mas um ‘sacramento’, ou uma atualização do fato salvífico do nascimento humano do Filho de Deus. Nesta festa Deus nos comunica a graça de um ‘novo nascimento’ como filhos na família de Deus. O Natal é a comemoração do ‘ontem’ de Belém e do ‘amanhã’ da última vinda do Senhor no ‘hoje’ da celebração deste ano, que é um acontecimento sempre novo, não só recordado afetivamente.”

 

Quando a Igreja celebra o Natal do Senhor, não o faz como se recordasse somente o nascimento histórico de Jesus, que teve lugar num passado remoto e que, no presente atualizamos. Não é portanto “aniversário” de Jesus como costumamos celebrar os “aniversários” de nossos estes queridos. A celebração do Natal do Senhor tem a ver com um evento que nos alcança e não está preso ao passado. Enquanto fato histórico sim, mas enquanto Mistério, não.

 

Diz Santo Agostinho que esse Mistério diz respeito à “Sabedoria de Deus (que) se manifestou como criança e a Palavra de Deus, sem Palavras, fez ouvir a voz da carne.” A mesma luz que iluminou o povo no dia do nascimento de Jesus, brilha novamente hoje. Isso porque o mesmo Espírito que gerou o Verbo no seio da Virgem hoje gera no seio da Igreja a Palavra do Senhor. Mediante a proclamação e a vida dos discípulos e discípulas, o mundo ouve “hoje” a sabedoria de Deus.

Iluminados na paz que vem da Eucaristia

 

No versículo 14 do Evangelho os anjos cantam “glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados”. A paz aqui exaltada é também uma das nomeações da Eucaristia. Nela está presente a paz de Cristo. Sua celebração difunde a paz no mundo. Quando celebramos a Eucaristia é como se estivéssemos em Belém, cujo sentido em hebraico é “Casa do Pão”. Nascido em Belém, Jesus dirá de si “eu sou o pão da vida” (João 6,35.48). A casa do pão hoje é a Igreja. Nela Cristo nos ilumina na Eucaristia. Recebemos sua luz, para que abramos clareiras de bondade num mundo envolto em trevas. Por isso a Igreja primitiva chamava os recém batizados de “iluminados”.

 

Assim, no cristão reluz a Luz de Cristo, para que torne o mundo mais luminoso. Prossiga o caminho do Menino nascido em Belém e saiba cuidar e amparar quem só tem em Deus essa esperança. É para esse sentido que convergem tanto as leituras, como as orações da liturgia da missa de hoje.

 

5- ORIENTAÇÕES GERAIS

 

  1. As cores das vestes litúrgicas normalmente é o branco, porém, talvez seja bom lembrar que nos dias festivos a Introdução Geral do Missal Romano nº 309 prevê o uso de “vestes litúrgicas mais nobres, mesmo que não sejam da cor do dia”. Seria o caso de se usar vestes festivas, estampadas, coloridas. Algumas comunidades usam cores festivas como expressão de nossa cultura.

 

  1. Natal é a festa da Luz. Valorizar nesta Missa da Noite o Círio Pascal. Isso ligará mais a festa do Natal à festa da Páscoa. Fazer um bonito Lucernário antes da celebração eucarística.

 

  1. A festa do Natal do Senhor tem uma profunda e importante ligação com a Páscoa, podendo até dizer que as duas são inseparáveis. Neste pequeno tempo litúrgico se celebra o Nascimento de Jesus, sua entrega total até a morte na cruz e sua vitória sobre o mal e a morte. Com o Natal, damos início ao ciclo da nossa fé cristã, onde celebramos o Nascimento do Senhor e recordamos a sua paixão, morte e ressurreição. Ao mesmo tempo, com a Epifania (manifestação) o Natal é um dos dois pólos do Ano Litúrgico. O Natal é a Santa Páscoa em germe. Pois a Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a carne, é o início da Páscoa. Encarnação e Ressurreição são inseparáveis

 

  1. Os cantos desta celebração devem manifestar o mistério que estamos celebrando: é preciso cantar “o Natal” e não “cantar no Natal”. O Hinário Litúrgico I da CNBB – publicado em CD pela Paulus, no volume “Liturgia V” – traz excelente repertório musical para celebra o mistério da Encarnação do Verbo na nossa história. Para que há uma comunhão litúrgica é importante que os cantos da celebração sejam escolhidos pela equipe de liturgia e pela equipe de canto.

 

  1. Valorizar hoje: presépio, flores, luzes, estrelas, vestes brancas ou coloridas, dança e onde for possível uma alegre confraternização, depois da celebração, com a toda a comunidade.

 

  1. A celebração do Natal não é comemoração de um aniversário. É, antes de tudo, um “sacramento” (presença “hoje” da Luz que nasceu e brilhou definitivamente na Páscoa). Por isso, pedagogicamente, é bom evitar qualquer identificação simples do Natal com aniversário.

 

  1. Durante a Oitava, os três dias imediatamente depois do Natal são dedicados ‘a celebração de três festas caras ‘a piedade popular: a do Diácono Estevão, primeiro mártir, dia 26, de São João Apóstolo e Evangelista, dia 27 e dos Santos Inocentes Mártires, dia 28. Portanto, nos primeiros dias depois do Natal, nós veneramos os amigos de Jesus, assim chamados pela liturgia.

 

6- MÚSICA RITUAL

 

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada Domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo do Natal, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste Tempo do Natal. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

 

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, “inseri-la no mistério celebrado” (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico I da CNBB nos oferece uma ótima opção, que muitos estão gravados no CD: Liturgia V.

 

  1. Canto de abertura. “Tu és meu filho, hoje te gerei” (Salmo 2,7). “O Senhor me disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei”, Salmo 2, Hinário Litúrgico I, página 6. “Reis e nações…,” Salmo 2, CD: Liturgia V, melodia da faixa 1. Como canto de abertura, não podemos deixar de entoar o Salmo 2, em que se canta: “Tu és meu Filho, meu Filho a ti hoje eu gerei.”

 

  1. Ato penitencial. Muito oportuno a primeira fórmula do Missal Romano, página 395.

 

  1. Anúncio Natalino. CD: Cristo clarão do Pai, melodia da faixa 4.

 

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

 

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

 

  1. Salmo responsorial 95/96. “Canta ao Senhor um canto novo”. “Resplandeceu a luz sobre nós…” CD: Liturgia V melodia da faixa 2.

 

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e o salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

 

  1. O canto ritual do Aleluia. “Nasceu-vos hoje o Salvador” (Lucas 2,10-11). “Aleluia, eu vos trago a boa nova de uma grande alegria”, CD: Liturgia V, melodia da faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical página 391.

 

A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

 

  1. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração na Noite de Natal. “Nas terras do Oriente,” CD: Liturgia V, melodia da faixa 10.

 

  1. Canto de comunhão. “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o salvador, que é o Cristo Senhor” (Lucas 2,11. “Nasceu em Belém e Belém quer dizer: a casa do pão”, Hinário Litúrgico I, página 80; “Nasceu a flor formosa da tribo de Jessé”, Hinário Litúrgico I, pagina 79; “Da cepa brotou a rama”, CD: Liturgia V, melodia da faixa 5. Estes três cantos retomam o Evangelho na comunhão de maneira autentica. Veja orientação abaixo.

 

Um canto de comunhão muito oportuno, para a Missa da Noite que expressa a alegria e adoração dos pastores é o canto: “Cristãos, vinde todos, com alegres cantos”, CD: Liturgia V, melodia da faixa 4. Mesmo o canto de comunhão não precisa versar exatamente sobre Corpo e Sangue de Cristo, sua função é retomar o Evangelho. É um canto que está na alma do povo.

 

9- Canto final. “Noite feliz, noite feliz”, Hinário Litúrgico I da CNBB página 83; “Vinde Cristãos, vinde à porfia…,” Hinário Litúrgico I, página 90. Todos se aproximam do presépio para um momento de adoração durante o canto final.

 

7- ESPAÇO CELEBRATIVO

 

  1. Uma orientação para o Tempo do Natal: Usar o recurso da iluminação na igreja e também no presépio, com foco de luz sobre a imagem do Menino na manjedoura. Evite-se, no máximo, o uso de pisca-piscas, tanto no presépio como em árvores de Natal dentro do espaço da celebração como em muitas comunidades se faz! É que o show de pisca-piscas durante a missa transforma-se em “ruído”, “rouba a cena”, pois distrai as pessoas do verdadeiro centro de atenção, que é o mistério celebrado na mesa da Palavra e na mesa da Eucaristia. . São símbolos da onda consumista das festas natalinas e de final de ano que invade as mentes e os corações das pessoas já desde o mês de outubro. Não se deixem influenciar por esta onda consumista que queima etapas e deturpa o Mistério do Natal. Evitem-se também músicas comercias de Natal.

 

  1. Sem dúvidas, a celebração do Natal do Senhor deve fazer-se notar pela ornamentação do espaço e por sua iluminação. Estamos muito acostumados em nossos templos, à iluminação direta e exagerada, o que causa dispersão na assembléia. A experiência das trevas nos ajuda a perceber a força da importância da luz. Sugerimos que, na celebração da noite, o templo esteja na penumbra. Pelo espaço, podem ser espalhadas diversas velas coloridas, que deverão ser acesas no momento oportuno. Em destaque esteja o Círio Pascal.

 

  1. O espaço litúrgico deve ser preparado para exprimir a alegria desse tempo tão especial para a Igreja: flores; cor branca e dourada; presépio, em lugar acessível e à parte do presbitério; incenso. Iluminação e decoração natalinas fora da Igreja, na entrada ou no jardim.

 

  1. AÇÃO RITUAL

 

Um pouco antes da celebração, a comunidade pode cantar um refrão meditativo convidando para o Lucernário.

 

Ritos Iniciais

 

  1. Levar na procissão de entrada a imagem do Menino Jesus. A equipe de celebração entra com a cruz e o Evangeliário. Outras pessoas representando determinados grupos da comunidade ou paróquia também poderão fazer parte do cortejo com o Menino (por exemplo, os coordenadores da novena do Natal). Em alguns lugares é o padre quem carrega o Menino Jesus; em outros, é um casal, ou uma pessoa escolhida pelos grupos de novena, significando o esforço que foi feito para que o Cristo pudesse nascer na comunidade. Esta sugestão também vale para a Missa do Dia.

 

  1. Para saudação presidencial poderá ser inspirada em Gálatas 4,4:

 

O Deus que, na plenitude dos tempos, enviou o seu Filho nascido de uma mulher, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.

Todos: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

 

  1. Em algum lugar de destaque, a equipe de liturgia prepare a menorá (candelabro de sete braços). Símbolo da Glória de Deus que preenche a Terra, ela poderá ser acesa nos ritos iniciais, após a saudação da presidência. Enquanto se entoa o canto: “Hino ao Verbo de Deus” (do CD Liturgia V – Paulus, faixa 8) uma pessoa, com uma vela, acende a menorá. Em seguida, toda a assembleia acende suas velas na menorá, de maneira que a luz ganhe cada vez mais força. Se for uma assembleia numerosa, pode-se escolher umas dez pessoas para ascenderem suas velas na menorá e em seguida elas ascendem as velas da assembleia. Preveja-se vela para todos que participarão da celebração. O hino supracitado pode ser encontrado no link: https://www.youtube.com/watch?v=hkgPWjoBvaI

 

Outra opção é fazer o Lucernário uns cinco minutos antes da Missa. Para isso enviarei o roteiro.

 

Após a saudação e o rito da luz, o presidente, ou o diácono ou animador propõe o sentido litúrgico:

 

“Irmãos e irmãs, Deus em seu amor nos visita em seu Filho, o Salvador do mundo, nascido em pobreza e sem glórias humanas. Por isso, exultemos de alegria nessa noite de reconciliação e de paz. Celebremos em comunhão com todas as pessoas e grupos que pelejam na construção de um mundo novo, livre do ódio, da maldade e da violência. Com os corações cheios de alegria e esperança, glorifiquemos a Deus”.

 

  1. O Ato penitencial pode ser feito conforme a primeira fórmula do Missal Romano, página 395:

 

Senhor, Filho de Deus, que nascendo da Virgem Maria, vos fizestes nosso irmão, tende piedade de nós.

 

  1. Anúncio natalino (a ser proclamado na primeira missa [“da noite”] após o sinal-da-cruz e a saudação presidencial, antes da entoação do Glória). Página 40 do Diretório da Liturgia Ano B.

 

Transcorridos muitos séculos desde que Deus criou o mundo e fez o homem à sua imagem;

Séculos depois de haver cessado o dilúvio, quando o Altíssimo fez resplandecer o arco-íris, sinal de aliança e de paz;

Vinte e um séculos depois do nascimento de Abraão, nosso pai;

Treze séculos depois da saída de Israel do Egito sob a guia de Moisés;

Cerca de mil anos depois da unção de Davi como rei de Israel;

Na septuagésima quinta semana da profecia de Daniel;

Na nonagésima quarta Olimpíada de Atenas;

No ano 752 da fundação de Roma;

No ano 538 do edito de Ciro rei da Pérsia autorizando a volta do exílio e a reconstrução de Jerusalém;

No quadragésimo segundo ano do império de César Otaviano Augusto, enquanto reinava a paz sobre a terra, na sexta idade de mundo.

Jesus Cristo, Deus Eterno e Filho do Eterno Pai, querendo santificar o mundo com a sua vinda, foi concebido por obra do Espírito Santo e se fez homem; transcorridos nove meses, nasceu da Virgem Maria em Belém de Judá. Eis o Natal de nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana. Venham, adoremos o Salvador! Ele é Emanuel, Deus-Conosco! Entoemos com muita alegria nessa noite santa o Hino de louvor.

O anúncio natalino está musicado no CD: Cristo Clarão do Pai, melodia da faixa 4.

 

  1. O Hino de Louvor (Glória) nos ritos iniciais é, sem dúvida, um dos “momentos altos” da celebração desta noite. Deve ser cantado solenemente por toda a assembléia e não apenas pela equipe de canto. Deve-se estar atento na escolha dos cantos para o momento do glória. Ideal seria cantar o texto mesmo, tal como nos foi transmitido desde a antiguidade, que se encontra no Missal Romano, ou, pelo menos, o mesmo texto em linguagem mais adaptada para o nosso meio e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria, Frei Telles e outros compositores (como já existe!). Evitem-se, portanto, os “glórinhas” trinitários! O hino de louvor (glória) não de caráter Trinitário e sim Cristológico. “Glória a Deus nas alturas”. Esse canto foi reservado durante o tempo do advento para ser entoado nessa festa. No momento do rito do Glória os sinos das igrejas, ou outras sinetas, sejam tocados por crianças, jovens, idosos, mulheres, etc, mostrando a diversidade da comunidade que glorifica o Senhor por sua presença em nossa história.

 

  1. Na oração do dia suplicamos a Deus que nos faça contemplar a claridade da verdadeira luz para que possamos sentir o mistério vislumbrado na terra.

 

Rito da Palavra

 

  1. As leituras devem ser bem proclamadas com solenidade e excelente dicção e pronúncia. Os leitores sejam previamente preparados com ensaios e uma Leitura Orante dos textos, para exprimirem, pela voz, postura e entonação, o sentido do Mistério oculto nas Escrituras.

 

  1. O Salmo responsorial cantado da Mesa da Palavra dará maior solenidade ao rito da Palavra.

 

  1. O Evangeliário pode ser acompanhado de tochas e incenso. E a proclamação deve ser feita de tal maneira que a comunidade viva e experiência da Encarnação de Jesus o Verbo (Palavra) que se fez carne e habitou entre nós. Palavra que é o próprio Cristo, recebendo acolhida na assembléia reunida, seu Corpo. A Palavra é realçada também por momentos de silêncio, por exemplo. Após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecendo a atitude de acolhida à Palavra de Deus. No silêncio, o Espírito torna fecunda a Palavra no coração da comunidade e de cada pessoa.

 

  1. Depois da proclamação do Santo Evangelho, um casal ou uma pessoa, leva a imagem do Menino Jesus até o presidente acompanhada por duas pessoas com velas. O presidente incensa a imagem e todos cantam:

 

HOJE,UMA LUZ BRILHOU PARA NÓS.

HOJE NASCEU,NOSSO DEUS O SENHOR.

 

  1. Depois coloca a imagem do Menino num lugar do presbitério e junto o Evangeliário simbolizando que a Palavra se fez carne. Pode ser feita também uma oferta de flores, por crianças, à imagem do Menino Jesus.
  2. Na Profissão de fé (Creio), usar o “Símbolo de Nicéia- Constantinopla” é mais extenso e mais completo que o “símbolo apostólico” que se costuma usar todos os domingos. No Natal, como em outros dias festivos, é interessante usar o primeiro, que fala mais sobre a Encarnação do Filho de Deus: “Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito do Pai, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós homens e para a nossa salvação, desceu dos céus; e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem (…)”. Durante as palavras “e se encarnou”, todos se ajoelham em sinal de adoração.

 

Rito da Eucaristia

 

  1. Para o Canto de apresentação dos dons, é muito oportuno cantar o belíssimo e tradicional canto que está na alma do povo: “Nas terras do Oriente,” CD: Liturgia V, melodia da faixa 10.

 

  1. Na oração sobre o pão e o vinho, peçamos a Deus que possamos participar da divindade do Filho de Deus. Céu e terra trocam seus dons.

 

  1. Sugerimos o Prefácio do Natal do Senhor, I que destaca Cristo como luz do mundo pelo mistério da encarnação, “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz”. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “No mistério da encarnação de vosso Filho, nova luz da vossa glória brilhou para nós. E, reconhecendo a Jesus como Deus visível a nossos olhos, aprendamos a amar nele a divindade que não vemos”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia. Outra opção é o Prefácio III que contempla o intercambio no mistério da Encarnação.

 

  1. A Oração Eucarística I (ou Cânon romano) é um pouco mais longa, mas tem a vantagem de oferecer uma parte própria para o Natal:

 

“Em comunhão com toda a Igreja, celebramos o dia santo (a noite santa) em que a Virgem Maria deu ao mundo o Salvador. Veneramos também a mesma Virgem Maria e seu esposo São José”.

 

  1. Na celebração da Palavra, onde não houver Missa, após o rito da Palavra, cantar a Louvação do Natal sugerida no Hinário Litúrgico I, CNBB, página 74.

 

  1. Dar maior destaque ao rito eucarístico: cantar o prefácio escolhido, o Santo, as aclamações da Prece Eucarística, amém final, e o Cordeiro de Deus que acompanha a fração do Pão.

 

  1. No momento do convite à comunhão, quando se apresenta o Pão consagrado e o cálice com o sangue de Cristo, é muito oportuno o texto bíblico de João 8,12, que é a fórmula “b” do Missal Romano:

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.

 

  1. É oportuno que a comunhão seja feita sob as duas espécies para toda a assembléia. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

 

Ritos Finais

 

  1. Na oração após a comunhão somos chamados a viver uma vida santa do Natal para alcançarmos o eterno convívio.

 

  1. Bênção especial para as crianças e solene, para todo o povo, como sugere o Missal Romano, página 520. O Ritual de Bênçãos traz uma Bênção para as crianças, na página 59.

 

  1. A bênção final, em sua forma solene, pode ser dada do presbitério ou mesmo do presépio, caso o povo tenha acompanhado o presidente na deposição da imagem do Menino Jesus na manjedoura.

 

  1. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: Hoje nasceu para vós o Salvador do mundo. Ide e anunciai a todos a paz. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

 

  1. No final, seguir em procissão com as crianças até o presépio e convidar a assembleia a se aproximarem do mesmo, símbolo do Natal. Um casal pode levar o Menino Jesus ao presépio. Fazer um gesto de adoração colocando-se de joelhos e cantar: “Noite feliz, noite feliz”. Nesse momento se for possível, seria interessante reacender as velas dos fiéis.

 

9- CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Natal é a presença transformadora de Deus na vida e na história das pessoas. Na festa do natal, desfrutamos desta presença de Deus. Mas também somos responsáveis por sua difusão no mundo das pessoas.

 

Quando assim celebramos o Natal, não será somente o nascimento do Menino Jesus; será o nascimento de um mundo novo, do mundo como Deus o quer: cheio de bondade, de amor, de justiça, de paz. Então “Deus será tudo em todos” (cf. 1Coríntios 15,28).

 

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

 

Um abraço fraterno a todos

 

Pe. Benedito Mazeti

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