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Maria, modelo dos vocacionados ao sacerdócio

 Por seminarista Geraldo Fernandes Neto – 1º ano de Teologia

 

“Abandona-te, em silêncio, ao Senhor, e põe Nele tua confiança.” (Sl 36)

Maria e o anjo (3)

Num mundo secularizado e em processo acentuado de laicização, ser vocacionado tornou-se um grande desafio. No entanto, todo chamado é exigente e requer de nós uma resposta, por isso, Maria é o modelo para os vocacionados ao sacerdócio, pois para corresponder ao seu chamado, ainda jovem, ela também enfrentou muitas dificuldades, já que corria o risco de ser marginalizada pela sociedade caso José a abandonasse. Contudo, apesar do medo, Maria decidiu confiar em Deus e se abrir à vontade Dele, sendo fiel até o fim.

Atualmente, há muitas vozes que competem com a de Deus, que escolhe e chama os vocacionados à vida sacerdotal. Num mundo policêntrico há muitos fatores que nos dispersam e retiram Jesus Cristo da centralidade de nossa vida, e mediante aos desafios de ser sacerdote no século XXI, é difícil encontrar jovens que, assim como Maria, se predisponham a realizar a vontade de Deus. Por isso, é preciso que o vocacionado leve em consideração os segredos de Maria, que para tentar compreender os desígnios de Deus colocava-se em silêncio e orava. Ela buscava o sentido profundo e oculto dos acontecimentos e palavras, e os confrontava com as novas situações em que sua vida era envolvida. Maria mostra-nos o caminho e nos ensina a confiar e aconselha-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. (Jo 2, 5). Leia mais

Estudo bíblico IX: “1º livro de Samuel: a função da autoridade”

“Servir a Deus é deixar de lado nossas vontades para que a sua vontade seja feita”

(São João da Cruz)

 reidavi

O primeiro livro de Samuel narra acontecimentos que se situam entre 1040 e 1010 a.C. Temos aí uma análise crítica do aparecimento da realeza em Israel, análise que pode nos ajudar a avaliar nossos sistemas e homens políticos, bem como qualquer outra sociedade.

Há duas versões do surgimento da autoridade política central em Israel: a primeira é contrária e hostil à monarquia (1Sm 8; 10,17-27), representando a visão mais democrática das tribos do Norte, que viviam em terras produtivas; a segunda é favorável à monarquia (1Sm 9,1-10, 16; 11) e representa a visão da tribo de Judá, que vivia em terras menos produtivas. Unindo as duas versões, vemos que a autoridade é, ao mesmo tempo, um mal necessário (ela pode se absolutizar, explorar e oprimir o povo) e um dom de Deus (uma instituição mediadora, que deve representar, isto é, tornar presente o próprio Deus, único rei que salva e governa o seu povo). Leia mais

Estudo bíblico VIII: “Juízes: o vaivém da história”

 Por Diácono Rafael Vicente – 4º ano da Teologia

Diocese de São José do Rio Preto

“A história é o grande espelho da vida,

 instrui com a experiência e corrige

 com o exemplo”

(Jacques Bossuet)

 Proferas

O livro dos Juízes relata fatos situados entre 1200 e 1020 a.C., a continuação da conquista da terra prometida e a vida das tribos até o início da monarquia. Trata-se de um tempo de “democracia” (Jz 21,25) e cheio de dificuldades. As tribos são governadas por chefes que têm um cargo vitalício (juízes menores) e nos momentos de grande dificuldade surgem chefes carismáticos (juízes maiores), que unem e lideram as tribos na luta contra os inimigos.

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Estudo bíblico VII: “Livros históricos: o que são?”

Por Seminarista Rafael Vicente – 4º ano Teologia

Diocese de São José do Rio Preto  

“A história é a testemunha do passado,
luz da verdade, vida da memória,
mestra da vida, anunciadora dos
tempos antigos”.
(Cícero)

Livros históricos

Os livros históricos ocupam a maior parte do Antigo Testamento. Neles, encontramos a história do povo de Deus desde a entrada na terra prometida até quase a época de Jesus Cristo. É interessante notar que nesses livros não encontramos apenas uma crônica dos fatos, mas uma interpretação dos acontecimentos a partir da fé. É uma história vista por dentro, mostrando as relações entre Deus e os homens através dos acontecimentos. Assim, podemos dividir esse conjunto de livros em três grupos: Leia mais

Estudo bíblico VI: “Números, a caminho da terra prometida”

Por Seminarista Rafael Vicente – 4º ano Teologia

Diocese de São José do Rio Preto  

“O meio mais seguro de conhecermos a vontade de Deus é a oração”.

 (São João Maria Vianney)

 Abraao

 

Este livro se chama “Números” porque começa com um grande recenseamento do povo hebreu no deserto.

Para os hebreus, a saída do Egito foi uma lenta e penosa caminhada em busca de uma terra. Neste livro, a caminhada se transforma numa majestosa marcha organizada de todo um povo, como uma procissão ou um exército. As tribos de Israel estão todas presentes, formando os esquadrões de Deus, cada uma com o seu estandarte, e avançando em rigorosa formação. No centro de tudo vai a arca da Aliança. Leia mais

Estudo bíblico V: Êxodo – Deus liberta e forma seu povo

Por Seminarista Rafael Vicente – 4º ano de Teologia

Diocese de São José do Rio Preto – SP

“O amor de Deus é como o vento,

o qual você não vê, mas sente,

e durará para sempre!”

(São João da Cruz)

 moises

A palavra êxodo significa “saída”. O livro tem esse nome porque começa narrando a saída dos hebreus da terra do Egito, onde foram escravizados.

Quem desconhece a mensagem do Êxodo jamais entenderá o sentido de toda a bíblia, pois a ideia que se tem de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento, está fundamentada nesse livro. Com efeito, sua mensagem central é a revelação do nome do Senhor como o Deus verdadeiro: “IHWH” ou “JAVÉ”.

Embora de origem discutida, no Êxodo esse nome está intimamente ligado à libertação da opressão do Egito. Javé é o único Deus que ouve o clamor do povo oprimido e o liberta, para com ele estabelecer uma relação de “Aliança” e dar leis que transformam as relações entre as pessoas, fundando uma comunidade de onde é assegurada a vida, a liberdade e a dignidade.

Assim, o homem só estará nomeando o verdadeiro Deus se o considerar efetivamente como o libertador de qualquer forma de escravidão, e se se colocar a serviço da libertação em todos os níveis de sua vida. Só Javé é digno de adoração! Qualquer outro deus é um ídolo e deve ser rejeitado. Percebemos aí um convite a escolher entre o Deus verdadeiro e os ídolos, escolha que leva a viver na liberdade ou, ao contrário, a cultuar e servir toda forma de opressão e exploração.

A pergunta fundamental do livro do Êxodo é a seguinte: “Qual é o verdadeiro Deus?”.

A resposta que nele encontramos é a mesma que reaparece em toda a Bíblia, e principalmente na pregação, atividade e pessoa de Jesus. O livro do Êxodo é, portanto, de suma importância para entendermos o que significa Jesus como Filho de Deus e para sabermos o que é o Reino de Deus. Sem esse livro a bíblia perceberia o seu ponto de partida para nos levar até Jesus Cristo e podermos com ele construir o Reino e sua justiça.

 

“Levítico, a formação de um povo santo”

 1 sacrificio animal

Levítico provém do nome “Levi”, a tribo de Israel que foi escolhida para exercer a função sacerdotal no meio do seu povo.

Dentre os livros da bíblia, o Levítico é o mais enfadonho para ser lido, e o mais difícil para ser entendido. Muitos nunca o leram, outros pararam na metade, e os que conseguiram chegar até o fim, deram um suspiro de alivio.

Com efeito, encontramos nesse livro um emaranhado de leis, cerimônias, rituais, festas e costumes, que nos desanimam e nos fazem perguntar: “Para que ler isto?” Até Jesus parece nos desestimular a ler o Levítico quando ele critica as leis sobre o que é puro e o que é impuro. Os judeus do tempo de Jesus observavam essas leis, baseados justamente no Levítico.

Mas mesmo que esse livro contenha coisas superadas, não podemos esquecer que faz parte da revelação de Deus e que, por isso, traz uma mensagem válida sempre. É no Levítico que podemos descobrir, mais do que em qualquer outro livro da bíblia, a preocupação minuciosa de mostrar que o Deus santo está presente em todos os setores da nossa vida, curando, julgando, salvando e chamando-nos continuamente a sermos santos como ele (Lv 19, 2). E é nesse livro que se encontra uma regra de ouro, que Jesus vai retomar: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19, 18).

Podemos dizer que o Levítico é um livro que serve mais para ser consultado do que para uma leitura contínua. O Levítico é importante porque revela facetas do nosso Deus, que são desenvolvidas em outros livros, e porque faz parte de um conjunto muito maior e com o qual se relaciona, embora de maneira nem sempre fácil para ser compreendida.

 

Bibliografia base:

  • BAZAGLIA, Paulo. Primeiro passos com a bíblia. São Paulo: Paulus, 2001.
  • Euclides Martins. História do povo de Deus. 7ª ed. São Paulo: Paulus, 2005.
  • LÓPEZ, Félix García. O Pentateuco: introdução à leitura dos cinco primeiros da bíblia. Trad. Alceu Luiz Orso. São Paulo: Ave-Maria, 2004. (Introdução ao estudo da Bíblia, 3a)
  • GILBET, Pierre. A bíblia na origem da história. Trad. Maria Cecilia de M. Duprat. São Paulo: Paulinas, 1986. (Biblioteca de ciências bíblicas)