Estudo bíblico V: Êxodo – Deus liberta e forma seu povo

Por Seminarista Rafael Vicente – 4º ano de Teologia

Diocese de São José do Rio Preto – SP

“O amor de Deus é como o vento,

o qual você não vê, mas sente,

e durará para sempre!”

(São João da Cruz)

 moises

A palavra êxodo significa “saída”. O livro tem esse nome porque começa narrando a saída dos hebreus da terra do Egito, onde foram escravizados.

Quem desconhece a mensagem do Êxodo jamais entenderá o sentido de toda a bíblia, pois a ideia que se tem de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento, está fundamentada nesse livro. Com efeito, sua mensagem central é a revelação do nome do Senhor como o Deus verdadeiro: “IHWH” ou “JAVÉ”.

Embora de origem discutida, no Êxodo esse nome está intimamente ligado à libertação da opressão do Egito. Javé é o único Deus que ouve o clamor do povo oprimido e o liberta, para com ele estabelecer uma relação de “Aliança” e dar leis que transformam as relações entre as pessoas, fundando uma comunidade de onde é assegurada a vida, a liberdade e a dignidade.

Assim, o homem só estará nomeando o verdadeiro Deus se o considerar efetivamente como o libertador de qualquer forma de escravidão, e se se colocar a serviço da libertação em todos os níveis de sua vida. Só Javé é digno de adoração! Qualquer outro deus é um ídolo e deve ser rejeitado. Percebemos aí um convite a escolher entre o Deus verdadeiro e os ídolos, escolha que leva a viver na liberdade ou, ao contrário, a cultuar e servir toda forma de opressão e exploração.

A pergunta fundamental do livro do Êxodo é a seguinte: “Qual é o verdadeiro Deus?”.

A resposta que nele encontramos é a mesma que reaparece em toda a Bíblia, e principalmente na pregação, atividade e pessoa de Jesus. O livro do Êxodo é, portanto, de suma importância para entendermos o que significa Jesus como Filho de Deus e para sabermos o que é o Reino de Deus. Sem esse livro a bíblia perceberia o seu ponto de partida para nos levar até Jesus Cristo e podermos com ele construir o Reino e sua justiça.

 

“Levítico, a formação de um povo santo”

 1 sacrificio animal

Levítico provém do nome “Levi”, a tribo de Israel que foi escolhida para exercer a função sacerdotal no meio do seu povo.

Dentre os livros da bíblia, o Levítico é o mais enfadonho para ser lido, e o mais difícil para ser entendido. Muitos nunca o leram, outros pararam na metade, e os que conseguiram chegar até o fim, deram um suspiro de alivio.

Com efeito, encontramos nesse livro um emaranhado de leis, cerimônias, rituais, festas e costumes, que nos desanimam e nos fazem perguntar: “Para que ler isto?” Até Jesus parece nos desestimular a ler o Levítico quando ele critica as leis sobre o que é puro e o que é impuro. Os judeus do tempo de Jesus observavam essas leis, baseados justamente no Levítico.

Mas mesmo que esse livro contenha coisas superadas, não podemos esquecer que faz parte da revelação de Deus e que, por isso, traz uma mensagem válida sempre. É no Levítico que podemos descobrir, mais do que em qualquer outro livro da bíblia, a preocupação minuciosa de mostrar que o Deus santo está presente em todos os setores da nossa vida, curando, julgando, salvando e chamando-nos continuamente a sermos santos como ele (Lv 19, 2). E é nesse livro que se encontra uma regra de ouro, que Jesus vai retomar: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19, 18).

Podemos dizer que o Levítico é um livro que serve mais para ser consultado do que para uma leitura contínua. O Levítico é importante porque revela facetas do nosso Deus, que são desenvolvidas em outros livros, e porque faz parte de um conjunto muito maior e com o qual se relaciona, embora de maneira nem sempre fácil para ser compreendida.

 

Bibliografia base:

  • BAZAGLIA, Paulo. Primeiro passos com a bíblia. São Paulo: Paulus, 2001.
  • Euclides Martins. História do povo de Deus. 7ª ed. São Paulo: Paulus, 2005.
  • LÓPEZ, Félix García. O Pentateuco: introdução à leitura dos cinco primeiros da bíblia. Trad. Alceu Luiz Orso. São Paulo: Ave-Maria, 2004. (Introdução ao estudo da Bíblia, 3a)
  • GILBET, Pierre. A bíblia na origem da história. Trad. Maria Cecilia de M. Duprat. São Paulo: Paulinas, 1986. (Biblioteca de ciências bíblicas)

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