O cristão leigo numa Igreja “em saída”

O cristão leigo numa Igreja “em saída”

O “sujeito eclesial” se define pela consciência de ser Igreja e não somente de pertencer à Igreja, pela experiência de autonomia e corresponsabilidade na comunidade de fé e pela ação na Igreja e no mundo, independentemente do ministério que exerce na comunidade e da diversidade de carismas. A condição de sujeito eclesial nega tanto o individualismo, que reduz o cristão ao fechamento em si mesmo, ainda que em nome de experiências espirituais, quanto os comunitarismos, que dispensam a liberdade e a maturidade cristã em nome da segurança e da disciplina eclesiástica. Cada batizado é portador da graça e da tarefa de identificar-se com a pessoa e o projeto de Jesus Cristo, em sua labuta diária nas atitudes e ações mais rotineiras, assim como em suas ações transformadoras realizadas em âmbito local ou global. Os(as) cristãos(ãs) leigos(as) vivem inseridos, de modo direto, na construção da vida social, ainda que essa seja uma tarefa complexa. A busca do mundo novo é um horizonte inesgotável, uma reserva para a qual todo cristão dirige seu olhar e submete suas ações. Não pode haver para o cristão nenhum “bem-estar” – como o comodismo perante os prazeres individuais efêmeros – assim como nenhum “mal estar” que conclua o fim da história. A fé, a esperança e a caridade colocam o sujeito cristão em ação permanente na busca do mundo justo e fraterno que tem sua fonte e fim no próprio plano de Deus. Para além do bem e do mal, presentes de modo muitas vezes dramático na história em que vivemos, a comunhão plena com Deus nos atrai como meta maior. Por esse horizonte e por essa causa somos todos peregrinos e concretizamos sempre o plano de Deus na história. O mundo “deve ser transformado segundo o plano de Deus em ordem ao advento do Reino de Deus”. A esperança nos move e o amor nos faz semelhantes a Deus em cada gesto que acolhe e inclui o outro em nossa vida, particularmente o outro “excluído”, que clama por nossa solidariedade. A ação do leigo, no mundo, movida pelo Espírito, é uma ação que santifica a Igreja e o próprio mundo, na medida em que constrói, ainda que muitas vezes de forma quase imperceptível, o Reino de Deus, que é semelhante a um grão de mostarda (Mc 4,30-32). A Igreja vive hoje um clima de renovação nos propósitos e nas estratégias de evangelização.

Fonte: Doc 107 da CNBB

Pe. José Eduardo Vitoreti

Pe. José Eduardo Vitoreti

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