Igreja no Mundo › 02/04/2019

Papa alerta jornalistas

Reprodução | ACI Digital

 

Na entrevista concedida ao jornalista espanhol Jordi Évole do canal ‘La Sexta’, o Papa Francisco alertou sobre os quatro pecados ou desvios nos quais os trabalhadores da imprensa e dos meios de comunicação podem cair.

“Vocês têm a possibilidade de cair em quatro pecados ou quatro atitudes ruins, sem falar na linguagem teológica, quatro atitudes que os ameaçam continuamente e das quais têm que se defender”, disse o Santo Padre na entrevista transmitida no domingo, 31 de março, quando o Papa regressava a Roma depois de sua viagem ao Marrocos.

“Primeiro, a desinformação: dou a notícia, mas dou apenas a metade. A outra metade eu não dou. Isso vai contra o direito das pessoas que recebem a notícia de serem informadas. Vocês informarão a metade, informarão mal. Esse é um dos desvios que vocês precisam se cuidar para não cair nele”, indicou Francisco.

O segundo pecado, continuou, é a “calúnia: caluniar as pessoas. Há meios de comunicação que caluniam sem nenhum problema. ‘De onde você tirou isso? Eu vi na televisão, li no jornal’. Os meios de comunicação têm tanto poder com as massas, com as pessoas, que podem caluniar impunemente. Além disso, quem vai julgá-los? Ninguém”.

“Terceiro: a difamação, que é ainda mais sutil. Porque todas as pessoas têm direito à reputação. E se há 20 anos você teve um deslize em sua vida ou cometeu algum mal e depois pagou a conta, pagou a pena. Agora você é uma pessoa livre e sem mancha. Não podem colocar uma matéria sobre você nos meios de comunicação sobre uma história que está superada, já paga e ressarcida. Assim é a difamação: eles tomam uma mancha do passado e a exibem para você agora”, explicou o Pontífice.

O Papa disse que o quarto pecado consiste no “amor à imundice”, aos escândalos, ou seja, no mau hábito de sujar a reputação das pessoas. “Há meios que vivem de publicar escândalos, sejam eles verdadeiros ou não, sejam parcialmente verdadeiros ou não, mas vivem disso”, assinalou.

Sobre este pecado, o Papa recordou o que comentava “meu predecessor em Buenos Aires, Cardeal Quarracino, dizendo: ‘Olha, eu não posso ler este jornal, porque faz assim e começa a jorrar sangue'”.

“Acho que, superando esses quatro limites, a comunicação seria algo maravilhoso”, concluiu.

Fonte: ACI Digital

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