Todas os posts em Artigos

Maria, modelo dos vocacionados ao sacerdócio

 Por seminarista Geraldo Fernandes Neto – 1º ano de Teologia

 

“Abandona-te, em silêncio, ao Senhor, e põe Nele tua confiança.” (Sl 36)

Maria e o anjo (3)

Num mundo secularizado e em processo acentuado de laicização, ser vocacionado tornou-se um grande desafio. No entanto, todo chamado é exigente e requer de nós uma resposta, por isso, Maria é o modelo para os vocacionados ao sacerdócio, pois para corresponder ao seu chamado, ainda jovem, ela também enfrentou muitas dificuldades, já que corria o risco de ser marginalizada pela sociedade caso José a abandonasse. Contudo, apesar do medo, Maria decidiu confiar em Deus e se abrir à vontade Dele, sendo fiel até o fim.

Atualmente, há muitas vozes que competem com a de Deus, que escolhe e chama os vocacionados à vida sacerdotal. Num mundo policêntrico há muitos fatores que nos dispersam e retiram Jesus Cristo da centralidade de nossa vida, e mediante aos desafios de ser sacerdote no século XXI, é difícil encontrar jovens que, assim como Maria, se predisponham a realizar a vontade de Deus. Por isso, é preciso que o vocacionado leve em consideração os segredos de Maria, que para tentar compreender os desígnios de Deus colocava-se em silêncio e orava. Ela buscava o sentido profundo e oculto dos acontecimentos e palavras, e os confrontava com as novas situações em que sua vida era envolvida. Maria mostra-nos o caminho e nos ensina a confiar e aconselha-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. (Jo 2, 5). Leia mais

Missionários da misericórdia

logo-ano-santo-da-misericordiaChegamos ao último dia do mês de outubro. No Brasil, este é o mês missionário.

Falar de missão é falar de um estado permanente de ação evangelizadora que deve basear a vida da Igreja. A missão está na essência da Igreja que entendeu bem o pedido do ressuscitado: “Ide e fazei discípulos em todas as nações” (cf. Mt 28,19).

Desde o início de seu pontificado, o Papa Francisco tem destacado a dimensão missionária da Igreja, como aquela que foi instituída por Cristo para ser sinal de salvação. Para viver essa dinâmica, faz-se necessária uma “Igreja em saída” – expressão usada pelo próprio santo padre. Uma Igreja em saída é aquela que vai ao encontro das pessoas, para compartilhar de suas alegrias e também de suas dores e sofrimentos, dando-lhes conforto, consolo e esperança; é uma Igreja que busque defender os mais necessitados, sobretudo os pobres e marginalizados; é uma Igreja que se posicione na sociedade, de modo a defender a vida e a liberdade verdadeira que conduz à vida; uma Igreja que seja, enfim, um “hospital de campanha” – outra expressão usada pelo Papa Francisco – pronta para tratar e curar todos os tipos de males daqueles que procuram remédio para suas feridas.

Sobretudo neste Ano Jubilar da Misericórdia, a Igreja é chamada a ser missionária da misericórdia – e eis aqui o remédio para tantos males que afligem as pessoas e a sociedade em nossas dias. À imagem do Pai Misericordioso (cf. Lc 15,11-32) que se comove com o estado do filho pródigo, acolhe-o com amor, devolve-lhe a dignidade de filho e o conduz para o banquete da vida, uma Igreja misericordiosa é aquela que vai ao encontro dos que precisam, acolhendo-os com ternura, revelando-lhes a dignidade de filhos e filhas de Deus e levando-os à festa da vida.

Todos nós, que somos e formamos a Igreja, somos chamados a fazer essa experiência de misericórdia: do Pai que vem ao nosso encontro, apesar de nossa pequenez, nos acolhe, nos perdoa e nos leva para o caminho da vida, que é o caminho da salvação. Só assim, aprenderemos a ser misericordiosos e nos tornaremos autênticos missionários da misericórdia – misericordiosos como o Pai.

Peçamos ao Pai da Misericórdia que nos faça experimentar sua misericórdia e que, educados por ela, desperte o nosso coração para sermos missionários e missionárias da sua misericórdia. E que Maria, a mãe da misericórdia, nos acompanhe com sua materna intercessão.

 

Seminarista Paulo Castro

2º ano de Filosofia

Seminário Maior Diocesano

VII Post: O sentido cristão da maternidade

Por Seminarista Murilo de Souza da Silveira – 3º ano Teologia

Diocese de São José do Rio Preto – SP

Sem título

O mês de Maio é pela Igreja dedicado a Virgem Maria, que por sua vez recorda o papel importantíssimo das mulheres na sociedade e da vocação à maternidade. Podemos assim constatar, que Maria é a figura concreta da vocação maternal. São João Paulo II em sua encíclica Mulieres Dignitatem, afirma que a maternidade da mulher reflete o mistério eterno do gerar que é próprio de Deus. A maternidade comporta uma comunhão especial com o mistério da vida, que amadurece no seio da mulher: a mãe admira este mistério, com intuição singular “compreende” o que vai se formando dentro de si.

Nos dias atuais enfrenta-se uma grande problemática de relativização dos valores morais, éticos e principalmente cristãos. Muitos grupos e Estados buscam a destruição da família, atentando, sobretudo, no direito e papel maternal das mulheres. Buscam, principalmente, diante disso, a legalização do aborto tendo como argumento a livre vontade da mulher ou o direito dela fazer aquilo que quiser com o seu corpo: “meu corpo, minhas regras”. Buscam também desvalorizar o próprio termo “mãe”, utilizando o termo “mulher”. A maternidade é o principal termo ignorado nos contextos internacionais, mesmo quando lembrarmos que é ela quem gera a vida. Fala-se principalmente de “mulheres com filhos”, ao invés de “mães com filhos”. 

Esse problema foi muito explícito no IV Congresso Mundial para as Mulheres, realizado em Pequim em 1995, que procurou substituir o termo “maternidade” pela expressão “mulheres em procriação”. Isso não teve muito sucesso, porém algumas delegações pressionaram para eliminar o termo “maternidade” como tal. Por isso, nos documentos conclusivos da conferência, apareciam poucos exemplos nos quais se mencionavam termos como “maternidade”, “família”, etc.

Por outro lado, a maternidade não se limita somente no campo biológico, mas a todas as mulheres que buscam desempenhar um papel determinante na vida dos filhos, da família e da sociedade. Assim não tenhamos duvidas, Maria é o exemplo de “maternidade espiritual”, principalmente para as mulheres que não podem gerar a vida, mas as geram no coração.

V Post: Festa da Misericórdia

Por Seminarista Rafael Vicente de Melo – 4º ano de Teologia

Diocese de São José do Rio Preto – SP

Apostolos-da-Divina-Misericordia

A Igreja Católica celebra, no segundo domingo da Páscoa, a Festa da Divina Misericórdia, instituída pelo Papa João Paulo II. Esta festa teve origem na Polônia, em Cracóvia, através das experiências místicas de Irmã Faustina Kowalska, e é hoje celebrada no mundo inteiro.

Mas qual seria a imagem da Divina Misericórdia? Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. E este mistério da fé cristã parece nos levar a síntese total dessa misericórdia que se tornou visível nos gestos e atitudes de Jesus hoje, proposto pelas obras de misericórdia corporal e espiritual que insere dentro do processo de solidariedade essencial para o homem na vivencia com Deus e com o outro.

Ao contemplar o mistério da misericórdia, devemos sentir uma grande alegria, paz e serenidade, pois é a fonte primordial que nos leva ao encontro da nossa salvação para com Deus. A misericórdia é o algo tão sublime que só podemos compreender no caminho que une Deus e o homem, pois abre o nosso coração para olharmos com caridade o irmão que se encontra em nosso caminho no dia a dia.

Cristo ressuscitado nos ensina a necessidade da misericórdia e nos pede para praticar a caridade. Viver a fé nos impulsiona a levar a sério as palavras de nosso Mestre: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia” (Mt 5,7). Esta bem-aventurança mostra a consequência das atitudes de quem se faz pobre e se abre para Deus e para o próximo.

O pobre é misericordioso. A misericórdia não significa ter dó, mas significa “empatia”, isto é, sofrer junto, sentir junto, ser solidário com o próximo, reconhecer as misérias do coração humano, ou melhor, ter um coração compassivo. Biblicamente a misericórdia é chamada de “comoção interior”, em hebraico “hesed rahamîm”, e designa o envolvimento da pessoa toda em favor do próximo.

O pobre se compadece e sofre com os que sofrem, é solidário com eles e reparte com eles o que tem. Isso é ser misericordioso evangelicamente. Os pobres são os que mais ajudam os outros pobres, são sensíveis e são mais abertos as necessidades que os levam a enxergar na realidade que se encontram.

O bem-aventurado por excelência da misericórdia é o próprio Senhor Jesus, ele que se fez pobre por primeiro para ensinar o caminho da pobreza e entender o que é ter, e viver para esta misericórdia que não tem fim.

Retrato-arte-Retorno-do-filho-pródigo-Pintura-a-óleo-Rembrandt-van-rijn-Tela-de-reprodução-Alta

O Senhor Jesus é a primeira fonte da Misericórdia. Assim como seus discípulos, devemos ser os continuadores do amor e do perdão a todos por meio da misericórdia que eles nos apresentou na “Parábola do Pai Misericordioso” que é o caminho da salvação.

Que durante este Ano da Misericórdia nos convida a acolher as palavras do Senhor Jesus, pois são o anúncio da verdadeira paz do coração e da esperança que está enraizada no mistério da cruz na sua paixão e morte e, acima de tudo, na sua gloriosa ressurreição. O Misericordioso Senhor nos deu a participação na sua vitória sobre o pecado e a morte.

E a expressão mais profunda de uma fé madura que o Senhor nos ensinou está nos atos concretos de caridade por meio das obras de misericórdia.

Que a celebração do domingo da “Divina Misericórdia” fortaleça os nossos corações pela graça de Deus! E que a misericórdia do Senhor possa chegar aos nossos irmãos por meio de ações concretas, palavras de esperança e constante oração para que desça a misericórdia sobre nós e sobre o mundo inteiro!

VI Post: Dia de oração pelas vocações

Por Seminarista Michel Candeu – 4º ano Teologia

Diocese de São José do Rio Preto – SP

 

1086457826529_040606

No 4º domingo da Páscoa, a liturgia nos convida a celebrar o Domingo do Bom Pastor, a pessoa de Cristo que como Pastor supremo conhece a cada ovelha, e estas o seguem. “Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem” (cf. Jo 10,27). A missão de Jesus é zelar pelo rebanho, Ele cuida de suas ovelhas com carinho, e se alguma desviar ou se perder, deixa seus afazeres para encontrá-la, a ponto de arriscar sua vida para protege-la, a qualquer preço.

Ainda disse, que suas ovelhas O conhece, mas para Sua grandeza, seria impossível, tal fato, convida-nos a diariamente deixarmos ser guiados por Ele, de modo que, sempre sigamos Seu caminho. “Eu dou a elas vida eterna, elas nunca morrerão. Ninguém vai arrancá-las da minha mão. O Pai que tudo entregou a mim, é maior do que todos. Ninguém pode arrancar coisa alguma da mão do Pai” (cf. Jo 10, 28-29)

Nós, como seres humano, limitados, pecadores, temos a tendência de desviar nosso olhar da pessoa de Cristo, buscando prazeres mundanos, mas Ele, com toda sua misericórdia nos chama pelo nome, conhece as nossas fraquezas e não nos abandona.

Também, celebramos o dia mundial pela oração sacerdotal, devemos rezar pelos jovens chamados a vida sacerdotal e aos padres, um convite especial do próprio Pai para que a missão de Cristo continue, e estes assumam realmente o papel de Bom Pastor, cuidando de suas ovelhas, para que todos ouçam a voz de Deus, através da evangelização, do cuidado pastoral, do ser ‘pai espiritual’. Além das orações, o fazer presente, acompanhar os jovens no período de seminário, no seu discernimento, no incentivo de seu Sim, aos padres, na caminhada de sua paróquia, nas dificuldades que surgem. “O caminho vocacional é feito juntamente com os irmãos e irmãs que o Senhor nos dá: é uma con-vocação”, afirma Papa Francisco, para  que desta forma, sejamos igreja uns para com os outros, a exemplo da experiência apostólica juntamente com outros membros da comunidade, para que, as vocações sejam sustentadas, no berço, na Igreja.

IV Post: O processo da autoavaliação

O ano está chegando ao fim e, para muitos seminaristas, isso indica o término de um ciclo e o início de outro. A saber, os propedêutas, que após o período de iniciação na vida de seminário, preparam-se para a admissão ao Seminário Maior, onde darão início ao curso de Filosofia, e os que concluem o terceiro ano de Filosofia e, tendo sido aprovados nas disciplinas e na monografia, preparam-se para começar os estudos da Teologia.

O fim do ano é sempre um momento propício para a revisão de tudo aquilo que vivemos no decorrer do ano. Para um seminarista, esta revisão tem um horizonte bem mais amplo, pois abrange as dimensões pessoal, acadêmica, comunitária, espiritual e pastoral de sua caminhada vocacional. O seminarista deve chegar ao fim do ano e verificar se atingiu a meta que se espera da etapa da formação na qual esteve ou está inserido. Algumas questões são cruciais neste processo autoavaliativo: Cresci enquanto pessoa, cultivando virtudes e bons valores?; Com meu esforço e dedicação, cumpri com meus afazeres acadêmicos, buscando o conhecimento necessário da dimensão intelectual da formação?; Mantive um bom relacionamento com os demais seminaristas, alimentando a convivência fraterna e a amizade?; Nutri minha vida espiritual por meio da oração, da leitura orante da Sagrada Escritura e, sobretudo, por meio da participação na Eucaristia, buscando crescer espiritualmente?; Correspondi às exigências pastorais, servindo à Igreja e ao povo com quem tive contato, com amor e solicitude? Após a análise de todas estas questões, uma primordial se sobressai: “Estou correspondendo ao chamado de Deus para mim?”.

Em meio às adversidades e dificuldades da caminhada formativa, cada desafio superado é um “sim” dado ao chamado de Deus. E, em sua autoavaliação, cada seminarista deve ver aquilo que fez de positivo, as atitudes que lhe fizeram crescer e os pontos que acertou e levá-los adiante na formação. Por outro lado, os erros e aquilo que não foi positivo na etapa formativa, devem servir de aprendizado e ser deixados para trás.

A caminhada seminarística deve ser uma constante avaliação pessoal. Só assim o vocacionado ao sacerdócio pode colocar-se diante de si mesmo e descobrir se tem buscado corresponder satisfatoriamente à sua vocação e se está buscando moldar o seu coração e a sua vida ao Cristo, bom Pastor, modelo do perfeito sacerdote.

 

 

Seminarista Paulo Castro

Seminário Maior Diocesano