Artigos, Pe. Marcelo Vieira › 17/10/2017

Maria, Mãe de Deus 

A Igreja Católica Apostólica Romana declarou quatro dogmas a respeito de Nossa Senhora: Maria, Mãe de Deus; A Virgindade Perpétua de Maria; A Imaculada Conceição de Maria; e a Assunção de Maria. Dois desses dogmas foram declarados em concílios e dois foram declarados por papas depois de consulta ao episcopado. Todos os dogmas marianos tem em comum a centralidade de Cristo na vida de Maria de Nazaré.

O dogma da Maternidade divina de Maria foi declarado no concílio de Éfeso, em 431 d.C., e destacou a humanidade de Cristo que estava sendo negada por alguns grupos nesses primeiros séculos do Cristianismo. Os textos bíblicos, especialmente os Evangelhos, repetem 25 vezes a afirmação que Maria é mãe de Jesus. A comunidade Cristã bem cedo reconhece em Jesus não apenas um ser humano, mas o próprio Deus que se encarnou. Logo cedo, Maria passou a ser representada como Mãe de Deus por ser mãe de Jesus. A declaração dogmática aconteceu para reforçar a verdade de fé relacionada à humanidade e à divindade de Cristo.

A declaração de Éfeso, em 431 d.C., causou bastante confusão nos anos seguintes, pois ao declarar Maria, Mãe de Deus, alguns grupos passaram a compreender Maria como uma grande deusa, compreendida como mãe da Santíssima Trindade. Em 451 d.C., no concílio de Calcedônia, a Igreja voltou ao assunto e especificou bem a declaração da maternidade divina, declarando que Maria é Mãe de Deus Encarnado, resolvendo a questão de Maria ser Mãe da Santíssima Trindade. Segundo Murad (2012), em relação à Santíssima Trindade, Maria é filha predileta do Pai, é Mãe, Educadora e Discípula de Cristo, e a mais aberta à ação do Espírito Santo. Em relação à comunidade cristã Maria é membro supereminente,  diz a “Lumem Gentium”, no capítulo VIII, pois é a que está mais próxima de Cristo e mais perto de nós.

A declaração dogmática especificou o papel de Maria como Mãe de Cristo, que é professado Deus e Homem ao mesmo tempo. A importância da declaração dogmática da maternidade divina de Maria está na garantia da humanidade de Cristo que é fundamental nesse credo do cristianismo, pois garante que Cristo não seja compreendido como um ser abstrato, inventado pelas comunidades. Pode evitar na atualidade afirmações de grupos que neguem a humanidade de Cristo, sua encarnação, algo essencial da fé cristã.

 

Bibliografia
MURAD, Afonso. Maria toda de Deus e tão humana: Compêndio de Mariologia. São Paulo: Paulinas, 2012.

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