A realeza da misericórdia de Deus

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Felipe Gomes

Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Paz

 

Deus amou tanto o mundo que entregou seu filho unigênito (Jo 3,16) para morrer por nós. Isso torna Jesus o rosto da misericórdia do Pai e fundamenta a nossa fé cristã.

A misericórdia de Deus pode ser percebida desde o Antigo Testamento na sua revelação a Moisés: “Eu sou Aquele que Sou” (Ex 3,14). Ou seja, o Pai está presente, é bondoso, compassivo, clemente, vagaroso na ira e cheio de fidelidade, elementos que destacam a sua misericórdia.

O Pai se comunica com seus filhos adotivos de forma imediata, isto é, deixa-se experimentar, conhecer a plenitude do seu amor incomensurável. Para isso, é necessário ser misericordioso como Ele. É preciso irmos aos centros periféricos ao encontro daqueles que estão abandonados, excluídos, desintegrados da dignidade humana, pois a misericórdia é apresentada como força que tudo vence, enche o coração de amor e consola com o perdão. Ela é um ideal de vida e critério de nossa fé.

É preciso viver e sentir o “império da misericórdia”, caminho que une Deus e o homem porque abre o coração da humanidade à esperança de todos serem amados para sempre apesar da limitação do pecado. Assim como o bom samaritano aproximou-se daquele homem caído e tratou-lhe as feridas derramando nelas óleo e vinho, colocando-o, depois, sobre o seu próprio animal e levando-o a uma pensão onde cuidou dele (cf. Lc 10,34), devemos viver as obras da misericórdia, nas quais encontramos o verdadeiro sentido cristão.

Deste modo, é possível contemplar a misericórdia de Deus e assumi-la como próprio estilo de vida. “Sede misericordiosos, como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36) – aí esta a essência instrumental referente à mesma que devemos experimentar e viver, afinal, temos a prova de como Deus nos ama.

Façamos as obras de misericórdia corporais: dar de comer aos famintos, de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos; e busquemos pôr em prática também as espirituais: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas e rezar pelos vivos e defuntos.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Misericordiae Vultus – O rosto da misericórdia. São Paulo: Paulus / Loyola, 2015.

 

 

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