Sagrado Coração de Jesus

            A devoção ao Sagrado Coração de Jesus originou-se com a experiência de Santa Maria Margarida Alacoque, uma religiosa da Congregação da Ordem da Visitação, que teve revelações particulares de Jesus, de 1673 a 1975. Posteriormente a devoção ao Sagrado Coração de Jesus foi impulsionada pelo papa Pio XII, além de outros papas, antes dele.

            Como podemos entender a devoção a um aspecto em particular de Jesus, como o coração? É claro que não podemos fazer uma interpretação literal, pensando no coração como um órgão humano, que realiza a vital função da circulação sanguínea no corpo humano. Nem tão pouco se pode interpretar o coração no sentido poético ou romântico, como muitas vezes é entendido na cultura e na imaginação popular.  O coração aqui deve ser entendido no seu simbolismo antropológico e simbólico, como o centro existencial do mistério da pessoa humana. Na Sagrada Escritura o coração muitas vezes é indicado como o centro da capacidade humana do pensamento, da decisão e da memória. Por exemplo, no Salmo 95: “Não endureçais vossos corações com em Meriba, com em Massa, no deserto” (Sl 95,8). Outro exemplo encontramos no Profeta Ezequiel: “Dar-vos-ei um coração novo, porei no vosso íntimo um espírito novo, tirarei de vosso peito este coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ez 36,26). Nos Evangelhos, Jesus retoma esta acepção do coração como o órgão da inteligência. Por exemplo, no Evangelho segundo Mateus: “Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles diz: Por que tendes estes maus pensamentos em vosso corações?” (Mt 9,4). Jesus também refere-se ao coração simbolicamente como a parte mais íntima e importante do ser humano: “Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6,21). Na passagem dos discípulos de Emaús, Jesus diz: “Insensatos e lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram!” (Lc 24,25). E ainda, mais adiante: “Por que estais perturbados e por que surgem dúvidas em vossos corações?” (Lc 24,38). Portanto, podemos ver que na Bíblia o coração é muitas vezes entendido como a sede do pensamento, da inteligência humana. Igualmente, alguns filósofos da antiguidade concebiam o coração desta forma, por exemplo, Aristóteles, que pensava ser o coração o principal órgão humano, responsável pela intelecção, pelo pensamento, além do centro das emoções. O Sagrado Coração de Jesus pode ser interpretado desta forma? Poderíamos pensar no Sagrado Coração de Jesus como a expressão de sua inteligência e de seu amor? Podemos recorrer às palavras do próprio Jesus, no Evangelho segundo Mateus: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11,28-30)

Pe. Leonel Brabo
Reitor do Seminário Sagrado Coração de Jesus

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