Os Sacramentos de Iniciação à Vida Cristã

Os Sacramentos de Iniciação à Vida Cristã

15/10/2018 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Na importante e contínua reflexão sobre o processo de iniciação à vida cristã, somos chamados à vivência e à observância da unidade dos três sacramentos que nos introduzem no Mistério Pascal de Cristo e da Igreja.

Os sacramentos, em geral, são vistos como atos do próprio Cristo na ação da Igreja e, nesse sentido, são integrados no mesmo caminho de fé, como experiência vital e de crescimento no meio de uma comunidade eclesial. Assim sendo, somos chamados a repensar a nossa identidade cristã e a nossa missão. Certamente, uma prática renovadora dos sacramentos, principalmente os de iniciação à vida cristã, será o reflexo de uma Igreja transformada, feliz e convertida, em conformidade à mensagem e à prática de Jesus que nos convida à vida misericordiosa, fraterna e livre.

Os sacramentos da iniciação à vida cristã são: Batismo, Confirmação ou Crisma e Eucaristia.

Nos primeiros séculos da Igreja, a iniciação à vida cristã teve um grande desenvolvimento, com um longo período de catecumenato e uma série de ritos litúrgicos preparatórios a serem finalizados com a celebração dos sacramentos da iniciação cristã.

Do século II ao V, a Igreja no Oriente e no Ocidente empregou um processo de catecumenato de incorporação gradual na comunidade que oferecia um modelo de conversão e desafiava os já iniciados. Nesse processo, os sacramentos do Batismo, Confirmação ou Crisma e Eucaristia formavam uma experiência sacramental unificada que, frequentemente, exigia um longo período de formação evangélica.

Nesse sentido, são diversas as características deste modelo de catecumenato clássico: há clara relação entre fé e sacramento; o catecúmeno está suficientemente maduro para solicitar a iniciação da fé; a comunidade eclesial local tem a responsabilidade de discernir os compromissos práticos implicados na conversão; o processo do catecumenato envolve ativamente toda a comunidade de vários modos; o caráter definitivo dessa conversão, celebrado nos ritos da iniciação, é tal que a Igreja só relutantemente permite a reconciliação do pecador batizado algum dia mais tarde; a autoconsciência e missão da igreja local refletem-se no modo em que ela prepara seus catecúmenos; a natureza unificada dos sacramentos da iniciação é evidente; o mistério pascal é central para o processo de iniciação.

No entanto, pode-se dizer que na Igreja ocidental, de uma visão teológica e prática sacramentária da iniciação cristã, essencialmente unitária no primeiro milênio, passou-se, a partir do século X, à separação progressiva e finalmente ao desprendimento total dos polos em que se articulava a única celebração. Tal visão permaneceu intacta até hoje na tradição oriental.

Depois de quase mil anos, no século XX, houve um dos maiores acontecimentos da Igreja Católica – o Concílio Vaticano II, que se destacou principalmente pelo grande impulso que deu à reforma litúrgica, dando às suas celebrações caráter mais eclesial, comunitário, participativo. Seus atos foram de todo o povo de Deus na Igreja e para a Igreja, fundamentada em Cristo, motivada pelo Espírito de Cristo. Tal Concílio pediu também a volta às fontes, à Bíblia, à Patrologia. Nesta volta às fontes, muita coisa valiosa e original se descobriu. Um desses aspectos redescobertos, no âmbito dos sacramentos, é a visão unitária dos chamados sacramentos da iniciação à vida cristã.

A unidade dos três sacramentos da iniciação cristã não foi apenas um critério perseguido com tenacidade pela reforma litúrgica, mas é, sobretudo, um princípio teológico reafirmado e precisado no seu fundamento e nas suas finalidades.

Enfim, os três sacramentos referidos se baseiam na unidade do mistério pascal; são três ritos significativos e operativos do mesmo mistério, destinados a operar a configuração progressiva e completa do crente com Cristo na Igreja, a construir a sua identidade cristã e eclesial. O Batismo faz nascer a nova vida; a Crisma aperfeiçoa esse nascimento e leva-o à maturação; a Eucaristia cumpre, recapitula e consuma.

 

Pe. Alexandre Ferreira dos Santos
Pároco da Paróquia São Francisco de Assis
S.J.Rio Preto – SP
Assessor Diocesano de Liturgia

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