O cristão leigo na Igreja e no mundo

O Apóstolo São Paulo, em algumas de suas Cartas (cf. 1Cor 12, 12-31; Cl 1, 18; Rm 12, 1-8), traz um profundo ensinamento sobre a Igreja, comparando-a com um Corpo. Para São Paulo, Nosso Senhor Jesus Cristo, a Palavra de Deus que se encarnou no seio da Santíssima Virgem Maria, é a Cabeça invisível da Igreja; e consequentemente todos os batizados, que são filhos da Igreja, se tornam membros desse Corpo Místico, que é o Corpo de Cristo imolado na Cruz e Glorificado pela Sua Ressurreição. Desse modo, a Igreja é o Corpo de Cristo, e cada batizado é um membro importante e insubstituível desse Corpo.

Na fidelidade a esse ensinamento apostólico, o “Catecismo da Igreja Católica” (nn. 787-795), respirando os ares do Concílio Vaticano II, desenvolve com segurança esse tema ao falar sobre a Igreja: “A comparação da Igreja com o corpo projeta uma luz sobre os laços íntimos entre a Igreja e Cristo. Ela não é somente congregada em torno dele; é unificada nele, em seu Corpo”. (n. 789)

E ao tratar, um pouco mais a frente, dos membros desse Corpo, o “Catecismo” fala das diferentes vocações a que esses membros são chamados a viver como Povo Santo de Deus. Os fiéis, que pelo Batismo pertencem a Cristo, cada um a seu modo, se tornaram participantes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, e assim são chamados a exercer, seguindo a condição própria de cada um, a missão que Deus confiou para a Igreja cumprir no mundo. Agora, se entre todos os fiéis existe uma verdadeira igualdade, no que se refere à sua dignidade e à sua atividade de membro desse Corpo, temos que considerar que o próprio Senhor quis estabelecer diferenças entre os membros desse Corpo; diferenças essas que estão a serviço da unidade e da missão da Igreja.

Seguindo esse princípio, estabelecido pelo próprio Senhor, a Igreja possui uma constituição hierárquica (Bispos, Presbíteros e Diáconos), onde o Papa é sinal de unidade, sendo ele o Chefe do Colégio Episcopal. Além da Hierarquia, a Igreja possui também membros que se doam à vida consagrada (Monges, Monjas, Freis e Freiras), vivendo na radicalidade as virtudes da pobreza, obediência e castidade. E os demais membros da Igreja são os leigos e leigas, e aqui se entende todos os demais batizados, que formam a maioria do Povo Santo de Deus.

Os leigos, fiéis à sua vocação específica, procuram viver os valores do Reino de Deus exercendo funções temporais, e ordenando essas realidades temporais segundo a Vontade de Deus. E ao ordenarem essas realidades temporais, iluminando-as com a luz do Evangelho, os cristãos leigos fazem com que  se desenvolvam segundo Cristo e contribuam para o louvor do Criador e Redentor.

 Uma mulher leiga, por exemplo, casada e mãe de família, que exerce na sociedade uma função pública, como funcionária de uma estatal. Além de seus deveres de esposa e mãe, ela terá que exercer sua função pública com integridade e honestidade, e jamais deverá se corromper e se envolver em esquemas criminosos de desvios de verbas públicas. Deverá, com o seu exemplo de boa cristã, levar a luz de Cristo a esses ambientes tão desumanizados e corrompidos que se tornaram muitas de nossas instituições públicas.

Os fiéis leigos estão assim na linha de frente da vida da Igreja, e graças a eles a Igreja é o princípio vital da sociedade humana.  Nas comunidades cristãs, especialmente em nossas Paróquias, a ação dos leigos é tão necessária, que sem ela o apostolado dos legítimos pastores, muitas vezes, não pode obter seu pleno efeito.

Aprofundando essa dimensão da vocação dos leigos, a Igreja tem possibilitado e incentivado sempre mais a participação dos leigos em sua ação evangelizadora, como verdadeiros discípulos-missionários. Cada vez mais, homens e mulheres, desde crianças, adolescentes, jovens até a mais tardia maturidade, têm se engajado em grupos de oração, movimentos, pastorais, associações, comunidades eclesiais de bases, novas comunidades e em tantas outras realidades eclesiais.

O protagonismo dos leigos tem aflorado tão intensamente nos mais diversos serviços e ministérios em nossas comunidades cristãs, que a Igreja se viu na obrigação de rever o papel dos leigos em sua vida e missão. Daí surgiram importantes instruções e declarações que permitiram que os leigos ocupassem cada vez mais funções eclesiais, seja como agentes de pastoral, evangelizadores, líderes comunitários, membros de conselhos diocesanos e paroquiais, Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística, Ministros Extraordinários da Palavra, entre tantos outros serviços e ministérios que o Espírito Santo suscita no seio da Esposa de Cristo, que é a Igreja.

Assim, os leigos podem exercer, de maneira sempre mais intensa e eficaz, o seu múnus sacerdotal, profético e régio que receberam no Batismo, levando uma vida que seja agradável a Deus, anunciando a Boa Nova do Evangelho e denunciando o pecado do mundo, e servindo generosamente aos irmãos na fé e a todas as demais pessoas, especialmente os mais pobres, necessitados, sofredores e indefesos.

Flávio Cividanes de Quero
Paróquia Santa Izabel – Uchoa

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