SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA MISSA DO DIA ANO A – 20 de agosto de 2017

Leituras

Apocalipse 11,19a; 12,1-6a.10ab: Agora realizou-se a salvação…
Salmo 44/45,10bc.11.12ab.16: À vossa direita se encontra a rainha.
1Coríntios 15,20-27: Em Cristo todos reviverão.
Lucas 1,39-59: A minha alma engrandece o Senhor.

“DORAVANTE TODAS AS GERAÇÕES ME CHAMARÃO BEM-AVENTURADA”

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1- PONTO DE PARTIDA

Domingo da Assunção de Maria ao céu. A Igreja celebra uma das festas mais importantes e mais antiga da Virgem Maria que é sua Assunção ao céu. No início do século IV esta festa era chamada de “Dormitio Virginis”, isto é Dormição da Virgem (passagem para outra vida). A Assunção de Maria, verdade professada desde os primeiros séculos, tanto no Oriente como no Ocidente, foi proclamada dogma pelo Papa Pio XII como verdade de fé no dia 1 de novembro de 1950 com a bula Manificentissimus Deus.

No Brasil, a piedade popular venera Maria assunta ao céu como Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da Boa Viagem, Nossa Senhora da Abadia, Nossa Senhora do Pilar…

Celebramos esta festa da Páscoa de Maria dando graças ao Pai que eleva a humilde mulher, Maria de Nazaré, e nela, “primeira da fila”, nos oferece o sinal da vitória definitiva de toda a humanidade, pela força da ressurreição de Jesus Cristo, nosso Salvador.

Somos chamados a participar desta gloriosa vitória, vivendo o projeto de Jesus que vence, pelo poder da entrega da vida, a força enganosa e aparente do dragão que devora e destrói todas as possibilidades de uma vida humana digna e feliz.

Hoje, cantamos com Maria a esperança dos pobres e pequenos, a quem Deus, em sua infinita misericórdia, liberta e exalta.

“Grande sinal apareceu no céu: uma mulher que tem o sol por manto, a lua sob os pés e coroa de doze estrelas na cabeça.” (Apocalipse 12,1)

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Apocalipse 11,19a; 12,1-6a.10ab. Esta leitura reagrupa elementos que não pertencem ao mesmo conjunto. O versículo 19 do capítulo 11 se liga aos versículos 1-3 do mesmo capítulo: o Templo de Deus é a Igreja (por oposição ao Templo de Jerusalém) e, conforme a tradição judaica (2Macabeus 2,5-8), a arca da Aliança reaparece por ocasião da chegada do Reino de Deus.

A mulher ornada com o esplendor – o sol, a lua e 12 estrelas, imagens tradicionais – simboliza o povo de Deus: primeiramente o antigo Israel de que Jesus nasceu segundo a carne, em seguida o Israel novo, a Igreja, corpo de Cristo. A criança do sexo masculino posta no mundo pela Mulher é evidentemente o Messias, encarado tanto em sua realidade histórica quanto misticamente nos cristãos. Faz-se referencia à Ascensão e ao Cristo sentado á direita do Pai (versículo 6), que anuncia a queda definitiva do Dragão, ao passo que a mulher foge para o deserto onde Deus lhe preparou um refúgio. Desde o Primeiro Testamento o deserto é considerado como refúgio tradicional dos perseguidos (cf. 1Reis 17,3-6; 1Macabeus 2,29).

O versículo 10 exprime a vitória de Deus e a dominação de seu Cristo, depois que o arcanjo Miguel e seus anjos tiverem vencido o Dragão (versículos 7-9).

A leitura do Apocalipse nos apresenta a mulher símbolo da comunidade. Ela está adornada de todo o seu esplendor: veste de sol, sinal da glória do Senhor, isto é, é protegida por Deus; tem aos pés a lua, símbolo de alguém que não será vencido pelo passar do tempo, isto é, já possui a eternidade de Deus; usa uma coroa de doze estrelas, simbolizando o povo de Deus, o antigo Israel, com suas doze tribos, do qual nasceu, e depois o novo Israel, a Comunidade-Igreja, Corpo de Cristo, Povo de Deus perseguido pelo dragão. Está grávida, na hora de dar à luz, como Maria e a Igreja, que fazem Jesus nascer na história e na vida das pessoas.

Não se trata, digamos logo, de uma reflexão em torno da figura de Maria e sim de um chamado endereçado a comunidades cristãs, sofredoras e desanimadas, para que descubram melhor tanto o significado do compromisso de sua fé no Ressuscitado como o sentido do desafio ao qual esta fé as mede no cotidiano de sua existência presente.

O autor do Apocalipse abre bem o horizonte de sua mensagem à Igreja inteira. Uma Igreja que, logo depois dos anos 70, defronta-se com uma série de problemas concretos: o atraso da volta do Senhor, as perseguições do Império Romano, as suas próprias divisões interna. Uma Igreja que, sem dúvida nenhuma, sofre, mas cujo primeiro impulso religioso parece também ter-se congelado.

Essa incompatibilidade entre a Mulher e o dragão remete diretamente ao Gênesis 3,15, e se fica claro que essa criança é o Messias esperado (Apocalipse 12,5) que já veio, andou no meio dos homens, morreu e ressuscitou, esse Messias assim como o Reino que inaugurou permanecem realidades que o próprio povo de Deus (a mulher-Igreja) tem ainda hoje que produzir.

A aplicação desse texto à Virgem Maria tem um fundamento tradicional. Santo Agostinho e São Bernardo viram na Mulher do Apocalipse o símbolo de Maria, embora um tal sentido seja estranho ao autor do Apocalipse. No entanto todos os textos da Escritura Sagrada que traz presente o mistério da Igreja podem ser aplicados à Virgem Maria, na medida em que o seu verdadeiro mistério se inscreve no mistério da Igreja e o ilumina ao mesmo tempo, conforme lembrou o Concílio Vaticano II. A “Mãe do Messias” representa assim muito mais que uma pessoa individual.
Quanto à imagem da arca da Aliança aplicada à Virgem Maria (Apocalipse 11,19), lembra o tema focalizado pela primeira leitura da Missa da Vigília.

Salmo responsorial 44/45,10-12.16. A tradição judaica e cristã o interpretam com referência às núpcias do Rei-Messias com Israel (figura da Igreja; cf. Cântico dos Cânticos 3,11; Isaias 62,5; Ezequiel 16,8-13 etc.), a liturgia por sua vez estende a alegoria, aplicando-a a Maria. O poeta dirige primeiramente ao Rei-Messias, aplicando-lhe os atributos de Deus (Salmo 145/144,4-7.12-13 etc.) e do Emanuel (Isaias 9,5-6), depois à rainha (versículos 11-17). É um salmo real, porque tem como figura central o rei, celebrando um momento importante de sua vida, neste caso, o seu casamento.

O Salmo de hoje, portanto, celebra a festa de casamento de um rei e uma princesa; mas para nós é a celebração da Aliança que Deus faz com seu povo. Costumamos rezá-lo pensando em Maria de Nazaré como lindíssima esposa e primeira da lista dos ressuscitados com Cristo.

O rosto de Deus no Salmo. Apresenta um Deus muito ligado ao rei, abençoando-o e protegendo-o. O que Deus queria é que o rei defendesse a verdade, os pobres e a justiça. Nesse sentido o rosto de Deus é ainda o do aliado fiel do seu povo, o Deus do êxodo, ligado à posse e à defesa da terra, da liberdade e da vida para todos.

O tema da realeza de Jesus está presente em todo o Novo Testamento, mas Ele mudou completamente a visão a respeito do poder (veja o que foi dito a respeito dos Salmos 2, 18, 20, 21).

Cantando este Salmo na celebração deste domingo, nós bendizemos a Deus que ficou do lado da Igreja perseguida pelo dragão e pedimos que Ele venha em socorro do seu povo em luta contra o sofrimento e a morte.

R: À VOSSA DIREITA SE ENCONTRA A RAINHA,
COM VESTE ESPLENDENTE DE OURO DE OFIR.

Segunda leitura – 1Coríntios 15,20-27a. A razão da escolha desta leitura para a liturgia de hoje é a idéia da ressurreição e da vitória sobre a morte, pela qual termina a perícope litúrgica (versículo 26), truncada de uma maneira que fere um pouco a sensibilidade do especialista em Bíblia que é o exegeta.

No contexto de 1Coríntios, a idéia principal do texto em questão é a ressurreição. O capítulo inteiro é consagrado a esse tema. Uma das mais complexas passagens do capítulo 15 da primeira carta aos coríntios, em que Paulo elabora sua doutrina da ressurreição dos mortos. O apóstolo se dirige a correspondentes que crêem na imortalidade da alma e consideram a morte como uma libertação, para a alma, do corpo material e corruptível. Os gregos acreditavam na imortalidade da alma, por isso tinham dificuldade de acreditar na ressurreição da pessoa como um todo. Paulo defende a concepção judaica da unidade da pessoa: o homem não é composto de uma alma e de um corpo; é um ser pessoal, único, que, desde a ressurreição de Cristo, sabe que Deus lhe concederá a vida eterna.

O versículo 19 serve, de fato, de transição para os versículos 20ss. Não se trata somente da ressurreição de Cristo (que os coríntios parecem aceitar como querigma: versículos 11 e 13-14) e sim da nossa própria ressurreição.

Ora, aqui se situa o versículo que justificou a escolha deste trecho para a liturgia de hoje: o último inimigo a ser destruído é a morte (versículo 26).

Paulo apresenta um conceito “não físico” da ressurreição: o corpo da ressurreição não é “animal” (biológico-psíquico, mundano), mas um “corpo espiritual”, isto é, pertencendo à esfera divina; já não é o corpo do homem terrestre (Adão), mas do homem celeste (Cristo) (versículos 42-50).

Desta transformação gloriosa em imagem do Novo Adão, Maria é a antecipação: este é o sentido da sua Assunção ao Céu, ou seja, da sua glorificação.

Evangelho – Lucas 1,39-56. O Evangelho desse domingo inicia com o relato da visita de Maria a Isabel (versículos 39-45) e o Magnificat que a ele se vincula (versículos 46-55) convêm perfeitamente à festa da Assunção, pois os temas que trazem presente são, antes de tudo, temas de vitória.

1). O relato da visitação traz presente a transferência da arca da aliança para Jerusalém (2Samuel 6,2-11). Como a arca, Maria vai para o país de Judá, em direção a Jerusalém (versículo 39; cf. 2Samuel 6,2), e sua viagem suscita as mesmas manifestações de alegria (versículos 42 e 44; cf. 2Samuel 6,2), isto é, “danças” sagradas (versículo 44, em que a criança “salta” no seio de sua mãe; cf. 2Samuel 6,12). Ela repousa na casa de Zacarias (versículo 40) assim como a arca na casa de Obed-Edom (2Samuel 6,10), e é, assim como ela, fonte de bênçãos (versículo 41; 2Samuel 6,11-12). O “grito” de acolhida de Isabel (versículo 43) reproduz quase textualmente as palavras de Davi diante da arca (2Samul 6,9). Enfim, Maria, assim como a arca, permanece três meses na casa de seus hóspedes (versículo 56; cf. 2Samuel 6,11).

Na verdade, esse simbolismo vai ao encontro da idéia-mestra de São Lucas: para o evangelista, os fatos que cercam o nascimento de Jesus realizam ao mesmo tempo a profecia de Malaquias 3 (sobre a vinda de Javé em seu Templo) e a de Daniel 9 (a profecia das setenta semanas antes da aparição de Deus). Deus já enviou seu anjo ao templo na figura de Gabriel (Malaquias 3,1 e Lucas 1,5-25); cabe-lhe, agora, fazer sua aparição no Templo (Malaquias 3,2). A partida de Maria para a casa de Isabel e Zacarias é a primeira etapa que realiza as profecias; a segunda, a subida propriamente dita a Jerusalém (Lucas 2,22-38), se completará pela apresentação oficial do Menino no Templo de Jerusalém ao velho Simão.

A arca da Aliança simboliza principalmente a presença de Deus no meio de seu povo, mas igualmente levava o povo ao combate. Quando trazemos presente a arca da Aliança, portanto, nos situa num contexto guerreiro, e Maria se apresenta como mulher vitoriosa. O versículo 42, em que Isabel abençoa sua prima e a criança que ela traz em si, lembra, certamente, as aclamações dirigidas a Iael (Juízes 5,2-31) e a Judite (Judite 13,17-18; 15,9-10) após suas respectivas vitórias sobre o inimigo. Maria, portanto, aparece aqui como a mulher que garante a seu povo a vitória definitiva sobre o mal e que inaugura a era messiânica em que o pecado e a desgraça serão abolidos.

2) Quanto ao Magnificat, faz de Maria a personificação do Israel escatológico, isto é, realidade nova e definitiva dos pobres, a verdadeira raça de Abraão tomando posse das promessas. Nesse sentido, Maria aparece como a imagem e o porta-voz da própria Igreja. Aliás, muitas expressões do Magnificat se encontram no vocabulário da comunidade primitiva, cantando seu próprio mistério (cf. o vocabulário “exaltar” em Lucas 1,46.48 e Atos 5,13; o vocabulário “salvador” em Lucas 1,47.69.71.77 e Atos 4,12; 5,31; 13,47; o salmo 88/89,11 em Lucas 1,51 e Atos 2,30; Lucas 1,52 e Atos 2,22-38; 3,13). A assembléia eucarística, célula do Israel escatológico e objeto das promessas feitas a Abraão, está, pois, autorizada a retomar o Magnificat por sua própria conta.

No encontro das duas mães faz sobressair o contraste entre as duas crianças: João Batista é o “profeta do Altíssimo” (Lucas 1,76); Jesus é o “Filho do Altíssimo” (Lucas 1,32). Ambos, contudo abrem os últimos tempos da história da salvação: o primeiro enquanto precursor e pregador de um caminho (Lucas 1,76 que seguirá o outro, o próprio Cristo Senhor Lucas 2,11).

Nessa dinâmica geral, entende-se que o encontro das duas crianças “na região montanhosa da Judéia” (Lucas 1,39) não se limita a uma mera e piedosa cena de cortesia. Trata-se, na apresentação teológica da historia da salvação feita por Lucas, de um instante decisivo, um ponto central para o qual convergem João Batista “o maior dos profetas” (… entretanto, “o menor no Reino de Deus de Deus é maior do que ele” (Lucas 7,28) e Jesus, o próprio Salvador.

A bem-aventurança de Maria a si mesma no versículo 48b não é orgulho, mas maneira normal de expressar sua gratidão de pessoas que não sofrem de falsa humildade (cf. Genesis 30,13; 29,32).

“Todas as gerações” (versículo 50) anuncia uma visão universal. No versículo 51, esta universalidade é projetada não só no sentido temporal, mas no sentido de salvação: todos, sem discriminação. Devemos entender aqui a “misericórdia” de Deus, não como piedade paternalista. É a hesed bíblica, a amizade leal do Deus da Aliança para com seu povo, estendendo a nova Aliança a todos.

Uma salvação do tipo que iniciou (depois de Ana) em Maria, é uma salvação dirigida e a realizada pelos que não confiam nas falsas riquezas, no sucesso, na violência etc. (cf. Lucas 6,17ss). Podemos notar que Maria já não fala do “meu” salvador. A salvação estende-se a todos os pobres de Deus. Ele dispensa os orgulhosos (Salmo 89/90,11, derruba os poderosos (Eclesiástico 10,14; Jó 12,19), mas sobretudo eleva os “humildes”: já sabemos quais são: Ana (cf. 1Samuel 2,8), Maria, todos os que colocam sua confiança no Senhor e se tornam seus “servos” (cf. Salmo 147/146,6). Ele sacia os famintos (versículo 53, cf. Salmo 113/112,7; 1Samuel 2,5)e rejeita os que já estão fartos (1Samuel 2,5). Podemos notar claramente de que temos aqui uma prefiguração das Bem-Aventuranças de Jesus (Lucas 6,17-26). O Magnificat anuncia a realização das promessas do Primeiro Testamento – por isso tinha que ser um amontoado de citações bíblicas – mas anuncia também a realidade nova e definitiva (escatológica) que começa em Jesus Cristo, não só a partir da sua primeira pregação (Lucas 4,16), mas a partir da concepção virginal. É supérfluo mostrar que esta salvação universal se realiza primeiro em Maria: ela apenas proclama a todos a salvação que ela sente em si mesma, isto é, partilha com todas as gerações.

O hino conclui com uma lembrança das promessas que agora se realizam. É o encerramento do Primeiro Testamento, pelo menos na boca de Maria (versículos 54-55). Maria era a “serva” em que cumpriram as promessas feitas ao antigo povo de Deus que o Dêutero-Isaias gosta de chamar de “servo” (Isaias 41,8). Deus não esquece a amizade (= misericórdia, hesed; Salmo 98/97,3, que tem com o povo e seus “pais” “desde os tempos antigos” (Miquéias 7,20).

Em Maria começa a realização “para sempre”. Ela é a obra prima na ordem da salvação eterna. Por isso, o Magnificat, entendido como inauguração do tempo novo e último, é o melhor comentário da festa de Maria glorificada, “garantida” na ordem definitiva de Deus.

O Evangelho de hoje é muito familiar. Maria, grávida, visita Isabel, também grávida. Encontram-se as duas mulheres do povo num lugarejo sem recursos e sem importância. Maria é aclamada pela prima como bendita entre as mulheres e recita uma oração de louvor pelas maravilhas que o Senhor realizará nela, as quais seriam plenificadas na vida da criança que estava no seu ventre.

Há uma explosão de alegria dessas mulheres, que reuniam duas impossibilidades humanas de ser mãe: Isabel era idosa e estéril; Maria, jovem e virgem.

Maria é aclamada como uma bem-aventurada: “Feliz és tu que acreditou, porque se cumprirá o que o Senhor te anunciou”.Seu coração trasborda em “canto-oração”. Sua resposta é ação de graças, é celebração profética e jubilosa, resumo de toda a história da salvação. Ela é filha de Abraão e pertence a seu povo. Em Maria, neste encontro entre o Primeiro Testamento e o Novo Testamento, se unem a promessa e a realização e, ao mesmo tempo, se manifesta a predileção histórica do Senhor pelos pobres e pequenos.

Maria fala de um Deus aliado dos pequenos: sacia de bens os famintos, derruba os poderosos e eleva os humildes. Esta é uma característica marcante do rosto de Deus que perpassa toda a Bíblia. O Deus de Israel, o Deus de Maria, é quem tira da humilhação as mulheres estéreis e escolhe justamente seus filhos para grandes tarefas. Envia profetas para defender os que não têm defesa; é o Deus que rejeita sacrifícios e ofertas no Templo se houver injustiça contra os pobres.

O cântico de Maria (Magnificat) apresenta um projeto, que é o mesmo de Jesus: transformar o mundo antigo e opressor de viver, onde a prepotência e a auto-afirmação humanas saem sempre ganhando, em uma ordem nova em que triunfa a justiça para os ofendidos, os desprezados e excluídos. O Filho de Maria veio para inaugurar o novo relacionamento entre todas as coisas.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

O Salmo de Maria, tradicionalmente chamado de Magnificat, por causa da primeira palavra na tradução latina, é um mosaico de citações de referencias do Primeiro Testamento.

Ela proclama que Deus cumpriu uma tríplice derrubada de situações opressoras e falsas para restaurar o projeto de Deus na humanidade: “No campo religioso”, Deus subjuga a auto-suficiência humana, a soberba. “No campo político”, Deus destituiu do trono os poderosos e enaltece os humildes, destrói as desigualdades humanas. “No campo social”, Deus elimina os privilégios estabelecidos pelo dinheiro e poder. Cumula de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias, para instaurar uma verdadeira fraternidade na sociedade e entre os povos, porque todos somos filhos e filhas de Deus.

Nossa ligação com Maria existe justamente por ser ela uma entre os pequenos que Deus escolhe. Se houver muita homenagem a ela e pouco compromisso com os famintos e desamparados, estaremos fora da obra que Deus realiza em Maria.

Será que temos devoção verdadeira à Maria do Apocalipse e do Magnificat, profeticamente do lado dos que nada têm?

Ao dizer: “Porque olhou para a humilhação de sua serva…”, Maria faz um paralelo entre o Espírito Criador de Deus e a situação sofrida da mulher oprimida. De um lado o desmando dos soberbos, ricos e poderosos deste mundo e, de outro, a misericórdia de Deus que envia seu Filho e revoluciona as relações desumanas e iníquas, elevando os humildes e dando comida farta aos famintos. Ele olha a condição oprimida do pobre, o estado de desgraça, de aflição e humilhação em que vivem milhões de pessoas e envia Jesus para propor um jeito novo de viver que seja bom para todos. O que alegra Maria é ser parte integrante do projeto de Deus para a humanidade – salvação das opressões pessoais, mas também salvação nacional e de toda a humanidade.

Celebramos esta festa da Páscoa de Maria dando graças ao Pai que eleva a humilde mulher, Maria de Nazaré, e nela, nos oferece o sinal da vitória definitiva de toda a humanidade, pela força da ressurreição de Jesus Cristo.

A bula de definição dogmática não fala de argumentos bíblicos, pois a Sagrada Escritura não afirma a Assunção de Maria; mas sim do “último fundamento escriturístico” em que se baseiam os Santos Padres e teólogos, além do comum sentir do povo cristão. Ou seja, a Sagrada Escritura apresenta Maria intimamente vinculada à pessoa e obra do Redentor; então, desta união plena deriva a sua participação no triunfo glorioso do seu Filho.

Por sua vida e morte Jesus nos libertou. Por sua vida e morte Maria participou desta obra universal. A morte propicia ao ser humano um ato de absoluta entrega e amor a Deus. Por isso a morte permite uma extrema realização humana. A morte liberta a semente de ressurreição que se esconde dentro da vida mortal. Por isso no momento de sua morte, Maria ressuscitou.

Não se trata, como em Jesus, de Ascensão ao céu. Jesus, por própria força, em razão de sua divindade subiu ao céu, vale dizer, penetrou no Mistério insondável da vida eterna. Maria porque é criatura foi arrebatada por seu Filho e introduzida na glória celeste. A Assunção não é obra de Maria, mas obra de seu Filho em favor de sua Mãe.

Acentuamos, especialmente, a glorificação corporal de Maria. O corpo é mortal, frágil, opaco, pesado, sujeito a limitações, doenças; este corpo, assim estigmatizado, é transfigurado. O corpo de Maria só foi instrumento de graça e de bondade. Por isso ele não ficou entregue à corrupção como o nosso. Foi reassumido e entronizado no mistério do Deus Uno e Trino
A Assunção significa o definitivo reencontro entre a Mãe e o Filho. Maria contempla a divindade de seu Filho Jesus e desfruta de maneira sublime sua “maternidade divina e humana”. Ela se descobre inserida no mistério da Santíssima Trindade mediante o Espírito Santo que a fecundou e do Filho Eterno que ela, no tempo, gerou. Embora Mãe terrena do Filho encarnado, vê-se filha no Filho Eterno e Unigênito do Pai. Agora na glória dá-se plenamente conta de sua ligação com toda a humanidade e de sua vinculação com a salvação da humanidade.

Maria vive agora no corpo e na alma aquilo que nós iremos também viver quando morrermos e formos para o céu. Todos os que estão no Senhor (2Cor 5,6) participam de sua ressurreição. Por isso ressuscitamos no Ressuscitado por ocasião de nossa morte.

A festa da Assunção de Maria diz respeito à vocação definitiva de toda a humanidade, que é um dia morar com Deus.

A exemplo de Maria e motivados por sua Assunção, respondemos imediatamente às necessidades dos irmãos e irmãs? Que espaço ocupam os pobres, as pessoas com deficiência, os idosos, os abandonados em nossa vida pessoal e comunitária?

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

O Mistério Pascal e a Assunção de Maria

Na Eucaristia celebramos a memória da morte e ressurreição de Jesus. Após a Liturgia da Palavra, durante a Liturgia Eucarística, pronuncia-se a Oração Eucarística, ou Anáfora que significa oração de ação de graças. Não é uma oração qualquer. É a oração da Igreja, em sentido máximo, ou seja, nenhuma oração se iguala a esta prece. O motivo de louvor nesta oração é único e múltiplo ao mesmo tempo. Agradecemos a Deus tudo o que Ele realizou por nós na pessoa de Jesus Cristo, o Pão descido do Céu. Esse único mistério que perpassa todo o Ano Litúrgico se desdobra em vários “mistérios”, ou facetas do único Mistério Pascal. Na Solenidade de hoje celebramos o Mistério Pascal que se realiza na Assunção de Maria, como imagem da Igreja e prenúncio do destino comum de toda a humanidade. O mistério da Assunção de Maria na verdade é uma demonstração de como o Mistério de Cristo se realiza e se manifesta na vida e na história do povo de Deus.

Maria exalta as maravilhas de Deus

O Magnificat é modelo de louvor a Deus: Maria parece falar de si, mas na verdade exalta as maravilhas de Deus realizadas na vida do povo, do qual ela é membro e das quais ela participa. O Prefácio da Virgem II diz: “Celebrando a memória da Virgem Maria, proclamamos ainda mais a vossa bondade, inspirando-nos no mesmo hino que ela cantou em vosso louvor”. A principal oração da Igreja também encontra inspiração no cântico de Maria e através dele exalta as maravilhas de Deus: “Na verdade, fizestes grandes coisas por toda a terra”. Não retoma o hino por inteiro, mas seu espírito mais genuíno: a capacidade de reconhecer e bendizer a Deus, em forma de profecia, gratidão e adoração.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Em muitos momentos da Celebração Eucarística, podemos identificar referências à Maria:

No Ato Penitencial, pedimos sua intercessão por nós, pecadores: “e peço a Virgem Maria, aos anjos e santos, e a vós irmãos e irmãs, que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor”.

Na escuta da Palavra de Deus, na resposta a esta Palavra, é Maria que nos deixa o exemplo, dando seu “sim” ao plano do Pai.

Quando fazemos memória da entrega de Jesus na Cruz, sua morte e ressurreição, sempre encontramos a Mãe, silenciosa e fiel, animando os discípulos, acompanhando a Igreja nascente.

Quando damos graças a Deus, ouvimos, no eco do ‘Magnificat’, o reconhecimento da sua ação na história.

Maria é presença em toda a Liturgia, nos apontando sempre para o seguimento de Jesus, para que caminhemos na direção do Reino de Deus.

Por isso, na oração do dia da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora suplicamos: “Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria, mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. No Brasil, por determinação da CNBB e autorização da Santa Sé, esta solenidade é celebrado no domingo depois do dia 15, caso o dia 15 não caia em domingo.

2. A cor litúrgica de hoje é o branco

3. Dia 20 de agosto, a Igreja celebra a memória de São Bernardo, abade e doutor da Igreja. Ele percorreu a Europa para restabelecer a paz e a unidade da Igreja, por causa dos cismas que a ameaçavam.

4. Dia 22, Oitava da Assunção de Maria, a Igreja celebra a memória de Nossa Senhora Rainha. Maria Rainha é a Mãe glorificada. Esta celebração tem íntima relação com a festa da Assunção de Maria celebrada no Domingo.

5. Os cantos para esta celebração encontram-se no Hinário Litúrgico I da CNBB, CD: Festas Litúrgicas I e Festas Litúrgicas III, produzido pela Paulus, Ofício Divino das Comunidades e outros CDs citados abaixo.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos “cantar a liturgia” e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com “atitude espiritual” e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Solenidade da Assunção de Maria, “é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado”. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

1. Canto de abertura. A mulher da coroa de 12 estrelas (Ap 12,1). “Uma mulher no céu foi vista…”, CD: Festas Litúrgicas III, melodia da faixa 2; “De alegria vibrei no Senhor…,” CD: Festas Litúrgicas III, melodia da faixa 1; “Tu és a glória de Jerusalém..”, CD: Festas Litúrgicas I, melodia da faixa 1; “Ave Maria cheia de graça mãe do Senhor… com as estrofes: “Louva Jerusalém, louva o Senhor teu Deus… do Salmo 147, CD: Liturgia IV, melodia da faixa 8 (Advento).

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD: Tríduo Pascal I e II; CD: Partes Fixas da Missa e também no CD: Festas Litúrgicas I.

O Hino de louvor “Glória a Deus nas alturas” é antiqüíssimo e venerável, com ele a Igreja, congrega no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto desse hino por outro (cf. IGMR n. 53). O CD: Festas Litúrgicas I propõe, na faixa 2, uma melodia para esse hino que pode ser cantado de forma bem festivo, solista e assembléia. Ver também nos outros CDs que citamos acima.

3. Salmo responsirial 44/45. Canto em honra da rainha. “À vossa direita se encontra a rainha…, ou: “Cheia de graça a Rainha está/ À vossa direita ó Senhor”! CD: Festas Litúrgicas III, melodia da faixa 3.

A função do salmista é de suma importância. Sua função ministerial corresponde à função dos leitores e leitoras, pois o salmo é também Palavra de Deus posta em nossa boca para respondermos à sua revelação. Por isso, o salmo dever ser proclamado do Ambão e, se possível, cantado.

4. Aclamação ao Evangelho. “Maria é elevada ao céu,…”, CD: Festas Litúrgicas III, melodia da faixa 4. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical, página 1039. Por isso, preserve-se a aclamação ao Evangelho cantando o texto proposto pelo Lecionário. Ele ajudará a manifestar o sentido litúrgico da celebração, conforme orientações da Igreja na sua caminhada litúrgica.

5. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, na Solenidade da Assunção de Maria. “Ela era pobre e silenciosa e até sofrida”, Hinário Litúrgico I da CNBB, página 67. Ver orientações em Ação Ritual n. 9. “É grande o Senhor, e nosso Deus,…”, CD: Festas Litúrgicas III, melodia da faixa 5.
6. Canto de comunhão. “Todas as gerações me chamarão de bem-aventurada” (Lc 1,48-49). “Povo de Deus, foi assim:…”, CD: Festas Liturgia III, melodia da faixa 7.

O canto de comunhão “Povo de Deus, foi assim”, além de ajudar a assembléia a se sentir convidada ao mesmo destino de Maria, está em sintonia com o Evangelho, que traz o cumprimento das promessas de Deus, em relação aos sofrimentos do povo que anseia por libertação.

7. Canto de louvor a Deus após a comunhão: “O Senhor fez por mim maravilhas, santo, santo, santo é seu nome”, CD: Liturgia VIII, melodia da faixa 6 (Advento); “O Senhor fez em mim maravilhas…”, CD: Liturgia IV, melodia da faixa 12 (Advento); “A minha alma engrandece o Senhor…, CD: Liturgia VIII, melodia da faixa 11.

O Magnificat pode ser entoado após a comunhão. Tenhamos o cuidado “de não se cantar qualquer canto de Nossa Senhora em qualquer festa” como diz o liturgista Frei Alberto Beckhäuser, que, no mesmo texto, acrescenta: “os cantos da solenidade da Imaculada Conceição têm caráter diferente dos da Solenidade da Mãe de Deus ou da Assunção de Nossa Senhora”, a qual hoje nos referimos.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Pode-se colocar uma imagem de Maria, em lugar adequado e preparado com antecedência no presbitério ou próximo dele. O lugar da imagem de Nossa Senhora seja ornado com flores e velas. Dê-se destaque à imagem, sem, contudo, deixar que esse destaque roube a centralidade do Altar e dos demais elementos do espaço celebrativo.

2. Uma boa opção é o uso do ícone da Dormição de Maria (este é o nome desta solenidade na tradição oriental). Nele, contemplamos Maria “nascendo” para a plenitude da vida em Cristo. Notemos que Cristo ocupa o centro do ícone e traz nos braços uma criança, símbolo do novo nascimento de sua e nossa mãe, a Virgem Maria. O significado litúrgico e espiritual deste ícone pode ser explicado na homilia.

9. AÇÃO RITUAL

Contemplamos nosso destino realizado na Virgem Maria, ao celebrarmos sua Páscoa. Como imagem da Igreja, incorporada a Cristo, já participa da plenitude da vida em Cristo. Ao recordarmos esse acontecimento, nutrimos nossa esperança de ver em nosso corpo realizadas as promessas de Deus.

Ritos Iniciais

1. Seria bastante oportuno trazer um ícone da Dormição da Mãe de Deus na procissão de entrada, logo após a cruz processional. Deve ser posto em destaque, com uma lâmpada de azeite (ou outro inflamável) queimando a seus pés.

2. Pode ser trazido solenemente, onde for possível, em passos de dança ritual. Lembremos que a imagem da Virgem é a única que goza do status de poder ser posta no presbitério, desde que relacionada claramente com Cristo, seja como trono (quando o Cristo menino está em seus braços) ou numa outra atitude evangélica que ponha diretamente em ligação com Jesus. Ensaiar os passos da dança com antecedência.

3. Fazer a procissão de entrada com pessoas que tenham os nomes com que costumamos invocar Maria. Pode-se trazer a imagem ou ícone da Dormição da Virgem, ou uma imagem de Nossa Senhora da Assunção, que não será incensada (caso se utilize incenso) nos ritos iniciais, mas sim na Apresentação das Oferendas como é costume do Rito Romano. Neste caso, prepare-se um lugar de destaque para a imagem, mas relacionada com Cristo.

A saudação litúrgica, após o sinal da cruz, pode seguir as palavras inspiradas em Gálatas 4,4:
Presidente: O Deus, que na plenitude dos tempos, enviou o seu Filho nascido de uma mulher, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.
Todos: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Após a saudação do presidente, um ministro anuncia o mistério celebrado:

Celebramos a Assunção de Maria aos céus. Irmãos e irmãs, a Solenidade da Assunção de Maria nos ajuda a perceber que a vocação de todo ser humano, que acolhe a graça salvífica, em Jesus, é a participação na vida do Pai. Nesta liturgia somos chamados a reafirmar nossa adesão à nossa vocação, assim como fez Maria, a agraciada que encontrou lugar, no seio da Trindade.

4. Acolher fraternalmente às famílias, que hoje poderão fazer a procissão de entrada por ser o encerramento da Semana Nacional da Família.

5. Na oração do dia somos chamados a participar da glória de Maria

Rito da Palavra

1. A proclamação da leitura tenha por parte dos leitores, a consciência de que a comunidade é como Maria que acolheu o Verbo no seu seio. A proclamação das leituras se envolve da mística encarnatória, onde o Verbo de Deus se faz carne na vida da comunidade. Esta, para ser assunta aos céus como a Mãe do Senhor deve, assumir a Palavra que lhe é dada pela voz e expressão dos leitores e leitoras.

2. A primeira leitura deve ser proclamada por uma mulher. Durante as três leituras, sugerir que uma família permaneça ao redor da mesa da Palavra com velas acesas.

3. Durante o canto do Salmo 44/45 (Salmo responsorial), onde for possível, seria interessante um grupo de jovens ou crianças fazer uma dança ou expressão corporal alegre e orante, ajudando a assembléia a interiorizar melhor o conteúdo do Salmo. Para isso deve ser feito um bom ensaio dessa expressão corporal orante.

4. O Evangelho pode ser dialogado: narrador, Isabel e a parte do Magnificat, cantada pela pessoa que representa Maria. Quem preside faz a parte narrativa.

5. Na homilia, quem preside pode solicitar o testemunho de um(a) ou outro(a) religioso(a).

6. As preces, seguindo a estrutura clássica da oração bíblico-cristã, não excluam a recordação dos feitos de Deus antes de emitir qualquer súplica. Damos aqui um exemplo de como elaborar uma boa prece:

– Inspirada no Evangelho do Dia:
Senhor, assim como realizastes maravilhas em Maria, ao visitar a prima Isabel e ser proclamada Bem-Aventurada; realizai também, no seio da Igreja, a salvação que vosso Filho nos garantiu, vos pedimos.
Todos: “Vossa misericórdia venha sobre nós, Senhor!”
(A resposta da assembléia não é temática, apenas reforça a súplica)

Inspirada na segunda leitura:
Senhor, como em Adão nos veio pelo pecado, a morte, vós sempre se compadeceu da humanidade na esperança da salvação; em Jesus nos venha pela vossa graça, a vida plena, da qual Maria foi a primeira a desfrutar, vos pedimos.

Inspirada na resposta do Salmo:
Senhor, assim, como enfeitastes Maria com a graça da salvação, pois ela sempre acreditou nas vossas promessas; sejam vossos pobres ornados com esperança e força nas lutas e desafios da vida, vos pedimos.

7. Lembrar também no momento das preces comunitárias, as famílias e as(os) religiosas(os) que trabalham na comunidade ou que trabalharam, dando testemunho de serviço ao Reino, pela vida consagrada.

Rito da Eucaristia

1. Na preparação das oferendas, religiosos(as) e vocacionados(as) poderiam participar da procissão dos dons eucarísticos e das ofertas da comunidade e preparar a mesa do Altar.

2. Uma peça adequada para a procissão dos dons nessa celebração é “Ela era pobre e silenciosa e até sofrida”, Hinário Litúrgico I da CNBB, página 67, cuja letra descreve a postura santíssima da Virgem na relação com o Mistério Pascal: de inteira disponibilidade e louvor a Deus, que nela e por ela fez grandes coisas ao dar-nos seu Filho. Note-se, ainda, como termina o hino com a última estrofe: “Cantemos, hoje, com Maria, a esperança”. Aqui aparece o real sentido da memória mariana que é de enxergar, realizada nela, a nossa esperança para o mundo e a humanidade inteira.

3. Na incensação das oferendas, não se esquecer de incensar a imagem de Maria. A ordem da incensação ficaria assim: o padre incensa as oferendas, o Altar, a cruz e a imagem de Maria (no caso de festas mariana). O ministro do incenso (turiferário) incensa o padre, outros padres se houver, e o povo. Seria bom ser um pouco mais generoso na incensação do povo… O canto de apresentação dos dons deve prosseguir enquanto durar a incensação.

4. Na oração sobre as oferendas expressemos nosso desejo de chegar até Deus pela intercessão de Maria.

5. O prefácio é próprio e destaca Maria como “Aurora e esplendor da Igreja triunfante”. Onde não houver Missa, e sim celebração da Palavra, fazer a louvação entoando o “Bendito” em forma de repetição, conforme sugestão na Missa da Vigília.

Ritos Finais

1. Na oração depois da comunhão suplicamos a Deus que pela intercessão de Maria, possamos chegar à glória da Ressurreição.

2. Dar uma bênção especial para as famílias presentes. Ver sugestões no Ritual de Bênçãos nas pág. 30-31

3. Sugerimos, antes da bênção final, uma saudação à Virgem Maria como na Missa da Vigília,

Abençoe-vos Deus todo Poderoso…

4. Ou a fórmula de bênção solene das festas de Nossa Senhora (Missal Romano, página 527, nº 15).

5. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Tenham fé na promessa do Senhor como Maria. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

6. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

A festa da Assunção de Maria nos mostra hoje a mãe que temos no céu, mas também o caminho que devemos seguir para chegar onde ela está. Nunca sozinhos, mas na comunidade dos discípulos e irmãos de Jesus, alimentados pela Eucaristia, por ela conduzidos à comunhão com Cristo e com o Pai, avançamos pelos caminhos da história, cheios de alegria e esperança, dispostos a ser como Maria, a mulher forte, seguidores corajosos e perseverantes do seu Filho Jesus.

Celebremos a Páscoa semanal do Senhor na Páscoa de Maria valorizando os que assumem a sua missão em nossa diocese e no mundo inteiro de levar as pessoas a serem discípulos missionários de Jesus Cristo, como fez Maria

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas as outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

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