Estudo bíblico VIII: “Juízes: o vaivém da história”

 Por Diácono Rafael Vicente – 4º ano da Teologia

Diocese de São José do Rio Preto

“A história é o grande espelho da vida,

 instrui com a experiência e corrige

 com o exemplo”

(Jacques Bossuet)

 Proferas

O livro dos Juízes relata fatos situados entre 1200 e 1020 a.C., a continuação da conquista da terra prometida e a vida das tribos até o início da monarquia. Trata-se de um tempo de “democracia” (Jz 21,25) e cheio de dificuldades. As tribos são governadas por chefes que têm um cargo vitalício (juízes menores) e nos momentos de grande dificuldade surgem chefes carismáticos (juízes maiores), que unem e lideram as tribos na luta contra os inimigos.

O mais importante em Juízes é a chave de leitura da história, que vale não só para o livro, mas para toda a história de Israel e também para a nossa. Essa chave é exposta em Jz 2,6-23 e reaparece diversas vezes no livro. Pode ser resumida em quatro palavras: pecado, castigo, conversão, salvação.

Vamos entender essa questão:

  • Pecado: a nova geração do povo esquece o Deus libertador e adora os ídolos; perde sua identidade de povo de Deus e torna-se semelhante às outras nações;
  • Castigo: o povo perde a liberdade e torna-se escravo dos inimigos;
  • Conversão: no extremo do sofrimento, o povo toma consciência, se arrepende e suplica de novo para que Deus o liberte;
  • Salvação: Deus faz surgir um líder carismático que reúne o povo e o lidera na luta pela libertação.

Mas a nova geração de novo se esquece, adora os ídolos… e o movimento se repete.

Experimente ler o livro dos Juízes, a história de Israel e a nossa própria vida e história com essa chave de leitura. Comece pelo castigo, perguntando: por que estamos sofrendo hoje? Depois procure identificar a quais ídolos que estamos servindo em vez de servir ao Deus que liberta.

 

 Rute

 

“Rute, o amor de Deus é para todos”

 

O livro de Rute é uma historinha que recorda, de forma emocionante e lírica, o amor à pátria e os próprios familiares. Entretanto, lendo com mais atenção, vamos descobrir nesse livrinho um profundo ensinamento religioso e social.

Ele é escrito numa determinada época do povo de Deus, quando os israelitas voltam do exílio de Babilônia e se estabelecem de novo em Judá, no século V a.C. É um tempo em que se tem que recomeçar tudo, pois as antigas tradições foram esquecidas. É preciso fazer séria reforma política, econômica, social, cultural e religiosa, para que o povo de Deus não perca a sua identidade e não desapareça do mapa. Contudo, não é uma história que ensina somente o povo de Deus daquele tempo, mas é uma mensagem para nós, povo de Deus hoje.

O autor do livro de Rute estabelece os princípios que devem orientar a reorganização de uma comunidade que sofreu grandes abalos. Ensina que o Deus de Israel, o nosso Deus, não aceita leis que, em nome da ordem, obriguem as pessoas a renunciarem a seus direitos básicos, ou que restringem a salvação a um grupo fechado e elitista.

O livro é história emocionante do amor de Deus, que quer gente de todas as nações formando a sua família, o seu povo. É também uma grave advertência tanto para aqueles que fazem as leis, como para aqueles que obedecem à letra das leis, mas não ao espírito das mesmas. Estas devem ser, antes de tudo, um serviço aos pobres e uma defesa do direito de todos terem seu pedacinho de chão.

No Novo Testamento, a estrangeira Rute, protagonista deste livro, é apresentada como uma antepassada de Jesus (Mt 1,5).

 

Bibliografia base:

  • BALANCIN, Euclides. História do povo de Deus. 7ª ed. São Paulo: Paulus, 2005.
  • STORNIOLO, Ivo; BALANCIN, Euclides. Conheça a bíblia. 9ª ed. São Paulo: Paulus, 1986.
  • LAMADRID, González; SANTIGO, J. Campos; JULIÁN, V. Pastor; PUERTO, M. Navarro; ASURMENDI, J. História, narrativa, apocalíptica. J.M. Sánchez Caro (ed.). São Paulo: Ed. Ave-Maria, 2004. (Introdução ao estudo bíblico 3b)
  • LAMADRID, Antonio G. As tradições históricas de Israel: introdução à história do antigo testamento. Trad. de José Maria de Almeida. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.

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