Os títulos de Jesus

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Encontramos nos textos bíblicos vários nomes dados a Jesus, muito importantes para compreensão da ressurreição, dos títulos messiânicos e identificação destes títulos com Jesus: Filho de Deus, Senhor, Messias, Cristo, Filho de Davi, Filho do homem, Servidor e Profeta, títulos da literatura de Israel que apontam para identidade de Jesus.

No Catecismo, explica-se que o nome JESUS, “Yeshuá” em aramaico, quer dizer Deus salva. Deus é a identidade e o fato de salvar refere-se a sua missão. CRISTO quer dizer Aquele que foi ungido. “Cristós” (grego)/ “meshiah” (hebraico): Messias (enviado), ungido (pelo Espirito para missão de rei, sacerdote e profeta), escolhido. O termo “Messias/ Cristo” é título de origem palestina, presente nos profetas que esperavam o Messias: da descendência de Davi virá o ungido para governar o povo de Deus e esse messias reinará. O título messias (ungido) Jesus nunca atribui a si mesmo. Sempre são os outros que dizem que Jesus é o Messias, até mesmo de maneira confusa (Mc 8,27). Jesus não se reduz a concepção judaica de messias, mas com Jesus há um salto para uma concepção cristã, o messias passa pela cruz. É na cruz que coexiste a exaltação.

“Senhor”, ou Kyrios, era título dado somente a Deus (Adonai), transferido para Jesus, entendido como vivente, exaltado. O que estava morto venceu a morte e vive. Tal título foi dado pela ressurreição: Jesus Cristo é o Senhor! O título de Senhor evidencia que o louvor, o poder, a honra, o domínio e a glória são dele: o senhorio sobre o mundo e a história, do princípio ao fim, pelos séculos dos séculos, são de Jesus (Ap 5,11-14).

O termo Filho aparece com vários complementos: de Davi, de Abraão, de Deus, do homem. Jesus é chamado de FILHO, por haver um Pai. Jesus é o Filho único de Deus: no Batismo entendemos “este é meu Filho amado” (Mt 3,17), na Transfiguração: “este é meu Filho amado”, o Centurião no momento da morte: “este é o Filho de Deus” (Mc 15,39), Pedro faz sua profissão de fé: “tu és o Filho do Deus vivo” (Mt 16,13).

“Filho de Deus” é o título de significado ontológico, que quer dizer sobre o ser de Jesus. Ele não é simplesmente o filho de José, mas de Deus e chama Deus de Pai, tem clara sua fidelidade ao projeto. Este título aparece no início Marcos e volta a aparecer na boca do centurião, diante da cruz. Só é possível confessar Jesus como Filho de Deus se paralelamente o confessamos a partir da cruz. Nos evangelhos Jesus faz uso do termo Abba! Esse título também é falado por Deus mesmo no batismo e na transfiguração. Na releitura pós–pascal é o título da compreensão divina.

“Filho de Davi” está presente em 2 Sm 7,12 – “estabelecerei seu trono real”- o anunciado por Natã é Jesus; 2 Sm 7,16 – “Bendito o reino que vem do nosso pai Davi”, depois confirmado em Lc 1,32 “Deus lhe dará o trono de Davi”.

“Filho do homem” está presente em Dn 7,13, é título apocalíptico e escatológico identificado a Jesus: ser humano, homem que ultrapassou a condição humana. Jesus se explicava como Filho do homem (Mt 8,20), e João 3,13 deixa claro que ele virá para inaugurar um novo tempo. A particularidade deste título é que faz referência a humanidade de Jesus, isso mostra que tem consciência sobre a sua humanidade. Em primeiro lugar ele se confessa como filho do homem, e o filho do homem vai morrer. Ele tem consciência de sua humanidade, e sobre a divindade a consciência é progressiva. Reconhecer a humanidade – filho do homem – é condição de possibilidade para ser Filho de Deus.

“O servidor” é resgate da figura do servo sofredor de Isaias (42,1-17; 49,1-6; 50,4-9.10-11; 52,13-53,12), servo animado pelo Espírito na missão profética; servo das humilhações; servo sábio e discípulo; servo do sofrimento, do escândalo, das expiações dos pecados.

“O Profeta” é resgatado por encontrarmos a morte de Jesus na esteira dos profetas, há uma identificação com a consequência do profetismo: a sorte da morte.

O termo Mestre é contraditório. Jesus não era um Rabi, no entanto ensinava com autoridade e devia ser escutado. Se na boca dos seguidores, era um título de admiração, se na boca dos doutores da lei e fariseus, era uma forma de deboche, colocando Jesus em seu devido lugar.

O “Emmanuel”- Deus-conosco é título dado na encarnação (nome dado pelo anjo): O Verbo feito carne agora habitará entre os homens e com ele irá caminhar.

O Sumo-Sacerdote é encontrado na carta Hebreus, destacando Jesus como o novo e grande liturgo, aquele que nos liga a Deus de forma definitiva, sem termos que renovar a aliança a cada ano, ele selou a nova e eterna aliança.

Pe. Roberto Bocalete

Administrador Paroquial na Paróquia São João Batista – Américo de Campos

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