Artigos, Pe. Marcelo Vieira › 10/11/2017

O dogma da virgindade de Maria

Os Evangelhos de Mateus e Lucas narram que a concepção de Jesus aconteceu por obra do Espírito Santo, sem a participação de ser humano do sexo masculino. O dogma foi formulado no Segundo Concílio de Constantinopla em 553 d.C. No dogma da virgindade de Maria se declara uma virgindade perpétua, ou seja, Maria é virgem antes do parto, no parto e depois do parto.

Existem duas narrativas bíblicas que falam sobre a concepção virginal que está presente nas narrativas do evangelista Mateus e do evangelista Lucas. Segundo Murad (2012), há ao menos três correntes de pensamento teológico. O primeiro, em que se encontram católicos tradicionais e evangélicos, defende-se uma intervenção divina extraordinária em Maria, na concepção de Jesus. A segunda posição defende que a virgindade de Maria é uma metáfora e que não seria histórica. A terceira posição teológica considera a concepção virginal como um acontecimento histórico-salvífico, ou seja, trata-se de um símbolo real, e se refere à encarnação de Cristo.

Sobre a virgindade de Maria no parto, a fundamentação teórica depende de um texto apócrifo, protoevangelho de Tiago, com uma narrativa que detalha o nascimento de Jesus e o milagre da permanência de Maria virgem. Mais importante que essa narrativa cheia de fantasias, é necessário fundamentar essa verdade a partir de uma leitura bíblica que considere um horizonte bíblico e não apenas uma passagem isolada. Um dos sentidos encontrados pelos biblistas para essa parte do dogma é olhar para o texto de Gênesis capítulo 2, que fala sobre a maldição que a mulher recebeu após o pecado, de que a partir desse momento passaria a sentir dor no parto. O fato de a  Igreja declarar a virgindade de Maria no parto é um símbolo da ruptura com aquele pecado iniciado com Adão e Eva.

Sobre a virgindade de Maria depois do parto aparecem as questões sobre os irmãos e irmãs de Jesus apresentados pelos evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas. Em nenhum momento os evangelistas falam sobre filhos de Maria, mas apenas sobre os irmãos de Jesus. Para explicar essa aparente contradição encontramos ao menos duas explicações. A primeira explicação vem de dois apócrifos, que contam que José era viúvo e que havia tido quatro filhos no primeiro casamento. A segunda explicação que parece mais coerente diz que os irmãos de Jesus na verdade seriam parentes próximos, o que era próprio daquela cultura. Mesmo primos eram tratados e chamados de irmãos.

 

Bibliografia
MURAD, Afonso. Maria toda de Deus e tão humana: Compêndio de Mariologia. São Paulo: Paulinas, 2012.

Pe. Marcelo Vieira

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