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Festa de Visitação de Nossa Senhora

O Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Paz celebrou no dia 31 de maio, a Festa da Visitação de Nossa Senhora. A data lembra a saída de Maria, mãe de Jesus Cristo, ao encontro de sua prima Santa Isabel. A missa foi presidida pelo vice-reitor do Seminário, Padre Rafael Dalben Ferrarez e contou com a participação dos seminaristas propedeutas.

O evangelho do dia (Lc 1,39-56) narrou o momento em que Maria Santíssima, após receber do Arcanjo Gabriel a notícia de que se tornaria mãe do Redentor, sai em direção às montanhas da Judeia para auxiliar Isabel que, já em idade bastante avançada, levava em seu seio aquele que anunciaria o Messias. Essa pressa da Virgem Mãe ressalta as palavras registradas por São Lucas poucos versículos antes: “Eis aqui a escrava do Senhor” (Lc 1, 38). Ao chamar-se escrava, Maria confessa pertencer totalmente a Deus “como coisa e propriedade”.

Maria mostra não ser senhora da própria vida e, por isso, a sua alma se alegra em Deus. Dessa forma, ela, cheia de amor e vazia de si, entrega-se aos outros com total abandono e espírito de serviço: embora grávida e longe da família, “Maria ficou com Isabel cerca de três meses”. Mesmo se tornando a nova Arca da Aliança e trazendo dentro de si o verdadeiro Messias, colocou-se à serviço da parenta necessitada.

Com a Festa da Visitação, é possível perceber que homens e mulheres também podem carregar Cristo consigo por meio da Eucaristia ao comungarem com total abertura à ação de Jesus. Podem, assim, se tornarem escravos do Senhor e pertencerem inteiramente a Ele, sendo instrumentos para servi-lo e também servir aos irmãos. Vê-se ainda nessa passagem do Evangelho, o primeiro milagre: Maria faz no ventre de Isabel a justificação de João Batista. As duas mulheres se encontram, mas no ventre delas se encontram o Salvador e aquele que iria anunciá-lo.

Ao término da celebração, foi feita a coroação de Nossa Senhora para homenageá-la pelo mês de maio, o qual é dedicado especialmente a ela.

Ancelmo Lio

Seminário Propedêutico

Uma reflexão acerca da parábola dos talentos

Por Seminarista Flávio Aparecido Pereira – 2º ano de Teologia

Diocese de Barretos – SP

Parábola dos Talentos

A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um;

a cada qual de acordo com a sua capacidade (Mt, 25, 15).

São Mateus, na parábola dos talentos, vem alertar sobre o local onde são colocadas as capacidades e os modos com os quais elas vão se frutificando, se multiplicando.

“A quem tem será dado mais, a quem não tem será tirado até o que não tem!”

Palavras fortes essas que o evangelista emprega! Elas são ásperas, pois denotam que os talentos que o ser humano possui, os dons que são colocados a serviço dos irmãos e irmãs em família e na comunidade, devem ser partilhados, multiplicados e não escondidos ou enterrados no esquecimento. Quem tem um talento, possui a capacidade de fazer com que seus dons sejam transformados em mais dois, cinco, dez. Mas quem não tem, deverá prestar conta de sua falta de compromisso em multiplicar. Haja vista que dons e talentos todos possuem, mas estes se manifestam de forma distinta, basta descobrir qual é e como multiplicá-lo. Quem ainda não o descobriu entra na segunda parte exclamada por Jesus: ‘a quem não tem será tirado ainda mais’; se os talentos não se multiplicam, não podem ser distribuídos, partilhados; logo, se há apenas um talento, o que sobrará se ele for repartido?

Para cada um é reservado um talento e esse não deve estar escondido de todos, mas antes, deve ser posto a serviço para que haja sua multiplicação. Aqui se faz necessário o lançamento da seguinte pergunta: como multiplicar esses talentos, fazendo-os se desenvolver?

 – Sabedoria, inteligência, astúcia, multiplicação.

O patrão chama seus empregados e garante-lhes a confiança de seus talentos, seus bens. O faz na certeza de que eles serão trabalhados a ponto de crescerem em número, passando de cinco para dez, de dois para quatro e, possivelmente, de um para dois. Dois de seus empregados são chamados de bons e fiéis, pois souberam administrar com sabedoria inigualável seus bens, a ponto de serem dobrados. Mas nem todos conseguiram possuir tal capacidade; às vezes, somos acometidos pelo medo de mostrar ao mundo nossas capacidades, pois se o fizermos estaremos frente a um alvo, pronto para sermos atirados com flechas, com pedras, com dardos e tudo o mais. Nos escondemos pelo fato de não querermos ser julgados pelo que somos e pelo que iremos apresentar (talentos), ou ainda, pelo que poderíamos fazer, mas que devido ao medo, as nossas capacidades são escondidas, esquecidas, enterradas, enfraquecidas.

Esconder o talento pode ser equiparado a fugir do plano que Deus desejou para a vida de cada um; é deixar prevalecer em cada um a vontade humana, e não os desígnios de Deus.

Capacidade, julgamento, medo, insegurança.

A outro, um terceiro, um imprudente empregado, é alcunhado o fardo de mau e preguiçoso, pois o Senhor, também a este deu um talento, e acreditava que, de fato, ele seria um excelente administrador daquilo que lhe fora confiado. No entanto, as expectativas do Senhor são rompidas pelo fato de uma falsa expectativa criada em torno do medo de não conseguir aquilo que o próprio patrão esperava que acontecesse com o talento: o seu crescimento oriundo da capacidade de buscar o que se quer, de vencer obstáculos, transpor barreiras. Nas palavras de São Paulo: ‘combater o bom combate, completar a corrida, guardar a fé!’, pois o que Deus espera de cada um de nós, no caso do Apóstolo Paulo, fora feito, os talentos se multiplicaram.

Se devolver a Deus um talento que não teve em si a capacidade de crescer, o homem receberá dEle, através de suas palavras, os termos ‘mau e preguiçoso’. O Senhor Deus sabe da capacidade de cada um, conhece intimamente medos e angústias, e mesmo assim Ele espera de cada um uma devolutiva de seus talentos: Eles estão sendo multiplicados? Estão sendo guardados? São colocados a serviço dos irmãos?

O último ponto a ser levado em consideração é o fator da consequência de um talento que não produz fruto. Àquele que não se abrir ao processo de partilha dos dons, será reservado o lado de fora, um lugar escuro, onde paira choro e ranger de dentes. As consequências dos atos devem ser centradas no hoje, a fim de que o lugar que se queira estar seja aprazível, livre de toda desolação e humilhação.

Bibliografia:

BIBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002.

Do Sermão sobre as Bem-aventuranças, de São Leão Magno, papa

(Sermo 95,2-3: PL 54,462)                 (Séc.V)

 

Bem-aventurados os pobres de espírito

Não há dúvida de que os pobres alcançam mais facilmente que os ricos o bem da humildade; estes, nas riquezas, a conhecida altivez. Contudo em muitos ricos encontra-se a disposição de empregar sua abundância não para se inchar de soberba, mas para realizar obras de benignidade; e assim eles têm por máximo lucro tudo quanto gastam em aliviar a miséria do trabalho dos outros.  

A todo gênero e classe de pessoas é dado ter parte nesta virtude, porque podem ser iguais na intenção e desiguais no lucro; e não importa quanto sejam diferentes nos bens terrenos, se são idênticos nos bens espirituais. Feliz então a pobreza que não se prende ao amor das coisas transitórias, nem deseja o crescimento das riquezas do mundo, mas anseia por enriquecer-se com os tesouros celestes.

Exemplo de fidalga pobreza foi-nos dado primeiro, depois do Senhor, pelos apóstolos que, abandonando igualmente todas as posses à voz do Mestre celeste, se transformaram, por célebre conversão, de pescadores de peixes em pescadores de homens (cf. Mt 4,19). Eles tornaram a muitos outros semelhantes a si, à imitação de sua fé, quando nos filhos da Igreja primitiva era um só o coração de todos e uma só a alma dos que criam (cf. At 4,32). Desapegados de todas as coisas e de suas posses, pela pobreza sagrada enriqueciam-se com os tesouros eternos. Segundo a pregação apostólica, alegravam-se por nada ter do mundo e tudo possuir com Cristo.  

O santo apóstolo Pedro, subindo ao templo, respondeu ao entrevado que lhe pedia esmola: Prata e ouro não possuo; mas o que tenho te dou: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda (At 3,6). Que de mais sublime do que esta humildade? E mais rico do que esta pobreza? Não tem os auxílios do dinheiro, mas tem os dons do espírito. Saíra ele paralítico do seio de sua mãe; com a palavra Pedro o curou. Quem não deu a efígie de César na moeda, reformou no homem a imagem de Cristo.  

Com este rico tesouro não foi socorrido só aquele que recuperou o andar, mas ainda as cinco mil pessoas que naquele momento creram na exortação do Apóstolo por causa do milagre da cura (cf. At 4,4). E o pobre que não tinha para dar a um mendigo, distribuiu com tanta largueza a graça divina! Da mesma forma como estabeleceu a um só homem em seus pés, assim curou a tantos milhares de fiéis em seus corações e tornou saltitantes em Cristo aqueles que encontrara entrevados.

Escolher a Jesus: uma opção desafiadora

Seguimento de Jesus

 

 

Sobre a liturgia do XXI Domingo do Tempo Comum – Ano B

Diante da radicalidade apresentada por Jesus em sua mensagem, muitos dos que o seguiam murmuraram e optaram por deixá-lo: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” (Jo 6,60).

O seguimento a Jesus é uma escolha que brota de uma atitude consciente e livre. A adesão ao discipulado, exige, portanto, responsabilidade. Perante a desistência daqueles, o Senhor não partiu para a repreensão, mas deixou-os livres em suas escolhas e intimidou os poucos que permaneceram. E ficaram apenas os 12, cuja caminhada vai se estabelecer sobre a profissão de fé de Simão Pedro: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,68-69).

O propósito de vida exigido por Jesus para quem quer segui-lo é radical: implica renúncias e um compromisso firme para com o Reino. Eis o grande desafio da caminhada cristã, especialmente diante do mundo de hoje, marcado pela indiferença, pela violência, pela intolerância e por ideologias que tentam suprimir o real sentido da vida humana. Opor-se a tudo isto é assumir o compromisso para com o Reino e tal decisão não permite meio termo. Não há como ser meio seguidor de Jesus, crer em partes de suas palavras, abraçar uma fração de seus ensinamentos e rejeitar todo o resto da mensagem evangélica.

O Senhor nos chama a uma adesão plena e total, vivificada e fortalecida pelo Espírito, que nos leva ao compromisso com o Reino por meio do testemunho, o mesmo testemunho dado por Josué na primeira leitura, ao colocar o povo que murmurava contra Deus diante de suas responsabilidades: “Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor” (Js 24,15). Então, o povo cai em si e renova o seu ato de fé no Deus de Israel: “Portanto, nós também serviremos ao Senhor, porque ele é o nosso Deus” (Js 24,18b).

Ao assumir a responsabilidade para com o Reino, o cristão deve ter consciência de que não está imune aos problemas e às dificuldades da vida e da caminhada de fé. Ao contrário, estará muito mais sujeito a isto, visto que o anúncio e a vivência do Evangelho não são tarefas fáceis. E o Senhor intimida: “Vós também vos quereis ir embora?” (Jo 6,67). Qual será a nossa resposta? Será que temos a audácia de Pedro para nos colocarmos em marcha com Jesus?

O Senhor conta conosco na construção do Reino. E neste trabalho precisamos de união e de solicitude de uns para com os outros; solicitude esta de que fala São Paulo à comunidade de Éfeso na segunda leitura ao falar da moral familiar. Fazendo uma analogia entre a conduta de Cristo em relação à Igreja, o apóstolo fala dos deveres do esposo e da esposa. Se, de um lado, a mulher deve ser submissa ao marido, ou seja, colocar-se como companheira de seu esposo, de outro, o marido deve amar a sua mulher como Cristo amou a Igreja. E de que forma Cristo amou a Igreja? Dando a sua vida por ela! Tal é a atitude de quem escolhe a Cristo, de que decide seguir a Cristo e abraça a causa do Reino de Deus.

Não desanimemos, irmãos, antes, confiemos no Senhor e peçamos ao Espírito Santo que nos ilumine em nossa caminhada, a fim de que possamos dar testemunho do Evangelho em todas as circunstâncias, inclusive em meio às dificuldades, pois assim reza o salmista na liturgia de hoje: “Provai e vede quão suave é o Senhor!” (Sl 33).

Seminarista Paulo Castro

1º ano de Filosofia

Seminário, coração da Igreja diocesana (XIX)

Durante o Concílio Vaticano II (1962-1965), os bispos sentiram a necessidade de estabelecer alguns princípios norteadores para o desenvolvimento do trabalho vocacional realizado pelas dioceses e pelos institutos de vida consagrada. Naquela ocasião, os padres conciliares já haviam meditado sobre o Mistério da Igreja (Lumen Gentium) e a inserção dos católicos na vida política, social e cultural do mundo contemporâneo (Gaudium et Spes).

Conscientes do papel imprescindível dos presbíteros na obra da evangelização, os bispos e o Beato Papa Paulo VI determinaram, por meio do Decreto Optatam totius, que a formação dos futuros sacerdotes tivesse um caráter eminentemente pastoral. Os seminaristas deveriam receber, ao longo dos anos do Seminário Maior, uma instrução que os constituíssem como verdadeiros pastores de almas, como exímios pregadores da Palavra de Deus e como homens que contemplam o Mistério Pascal de Cristo na celebração litúrgica.

Para estimular as vocações sacerdotais nas comunidades cristãs, o Concílio ressaltou que a família e a comunidade, quando são animadas pelo Evangelho, despertam o desejo dos jovens e dos adolescentes para uma vida de especial consagração, principalmente, se os incluem em suas atividades pastorais. Assim, os sacerdotes e os bispos deveriam, por meio de seu amor à Igreja, instruir os fiéis sobre a natureza e a importância da vocação sacerdotal para o desenvolvimento espiritual e moral de todos os batizados. À luz do Concílio, todas as comunidades e famílias têm o dever de rezar pelas vocações e de ajudar financeiramente tanto a Pastoral Vocacional quanto as casas de formação.

Com base na renovação conciliar, o Seminário assume a missão de disponibilizar professores com uma sólida competência intelectual, bem como diretores espirituais com verdadeiro saber teológico e vida de piedade cristã. O bispo deve eleger o seminário como uma prioridade diocesana, demonstrando um especial interesse no trabalho que aí se realiza, por meio de sua paternidade espiritual e de uma frequência assídua nas atividades dos seminaristas. No Seminário, a Liturgia das horas e a celebração diária da Santa Missa, também, necessitam primar pelo zelo e pela mistagogia, de modo que o formando, ao concluir o seu processo formativo, pudesse disponibilizar ao povo de Deus o sabor de uma vida litúrgica eminentemente espiritual, solidificada na fé da Igreja.

Vale ressaltar que a Igreja tem o direito de discernir a vocação de cada seminarista, de acordo com os frutos que esse cristão demonstra em sua caminhada no Seminário. Dois fatores por excelência precisam ser observados: a) o seminarista deve ter amor à Igreja, desejo de promover o Evangelho, primeiramente, em sua vida e na dos demais; e b) capacidade oblativa, ou seja, saber oferecer seu tempo e seus dons para atender os pobres, os doentes e os sedentos de Deus, além de renunciar a projetos estritamente pessoais.

A Optatam totius acrescenta ainda o seguinte: “Examine-se com diligente cuidado, segundo a idade e adiantamento de cada um, a retidão de intenção dos candidatos e a sua liberdade de vontade, idoneidade espiritual, moral e intelectual, a conveniente saúde física e psíquica, tendo também em conta as possíveis disposições hereditárias. Examine-se ainda a capacidade dos candidatos para suportar as obrigações sacerdotais e exercer os deveres pastorais (OT6)”.

Diante de tudo isso, podemos questionar-nos sobre o nosso compromisso com os vocacionados. Façamos um sério exame de consciência. Temos rezado pelas vocações (sacerdotais, matrimonias, religiosas, missionárias)? A minha comunidade é aberta ao trabalho dos jovens e dos adolescentes? Apoiamos financeira e espiritualmente o Seminário? Apresentamos aos catequizandos a beleza do sacerdócio? Se conheço algum seminarista, sou-lhe próximo? Ajudo-o em suas dificuldades e em seu processo de crescimento espiritual?

A Igreja necessita de sacerdotes íntegros, não perfeitos. Se nós os queremos santos, sejamos seus amigos, companheiros de caminhada. Comecemos pela nossa comunidade, pela acolhida aos jovens, sem nos esquecer do Seminário, coração da Igreja diocesana!

Pe. Hallison Henrique de Jesus Parro

(Jornal Diocese Hoje)

Filhos da Igreja, membros da família do Senhor (XVIII)

No mundo atual, os padres enfrentam inúmeros desafios pastorais para levar o Evangelho de Cristo aos corações dos homens e das mulheres, sedentos de esperança e de paz. Vivemos em uma mudança de época, que se caracteriza pela adoção de critérios e comportamentos, muitas vezes, contrários ao cristianismo. A hipervalorização do corpo e do prazer sensual, o estabelecimento de relações amorosas superficiais, o reinado do consumo e do lucro como fundamento de uma moral egoísta criam uma cultura baseada na fantasia e na negação dos vínculos comunitários.

A Gaudium et Spes, documento do Concílio Vaticano II, já havia detectado essa realidade em 1965, e percebido suas influências negativas para o testemunho coerente da fé católica. A Igreja sempre soube que uma ética individualista, sem nexo com a observância das relações sociais, coloca em risco o bem comum, já que reduzir o ser humano ao seu valor de uso e ao prazer momentâneo que ele pode oferecer a outro indivíduo é negar a sua dignidade e a imagem de Deus que ele traz inscrita em seu coração.

Jamais poderá existir, verdadeiramente, felicidade e realização autopessoal em um mundo solitário, em que as pessoas se fecham em suas casas ou em seus computadores. Se contemplarmos a História da Salvação, veremos que Deus não criou o homem para viver isolado, já que Ele sempre escolheu determinadas pessoas em vista da salvação de um povo. Em Jesus Cristo, o próprio Senhor santificou os laços sociais e a vida familiar, e determinou aos apóstolos a pregação do Evangelho para que fosse formada a família de Deus. Por isso, a Igreja é sinal de unidade e solidariedade entre os homens, entre os quais já ocorre uma nova comunhão fraterna, que será definitiva na consumação dos tempos (GS32).

Em nossas paróquias, há inúmeras famílias, nas quais as pessoas coabitam o mesmo local, porém nunca foram capazes de zelar e de nutrir o respeito mútuo e a percepção dos sentimentos e das dificuldades do(a) esposo(a), dos filhos ou dos próprios irmãos. Também, no trabalho pastoral, podemos constatar a existência de comunidades cristãs, nas quais as lideranças pensam apenas em si mesmas! Quantos cristãos que buscam usufruir da Igreja, utilizando-a para o seu próprio bem, sem serem capazes sequer de doar um pouco do seu tempo a ouvir o próximo que chora e que clama por ajuda!

Ao longo deste ano, tivemos a oportunidade de estudar, com os leitores do Jornal Diocese Hoje, o Decreto conciliar Presbyterorum Ordinis, que trata sobre o ministério e a vida sacerdotal. A Teologia católica nos convida a valorizar o presbítero como irmão na fé e pai espiritual da comunidade. O padre deve exercer sua paternidade para com os filhos de Deus, com a consciência de que o rebanho lhe foi confiado pelo próprio Bom Pastor.

Como é bonito quando uma comunidade ama o seu padre, valoriza-o não apenas por aquilo que ele faz, mas principalmente pelo mistério do Cristo-Pastor presente na figura frágil e pecadora desse cristão, que aceitou deixar tudo, para se colocar a serviço da Igreja. Se o Papa Franscisco exorta os padres e os bispos a ficarem próximos do povo e das periferias existenciais, em contrapartida, da mesma forma, os leigos devem aproximar-se dos padres, colocando seus dons e seu tempo a serviço da comunidade.

A principal dificuldade pastoral de muitos presbíteros é o de constituir paróquias que sejam comunidade de comunidades. Precisamos ajudá-los nessa missão, pois, como Igreja e família de Cristo, devemos lutar contra o individualismo da fé. A nossa primeira atitude é assumir a nossa pertença à Igreja e amar as pessoas da paróquia na qual estamos inseridos. Também, de maneira respeitosa, conversar com o sacerdote e propor-lhe ideias e ações pastorais. Além do mais, colocar-se à disposição do pároco, para exercer o ministério que ele, enquanto pastor do povo de Deus, percebe como o mais necessário para a vida paroquial.

Como afirma a Presbyterorum Ordinis, a Igreja se alegra, porque a semente do Evangelho frutifica em inúmeros lugares e suscita no coração de muitos padres e de muitos fiéis um espírito missionário e comunitário (PO22). Que Deus, perante o império do egoísmo, fortaleça, na fé e por meio da fé, os laços comunitários existentes entre nós. Amém.

Pe. Hallison Henrique de Jesus Parro

(Jornal Diocese Hoje)