Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 15/05/2018

SOLENIDADE DE PENTECOSTES ANO B – 20 de maio de 2018

 

Leituras

 

Atos 2,1-11. Todos ficaram cheios do Espírito Santo.

Salmo 103/104,1ab.24ac.29bc-30.31.34. O Senhor é a minha grande alegria.

1Coríntios 12,3b-7.12-13. Fomos batizados num único Espírito.

Seqüência. A nós descei, divina luz!

     João 20,19-23. A paz esteja convosco.

 

 

“COMO O PAI ME ENVIOU, TAMBÉM EU VOS ENVIO”

 

 

1- PONTO DE PARTIDA

 

Hoje é o Domingo de Pentecostes. Com a festa de hoje, estamos chegando ao fim do Tempo Pascal, tempo celebrado com alegria e exultação, um só dia de festa que durou cinqüenta dias, “um grande domingo”, tempo marcado pelo canto e pelo sentimento do “Aleluia”.

 

O importante é celebrarmos a feste de hoje intimamente ligada à Páscoa e a todo o Tempo pascal. O Pentecostes cristão não é a festa do Espírito Santo em si. A vinda do Espírito Santo, em Pentecostes, é um acontecimento de salvação. Representa o cume do mistério pascal da morte e ressurreição de Cristo. É a festa que dá coroamento à Páscoa de Cristo. “Para levar à plenitude os mistérios da páscoa, o Senhor derramou, hoje, o Espírito Santo prometido, em favor de seus filhos e filhas.” (Prefácio da missa do dia).

 

Demos graças ao Pai porque o Espírito revelou a todos os povos o mistério escondido nos séculos e reuniu todas as raças na alegria da salvação. Somos, hoje, revestidos da força do Espírito para sermos testemunhas do Cristo ressuscitado.

 

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

 

Contemplando os textos

 

Primeira leitura – Atos 2,1-11. A narração de Pentecostes tem três partes: a vinda do Espírito Santo sobre a assembléia dos apóstolos, dos irmãos de Jesus, da Mãe de Jesus e outras mulheres, reunida no cenáculo (Atos 2,1-13; cf. 1,13-14); a pregação de Pedro (Atos 2,14-36); a conversão dos ouvintes (Atos 2,37-41). Na primeira e na segunda parte acentua-se a alcance universal do acontecimento. Em primeiro lugar pela lista dos povos (Atos 2,9-11), a qual indica que os apóstolos têm uma missão junto a todas as nações.

 

No Primeiro Testamento o Espírito de Deus é geralmente dado a indivíduos ou grupos dentro do povo, que agem como representantes quer de Deus junto ao povo, quer do povo junto a Deus. Para o futuro esperava-se e profetizava-se a participação do povo todo no Espírito de Deus (cf. Números 11,29; Isaias 44,3; Joel 3,1-5).

 

A festa de Pentecostes era de origem agrícola, mas, recebeu como a Páscoa, uma interpretação diferente. As duas festas tornaram-se celebrações comemorativas de acontecimentos importantes da história de salvação do povo. A Páscoa da libertação da escravidão do Egito; o Pentecostes da Aliança que Deus selou no monte Sinai. A narração do Pentecostes do Espírito de Atos 2,1-13 está cheia de referências de dados bíblicos e extra-bíblicos sobre esta festa. Parece que, através destas referências, quis-se propor o novo Pentecostes como uma nova Aliança.

 

Certamente não foi por acaso que a descida do Espírito Santo aconteceu no dia de Pentecostes. Como já afirmamos, esta festa era a festa das colheitas, festa de plenitude e de abundância (Êxodo 23,16; 24,22), mas também de contribuição, isto é, de homenagem a tudo aquilo que a natureza determina. Encontra rapidamente seu lugar entre as celebrações da história da salvação: Deuteronômio 26,1-11 já prescreve ao judeu que vem oferecer os primeiros frutos de sua colheita que faça uma profissão de fé reconhecendo nas suas terras um dom de Deus.

 

Muito cedo, aliás, a data da festa foi fixada no qüinquagésimo dia depois da Páscoa (Deuteronômio 16,9-12). Vários cálculos diferentes poderão ser observados, especialmente aquele que, em nome do tema da nova criação, fazia Pentecostes cair no primeiro dia da semana (domingo). Como todos os cálculos fixavam Pentecostes no terceiro mês, tiveram interesse mais particularmente pelo acontecimento que se deu no deserto durante este período: a chegada do Povo de Deus ao monte Sinai. Páscoa havia proporcionado a libertação de fato do Egito; Pentecostes aprova a libertação de direito. Na realidade Pentecostes realizava o que a Páscoa conquistou, recolhia os frutos merecidos na Páscoa, “institucionalizava” o “acontecimento” pascal.

 

Convencido de que Pentecostes era a festa da Aliança, o autor do “Livro dos Jubileus” dos judeus (que não pertence ao cânon do Primeiro Testamento) fixou neste dia todas as alianças concluídas por Deus com Noé, Abraão ou Moisés. Aliás, vários reis renovavam a Aliança no dia de Pentecostes (2Crônicas 15,10-15; Salmo 67/68,15-19, que sempre foi um salmo para Pentecostes).

 

A ligação da Ascensão com Pentecostes já é significativa: é preciso que Cristo suba para que seja “dado” o Espírito Santo. Esta idéia é tirada do Salmo 67/68,19 (cf. Atos 2,33), que era cantado na liturgia judaica de Pentecostes, e as explicações do judaísmo aplicavam estes versículos a Moisés “subindo” ao monte Sinai para que a Lei e a Aliança “descessem” de lá (Deuteronômio 30,12-13; cf. João 16,7). É cantado também na liturgia cristã como canto de abertura.

 

Além disso, o barulho e a forte ventania relacionados ao versículo 2, são típicos da Aliança do Sinai (Hebreus 12,18-19; Êxodo 19,16). Estas manifestações “invadem toda a casa” assim como o Sinai estava “todo” abrasado (Êxodo 19,18). O vento vem do céu como o que sopra sobre a montanha (Êxodo 19,3; Deuteronômio 4,36).

 

As línguas de fogo também se explicavam no contexto do Sinai (versículo 3). Várias explicações imaginavam que a voz manifestada sobre o Sinai dividia-se em sete ou em setenta línguas para revelar o universalismo de sua mensagem: a Palavra de Deus foi, de fato, levada a todas as nações, mesmo que Israel tenha sido o único a ouvi-la. Compreenderemos que estas línguas tenham sido de fogo se nos voltarmos ao Êxodo 19,18 e 24,17, bem como ao Deuteronômio 4,15 e 5,5 que, na teofania do Sinai, mostram o Senhor falando na chama.

 

Assim para os primeiros cristãos, Pentecostes aparece como a inauguração da nova Aliança e a publicação oficial de uma lei que não é mais gravada sobre a pedra, mas no Espírito e na liberdade (versículo 4; cf. Ezequiel 11,19; 36,26). Não há dúvida de que esta convicção contribui muito para a redação das imagens do relato da descida do Espírito Santo. Contudo, o essencial ultrapassa as imagens: Deus não dá apenas uma lei, mas o seu próprio Espírito.

 

Mas o que significa este falar em línguas? Tratava-se de sons que não tinham sentido para o ouvido humano ou de várias línguas faladas ao mesmo tempo? Este fenômeno se verificou muitas vezes nas comunidades primitivas: em Corinto na Grécia (1Coríntios 12,30; 13,1; 14,2-39), em Cesaréia (Atos 10,45-46) e em Éfeso (Atos 19,6). É preciso entender que este costume de falar em línguas, já existia nos cultos pagãos, e acabou entrando para as comunidades cristãs.

 

Ora, todas as testemunhas fazem deste fenômeno, por oposição à profecia, um carisma que serve menos para instruir a assembléia do que para enaltecer a Deus (versículo 11; cf. 1Coríntios 14,2; 2,14-15; Atos 10,46). Trata-se, pois, de um “falar a Deus” que pode parecer estranho a muitos (versículos 12-13; cf. 1Coríntios 14,23) e que seria uma “língua estática”, isto é, as pessoas ficavam “em êxtase” e muitos não compreendiam o que falavam (cf. 1Samuel 10,5-6; 10,13), manifestação mais ou menos psicológica compreendida como penhor da futura espiritualização das pessoas.

 

Mas qual mesmo o significado do falar em línguas? Lucas dá uma explicação pessoal para corrigir as interpretações erradas da época. O Evangelista Lucas converte o fenômeno estático do “falar a Deus” num “falar a todas as pessoas” em várias línguas, isto é, em vários idiomas. Significa que a Igreja é missionária e se coloca-se a serviço de todas as línguas e de todas as nações e culturas. E também significa que a evangelização tinha atingido todas essas nações. Os versículos 4 e 6, que fornecem esta interpretação, revelam precisamente um vocabulário próprio de Lucas. Assim, deveríamos distinguir, para além do relato do acontecimento, a interpretação universalista que Lucas pretende dar (cf. Lucas 3,6; Atos 28,28; Lucas 24,47; Atos 1,8; 13,47), etc.

 

A Igreja nasceu universal e a Aliança que o Espírito concluiu com ela interessa a toda a humanidade. Portanto, ela será missionária até o fim dos tempos, mas colocando-se a serviço de todas as línguas e de todas as culturas. Porque assume todas, sem dar prioridade a nenhuma delas.

 

Seguir os estímulos do Espírito é fazer penetrar é fazer penetrar o mistério de Cristo e de seu sacrifício em pleno coração do dinamismo espiritual que anima os povos e as culturas. É toda a realidade humana e, com ela, toda a criação que deve passar da morte à vida.

 

O Espírito opera na Eucaristia como um novo Pentecostes. Reunidos em torno do Ressuscitado, os filhos e filhas adotivos dão graças por Ele, Nele e com Ele. E os ausentes estão de certa forma, presentes, pois a convocação que reúne os “já presentes” se dirige a todos os seres humanos e só terminará quando os “já reunidos” se tornarem “reunidores” dos ausentes.

 

Salmo responsorial – 103/104,1ab.24.29-31.34. O início do Salmo está no singular. Não que seja um Salmo individualista. O termo “minha alma” não representa uma pessoa, mas o “eu Israel”, isto é, o “eu povo”.

 

Este Salmo segue a mesma ordem do universo que Genesis capítulo1. O Espírito de Deus está na origem de todos os seres e da vida. Esse Espírito renova a face da terra, isto é, renova todas as criaturas.

 

O grande mistério da vida, os animais que morrem e se corrompem, os que nascem e se multiplicam. É o mistério de uma vida que Deus infunde como uma respiração sua: respiração criadora, vivificante e renovadora. A grande descoberta da beleza do mundo acontece louvando a Deus.

 

O salmista reconhece que, quando Deus envia seu Espírito, o universo renova-se e exultam de alegria de alegria todas as suas criaturas (cf. salmo responsorial 103/104).

 

O rosto de Deus neste Salmo tem seu eixo central em “amor e compaixão” e fornecem um retrato grandioso de Deus. Ele é mais uma vez o aliado fiel. Mai ainda: mesmo que o povo não lhe seja fiel e peque, ele permanece fiel e perdoa. Compaixão é a mais preciosa qualidade de um pai. É também a maior característica de Deus. é o aliado compassivo que caminha com seu povo dando-lhe o hálito da vida e perdoando, pois foi ele quem nos criou.

 

De Jesus se diz que “amou até o fim”, isto é, até as ultimas conseqüências (João 13,1), a compaixão é a sua característica principal diante do sofrimento ou clamor das pessoas (Mateus 9,36; 14,14; 15,32; 20,34; Marcos 6,34; 8,2; Lucas 7,13).

 

Podemos imaginar este Salmo a ser recitado pelos ouvintes, e agora por nós. A dádiva do Espírito aos cristãos (versículo 30) leva a cumprimento a obra da Criação, porque restitui vida ao que o nosso pecado parecia levar à ruína e à morte.

 

Bendigamos ao Senhor pelo seu Espírito presente no mundo, e peçamos que renove a criação e todas as culturas.

 

ENVIAI O VOSSO ESPÍRITO, SENHOR,

E DA TERRA TODA A FACE RENOVAI.

 

Segunda leitura – 1Coríntios 12,3b-7.12-13. Um dos problemas que o apóstolo Paulo tinha de tratar na sua carta pastoral à comunidade de Corinto era aquele dos “carismas”. Ele trata deles demoradamente (1Coríntios 11,2-16; 12,1-14,39). A leitura de hoje tira algumas frases deste contexto maior.

 

A comunidade de Corinto passa pela tentação do sincretismo religioso: o mundo pagão pretende obter um “conhecimento” de Deus através de transes e de fenômenos extáticos, isto é, de línguas estranhas. Esse costume vem do paganismo e acabou entrando nas comunidades cristãs. Ora, como vimos na primeira leitura (Atos 2,1-11), as primeiras comunidades cristãs também gozam de certos carismas. Daí o perigo de confundirmos o conhecimento de Deus pela fé com os sinais que o acompanham.

 

Um segundo critério de discernimento verifica-se na colaboração dos mais diversos carismas com o único plano de Deus (versículos 4-6). O politeísmo pagão gozava também de carismas bastante variados conferidos por deuses diferentes. Na Igreja de Cristo, ao contrário, tudo se unifica na vida da Trindade, quer se trate de graças particulares, de funções comunitárias ou de operações maravilhosas.

 

É preciso entender que é um Deus único que está na origem de todos os carismas, por isso não pode existir oposição entre eles, assim como também não pode haver concorrência entre os que os recebem. Se existir oposição, é porque não vem do Deus Trindade.

 

O terceiro critério de discernimento dos carismas consiste na sua maior ou menor capacidade de servir o bem comum (versículo 7) e a unidade do corpo que é a comunidade (versículos 12-13). Com efeito, os carismas são distribuídos tendo em vista para a utilidade de todos: aquele que só serve para um indivíduo ou não tem nenhuma repercussão na assembléia deve ser excluído da comunidade; tais são, por exemplo, as cenas de êxtase e de embriaguez. Além disso, os carismas devem servir para o desabrochamento e para a vitalidade da comunidade. Como este reduz à unidade seus mais variados membros, assim a Igreja reduz todas as funções que nela se desabrocham à unidade do Espírito que a anima na caminhada (versículos 12-13).

 

O Espírito que recebemos no batismo e que se renova na comunhão cria comunidade, une os membros da comunidade “num só corpo”, o Corpo de Cristo, a Igreja. Os novos cânones da Missa insistem muito nisso.

 

Além da presença fundamental do Espírito em todos os cristãos, que é o mais importante e o critério das demais formas de presença a atuação do Espírito, existem na comunidade “dons espirituais” (1Coríntios 12,1), que se chamam também “carismas” (versículo 4), “ministérios ou serviços” (versículo 5) e “forças” ou, conforme a tradução da Bíblia na Linguagem de Hoje, “habilidades para fazer seu trabalho”. São provas da presença do Espírito Santo que Deus dá a cada um para o bem de todos (versículo 7). Isto quer dizer, primeiro, que a influência do Espírito recebido no batismo e renovado na comunhão não se esgota na confissão verbal “Jesus é o Senhor” ou, em outras palavras, em uma fé da boca para fora. Para ser autêntica ela há de se encarnar no serviço eficaz à comunidade.

 

A manifestação efetiva do Espírito Santo em todos os membros da comunidade vai salvá-la íntegra respeitando-se tanto a origem como a finalidade dos dons. A origem dos dons é divina, não humana; é universal (batismo e comunhão), não particular (privilégio do clero, dos religiosos, de alguns “grupos carismáticos”. A finalidade é a utilidade comunitária. Na comunidade cristã existe somente hierarquia no serviço, não na dominação. Ninguém é dono, nem de seus próprios dons e nem da própria vida. Menos ainda dos dons dos outros: “um é o Senhor” (versículo 5). Os dons vem do mesmo Deus, do mesmo Senhor, do mesmo Espírito, que os dá a todos para servir à comunidade (versículos 4-6).

 

Ao construir o Corpo Místico, a eucaristia reúne mentalidades e carismas muito diversos, mas desejosos de colaborar no amor e na unidade.

 

Os “dons” que recebemos não podem gerar conflitos e divisões, mas devem servir para o bem comum e para reforçar a vivência comunitária. As nossas comunidades são espaços de partilha e fraternidade e também sinais de unidade para uma sociedade tão dividida.

 

Evangelho – João 20,19-23. Para o evangelista João, o Pentecostes acontece no “Domingo de Páscoa”. Para ele a ressurreição e a vinda do Espírito Santo fazem parte do mesmo acontecimento. O Espírito Santo é um dom que procede diretamente de Cristo ressuscitado, representa seu sopro de vida.

 

O evangelista Lucas situa a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes. O Pentecostes como já vimos, era uma festa celebrada pelos israelitas cinqüenta dias após a Páscoa. De festa agrícola, na qual se agradecia a Deus pela colheita do trigo, transformou-se na comemoração da constituição do povo pela Aliança firmada no Sinai. Para o autor dos Atos dos Apóstolos que é Lucas, o Espírito Santo é a lei da nova Aliança e, por Ele, constitui-se a comunidade do novo Povo de Deus.

 

O capítulo 20 de João descreve os últimos sinais que Jesus realizou. Todos os sinais anteriores preparam e culminam nestes. Estes últimos sinais realizaram-se no primeiro dia (versículo 19) e no segundo (versículo 26) dos “primeiros dias da semana” ou “domingos” (cf. Apocalipse 1,10): “dia do Senhor”. É importante captar a intenção do evangelista. Ele escreveu no fim do primeiro século. Durante várias décadas as comunidades cristãs se reuniam no primeiro dia da semana para celebrar e Eucaristia e comemorar a ressurreição do Senhor Jesus (Atos 20,7-12; 1Coríntios 16,2). O evangelista ensina que a celebração dominical tem as suas raízes na reunião vespertina no primeiro dia da semana em que Jesus ressurgiu do sepulcro e subiu para seu Pai, e na repetição desta reunião oito dias depois. Essas reuniões de Jesus ressuscitado com os Seus discípulos são a inauguração das assembléias semanais das comunidades cristãs de todos os tempos. Todas elas são assembléias ao redor do Senhor ressuscitado, em que Ele está realmente presente como naquelas primeiras assembléias. Naqueles dois primeiros domingos Jesus veio ainda de modo visível, depois de modo invisível. “Felizes, porém, os que crêem sem O ver” (João 20,29). Hoje Ele está presente de maneira invisível, mas não menos real.

 

Os versículos 19-23 descrevem o mesmo fato que Lucas 24,36-43 narra sobre a as aparições do Senhor Ressuscitado. Jesus aparece, transformado; passa através de portas fechadas. João é mais claro do que Lucas, que apenas diz que Jesus esta de repente no meio; João menciona que as portas estavam fechadas por medo dos judeus, um motivo bem do evangelista (cf. 7,13; 19,38), refletindo talvez a situação dos cristãos no fim do século I (perseguição, exclusão da sinagoga, etc. cf. 9,22; 12,42s).  João dá um sentido profundo ao tema da alegria.

 

Na segunda etapa (versículos 21-23), destaca-se a fundação da Igreja que se realiza em três atos: a comunicação da missão (versículo 21b), do Espírito Santo (versículo 22) e do poder de perdoar e reter os pecados (versículo 23). Esta fundação da Igreja nestes três atos é obra do Senhor morto e ressuscitado realizada no primeiro dos “primeiros dias da semana”. Ela não se repete, mas se renova e atualiza em cada celebração eucarística dominical em que se celebra a “memória” da mesma.

 

A ressurreição de Jesus não é uma simples “revitalizaçao” como a de Lázaro: o corpo de Jesus ressuscitado entrou num modo de existência diferente do modo terrestre: empregando a linguagem mítica judaica, Ele está “sentado à direita do Pai”. Jesus ressuscitado tem um corpo, mas este corpo é totalmente diferente do que Ele tinha durante sua vida terrestre. Tudo isso significa simplesmente que não podemos conhecer o Cristo ressuscitado do mesmo modo que o Jesus terrestre e que esse novo conhecimento põe em jogo nossa liberdade.

 

São João afirma que Ele mostra aos discípulos as mãos e o lado. Isto significa que o Ressuscitado é o Crucificado e o Crucificado é o Ressuscitado, isto é, era a mesma pessoa e não um espírito de luz (João 20,20; 25-27). No Evangelho de São Lucas Jesus aparece após a ressurreição e mostra aos seus discípulos as mãos e os pés e os introduz na plenitude da mensagem da Páscoa. Tanto em São João como em São Lucas, trata-se das chagas da crucificação que o Cristo ressuscitado mostra a eles.

 

Jesus se dirige aos discípulos com um voto de paz. Repete esse voto por três vezes nesta narração (versículos 19.21.26). É a hora em que se realizam as promessas feitas por Jesus na sua Despedida: os seus hão de revê-lo(14,19; 16,16ss) com alegria (16,21s.24; cf. 15,11) e lhes dá a sua paz (14,27). A alegria e a paz formam um contraste claro com o medo em face dos judeus, que marca o início da cena. Realiza-se a promessa: “Tende coragem, eu venci o mundo” (16,33; cf. 16,11).

 

O dom do Espírito Santo também faz parte da realização das promessas da Despedida. João desconhece a separação temporal da Ressurreição do dom do Espírito Santo, característica de Lucas (Lucas 24,49; Atos 1,4; 2,1ss). Na concepção de João o dom do Espírito Santo depende somente do exercício do senhorio de Jesus, isto é, da sua glorificação, que coincide com a “morte-ressurreição”, a “exaltação” de Jesus. Aqui mostra-se o sentido profundo de chamar o Jesus ressuscitado de “Senhor”. A ressurreição é exercício do senhorio de Jesus Cristo sobre no céu e na terra.

 

O dom do Espírito Santo é uma missão para os que o recebem, prolongamento da própria missão de Jesus (versículo 22; cf. 17,18). Jesus “sopra” sobre eles o Espírito (= “sopro”) Santo, para que perdoem ou retenham os pecados. Terão, portanto, a missão de tirar o pecado do mundo, exatamente como Jesus (cf. 1,29-36). Se o fizerem, será válido; se não fizerem, também (versículo 23). Mas, isto não significa que poderão julgar de maneira arbitrária. Significa que eles têm o poder de santificação pelo Espírito Renovador (cf. Salmo 51/50,12-14; Ezequiel 11,19; 36,25-27; também Salmo 104/103,30).

 

Portanto, por sua ressurreição, Cristo tornou-se o Homem novo, animado pelo sopro que presidirá os últimos tempos e purificará a humanidade. Conferindo a seus discípulos o poder de perdoar os pecados, o Senhor não institui apenas um sacramento de penitência; Ele divide seu triunfo sobre o mal e o pecado.

 

Considerando a semelhança entre a missão dos discípulos e a de Cristo, explicitamente no versículo 22, podemos dizer que agora não é só Jesus “aquele que batiza no Espírito Santo” (1,29.36), mas que esta missão é confiada, com eficácia divina à comunidade da Igreja.

 

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

 

O Evangelho narra a aparição de Jesus ressuscitado á comunidade reunida. É fundamental voltarmos o nosso olhar para o momento que Jesus escolheu: a comunidade reunida! A comunidade cristã reunida deve aparecer como sinal de Cristo ressuscitado. “a paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (João 20,21). Isto mostra que a Igreja já nasceu missionária.

 

Na tarde do primeiro dia da semana, os discípulos estavam reunidos, de portas fechadas, quando o Senhor apareceu, ressuscitado. Era Ele mesmo. Fez questão de mostrar em seu corpo as marcas da paixão, para que ninguém tivesse dúvidas. Do lado dos discípulos, havia o medo, a incredulidade, a tristeza. Do lado de Jesus, a paz, a reconciliação e uma força capaz de provocar uma nova atitude no meio da comunidade.

 

Podemos perceber claramente que ao aparecer “no meio deles”, Jesus assume-se como ponto de referência, fator de unidade. A comunidade está reunida em volta dele, pois Ele é o centro onde todos vão beber essa vida que lhes permite vencer o “medo” e a hostilidade do mundo.

 

Jesus passa para os discípulos a missão que recebeu do Pai, dando-lhes o dom do Espírito Santo e a graça de oferecer o perdão.

 

Jesus “soprou” sobre os discípulos reunidos em sua volta. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto grego de Gênesis 2,7, o qual diz que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a vida de Deus. Com um “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova que fará deles homens novos. Agora, os discípulos possuem o Espírito, a vida de Deus, para poderem como o Mestre dar-se generosamente aos outros. É esse Espírito que constitui e anima nossas comunidades cristãs.

 

Jesus aparece-lhes não só para que dessem testemunho de sua ressurreição, mas também para dar-lhes o Espírito Santo e enviar-lhes em missão.

 

Nós somos agora o “espaço” da salvação de Deus, do qual podem brotar equilíbrio e vida plena paras todos. Tornando-nos missionários da reconciliação pelo exercício do perdão. Isso, com certeza, é paz, justiça, saúde e vida para todos. “Como o Pai me enviou, também eu envio vocês”, disse Jesus. Daí a importância de vivermos em comunidade, a exemplo das primeiras comunidades cristãs, perseverantes na escuta da Palavra, na comunhão fraterna (caridade, solidariedade, ajuda mútua, partilha de bens, serviço à vida), na fração do pão (Eucaristia como memorial de Jesus) e nas orações diárias como alimento da fé.

 

A Palavra que ouvimos neste domingo de Pentecostes não é apenas para recordar um fato acontecido há mais de 2015 anos, mas é, sobretudo uma palavra dirigida a nós, hoje, Igreja de Jesus Cristo encarnada no mundo em pleno século XXI.

 

A festa de Pentecostes, cume da festa da Páscoa, aviva e ajuda nossa Igreja e nosso mundo, que quer “ver Jesus”. Um lugar privilegiado, não único, mas especial, pra “vermos Jesus”, é a comunidade reunida em torno da Palavra de Deus, da eucaristia e da caridade. A partir da Palavra que ouvimos hoje, surgem muitas perguntas: a Igreja de que fazemos parte é uma comunidade de irmãos que se amam, apesar das diferenças? Está reunida por causa de Jesus e ao redor de Jesus? Tem consciência de que o Espírito Santo está presente e que a anima? Testemunha, de forma efetiva e coerente, a proposta libertadora que Jesus deixou?

 

É preciso ter consciência da presença do Espírito Santo: é Ele que alimenta, que dá vida, que anima, que distribui os dons conforme as necessidades; é Ele que conduz as comunidades na sua marcha pela história. Ele foi distribuído a todos os fiéis e reside na totalidade da comunidade.

 

“Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho é uma letra morta, a Igreja é uma simples organização, a autoridade é um poder, a missão é uma propaganda, o culto é um arcaísmo, e a ação moral é uma ação de escravos. Mas no Espírito Santo o cosmo é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo ressuscitado faz-se presente, o Evangelho faz-se força do Reino, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade transforma-se em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a ação humana deifica-se” (Do patriarca Atenágoras, da Igreja Ortodoxa, falecido em 1978 em Istambul)

 

Como vimos no Evangelho, a comunidade cristã só existe de forma consistente se tiver como ponto central Jesus Cristo. Jesus é a sua identidade e a sua razão de ser. É nele que superamos os nossos medos, as nossas incertezas, as nossas limitações.

 

O Espírito Santo sopra onde quer. Não é apenas um dom individual, mas, sobretudo um fenômeno comunitário. Quando age, é para que a comunidade “reveja” suas orientações. O Espírito Santo mora dentro de cada um de nós. A Seqüência da Missa de hoje o qualifica de muitas maneiras: luz, pai dos pobres, dispensador de dons, lava o que é impuro, rega o campo seco, torna maleável o rígido, cura o ferido… Vivemos o tempo do Espírito. Caminhando conosco, Ele nos leva até a consumação dos tempos.

 

4- A PALAVRA SE FEZ CARNE E SE FAZ CELEBRAÇÃO

 

O Ressuscitado nos dá o seu Espírito

 

A Páscoa que compreende vida-ressurreição de Jesus Cristo completa seu ciclo com o Pentecostes. Em todo o Mistério Pascal nos é dado conhecer a ação salvadora de Jesus Cristo, enviado do Pai, movida pela força do Espírito Santo. É pelo Espírito que podemos confessá-Lo nosso Messias-Salvador. Após sua morte e ressurreição nos dá seu Espírito para continuarmos sua missão, fazermos o Reino de Deus presente. O importante a marcar aqui, é a pessoa do Espírito Santo. Na Sagrada Escritura encontramos ao menos três referências ao Espírito que são dignas de nota: Espírito de Deus (mais comum no Primeiro Testamento), Espírito de Cristo e Espírito Santo (Novo Testamento). A primeira referência marca o Espírito do Pai que sustenta e move seu Messias e o Espírito de Cristo, o dom do Ressuscitado para a Igreja. Mas, não se trata de outro espírito. Para expressar a identidade do Espírito do Pai e do Filho, o teólogo Xabier Pikaza recorre ao esquema calcedoniano das duas naturezas de Cristo (humana e divina). Assim o Espírito do Pai que se auto-doa a Jesus, fazendo-O surgir como Seu Filho e o Espírito de Jesus, o Filho, que se entrega ao Pai, são um e o mesmo. Esse mesmo Espírito é enviado pelo Filho em Pentecostes à Igreja. Assim com a Solenidade de Pentecostes celebramos plenamente o Mistério de nossa salvação. Em Jesus somos feitos filhos no Filho, fazemos parte da vida divina.

 

O Espírito Santo nos santifica

 

A Oração Eucarística III, referindo-se ao Espírito Santo, depois de suplicar que os comungantes sejam em Cristo incorporados pela participação do pão e do vinho, traz uma interessante afirmação: “Que ele faça de nós uma oferenda perfeita para alcançarmos a vida eterna com os vossos santos”. Sim o Espírito que tudo santifica, incorporou-nos a Cristo pelo Batismo e continuamente fortalece essa adesão ao Senhor por meio da comunhão no Seu Corpo e no Seu Sangue. Ao nos incorporar a Cristo, tornamo-nos Nele uma oferenda perfeita para Deus. Santificados pelo próprio Espírito e por Sua ação misteriosa, alcançamos a estatura em Cristo para exercer o culto agradável a Deus.

 

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

 

Sem o Espírito Santo não existe liturgia. É Ele que nos faz rezar, escutar, falar, cantar e dirigir ao Pai. Depois do primeiro Pentecostes, “nunca a Igreja deixou de reunir-se para celebrar o mistério pascal em Jesus Cristo pela força do Espírito Santo” (cf. SC, n.6). Como afirma o Catecismo da Igreja Católica, “o dom do Espírito inaugura um tempo novo na ‘dispensação do mistério’: o tempo da Igreja, durante o qual Cristo manifesta, torna presente e comunica a sua obra de salvação pela liturgia da sua Igreja, ‘até que ele venha’” (n. 1076).

 

Uma palavra que assume a relação entre o Espírito Santo e a liturgia é “sinergia”, ou seja, cooperação que existe entre a nossa resposta de fé e a ação do Espírito Santo.

 

Na liturgia, o Espírito Santo é o pedagogo da fé no Povo de Deus, o artífice das “obras-primas de Deus”, que são os sacramentos da nova Aliança. O desejo e a obra do Espírito no coração da Igreja é que vivamos da vida de Cristo ressuscitado. Quando encontra em nós a resposta de fé, que Ele mesmo suscitou, realiza-se uma verdadeira cooperação. Através dela, a liturgia torna-se a obra comum do Espírito Santo e da Igreja (Catecismo da Igreja Católica, n. 1091).

 

Graças ao Espírito Santo, podemos afirmar que toda celebração litúrgica é nova, única e frutífera.

 

Na celebração litúrgica, todo fiel que participa da assembléia se torna o que recebe e o que é anunciado, celebrado. De fato, o mistério, proclamado e professado para a vida do cristão, transforma-se em ação de graças (eucaristia).

 

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

 

  1. O Círio Pascal deve estar presente, junto à Mesa da Palavra na celebração de hoje. É importante que o Círio seja aceso no início da celebração, após o canto de abertura, enquanto a assembléia entoa um refrão pascal. Ele é o sinal do Cristo ressuscitado que nos transmite o Seu Espírito, Senhor de nossas vidas. Ver outras opções em Ação Ritual.

 

  1. Dar destaque à água batismal. Onde há pia batismal, ela deve ser o ponto de referência para a realização de ritos como aspersão, renovação de promessas, compromissos. Onde não há pia batismal, preparar alguma vasilha de cerâmica, de preferência junto do Círio Pascal.

 

  1. O Tempo Pascal termina com a oração das vésperas e das completas do dia de hoje. Depois dessas orações, convém guardar o Círio Pascal, com veneração e respeito, no batistério, para nele acender as velas dos batizandos e também pode ser aceso nos funerais. No final da celebração eucarística, tem o rito próprio para apagar o Círio Pascal. Guardar o Círio Pascal, indicando o encerramento do Tempo Pascal.

 

7- MÚSICA RITUAL

 

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Pascal, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia desta Solenidade de Pentecostes. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja Corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

 

  1. Canto de abertura. “O Espírito do Senhor encheu o universo… (Sabedoria 1,7/ O Espírito derramou em nós o amor de Deus (Romanos 5,5; 10,11) “O Espírito do Senhor, o universo todo encheu”, Salmo 68/67, CD Liturgia X, melodia da faixa 18.

 

O Salmo 68/67 mostra um Deus companheiro que defende a causa do órfão, da viúva e de todos os oprimidos da terra. Celebrando a manifestação do Senhor nas lutas das antigas tribos de Israel e nas procissões do templo, adoremos a Ele presente e atuante na caminhada do nosso povo que luta por moradia, terra e comida. “Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Romanos 8,31). É cantado na liturgia cristã como canto de abertura. A ligação da Ascensão com Pentecostes é muito significativa: se Jesus não subir o Espírito não desce. Por isso o Salmo 68/67 é cantado como canto de comunhão na festa da Ascensão do Senhor. O refrão indica poeticamente em que consiste Pentecostes e seu significado para a Igreja: Iluminar o mundo com a Páscoa de Jesus Cristo. Outra opção é o canto “O amor de Deus foi derramado em nossos corações”, CD: Liturgia XVI, melodia da faixa 13.

 

  1. Refrão para o acendimento do Círio Pascal. “Cristo-Luz, ó Luz, ó Luz bendita…”, CD Festas Litúrgicas I, faixa 9; “Salve Luz eterna, és tu Jesus…”, Hinário Litúrgico II da CNBB, página 292.

 

  1. Canto para o momento da aspersão com a água batismal. “Eu vi, eu vi, a água manar…”, CD Tríduo Pascal II, faixa 12; “Banhados em Cristo, somos uma nova criatura…”, Hinário Litúrgico II da CNBB, página 196; “Jesus o seu batismo na Páscoa completou, passou as grandes águas o mar atravessou, abrindo o caminho, teu povo libertou (bis). Mesma melodia do Salmo 23 “Os filhos dos hebreus, com ramos de palmeira”, cantado no Domingo de Ramos.

 

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

 

  1. Salmo responsorial 103/104. Deus dá força e vida às criaturas pelo Espírito. “Enviai o vosso Espírito Senhor…” CD Liturgia XVI, melodia da faixa 14.

 

  1. Aclamação ao Evangelho. “Vem, Espírito Santo…”, CD Liturgia XVI, melodia da faixa 15. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical, página 521.

 

  1. Seqüência. “Veni Sante Spiritus”, isto é, Vem Santo Espírito. “Espírito de Deus, enviai dos céus um raio de luz”, CD: Liturgia XVI, melodia da faixa 15; “A nós descei, divina luz!”, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 15. O Canto da seqüência qualifica de muitas maneiras o Espírito Santo. Este canto não deve ser omitido.

 

  1. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no dia de Pentecostes. Levando pão e vinho em procissão, a nossa vida também sobe para o altar. “Suscitai, ó Senhor Deus, suscitai vosso poder”, CD: Liturgia XVI, melodia da faixa 17. “Eis a procissão do rei, nosso Deus,…”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 20.

 

  1. Canto de comunhão. “Todos ficaram cheios do Espírito Santo” (Atos 2,4.11). “Perseveravam todos unidos em oração”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 21.

 

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho da Solenidade de Pentecostes onde contemplamos a presença do Espírito Santo que conduz a Igreja para a missão. Esta é a sua função ministerial. A liturgia de cada Domingo, principalmente de hoje oferece para realçar a relação entre “a Mesa da Palavra” e “a Mesa Eucarística”, mediante o simbolismo do pão e do vinho Corpo e Sangue do Senhor. O Canto de Comunhão sugere esta ligação. Sem a nossa ligação com Cristo no Espírito Santo não somos capazes de uma verdadeira ação missionária. Como disse o saudoso patriarca ortodoxo Atenágoras: “Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho é uma letra morta, a Igreja é uma simples organização, a autoridade é um poder dominação, a missão é uma propaganda, o culto é um arcaísmo, e a ação moral é uma ação de escravos. Mas no Espírito Santo o cosmo é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo ressuscitado faz-se presente, o Evangelho faz-se força do Reino, a Igreja realiza a comunhão Trinitária, a autoridade transforma-se em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a ação humana deifica-se”.

 

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

 

  1. Tudo no espaço celebrativo da festa de hoje deve lembrar a Páscoa, os cinqüenta dias em que celebramos a ressurreição do Senhor. Por isso, preparar bem o local onde ficará o Círio Pascal, enfeitar a pia batismal, usar a cor vermelha no Ambão e no Altar, fazer uma ornamentação que destaque o Altar (sem poluir). No livro A Arte Floral a Serviço da Liturgia, de Jeanne Emard, São Paulo, Paulinas, 1999, páginas 49-51, há uma sugestão de arranjo próprio para a festa de hoje.

 

  1. AÇÃO RITUAL

 

O Espírito Santo é o dom do Ressuscitado – crucificado à sua Igreja. A Solenidade de Pentecostes é a celebração da plenitude da Páscoa. Como dom de Cristo, o Espírito Santo nos leva a participar de sua vida divina e nos qualifica para o culto de Deus e para o serviço aos irmãos.

 

Ritos Iniciais

 

  1. Solenizar a procissão de entrada: cruz processional, incenso, sete velas ou tochas e o Evangeliário. Não esquecer de valoriza as pessoas que exercem algum ministério ou serviço na comunidade. Elas receberam do Espírito a missão de testemunhar a ressurreição de Jesus Cristo. Todos os ministros que vão exercer algum ministério litúrgico usem as vestes festivas. O presidente da celebração use os paramentos vermelho.

 

  1. Após o canto de abertura, fazer um pequeno lucernário, solenizando o acendimento do Círio Pascal: uma pessoa acende o Círio e diz: “Bendita sejas, Deus da Vida, pela ressurreição de Jesus Cristo e por essa luz radiante!”. Ou outros refrões que revela o sentido pascal: “Salve, luz eterna és tu, Jesus!/ Teu clarão é a fé que nos conduz! (Hinário II, pág. 292). “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar! (CD: Festas Litúrgicas I) e a seguir, incensa o Círio pascal e a comunidade reunida. O acendimento do Círio Pascal pode ser solenizado também antes da procissão de entrada se a comunidade preferir.

 

  1. Se a comunidade tiver dificuldade para fazer este pequeno lucernário, a procissão de entrada pode ter à frente o Círio Pascal aceso. Neste caso, não se usa cruz processional, que permanece em seu lugar de costume.

 

  1. O sentido litúrgico, após a saudação pode ser feito com palavras semelhantes a estas:

 

Domingo de Pentecostes. Celebramos a Páscoa do Senhor que atinge sua plenitude no derramamento do Espírito. Pentecostes, como celebração do Dom do Espírito Santo, confirma na vida da Igreja a virtude da vida nova alcançada na Páscoa de Jesus. A morte e ressurreição do Senhor e o derramamento do Espírito Santo são faces de um único mistério que na Eucaristia se fazem sempre presentes e operantes. Pelo Espírito somos levados à vida que nos foi dada na Páscoa do Senhor.

 

  1. Substituir o ato penitencial pelo rito de aspersão com a água que foi abençoada na Vigília Pascal. Essa ação ritual ajuda a comunidade a aprofundar sua consagração batismal. Não havendo água abençoada na Vigília Pascal, o ministro reza o oração de bênção conforme o Tempo Pascal que está no Missal Romano página 1002. No ato da aspersão, a assembléia canta: “Eu vi, eu vi, foi água manar” ou “Banhados em Cristo, somos u’a nova criatura”.

 

  1. Solenizar o Hino de louvor (Glória), lembrando que Jesus Cristo, nosso Redentor, foi introduzido na glória dos céus, à direita do Pai no mistério da Ascensão, e nos envia o Espírito Santo. O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Enquanto a assembléia entoa o Hino de Louvor, pode-se incensar o Ícone da Face do Ressuscitado. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

 

  1. Na Oração do Dia, suplicamos a Deus que atualize em nossos corações o prodígio de Pentecostes. Tanto a primeira leitura como a Oração do Dia proclama a realidade de Pentecostes para o mundo todo

 

Liturgia da Palavra

 

  1. A proclamação das leituras seja preparada com esmero. Pentecostes, como festa da renovação da Aliança em Cristo, não é outra coisa senão o diálogo da Aliança que faz arder o coração na chama do Espírito.

 

  1. Dar destaque maior à proclamação do Evangelho, que hoje pode ser cantado e o livro, incensado.

 

  1. A Sequência de Pentecostes seja bem preparada e entoada da Mesa da Palavra. Não esquecer que o canto da Seqüencia pode explicitar os dons do Espírito Santo. Antes do canto da “Seqüência”, pode-se acender as sete tochas no Círio Pascal. É o Filho que envia o Espírito que procede d’Ele e do Pai, conforme a tradição Ocidental, por isso, à medida que as tochas vão sendo acessas, as pessoas que as têm nas mãos ficam ao redor do Círio Pascal. Cada pessoa que acende a sua tocha diz à assembléia o significado de cada uma:

 

  1. 1ª Tocha: Luminoso raio;
  2. 2ª Tocha: Luz dos corações;
  3. 3ª Tocha: Em nós habitai;
  4. 4ª Tocha: Na dor ternura;
  5. 5ª Tocha: Ó luz venturosa;
  6. 6ª Tocha: Sarai o enfermo;
  7. 7ª Tocha: Livrai do desvio;

 

  1. Onde for possível toda a assembléia acende suas velas no Círio Pascal e nas sete velas ou tochas, permanecendo com elas acesas até o final do Evangelho

 

  1. Em seguida, fazem uma procissão Luminosa conduzindo o Evangeliário da mesa do Altar para a mesa da Palavra, onde permanecem até o final da proclamação do Evangelho. Depois da proclamação, deixa-se, então as tochas ornando a Mesa da Palavra.

 

  1. No momento da Profissão de fé, convidar as pessoas que exercem serviços e ministérios na comunidade para que se aproximem do Círio Pascal ou junto à pia batismal e renovem sua consagração ao serviço do bem comum na comunidade. Onde for possível, os servidores juntam suas mãos no Círio e recitam o Creio. Em seguida fazer a aspersão sobre toda a assembléia com um canto próprio como nos domingos anteriores.

 

Liturgia Eucarística

 

  1. Na procissão das oferendas, seria bom incluir à frente dos dons, a entrada da Bandeira do Divino, símbolo muito presente em diversas regiões do Brasil. Outra opção seria levar a Bandeira do Divino na procissão de entrada.

 

  1. O rito da incensação, retomado durante a apresentação das oferendas, deve ser feito com calma. Procure-se dar valor na incensação da assembléia Corpo do Senhor, manifestando assim a presença de Deus no meio da comunidade reunida em oração. O canto da procissão das oferendas dura enquanto durar a incensação.

 

  1. Na Oração sobre as Oferendas é o Espírito Santo que nos leva a compreender melhor o Mistério do sacrifício eucarístico.

 

  1. A Oração Eucarística III, com o Prefácio próprio da Solenidade, manifestam mais claramente o mistério da celebração de hoje.

 

  1. Cantar o Prefácio que realça, neste dia, o mistério do Pentecostes (Missal Romano página 319). Nas celebrações da Palavra, fazer o momento do louvor com a louvação indicada no Hinário Litúrgico II, página 159.

 

  1. Motivar as pessoas a partilharem o abraço da paz, pois Deus derramou em nossos corações o seu Espírito que nos enche de alegria, consolação e paz. Mas essa ação ritual não deve ofuscar a “fração do pão”.

 

  1. A comunhão em duas espécies, mandamento do Senhor, é incentivada pelo magistério da Igreja e permitida pelos documentos. Ela coloca em relevo a comunhão no Espírito Santo que nos foi dado em Pentecostes

 

Ritos Finais

 

  1. Na Oração Depois da Comunhão, peçamos a Deus, que os dons do Espírito Santo cresçam para edificação da Igreja Corpo de Cristo

 

  1. Não esquecer de dar a bênção solene de Pentecostes no final da celebração, conforme o Missal Romano, página 524.

 

  1. As palavras do rito de envio estejam em consonância com o mistério celebrado: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

 

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Nesta eucaristia estamos novamente reunidos, como os discípulos estavam. No meio de nós está o Senhor ressuscitado, como narra o Evangelho de hoje. Novamente Ele nos concede o seu Espírito vivificante, para que nos possamos colocar a serviço do perdão e da reconciliação. Cristãos reconciliados para sermos instrumentos de reconciliação no mundo.

 

Celebremos nossa Páscoa, na pureza e na verdade, aleluia, aleluia.

 

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

 

Um abraço fraterno a todos.

Pe. Benedito Mazeti

 

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