Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 23/11/2018

SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO – ANO B, 25 de novembro de 2018

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Leituras

 

Daniel 7,13-14. Foram-lhe dados poder, glória e realeza.

Salmo 92/93,1-2.5. Verdadeiros são os vossos testemunhos.

Apocalipse 1,5-8. A ele a glória e o poder, em eternidade. Amém.

João 18,33b-37. O meu reino não é deste mundo.

 

“TODO AQUELE QUE É DA VERDADE ESCUTA A MNHA VOZ”

 

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo de Cristo Rei do Universo. Celebramos a Páscoa de Jesus e de todas as pessoas que trabalham para apressar no mundo o Reino de Deus. A comemoração de Jesus Cristo, Rei do Universo, encerra o Ano Litúrgico. Jesus Cristo é o Alfa e o Ômega, começo e fim da história humana que Deus transforma em história da salvação. Com a Solenidade de Cristo, Senhor e Rei do Universo, concluímos o Ano litúrgico. É uma festa recente, em honra do Senhor Jesus.

 

A festa de Cristo Rei como celebração litúrgica foi instituída pelo papa Pio XI, com a Encíclica Quas primas, em 11 de novembro de 1925. O papa fixou o último domingo de outubro como data da festa de Cristo Rei, principalmente tendo em vista a festa subseqüente de Todos os Santos, “a fim de que se proclamasse abertamente a glória daquele que triunfa em todos os santos eleitos”. A reforma litúrgica do Vaticano II transferiu a data do último domingo de outubro para o último domingo do Tempo Comum. Desse modo, concedeu à celebração um significado diferente, destacando a dimensão escatológica do Reino na sua consumação final. Com essa mudança, Cristo aparece como centro e Senhor da história, Alfa e Ômega, Princípio e Fim (cf. Apocalipse 22,12-13). É a Festa do Cristo Kyrios.

 

A Igreja no Brasil comemora hoje o Dia dos Leigos, os missionários do Reino de Deus nas diferentes áreas e atividades que tecem a vida humana, religiosa e social. Neste último domingo do Ano Litúrgico, louvemos e agradecemos ao Senhor por todas as graças bênçãos recebidas de sua bondade, ao longo da caminhada do ano que passou.

 

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

 

Contemplando os textos

Primeira leitura – Daniel 7,13-14. A leitura de hoje tirada de Daniel 7,13-14 é texto messiânico para judeus e cristãos. O contexto encerra anuncio solene de futuro império, eterno e universal. O capítulo 7 abre a segunda parte do livro de Daniel, notável pelas visões proféticas que, embora enquadradas na época babilônica, insinuam fatos ligados à perseguição de Antíoco Epifânico contra os judeus.

Os versículos 13-14, contêm a visão noturna do Filho do Homem, vindo sobre/com as nuvens. O profeta contempla “um ser semelhante ao Filho do Homem” que se aproxima do tribunal do Ancião, juiz eterno, sendo revestido de realeza universal. No caso de Cristo, Ele era Todo-poderoso desde sempre (Mateus 28,18; 1Coríntios 15,25; Lucas 10,22).

 

A expressão “filho do homem” ocorre 116 vezes na Bíblia: em 30 lugares refere-se a Jesus, ao passo que, nos outros 86 vezes, exprime o “homem”, especialmente em Ezequiel. Significa aqui alguém que pertence à espécie humana e simboliza um novo reino, divino, que suplantará os 4 reinos, figurados pelos 4 animais, imagem do poder satânico. O título em si expressa a precariedade e pequenez humana diante de Deus (Isaias 51,12; Jó 25,6), a condição de pecador e de mortal (Salmo 14,2s); 88,48; 89,3), a dinastia de Deus.

 

No contexto, “Filho do Homem” não é bem uma pessoa, mas uma coletividade, o reino dos santos do Altíssimo (versículo 17), porque se os 4 animais simbolizam 4 reinos, paralelamente o “Filho do Homem” deve ser uma coletividade, a comunidade cristã dos tempos messiânicos. Fora dos evangelhos, o título quase não aparece, a não ser na visão de Estevão no momento do martírio (Atos 7,55s; em Hebreus 2,5-9 e no Apocalipse (1,12-16; 14,14ss). O apóstolo Paulo talvez faz uma referencia indireta a isso, quando fala do “novo Adão”. A carta aos Hebreus vê em Jesus o “Homem”. A reflexão cristã aproxima o “filho de Adão” dos salmos como o “filho do homem” dos apocalipses e o “novo Adão” do apóstolo Paulo. Como “filho de Adão” assumiu nossa fraqueza e sofrimento; como “Filho do Homem” de origem divina e futuro juiz, por sua paixão e morte chegou à glória da ressurreição, qual “novo Adão”, pai da humanidade redimida. No juízo haverá surpresa: lá o tínhamos conhecido misteriosamente oculto em nossos irmãos necessitados (Mateus 25,31ss).

 

A leitura fala de um Reino que nunca de dissolverá. Um Reino no qual o Filho do Homem é dotado de poder, de majestade e de império. Ele reinará para sempre e as forças do mal, de ontem e de hoje, jamais o destruirão. A manifestação da glória do Reino do Altíssimo inaugurará uma nova era.

 

Salmo responsorial – 92/93,1-2.5. O Salmo responsorial 92/93 é um hino que celebra a realeza de Deus, criador do universo. É o segundo salmo que celebra a realeza do Senhor (veja Salmo 46/47. O motor desses salmos é a afirmação “Deus é Rei”. Abre-se com a aclamação ao rei: “O Senhor é Rei”. A realeza de Deus, manifesta-se pelas leis que Ele impõe ao mundo físico e pela Lei que Ele dá aos homens. Este Salmo era recitado “na vigília do sábado, quando a terra se tornou habitada” (cf. Gênesis 1,24-31). É aplicado de maneira alegórica a Cristo. O céu é o palácio de Deus.

 

Qual o rosto de Deus nesse salmo? Deus é apresentado como Rei, vestido de majestade e poder. Seu trono está firme e o mundo também. Aqui, apesar de se dizer que o Templo de Jerusalém está cheio de santidade, mostra-se Deus como Senhor do mundo, Rei do universo.

 

Todos os evangelhos, sobretudo nas narrativas da Paixão de Jesus, o mostram como Rei universal. Mateus, Marcos e Lucas insistem em apresentar Jesus como anunciador do Reino. Todavia, é preciso discernir como Jesus exerceu a realeza e descobrir o que significa, para Ele, o reinado de Deus.

A ordem celeste, estabelecida por Deus, responde a nova ordem histórica: a Aliança com seus mandamentos que ordenam a vida humana com uma força divina. Ao trono celeste responde na terra o Templo que Deus escolheu para habitar.

 

Cantemos, neste salmo, a alegria de sermos convidados pelo Senhor para estar em sua presença. Peçamos paz para o nosso mundo e sabedoria para todos os que têm o dever de zelar pelo bem comum…

 

R: DEUS É REI E SE VESTIU DE MAJESTADE, GLÓRIA AO SENHOR!

 

Segunda-leitura – Apocalipse 1,5-8. Esta leitura serve muito bem para a festa de hoje, porque está toda centrada na pessoa de Cristo e sintetiza toda a vida e obra de Cristo.

 

Jesus Cristo é apresentado com três títulos messiânicos que encerram toda a sua vida e missão: a) testemunha fiel (cf. Salmo 88/89,38; Isaias 55,4; romanos 1,7; Apocalipse 3,14). Cristo cumpre fielmente a missão que o Pai lhe designara. b) Primogênito dos mortos (cf. Colossenses 1,18; 1Coríntios 15,20; Romanos 6,9).Com a sua ressurreição garante a nossa ressurreição. c) Príncipe dos reis da terra (cf. 19,16; Isaias 55,4; Daniel 7,13-14). Recebeu do Pai o poder de reinar acima dos reis da terra. Veio implantar no mundo o Reino do Pai.

 

Os versículos 5b-7 são uma espécie de aclamação ou memória da obra da salvação bastante freqüente na literatura hebraica e cristã. Enaltece o grande amor de Cristo pelas pessoas a tal ponte de Ele derramar o próprio sangue, através do qual nos purificou dos pecados (cf. 1João 1,7; João 1,29-36; Gálatas 3,13; Efésios 1,7; 1Pedro 1,19). Salvou-nos dos pecados não só negativamente, mas fazendo-nos participar de Seus privilégios divinos: fez de nós um reino de sacerdotes de Deus, seu Pai (Êxodo 19,6; João 20,17; 1Pedro 2,1-10; Apocalipse 5,10; 20,6; 22,5): realizou as aspirações messiânicas do seu povo.

 

O versículo 7 é o anuncio de um juízo universal. Tal imagem, sem dúvida, provém do Primeiro Testamento tirada principalmente de Daniel 7,13ss e Zacarias 12,10-12 e se encontra também no Novo Testamento (cf. Mateus 24,30). O Filho do Homem virá no seu aspecto glorioso para julgar os impérios e os poderes terrenos idólatras. O Apocalipse focaliza de maneira especial o Império Romano como opressor da Igreja nascente. Jesus vinga o seu povo pela vitória sobre os pagãos e os maus. Eis a consolação para o novo povo de Deus, a Igreja, bastante perseguida. “Ver” o Senhor quem vem sobre as nuvens do céu era para um judeu ter fé em sua origem transcendente, isto é, para além desse mundo, para um cristão significa ter fé na Ressurreição de Cristo e em seu senhorio (Mateus 26,61-64; Atos 7,55) e convertendo-se para Ele num processo contínuo.

 

Uma ótima ênfase a esta cena escatológica e à certeza de sua realização é a dupla afirmação solene: Amém (Sim). A primeira da parte de Deus (versículo 6) e a segunda manifestando a confiança dos fiéis (versículo 7).

 

O versículo 8 indica aquilo que ó próprio de Deus. Alfa e Ômega, isto é, A e Z (começo e fim) são a primeira e a última letra do alfabeto grego como A e Z do alfabeto português; querem dizer Deus com o Cristo (22,13) causa e finalidade do cosmos, da criação, do universo. Não há Deus fora Dele. “Ele é, Ele era, Ele vem” – isso nos faz lembrar a expressão que está em Êxodo 3,14; “Eu sou”, mostrando que Deus não só está no presente, como também no passado e no futuro, um Deus presente em todo o tempo; Deus que acompanha a história, está na história e levará a história à sua plenitude escatológica. “Todo-Poderoso” (Pantocrator) refere-se explicitamente a Deus, Pai. O Pai é o Senhor da história.

 

Evangelho – João 18,33b-37. O Evangelho de hoje faz parte da narração da Paixão de Nosso Senhor segundo o evangelista João. Comparado com Mateus, Marcos e Lucas, João resume o interrogatório de Jesus perante os judeus a tal ponto, que já não sobra nenhuma condenação de Jesus. Isto tem um sentido teológico: o judaísmo não tem o que condenar em Jesus.

 

“És o rei dos judeus?” (versículo 33). A pergunta de Pilatos soa, em João, como se ele mesmo tivesse inventado este título para Jesus. Daí a réplica de Jesus: “Falas assim por ti mesmo?” (versículo 34). Pilatos responde, com distância, que ele está por fora. Pilatos quer manter obstinadamente o título de “rei dos judeus” para Jesus, podemos suspeitar que, o uso deste título por parte de Pilatos pertença ao procedimento literário, caro a João, que foi chamado de “profecia inconsciente”. De fato, Pilatos não fala por si; ele é veículo de uma verdade que ele mesmo desconhece, como também Caifás em João 11,49ss. Por isso, Pilatos não poderia dar uma resposta adequada à pergunta de Jesus.

 

Jesus, porém, responde ainda à pergunta de Pilatos: “Meu reino não é deste mundo” (versículo 36). Com estas palavras, Jesus se distancia, não apenas das expectativas messiânicas judaicas (mesmo as mais espiritualizadas), mas de qualquer messianismo terreno. Pilatos não possui a fé que lhe permitiria apreender a diferença entre Reino da Verdade e o reino deste mundo.

 

O reinar de Jesus consiste em dar testemunho da verdade (cf. a 1ª leitura, Apocalipse 1,5ss, onde Jesus é aclamado “testemunha fiel”, isto é, verídica). Seu testemunho (assim como a própria verdade) não é, porém, algo meramente teórico. É a própria doação de sua vida. Nesta doação, ele mostra em que consiste “o que é verdadeiro”, a saber: o amor do Pai para nós, Deus mesmo, que é “verdadeiro” (3,33; 8,26).

 

A verdade, em João está intimamente ligada com a revelação do ser de Deus, que é amor. A verdade é a realidade de Deus e a vida que ele nos dá. João evita o termo tradicional “Reino de Deus”. Só utiliza esse termo no diálogo de Jesus com Nicodemos (João 3,3.5). Baseando-nos em João 18,33ss, poderíamos chamar o Reino de Jesus “Reino da Verdade, ou seja, o âmbito em que Deus realiza seu amor e as pessoas observam seu mandamento de amor, dado, em palavras e ato, por sua “testemunha”, Jesus Cristo.

 

O Reino de Cristo não é deste mundo, parece incluir tudo isto. Este Reino não é daqui, não é “de baixo”, mas “de cima” (cf. João 3,31-36). Não é compreensível a partir da maneira humana de reinar (pela força), mas a partir do modo de Deus reinar (pelo amor até o fim). A morte de Jesus é a revelação mais intensa deste Reino, supremo testemunho da Verdade. Não é por acaso, que na véspera da crucifixão, Jesus disse: “Eu sou a Verdade” (João 14,10).

O evangelista João situa a realeza de Jesus Cristo no relato da Paixão para evidenciá-la como modelo, em um total contraste com os outros modelos. Jesus é Rei, porém de modo diferente das demais formas de poder.

 

O diálogo de Pôncio Pilatos com Jesus dá início ao Evangelho deste domingo.

Jesus, depois de ser interrogado e rejeitado pelo poder religioso judaico, é conduzido ao governador romano Pôncio Pilatos. Este chama o réu e o interroga: “Tu és o rei dos judeus?” (versículo 33). À pergunta do governador Jesus responde: Você diz isso por si mesmo, ou foram outros que lhe disseram isso a meu respeito?” Os judeus desejam conseguir de Pilatos a condenação capital de Jesus. Declarando-se Rei, Ele se colocaria em oposição a César. O governador teria de condená-lo se não quisesse perder os favores do imperador romano. Eximindo-se de qualquer responsabilidade, Pilatos quer se inteirar sobre o que Jesus fez para ser entregue ao poder romano. “O que fizeste?” Jesus não responde à pergunta. Retoma a resposta da pergunta anterior: “O meu Reino não é deste mundo”. Revela sua procedência e que suas obras manifestam o projeto do Pai. Ele rejeita todo tipo de poder que tenha como base a força e o poder. “Meu Reino não é daqui”. Jesus nega a pretensão de usurpar o trono do imperador romano fundado no poder e guarnecido pela força dos exércitos e das armas.

 

Estranhando a realeza de Jesus e sem saber direito o que perguntar, Pilatos responde: “então tu és rei?” Na visão do governador romano, como pode ser rei alguém que não tem exércitos nem armas, riquezas e ambições políticas? A postura de Jesus, condenado à morte, solitário e fraco, pobre e despojado de qualquer poder, questiona os dogmas do Império Romano e inquieta seus governantes. “Você está dizendo que eu sou Rei. Eu nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade (…)” (versículo 37).

 

Não tem jeito, Jesus é um Rei diferente dos poderosos do mundo. Sua resposta a

Pilatos revela a função de sua realeza: dar testemunho da verdade, sendo fiel à vontade do Pai até as últimas conseqüências, isto é, à morte de cruz.

 

“O que é a verdade?”, pergunta Pilatos (versículo 38). Jesus se cala. A Sua realeza se exerce no domínio da verdade, isto é, na fidelidade ao projeto do Pai e não na mentira, no ódio, na corrupção, na opressão, próprios dos reinos terrenos. Para o evangelista João, no reinado de Cristo, são realidades intimamente ligadas à verdade como revelação e manifestação do Deus-Amor e a morte por amor, até as últimas conseqüências.

 

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

 

Nas celebrações litúrgicas estamos habituados a cantar hinos a Cristo Rei. “Rei divino que à terra desceste. Vindo a nós de um trono de glória. Alcançaste fulgente vitória sobre a culpa origem da dor! Reina, reina nas almas no mundo. Rei dos reis, Jesus Cristo, Senhor!” e outros hinos como: “Jesus é meu rei e Senhor”.

 

Reconheçamos com sinceridade: não é fácil vencer a tentação ao triunfalismo religioso e á imposição dos critérios evangélicos e eclesiais por certa coação da lei e do poder político. As influencias do tempo de cristandade ainda repercutem e revelam sua força com muitas manifestações eclesiais e litúrgicas. Hoje o estandarte de Cristo rei tremula em meio a muitas outras bandeiras da sociedade.

 

É importante deixar claro que a realeza de Cristo não se confunde com a realeza deste mundo. Suas conquistas não se medem pela quantidade de indivíduos batizados, pela eficiência das estruturas e das instituições eclesiais, pela grandiosidade das igrejas, etc. O Reino de Cristo conquista novas fronteiras pela atitude de serviço, pelos gestos de doação solidária em favor dos mais fracos. Ele se manifesta no respeito de uns pelos outros, no encontro, no diálogo que instaura relações de comunhão.

 

“Eu nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade…” Jesus Cristo é reconhecido como (Kyrios) e Rei porque realizou (e realiza) a missão de salvar, perdoar, reconciliar, libertar, curar, dar a vida e anunciar a Boa-Nova do amor do Pai e da esperança. Nessa perspectiva celebrar hoje a festa de Cristo Rei do Universo é reconhecer que Ele é o ponto de convergência da história, da atividade e da peregrinação terrena da humanidade. Ao Kyrios (Senhor) tendem os desejos da história e das civilizações. O Cordeiro que foi imolado, agora é motivo de alegria de todos os corações e plenitude total dos anseios. Por isso “Jesus Cristo, ontem, hoje, sempre. Aleluia!”.

 

Jesus afirma: “Meu Reino não é deste mundo”. O fato de o Reino de Cristo não ser do estilo político dos governos terrenos não significa que esteja ausente e não se realize já neste mundo. Jesus mesmo nos ensina a rezar: “Venha a nós o vosso Reino”.  O Reino que almejamos não tem aparato burocrático nem a força das armas para impor a lei evangélica. Ele é dom de salvação e soberania amorosa sobre a vida das pessoas. Reino que tem como fundamento o amor, a verdade, a liberdade, a justiça e a paz pela via do serviço espontâneo, e não pela imposição. “Ele, oferecendo-se na cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao seu poder toda a criatura, entregará à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz” (Prefácio da Festa de Cristo Rei).

 

Pelo batismo somos convidados a reinar com Cristo pelo serviço, pelo perdão, pela reconciliação, enfrentando o desafio da cruz a fim de que todos tenham dignidade e paz.

 

O amor que nós queremos praticar, entre outras coisas, pela construção de uma nova sociedade, não nos pertence, mas é “Reino não deste mundo”. Nós mesmos não mais nos pertencemos no Reino que vem de Deus. Não estamos transformando este mundo para a nossa satisfação, nem para a realização da utopia que nós sonhamos, mas porque a transformação deste mundo e de muitas outras coisas – em primeiro lugar o nosso próprio coração – é mediação indispensável para encarnar o Reino que não é deste mundo, mas nele se revela; para dar um sinal do Reino do amor que vem de Deus.

 

Nesta festa de Cristo Rei, a Igreja comemora o Dia do Leigo. Recorda seus membros que, pelo batismo, são em Cristo sacerdotes, profetas e reis, inseridos nas realidades da cultura, da política, do comércio, das ciências, da economia, da ecologia, da vida conjugal… a presença e a atuação de leigos cristãos nessas áreas podem transformá-las em espaço fecundo para os valores do Reino de Deus.

 

A vocação do leigo é de suma importância para o crescimento do Reino de Deus. Deve impregnar o mundo dos valores do Evangelho, cada um no seu lugar, com seus dons e sua dedicação, com sua responsabilidade e competência. Não há distinção de serviços. Do mais simples ao mais especializado, cada um é necessário no lugar onde mora ou trabalha. Também o doente, o deficiente pode dar (e como dá!) seu valioso testemunho. Também doente e o deficiente têm um valor sacramental.

 

O leigo tem também seu papel na Igreja. Participa de certas funções na liturgia, na catequese e nas diversas pastorais. O leigo comprometido, consciente, com senso crítico, pode ajudar a comunidade a caminhar. E quando a comunidade caminha bem, ela poderá agir também fora, através do engajamento no mundo.

 

Na Igreja, as vocações não se opõem uma à outra. Todos precisam de todos. Os padres precisam dos leigos e os leigos dos padres. Cada um se esforce para dar o melhor de si numa atitude de serviço e compromisso.

 

Cabe dizer: “parabéns, leigos e leigas!” Obrigado por tudo o que já estão fazendo em prol do Reinado de Deus. Estejam cientes da grandeza da sua vocação cristã. Sejam, neste mundo, um sinal do Reinado que Cristo veio inaugurar e para o qual pede sua colaboração.

 

Neste último domingo do Ano Litúrgico, concluída a caminhada como discípulos e discípulas missionários, reconhecemos e proclamamos que Cristo é Senhor e Rei universal. Ele é o Senhor de toda a criação e de toda a história. Seu Reino é o Reino de Deus introduzido na vida humana pelo mistério de sua Encarnação; Ele o instaurou para sempre por sua morte e ressurreição. Ao proclamarmos em espírito e verdade que Cristo é nosso Rei, manifestemos a decisão de seguir seu caminho de total fidelidade, colocando toda nossa vida ao serviço da obra redentora de Jesus, nosso Rei e Senhor. “Gloriando-nos de obedecer na terra aos mandamentos de Cristo, Rei do universo, possamos viver com ele eternamente no reino dos céus” (Oração depois da comunhão).

 

A celebração litúrgica anuncia o Cristo vitorioso que venceu o fracasso pelo amor, Rei do universo, acima de todos os poderes que vencem pela força e pela opressão. Lembra à Igreja o seu compromisso de trabalhar por uma sociedade solidária e fraterna; por uma cultura de paz, vencendo qualquer tipo de violência e de agressão à vida humana. O Espírito que opera a santificação do corpo de Cristo transforma nossas fragilidades e nossa pobreza em sacramento do Reino.

 

4- A PALAVRA SE FEZ CARNE E SE FAZ CELEBRAÇÃO

 

Obedecer na terra, viver no céu. O trabalho de Jesus no meio de nós quis ser a manifestação (epifania) do Reinado de Deus. Mediante sua pessoa, palavra e ação o governo de Deus pode irromper no meio de nós. A oração do Dia fala desse acontecimento ao afirmar que todas as coisas são restauradas “no” seu Filho, Rei do Universo. Isto é, Nele, toda a criação encontra seu devido lugar e sua dignidade se afirma a partir do próprio ser de Deus.

 

Segundo a lógica da “Bênção” e da “Ação de Graças”, o homem e a mulher são intérpretes das demais criaturas cuja linguagem não é a da fala e da consciência humanas. Os homens e as mulheres são como que “mediadores” da criação ao apresentar a Deus seu louvor. Isso significa que insurge para eles uma tarefa, que é a de serem zeladores do mundo, pois como intérpretes do mundo criado, também reconhecem as obras de Deus como Dom e ao mesmo tempo como “fala sua”, já que Deus se mostra em suas criaturas, ainda que não se identifique com elas.

 

Tal cuidado, diríamos tal pastoreio corresponde à nossa responsabilidade régia diante do mundo criado… tarefa que cumprimos segundo os mandamentos do Senhor,  seguindo atentamente sua Palavra. Deste modo nossa vida aqui, obedecendo à voz de Deus, desdobra-se como experiência do céu, ou seja, da própria vida divina.

 

Jesus é o governo de Deus acontecendo entre nós. A existência inteira de Jesus, segunda já dissemos, foi exemplo de obediência ao Pai e não à lógica deste mundo e é nisso que se baseia o seu Reinado, isto é, a manifestação clara do governo de Deus irrompendo na história (cf. evangelho). Por isso o Prefácio de hoje canta que Jesus apresentará ao Pai o “reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz” – em outras palavras, o próprio Reinado de Deus.

 

5- FUNÇÃO NA LITURGIA DO DIA

 

A festa de Cristo Rei, antigamente (embora seja bastante nova), era facilmente entendida num sentido triunfalista. Na época recordava os desfiles da Ação Católica especializada – e uniformizada… Ora, o triunfalismo é uma indevida antecipação materializante do Reino transcendente. O Reino de Deus age neste mundo, mas não lhe pertence e, antes, em tensão dialética com ele. O Evangelho de João expressa claramente o caráter transcendente e não-mundano do Reino de Cristo. Mostra também que dele participamos, não por um ativismo “convencido”, mas por obediência à sua Palavra, falada na hora da Cruz.

 

6- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

 

Pela celebração litúrgica deste último domingo do Ano Litúrgico, encontramo-nos com o Senhor, nosso Rei e Juiz que por sua Palavra nos julga, purifica-nos e nos torna participantes do banquete de seu Reino. Experimentemos antecipadamente o júbilo dos convidados à ceia do Reino que seu amor preparou.

 

Hoje na celebração eucarística em que Cristo vive conosco sua Páscoa redentora, para que nos unamos intimamente a Ele, recebemos a força do Espírito Santo, a fim de sermos testemunhas fiéis da verdade e chegarmos ao Reino eterno e universal – um Reino de verdade e de vida, de santidade e de graça, de justiça, de amor e de paz.

 

A Palavra de Deus, que escutamos e acolhemos com docilidade em nosso coração, revela-nos que o Reino de Deus está realmente presente no meio de nós, como grande dom do amor de Deus à humanidade.

 

A Eucaristia que celebramos é memorial do Cristo vitorioso que se mostrou fiel no amor até as últimas conseqüências da morte na cruz, sem jamais ceder às artimanhas do poder e da violência. Ele é Rei vitorioso porque “sempre se mostrou cheio de misericórdia pelos pequenos e pobres, pelos doentes e pecadores, colocando-se ao lado dos perseguidos e marginalizados. Com a vida e a Palavra anunciou ao mundo que sois Pai e cuidais de todos como filhos e filhas” (Oração Eucarística para Diversas Circunstâncias VI-D).

 

A ação litúrgica deste domingo de Cristo Rei é expressão da Aliança de Deus com seu povo, isto é, expressão maior da comunhão do Reino.

 

7- ORIENTAÇÕES GERAIS

 

  1. Neste domingo da Solenidade de Cristo Rei e do Dia Nacional dos Leigos, a equipe de liturgia, como um serviço importante para a comunidade de fé, ao preparar a celebração, deve dar particular atenção às várias partes da celebração.

 

  1. A cor litúrgica da celebração de hoje é o branco ou outra cor festiva.

 

  1. Receber de maneira fraterna a todas as pessoas que se reúnem para celebrar, pois elas esperam ser bem acolhidas na comunidade litúrgica.

 

  1. Valorizar os momentos de silêncio durante a celebração (no início da celebração, após cada leitura e o canto do salmo, após a homilia, após a comunhão…) para que o louvor brote do coração e da vida, não só dos lábios. Privilegie-se o silêncio como expressão de intimidade pessoal e comunitária com o mistério celebrado.

 

  1. 26 recordamos Tiago Alberione, fundador da Família Paulina. Dia 01 de dezembro, com as Vésperas (Ofício Divino) inicia-se o Tempo do Advento.

 

8- MÚSICA RITUAL

 

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Solenidade de Cristo Rei do Universo, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

 

“Não tem sentido, por exemplo, escolher os cantos de uma celebração em função de alguns que se apegam a um repertório tradicionalista, ou ainda de outros que cantam somente as músicas próprias de seu grupo ou movimento, nem de outros que querem cantar exclusivamente cantos ligados à realidade sócio-política, ou cantos concentrados em certos temas, se isto vai provocar rejeição da parte da assembléia” (A música Litúrgica no Brasil, estudos da CNBB, página 78).

 

É bom lembrar que o repertório musical oferecido pelo Hinário Litúrgico da CNBB conseguirá levar a comunidade com mais segurança, ao mistério celebrado.

 

  1. Canto de abertura. “Escuto o que diz Deus, o Senhor; ele diz: ‘Paz’, para o seu povo e para seus fiéis”, (Salmo 84/85,9.7), articulado com as estrofes do Salmo 49/50. Como comunidade de fé reunida por convocação do Senhor para o seu serviço, para sua liturgia. O nosso valor como discípulos e discípulas de Jesus se exprime em nossa disposição de servir a Deus que dá vitória ao seu povo, com danças, cantos celebrando o seu Amor por nós. Por isso, é muito oportuno dar início à celebração com estes dois versículos do Salmo 84/85. É muito adequada a versão dos versículos 9 e 7 oferecida pela CNBB-Paulus: “O Senhor vai falar-nos de paz, a seu povo e a todos amigos, paz a quantos a ele se achegam e se alegre o teu povo contigo!, articulado como Salmo 149, CD: Liturgia VII, melodia da faixa 20. Este Salmo evidencia exatamente o perfil do discípulo e da discípula de Jesus que luta pela justiça e pela paz no mundo: “Bem-Aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”, (Mateus 5,9).

 

Nesse momento crucial do nosso país dividido politicamente, de violência verbal, de incompreensões, devemos dar prioridade a este canto.

 

Pelo fato de Jesus não negar a sua realeza, mas destacando a radical diferença do seu reinado em relação aos reinos deste mundo, outra opção como canto de abertura para este Domingo, sugerimos “Jesus Cristo, esperança para o mundo” gravado no CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 5, (CNBB-Paulus). É muito oportuno porque seu conteúdo está voltado para delinear o Reinado de Deus que se dá em Cristo Jesus.

 

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD: Tríduo Pascal I e II e também no CD: Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

 

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

 

  1. Refrão para motivar a escuta da Palavra: “Deus é amor, arrisquemos viver por amor. Deus é amor, Ele afasta o medo”, da comunidade de Taizé, gravado no CD: “Coração confiante”, editora Paulinas. Próprio para este Domingo. O medo faz com que escondemos os talentos. Pode ser retomado após o silêncio que segue a homilia.

 

  1. Salmo responsorial 92/93. O Senhor é rei, veste-se de majestade. “Deus é rei e se vestiu de majestade, glória ao Senhor!”, CD: Liturgia IX, melodia da faixa 15.

 

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e o salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

 

  1. Aclamação ao Evangelho. “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor” (Marcos 11,9-10). De maneira muito adequada e popular é a versão que a CNBB oferece: “Aleluia… É bendito aquele que vem vindo, que vem vindo em nome do Senhor, e o Reino que vem, seja bendito, ao que vem a seu Reino, o louvor!”, CD: Liturgia VII melodia igual a faixa 21. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

 

  1. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve despertar na assembléia a compaixão para com o próximo, sobretudo os mais necessitados e abandonados pela sociedade. A partilha nos torna sinal vivo do Senhor. “Bendito seja Deus Pai, do universo criador”, CD: Liturgia VII, melodia da faixa 12. Este canto coloca em evidencia a Solenidade de hoje quando cantamos que Deus é o criador “do universo, pelo pão e pelo vinho que nós recebemos, foi de graça e com amor”.

 

  1. Canto de comunhão. “Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os seus anjos […] Todos os povos da terra serão reunidos diante dele”, Mateus 25,31-32. Somos benditos do Pai quando servimos Jesus Cristo nos sofredores. É muito interessante e adequada a versão destes versículos de Mateus oferecida pela CNBB-Paulus: “O Filho do Homem virá, virá, na sua glória virá, virá, para julgar virá, virá, todos os povos e reinará”, articulado com o Salmo 49/50, CD: Liturgia VII, melodia da faixa 22.

 

9- ESPAÇO CELEBRATIVO

 

  1. Preparar o espaço da celebração, destacando o Círio Pascal, a fonte batismal, além da mesa da Palavra e da Eucaristia.

 

  1. Usar, no arranjo, flores coloridas, a fim de demonstrar a harmonia desejada para o Reino (evitar excessos, mas caprichar na harmonia). A alegria desta Solenidade deve estar bem evidente no espaço celebrativo onde o Povo de Deus se sinta feliz. Não podemos esquecer que o espaço celebrativo deve ser acolhedor.

 

  1. A cruz é uma peça importante nas celebrações do Mistério Pascal do Senhor. Ela é entendida pela Instrução Geral do Missal Romano como um elemento que deve recordar aos fiéis o acontecimento da fé ali celebrado. Ela pode ser processional, e por isso é chamada de cruz litúrgica. Ela ocupa o lugar próximo do altar quando usada na procissão e por isso é comumente ladeada por velas. Neste domingo destacar bem a cruz para evidenciar que Ele reina entregando a sua vida.

 

  1. O simbolismo da cruz traz presente o anúncio da paixão e ressurreição do Senhor. A cruz processional, a mesma que será usada na procissão de abertura, esteja na entrada da Igreja, por onde todos passam. É uma forma de trazer presente o mistério que será celerado. Ela pode ficar aí até o início da celebração, ladeada de velas e flores, de forma que chame a atenção de todos os que vão chegando para a celebração.

 

  1. AÇÃO RITUAL

 

Para criar um clima orante, reunindo os corações, enquanto se acende as velas do Altar cantar: “Onde reina o amor, fraterno amor, Deus aí está”.

 

O acendimento do Círio Pascal antes do canto de abertura, também pode ser seguido de uma aclamação a Cristo: Jesus Cristo ontem e hoje, e por toda a eternidade, e por toda a eternidade. Hinário Litúrgico I da CNBB com letra e partitura, página 17.

 

Ritos Iniciais

 

  1. Na procissão de entrada, valorizar a cruz, colocando sobre ela uma palma verde simbolizando a vitória de Cristo sobre a morte. A palma seria colocada antes da procissão por um leigo ou uma leiga de maneira que todos vejam este gesto solene acompanhado com um refrão: “Vitória, tu reinarás!/ Ó cruz, tu nos salvarás!; “Jesus Cristo, ontem e hoje,/ E por toda a eternidade, e por toda a eternidade!; Hinário Litúrgico I Advento Natal, página 17.

 

  1. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembléia no Mistério celebrado. É bom lembrar que o repertório musical oferecido pelo Hinário Litúrgico da CNBB conseguirá levar a comunidade com mais segurança, ao mistério celebrado.

 

  1. A Igreja no Brasil também comemora hoje o dia nacional dos cristãos leigos e leigas, que pela força da consagração batismal, são chamados a construir um mundo de paz, justiça e verdade. Alguns leigos e algumas leigas participam da procissão de entrada, levando a cruz, o Círio Pascal e o Evangeliário.

 

  1. Na saudação de quem preside, poderiam ser usadas as palavras conforme a 2Ts 3,5:

 

O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco.

 

  1. Após o sinal da cruz e a saudação inicial, lembrar o sentido da celebração e recordar os acontecimentos que marcaram o Ano Litúrgico que hoje termina, ligando-os com o Mistério celebrado e identificando neles os sinais do Reinado de Cristo já presentes entre nós. Podem propor o sentido litúrgico com palavras semelhantes a estas:

 

Domingo de Cristo Rei do Universo. Jesus Cristo, Rei do universo, fez da cruz o seu trono e, pela sua morte e ressurreição, eleva à filiação divina aqueles que acolhem o seu Reino. Quem pertence ao seu reinado escuta a sua Palavra e com Ele se associa na entrega de sua vida pela salvação do mundo.

 

  1. No lugar do Ato Penitencial, proceda-se com a bênção da água e aspersão em recordação ao nosso Batismo pelo qual participamos da missão profética, sacerdotal e régia (serviço) de Jesus, isto é, manifesta nossa participação na realeza de Jesus. Neste caso, a monição ou introdução do rito deve recordar aos fiéis que todos fomos criados e tratados por Deus, segundo a dignidade real que o pecado deteriora e o Batismo recupera. É uma maneira, também, de recordar ritualmente a importância e o papel dos leigos e leigas para a vida da Igreja, uma vez que todos participam da mesma realeza e sacerdócio de Cristo Jesus, pelo Batismo – neste Domingo, no Brasil celebra-se o “Dia dos fiéis leigos e leigas”. A aspersão deve ser acompanhada de um canto apropriado.

 

  1. Cada Domingo do Tempo Comum é Páscoa semanal. Cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).

 

  1. A oração do dia começa exaltando o poder de Deus que restaura todas as coisas no Filho, rei do universo. Também pede que nos liberte da escravidão para que possamos servir a Deus com liberdade e O glorifiquemos eternamente.

 

Rito da Palavra

 

  1. Na proclamação do Evangelho, pessoas com velas (leigos e leigas) se aproximam da mesa da Palavra, enquanto a assembléia aclama o Santo Evangelho o ministro incensa o Evangeliário. O Evangelho pode ser cantado ou proclamar de maneira dialogada conforme o costume latino.

 

  1. A homilia deve ajudar a assembléia a ligar a Palavra de Deus com a realidade em que vivemos e com o mistério que celebramos.

 

  1. É muito oportuno rezar o Credo Niceno-Constantinopolitano. Ele ressalta e explicita a profissão de fé em Jesus de maneira mais completa.

 

  1. A oração dos fiéis deve ser uma verdadeira súplica da assembléia que deseja e espera que o Reino de Deus se estabeleça no mundo. Suplicar pelos fiéis que participam da realeza de Jesus pelo Batismo: casais, jovens, idosos, pais e mães, profissionais de todas as áreas. A cada prece responder cantando:

                                

            Senhor, venha a nós, o vosso Reino!

 

Rito da Eucaristia

 

  1. A oração sobre as oferendas destaca que os dons do pão e do vinho nos reconciliam com Deus. Suplicamos que o Filho Jesus, Rei do universo conceda paz e união a todos os povos da terra.

 

  1. Não se pode esquecer neste Domingo do Prefácio de Cristo Rei do Universo que põe em evidencia que esse Reino é de justiça, de amor e de paz. No final do Missal Romano, encontram-se partituras com melodias que podem ser aproveitadas para seu ser cantadas pelo presidente. O Hinário Litúrgico da CNBB III também traz boas opções nas páginas 69-70. A solenidade oferece um prefácio próprio, que só admitirá as orações eucarísticas I, II e III. O folheto o Domingo no ano passado cometeu um erro ao colocar o prefácio de Cristo Rei na Oração Eucarística V, sendo que ela tem prefácio próprio.

 

  1. Toda a Oração Eucarística seja bem participada pela assembléia, com atitude de louvor e de oferenda de sua vida com Cristo, ao Pai. O Amém final seja vibrante, cantado e acompanhado pelo gesto das mãos em oferta.

 

  1. No memento dos defuntos, a comunidade pode lembrar leigos e leigas que foram fiéis servidores de Cristo e que deram a vida pela comunidade.

 

  1. A Oração do Senhor (Pai Nosso) favorece o povo reunido de manifestar sua participação no sacerdócio de Cristo, por meio da oração Dominical. Deve ser rezado erguendo as mãos para o céu. Durante as palavras: “Venha a nós o vosso Reino”, fazer uns segundos de silêncio com as mãos erguidas.

 

  1. Ressaltar a fração do pão eucarístico. Enquanto o ministro parte o pão com calma e dignidade, a assembléia canta o “Cordeiro de Deus”.

 

  1. A segunda leitura, ao proclamar que Jesus nos fez um reino de sacerdotes para Deus, dá, a nós, um bom motivo para incentivar o esforço comunitário e ministerial, para que os fiéis comunguem sob duas espécies. Esse povo sacerdotal tem o direito e o dever de ser obediente ao mandamento de Jesus: “Tomai e bebei todos vós”. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240). Quando bem orientada, a comunidade aprende fácil esse rito que é resposta obediente ao mandamento do Senhor “tomai e bebei”.

 

Ritos Finais

 

  1. Na oração depois da comunhão pedimos a Deus que alimentados pelo pão da imortalidade possamos obedecer a Cristo rei na terra e viver com Ele eternamente.

 

  1. Reservar um momento para a divulgação e o convite ao engajamento na Pastoral Social (Promoção Humana) da comunidade.

 

  1. Embora o Missal Romano não nos traga uma bênção solene para esta ocasião, o formulário para o Tempo Comum III, página 525 do Missal se enquadra bem para este Domingo:

 

“Sempre vos alimente com os ensinamentos da fé e vos faça perseverar nas boas obras”. Oriente para ele os vossos passos, e vos mostre o caminho da “caridade e da paz”.

 

  1. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Todo aquele que é da verdade, escuta a minha voz. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

 

  1. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.

 

12- CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Reafirmar Cristo como o nosso Rei é empenhar-se na busca incessante desta realidade nova. É modificar as condições históricas em que vivemos e fazer o povo caminhar rumo a uma sociedade mais justa. Caso contrário, estaremos negando a realeza de Cristo e aceitando, como reis e senhores absolutos da verdade, os poderosos deste mundo que separam, em diferentes classes sociais, os mesmos filhos de Deus, de tal modo que “as riquezas de uns poucos sejam às custas da pobreza de muitos” (João Paulo II, no México).

 

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

 

Um abraço fraterno a todos
Pe. Benedito Mazeti

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