A iniciação à vida cristã: Dialética entre a graça divina e a resposta humana

Afirmamos que a iniciação à vida cristã é entendida pela tradição cristã como participação no Mistério do Deus de Jesus Cristo. Mas como se realiza teologicamente esse processo? É iniciativa humana, deve-se ao esforço e boa vontade do evangelizador ou, antes, é dom de Deus? Qual a função e a pertinência da mediação eclesial nesse processo? Como se articulam todos esses elementos na iniciação à fé? No intuito de aprofundar a dinâmica teologal da iniciação cristã cabe agora uma reflexão sobre o movimento entre o divino e o humano, isto é, entre revelação gratuita de Deus e  resposta livre do iniciante.

A iniciação cristã, narrada no Novo Testamento, obedece a um itinerário bastante ordenado: pregação da Palavra, ou seja, primeiro anúncio (querigma, anuncia a vida, a morte e a ressurreição do Senhor); a fé-conversão suscitada pelo anúncio querigmático; o batismo em nome do Senhor, que confere o dom do Espírito, e a incorporação na comunidade. É constante, sobretudo nos Atos dos Apóstolos, a afirmação de que para ser batizado é necessário ter antes ouvido a mensagem do Evangelho e aceitá-la na fé. Nota-se que a fé é suscitada pela pregação, e o batismo é a celebração da fé e adesão à mensagem, cujo conteúdo da Boa Nova é o próprio Cristo; escândalo para uns, loucura para outros, mas a salvação para os que a ele aderem.

À primeira vista, tal itinerário parece ser bastante lógico. Contudo, a origem e a possibilidade do itinerário da iniciação são anteriores a esses momentos aparentemente externos. Sem a intenção de fazer dicotomia entre todas as etapas da dinâmica iniciativa cristã, há de se reconhecer que a possibilidade da iniciação repousa antes na iniciativa divina, no âmbito da absoluta graça de Deus, ou seja, na categoria teológica chamada revelação. Decerto, Deus faz uso de mediações; indubitavelmente a comunidade eclesial e o evangelizador são fundamentais no processo, da mesma forma que o “sim” do iniciante é intransferível e decisivo. Porém, a primazia absoluta encontra-se em Deus, que toma a inciativa de se revelar ao humano.

Fonte: Paróquia e Iniciação Cristã

Pe. José Eduardo Vitoreti

Pe. José Eduardo Vitoreti

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