Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 31/10/2017

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS ANO A – 05 de novembro de 2017

Leituras

Apocalipse 7,2-4.9-14: Trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão.

Salmo 23/24/1-2.3-4ab.5-6: Ao Senhor pertence a terra e tudo o que ela encerra.

1João 3,1,1-3: Desde já somos filhos de Deus.

Mateus 5,1-12a: Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-se.

“BEM-AVENTURADOS OS POBRES EM ESPÍRITO, PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS”

1- PONTO DE PARTIDA

 

Domingo de Todos os Santos. Na celebração de hoje, Senhor reforça os laços de comunhão entre o céu e a terra e nos convida a viver a comunhão dos santos entre nós, na esperança de sua revelação em nossa vida e no compromisso de assumirmos a santidade de Deus. Alegremo-nos todos no Senhor, celebrando a festa de todos os santos e justos de todas as raças e nações, cujos nomes estão inscritos no livro da vida (cf. Apocalipse 20,12).

 

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Apocalipse7, 2-4.9-14. O autor do Apocalipse tentou interpretar os sinais dos tempos à luz da fé cristã. Os sinais dos tempos resumiram nas grandes perseguições de que eram vítimas os cristãos e as comunidades cristãs das últimas décadas do primeiro século. Todo o peso do Império Romano parecia vingar seus instintos e poderes frustrados mediante a humilhação e perseguição daquela minoria de cristãos novos que se espalhavam em pequenas comunidades sobre o território imperial. Os cristãos negaram terminantemente andar na onda de divinização do estado, de suas instituições e líderes e, especialmente, do imperador romano.

Os adversários principais desta luta são simbolizados por dois animais, a saber, por um dragão e por um cordeiro. Em um contraste contínuo e paradoxal elabora-se a visão da fé de que o dragão devorador será esmagado pelo Cordeiro Imolado. O dragão representa ao mesmo tempo o Império Romano e o imperador, como também a soma de forças humanas e sobre-humanas contrárias a Deus. O Cordeiro representa ao mesmo tempo o Reino de Deus e seu Rei, Cristo; e ainda a Igreja militante, sofredora e triunfante. Os que crêem na ressurreição e vivem segundo esta fé, têm Deus a seu lado e não serão derrotados na perseguição (primeira visão: 7,2-4). Espera-os o futuro daquela grande multidão que está em pé diante do trono e diante do Cordeiro, os mártires na frente (segunda visão: 7,9-11).

Uma idéia cara para o Apocalipse é o tema do “prazo” (versículo 2; cf. Apocalipse 6,11; 11,2.3.7; 12,6.14; 20,2-3). João vê os quatro ventos prontos a varrer a humanidade, conforme a descrição de Zacarias 6,1-7.

A reunião diz respeito primeiramente às 12 tribos (versículo 4). Essa presença das tribos pode surpreender num contexto cristão. Não se trata de judeus convertidos, mas de todo o Israel espiritual que é “a Igreja”: os 144 mil são, portanto, cristãos, de origem judaica ou não, isto é, a todos os cristãos que é a totalidade do povo de Deus. É preciso notar que no tempo de São João, as 12 tribos não existiam mais no povo judeus, ainda que a esperança messiânica previsse seu restabelecimento.

Essa reunião diz respeito, em seguida á totalidade das nações (versículo 9). De fato, João mistura duas visões distintas da mesma realidade: a Igreja, ora considerada como realização do Israel espiritual, ora representada como realização da salvação do mundo inteiro. As duas imagens se misturam para elaborar uma visão de Igreja completa. A multidão sem ter condições de contar mostra que a Igreja é verdadeiramente universal, de forma alguma uma seita, um resto, um gueto de separados; pelo contrário, a característica de universalidade se encontra muito mais na imagem das 12 tribos. A idéia da multidão vem certamente de Daniel 3,4-7; 5,19.

Todos os servos de Deus são marcados na fronte (versículo 3). Essa marca (imagem fornecida por Ezequiel 9,3-6) traz presente a proteção, a salvação, mas uma proteção que vem do próprio Deus. Pode-se ver nesse selo o símbolo dos sacramentos (2Coríntios 1,22; Efésios 1,13; 4,30).

A Divina Liturgia da Igreja descrita como a celebração de uma nova festa dos Tabernáculos (versículos 9-10). Os motivos evocados (vestes brancas, palmas nas mãos, aclamações, etc.), lembram, com efeito, o ritual da Festa das Tendas. Ora, a Festa das Tendas era a da colheita e da messe, do fim dos tempos, da plena realização.

Salmo responsorial – 23/24,1-2.3-4ab.5-6. O início do Salmo 23/24 é de hino. Os primeiros versículos celebram a soberania universal do Senhor sobre o mundo criado. Os últimos versículos descrevem a procissão do Senhor, chegando triunfante ao Templo de Jerusalém.

É chamado de Salmo da porta, semelhante ao Salmo 14. Ao chegar à porta do Templo de Jerusalém, a procissão pergunta pelas condições para entrar no templo. Um sacerdote responde, resumindo a preparação moral para a ação do culto em duas condições positivas e duas negativas. “Quem tem as mãos puras e inocente o coração, quem não dirige sua mente parta o crime”.

No versículo 6 é dirigida em segunda pessoa a Deus, equivale a uma apresentação do grupo dos fiéis: realmente vêm buscando a Deus, no Templo, sua presença e sua companhia; não é uma procissão formalista, mas uma busca sincera de Deus.

O rosto de Deus no Salmo 23/24. Cada momento apresenta um traço característico de Deus. No primeiro reforça-se a idéia de que Deus é o Criador da terra e o Senhor do mundo. No segundo mostra-se Deus como aliado do Povo de Israel: para responder ao compromisso da Aliança, o Povo de Deus tem que criar relações de justiça, integridade e retidão. No terceiro, Deus é apresentado como Rei dos Exércitos, valente. Em todos os momentos, trata-se sempre do Deus que caminha com o povo e habita no meio dele.

Jesus denunciou as liturgias vazias do seu tempo. Além disso, Ele entrou em Jerusalém aclamado pelo Povo (Mateus 21,1-11; Marcos 11,1-11; Lucas 19,28-38; João 12,12-16) como aquele que trouxe a nova e definitiva Aliança entre Deus e a humanidade. A Arca recordava Deus caminhando no meio do Povo. Ora, Jesus viveu com e para o Povo, sobretudo os empobrecidos e excluídos da Galiléia.

O Templo de Jerusalém e seus ritos eram apenas sombra, preparação e imagem de Cristo, verdadeiro Templo de Deus, verdadeiro Rei da glória por sua gloriosa ressurreição. Em Cristo, Deus se tornou presente para todos e, no ato litúrgico, no sacrifício cotidiano, no ritmo do advento, Cristo torna a vir à sua Igreja: a Igreja O leva com em procissão, e Ele vem até os seus. Os cristãos também devem buscar Cristo sinceramente: “Bem-Aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mateus 5,8).

Antigamente, o povo cantava este salmo nas suas procissões para o Templo; hoje, nós o cantamos meditando sobre a justiça que Deus pede de nós para vivermos em comunhão com Ele.

Este salmo questiona muito aqueles que se apegam aos bens desse mundo, quando no versículo 1 afirma categoricamente: “Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela existe”. Somos apenas administradores dos bens, tudo pertence ao Pai Celeste.

É ASSIM A GERAÇÃO DOS PROCURAM O SENHOR!

Segunda leitura – 1João 3,1-3. O texto é muito oportuno para a celebração de Todos os santos, formando com seu contexto uma meditação ao mesmo tempo contemplativa e prática, na qual João vibra diante do “amor de Deus”.

Os versículos 1 e 2 inauguram a segunda parte da carta de João. O versículo 3 pertence  à exposição da primeira condição: para viver-se como filhos de Deus, tem que romper com o pecado.

Com o batismo acontece um novo nascimento (versículo 1): o amor de Deus nos confere o nome e, em certo modo, nos faz filhos de Deus. O cristão é filho de Deus não por uma ficção jurídica e extrínseca, mas de fato. A filiação adotiva humana baseia apenas na comunicação externa de um direito entre o “adotante e o adotado”, ao passo que a adoção divina baseia na participação real de uma vida nova, de uma nova natureza semelhante à de Deus, mediante um novo nascimento (cf. João 3,1-6).

Gerados desse modo, os cristãos, portanto, podem ser chamados, de todo o direito, filhos de Deus (versículo 1). Muitas religiões na época reivindicavam esse título para seus membros: em particular, os próprios judeus o utilizavam (Deuteronômio 14,1). Nesses casos tratava-se apenas de metáforas. Por isso João insiste no fato de que o cristão é verdadeiramente filho de Deus, porque ele participa verdadeiramente da vida divina (“e nós o somos”: versículo 1).

A Carta de João revela a comunidade em crise, devido à existência de um grupo de dissidentes carismáticos, vazio e sem qualquer tipo de espiritualidade, nem de uma verdadeira prática da vida cristã. Não estamos nos referindo à Renovação Carismática Católica de hoje. Esses dissidentes propunham uma doutrina gnóstica, que afirmava que a pessoa se salva graças a um conhecimento religioso especial e pessoal sem a participação na comunidade cristã. Os gnósticos negavam quer Jesus fosse o Messias (Cristo) e se gloriavam de conhecer a Deus, de amá-lo e de estar em íntima comunhão com Ele; afirmavam ser iluminados, livres do pecado e da baixeza do mundo; não davam importância ao amor ao próximo e talvez até odiassem e hostilizavam a comunidade cristã… Não é possível amar a Deus sem amar o próximo e sem formar autênticas comunidades. Se Deus é Pai, todos somos seus filhos(as) e, conseqüentemente, todos nos devemos amar como irmãos. Viver como filhos(as) de Deus implica a prática da justiça. O amor do Pai é a grande força que sustenta a caminhada de seus filhos(as), das comunidades que se empenham na implantação do projeto de Deus revelado por Jesus Cristo.

Evangelho – Mateus 5,1-12a. O texto de Mateus sobre as Bem-Aventuranças é sem dúvida um dos mais conhecidos dos evangelhos. De fato, ser discípulo de Jesus significa ser santo como Deus, nosso Pai (Mateus 5,48).

Esta lista de Bem-Aventuranças proclamada por Jesus é uma plataforma do Reino de Deus no sentido estrito da Palavra. Todos os chefes dos reinos do Oriente Médio, dos faraós do Egito até os reis dos grandes impérios com Assíria e Babilônia ou Turquia, se apresentaram aos seus povos como protetores dos pequenos e dos pobres e como defensores dos injustiçados. Também os reis do Povo de Deus – de Saul, Davi e Salomão em diante – pretendiam reinar com justiça e eqüidade e providenciar a felicidade material ou espiritual para todos. Mas os profetas viram e denunciaram que não conseguiam isto. Viram e denunciaram que nem os reis dos povos pagãos, nem os reis do povo de Israel conseguiram controlar a ganância dos ricos e a falsidade dos poderosos. A partir disso, os profetas vão profetizar o que os reis humanos não conseguiram realizar nos seus reinos, apesar de serem ou pretenderem ser os representantes de Deus na terra, Deus mesmo vai fazer.

Uma leitura crítica das profecias do Primeiro Testamento ensina que os profetas sempre mais se tornaram conscientes e também tentaram conscientizar o povo e seus líderes, de que o “reinado de Deus” não somente atingiria as conseqüências, mas também as causas da falha política humana, conseguindo tanto uma libertação (libertando os pobres da pobreza, os oprimidos da opressão, etc.), como uma salvação (salvando os ricos da ganância, os opressores da arrogância, etc.), criando pelo seu Espírito um homem novo uma sociedade e num mundo novos. “A palavra “justiça” tem aqui (Mateus 5,6.10) toda a força de seu significado bíblico. A justiça bíblica é precisamente a justiça que vem do Reino, adquirindo sentido social ou interior, frente a Deus e frente às pessoas. É a justiça bíblica que nos leva à justiça humana e social. E mais: a justiça bíblica é a soma de todos os valores de fraternidade e de igualdade que representam o Reino.

A diferença é que as Bem-Aventuranças se realizaram no próprio Jesus. Na sua vida terrestre Ele vivia essas Bem-Aventuranças. Elas determinaram Seu comportamento e Suas relações humanas. Ele mesmo era pobre, humilde e puro de coração. Ele era faminto e sedento de justiça e cheio de misericórdia. Por isso Ele conseguia curar os doentes, multiplicou os pães, perdoou os pecadores e convivia com todos, mas de preferência com os pequenos; os pobres acorriam a Ele, os tristes o procuravam. Ele em pessoa era as Bem-Aventuranças colocadas em prática. Sua misericórdia, sua pureza de coração, que se confirmou na fidelidade à Sua missão e na coerência consigo mesmo e com a sua mensagem, e a sua atitude pacificadora, O fizeram romper barreiras e estruturas humanas contrárias à Sua pessoa.

E lhe custou a própria vida. Foi por causa disso que Ele foi o perseguido, injustiçado, caluniado e torturado (cf. Mateus 5,11; Lucas 6,22).  Jesus cumpre as Bem-Aventuranças com a sua morte e ressurreição. Se Cristo não tivesse sido perseguido, julgado e morto na cruz, esta Bem-Aventurança não teria sido anunciada. Por causa da ressurreição as Bem-Aventuranças de Jesus são para Seus discípulos um programa de vida que lhes inspira fé, esperança e amor. Estas virtudes os fazem fazer o que Ele fez e proclamar a mensagem que Ele proclamou.

As oito Bem-Aventuranças apresentam o ideal cristão, um programa de vida, traduzido nas atitudes fundamentais de quem se propõe ser santo seguindo a Jesus Cristo. O discípulo deve depositar sua confiança em Deus; ser solidário, compartilhando os sofrimentos dos outros, como o Senhor; ter um relacionamento cordial com os demais; desejar ardentemente saciar a fome e a sede de justiça neste mundo onde reina a injustiça e a corrupção; possuir um coração íntegro e livre de toda a ambigüidade; ser aberto e acolhedor; empenhar-se para que aconteça a paz como conseqüência da justiça. O discípulo deve ter consciência das conseqüências de seu modo de agir: será hostilizado por aqueles que se negam a reconhecer os direitos dos outros, mas se alegrará com a promessa da posse do Reino dos céus. As Bem-Aventuranças são um convite a todos os que se desejam participar do reino de Deus que Jesus veio anunciar e realizar.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

A Palavra de Deus é um apelo para sermos pobres em espírito e nos propõe o aspecto dinâmico do ser humano: busca a inteireza do ser. Expressa muita exigência e não apenas desprendimento dos bens materiais. Ser pobre “em espírito” nos leva a transformar a referência de uma situação econômica e social em uma atitude para aceitar a Palavra de Deus. Esse é um tema central das Sagradas Escrituras, o qual nos convida a viver em total disponibilidade a vontade de Deus e fazer dela nosso alimento. É uma atitude de filhos e filhas; irmãos e irmãs dos demais filhos de Deus; ser pobre em espírito é ser discípulo de Cristo. O discipulado exige abertura ao dom do amor de Deus e solidariedade preferencial com os pobres e oprimidos.

As demais bem-aventuranças referem-se a outras atitudes do discípulo, do pobre: bom trato, aflição pela ausência do Senhor, fome e sede de justiça, misericórdia, coerência de vida, construção da paz, perseguição por causa da justiça. Elas enriquecem a aprofundam a primeira bem-aventurança.

Nós, hoje, queremos fazer parte da geração dos que buscam o Senhor (Salmo 23,4)? Esta geração não é identificada com um estilo de roupa, com preferência musical ou com qualquer característica cultural humana relacionada com algum tempo ou espaço. A geração dos que buscam o Senhor não tem tempo nem lugar determinados; possui, sim, uma única e necessária identidade: a fidelidade à Palavra revelada por Jesus Cristo.

Imperativos da cultura e da sociedade em que vivemos podem, muitas vezes, levar-nos a esquecer de que queremos fazer parte da geração que segue Jesus. É difícil nos mantermos firmes, quando ridicularizados ou criticados à luz dos conceitos culturais humanos. Temos, talvez, mais medo de ser excluídos da geração da nossa época do que de nos afastar da geração que está a caminho da santidade, e que se dirige  ao encontro de Deus.

“A Igreja inseriu no ciclo anual a memória dos mártires e de outros santos; tendo pela graça multiforme de Deus atingido a perfeição e alcançado a salvação eterna, cantam hoje a Deus no céu o louvor perfeito e intercedem por nós”, (SC 104). No decorrer do ano, a Igreja as memórias dos mártires e dos outros Santos, que, conduzidos pela multiforme graça de Deus e recompensados com a salvação eterna, cantam nos céus o perfeito louvor de Deus e intercedem em nosso favor (SC 104/696).

A celebração de todos os Santos, num certo sentido, é também a festa da santidade anônima. Da santidade entendida, em primeiro lugar, como dom de Deus e reposta fiel da parte humana. O calendário da Igreja está pontilhado de grandes nomes dos mestres da santidade. Todavia, torna-se impossível enumerar todos os santos, tidos como sinais da manifestação maravilhosa da ação de Deus. A santidade poderia ser comparada a um grande mosaico que reflete a grandeza da única santidade: Deus. Cada santo ou santa é um exemplar único e exclusivo. Não podemos pensar a santidade como um produto em série. A santidade emerge da fantasia e é realizada singularmente pela mão do Artífice divino. A comemoração de Todos os Santos nos abre à imprevisibilidade do Espírito Santo. A multiplicidade de santos faz deles um modelo perfeito para a vivência dos carismas pessoas e para a diversidade de opções no seguimento de Jesus Cristo e no serviço à Igreja e à sociedade.

Muitas vezes, quando veneramos ou falamos de um santo ou de uma santa de nossa devoção, somos tentados a contemplá-lo(a) pela ótica da perfeição: “Ele foi perfeito!” “Um super-humano.” “Alguém que a graça de Deus suprimiu todas as fraquezas.” Uns dizem ainda: “Não tinha pecados.” Não! Os santos, antes de tudo, foram pessoas normais. Eles fizeram sua caminhada de vida pautada no seguimento de Cristo. Como tal, participaram da realidade do povo santo e pecador. Contudo, eles se destacaram na vivência radical do ideal proposto pelas Bem-Aventuranças. Foram pessoas que, por seu modo de viver o Evangelho de Jesus, marcaram significativamente a sociedade de seu tempo e se transformaram em referenciais atualizados para a história. A santidade é a realização plena do sentido autêntico da vida, é alcançar a plenitude da vida.

Como aquela multidão na montanha, e como os santos e santas, a assembléia, reunida no dia do Senhor, recebe esta palavra como bênção que a confirma e pede novas atitudes. O caminho das Bem-Aventuranças é certamente um programa de vida para a comunidade, é um convite a sairmos de nossas fronteiras e dos nossos limites. A Divina Liturgia tem a função de sempre nos lembrar disso, colocando-nos diante do próprio Jesus, o Bem-Aventurado de Deus, aquele que ultrapassou todas as barreiras e venceu a morte, amando.

4- A PALAVRA SE FEZ CARNE E SE FAZ CELEBRAÇÃO

O Mérito dos santos

A oração do Dia nos fala dos méritos de todos os santos, cuja celebração nos dá acesso à misericórdia divina. Em que consiste tais méritos? Certamente, conforme ensina São João Cassiano no século V, não seria a ausência de pecados; para ele a santidade tem a ver, com nas Sagradas Escrituras, com a destinação ao culto divino, no sentido de que santo é aquilo/aquele que pertence e serve a Deus, aquilo/aquele que está em seu caminho, que participa de seu mundo e o comunica aos outros. O mérito dos santos, portanto, segundo esta lógica, consiste na permanência exemplar destes homens e mulheres no Mistério de Deus e na sua capacidade de transmiti-lo aos outros. Sua felicidade ou bem-aventurança se alicerça exatamente neste acontecimento: manter-se no caminho do Evangelho dando a mão aos irmãos, lutando contra tudo que puder desviá-los da meta de encontrar Deus.

O eterno cântico de louvor dos santos

Seguindo, ainda, com a imagem do culto divino para compreender a santidade, podemos entender que os santos e santas são aqueles que, aqui na terra, já entoavam os seus louvores celestes (cf. Prefácio de todos os santos). Aqui não estamos falando da celebração ritual, mas, antes, da própria vida divina que esses homens e mulheres em diversos tempos e lugares experimentaram e compartilharam com seus irmãos e irmãs na terra. O “cântico novo” de que fala a Bíblia não é outro senão a vida nova que se dá no interior do mundo, na fidelidade àquela bondade e beleza para a qual foi criada e salva. Tal feito enraíza-se na participação na Páscoa de Cristo, que a celebração cristã anuncia e dá acesso. Por isso, se pode dizer que os santos do céu e da terra a cada Eucaristia se dão as mãos e entoam juntos um só hino, a uma só voz e contemplam aquele que continua a vir em nome de Deus para socorrer o mundo (cf. canto do Santo na Missa). Os santos e santas são homens e mulheres que “aqui na terra” viviam “como no céu” ao permitir que sua existência fosse permanente visita do Salvador do mundo.

5- ORIENTAÇÕES GERAIS

  1. Nesta Solenidade de Todos os Santos, a equipe de liturgia, como um serviço litúrgico em favor da comunidade de fé, ao preparar a celebração dará particular atenção às partes e gestos da celebração.
  1. Na proclamação do Evangelho das Bem-Aventuranças, acentuar o programa de Cristo para todos os que acolhem o convite: “Sede santos como o Pai é Santo”.

6- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada Domingo, Festa ou Solenidade, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Solenidade de Todos os Santos, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia desta Solenidade. Os cantos devem estar em sintonia com o ano litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

  1. Canto de abertura. “Vi uma multidão imensa de gente de todas as nações… O louvor, a glória pertencem ao nosso Deus para sempre” (Apocalipse 7,9.12). É muito oportuno dar início à celebração com as palavras do Apocalipse de São João, cantando com a multidão celeste louvando Àquele que está sentado no trono, o Cristo-Cordeiro. É muito adequada a versão deste trecho bíblico oferecida pela CNBB: “Amém, aleluia!… Vi cantar no céu a feliz multidão”, CD: Festas Litúrgicas IV, melodia da faixa11.

A Igreja oferece outras opções importantes. “Bem-aventurados são todos os santos”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão – As Mais Belas Parábolas, melodia da faixa 2; “Entoemos hinos”, CD: Taizé Alegria em Deus, Paulinas-COMEP; “Vejo a multidão em vestes brancas caminhando alegre, jubilosa…” Ofício Divino das Comunidades página 367.

 Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

  1. Salmo responsorial 23/24. O Senhor abençoa quem vive na sua presença. “Quem é digno de morar no seu santo lugar? “É assim a geração dos procuram o Senhor”! CD: Festas Litúrgicas IV, melodia da faixa 12.

O Salmo responsorial é um dos cantos mais importantes da Liturgia da Palavra. É o único canto da Missa que nunca deve ser substituído por outro canto. Ele faz parte do Lecionário e foi escolhido em relação com as leituras especialmente com a primeira.  Seria empobrecer a Liturgia da Palavra substituir o Salmo por qualquer canto religioso, já que é um texto bíblico pelo qual Deus fala a seu povo e tem íntima relação com a leitura bíblica. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista. Seria antipedagógico transformar a Missa numa espécie de festival de canções religiosas que nada têm a ver com a ação litúrgica.

  1. O canto ritual do Aleluia. . “Eu vos darei repouso” (Mateus 11,28) “Aleluia! Vinde a mim, todos vós que estais cansados”, CD: Liturgia IV, melodia e estrofes iguais à faixa 3 deste CD. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical, página 1049 ou Lecionário Santoral página 202.

Esta aclamação é quase sempre “ALELUIA” (menos nas missas da Quaresma por seu um tempo penitencial). É uma aclamação pascal a Cristo que é o Verbo de Deus. É um vibrante viva Deus.

Canto após a homilia. “Te Deum laudamus”. No final da homilia, onde for possível, quem preside convida a todos para entoar, de pé, o “Te Deum laudamus”. O Ofício Divino das Comunidades oferece duas versões populares “A ti, ó Deus”, página 286 e uma segunda versão, “Deus infinito”, página 287.

  1. Apresentação dos dons. A santidade do nosso Deus, nos leva a partilhar para que sejamos santos. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no Mistério celebrado nesta Solenidade. A melhor opção é o canto: “A vida dos justos está nas mãos de Deus”, tirado do livro da Sabedoria 3,1-3, articulado com o Salmo 14/15: “Senhor quem morara em vossa casa” CD: Festas Litúrgicas IV, melodia da faixa 13.
  2. Canto de comunhão. “Bem-Aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5,3). É muito oportuno cantar durante o rito da distribuição da comunhão estas palavras de Jesus, numa versão muito boa oferecida pela CNBB: “Bem-Aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o reino dos céus, porque deles ó o reino dos céus!”, que está articulado com o salmo 24/25: “Senhor Deus, a vós elevo a minha alma, em vós confio: que eu não seja envergonhado”, CD: Festas Litúrgicas IV, melodia da faixa 14. Além de manter a idéia da antífona de comunhão sugerida pelo Missal Romano, tornamos evidente aquela desejada sintonia entre a Mesa da Palavra e a Mesa do Pão e Vinho consagrados.

7- ESPAÇO CELEBRATIVO

  1. Se oportuno, pode-se colocar sobriamente dentro do espaço litúrgico o ícone de Todos os Santos, pois apresenta de forma bela a comunhão da Igreja e dos que seguiram o caminho da santidade. Destacar também a imagem do(a) padroeiro(a), mas fora do presbitério.
  1. Neste dia, para recordar que nós somos os santos que caminham rumo ao céu, em comunhão com os que desfrutam da glória eterna de Deus, pode-se acender as doze velas que estão afixadas na Igreja. Elas recordam as doze tribos de Israel e as doze portas da Jerusalém celeste, bem como o novo povo simbolizado pelos doze apóstolos. Nas comunidades onde não tem estas velas, doze jovens ou crianças podem entrar carregando as doze velas na procissão de entrada e, onde for se possível, circulando toda a assembléia durante o canto de abertura.
  1. Fazer um arranjo floral com flores brancas e vermelhas lembrando também os santos mártires.
  1. AÇÃO RITUAL

Valorizar os momentos de “silêncio” durante a celebração (no início da celebração, após cada leitura e o canto do salmo, após a homilia, após a comunhão…) para que o louvor bote do coração e da vida, não só dos lábios. Privilegie-se o silêncio como expressão de intimidade pessoal e comunitária com o mistério celebrado.

A cor branca das alfaias, as flores e o incenso sejam usados para recordar a Solenidade desta importante festa. 

Ritos Iniciais

  1. Organizar a procissão de entrada com o Círio Pascal e com alguns ícones da Virgem Maria ou de santos(as) padroeiros(as) da comunidade e região, evidenciando-se a relação entre Mistério Pascal de Cristo e os santos. Ou podem também ser colocados no espaço celebratico antes da procissão. Algumas pessoas podem entrar vestidas de branco e segurando uma palma na mão, entoando o hino “Vejo a multidão em vestes brancas, caminhando alegre, jubilosa…” (Oficio Divino das Comunidades, página 367). Ver orientação em Música Ritual.
  1. A saudação inicial seja aquela da Primeira carta de Pedro 1,1-2:

“Irmãos eleitos segundo a presciência de Deus Pai, para obedecer a Jesus Cristo e participar da bênção da aspersão do seu sangue, graça e paz vos sejam concedidas abundantemente”, no Missal Romano, corresponde à fórmula “f”.

  1. Após o sinal da cruz e a saudação do presidente, as comunidades que já deixaram de fazer comentário antes do canto de abertura, porque entenderam o rito da Igreja e a primazia da saudação (Palavra de Deus que nos convoca), podem propor o sentido litúrgico com palavras semelhantes a estas: 

Celebramos a Solenidade de Todos os Santos fazendo memória Daquele que é totalmente Santo, o nosso Deus. Os santos todos participam da sua santidade e nos indicam concretamente o caminho do Evangelho. Ser santo é ser bom cristão. Santo é todo aquele que, recebendo o Espírito de Deus no Batismo, se deixa conduzir por uma vida de testemunho e de fidelidade a Deus.

  1. Na recordação da vida, lembrar pessoas que são testemunhas de santidade e serviço em favor dos irmãos e irmãs, sobretudo os excluídos.
  1. Os santos fizeram valer o Batismo que receberam. O Rito da Recordação do Batismo é conveniente neste Domingo, porque enfatiza aquele acontecimento que nos dá acesso à santidade de Deus: a participação na morte e ressurreição de Cristo Jesus. A aspersão com água batismal recorda o batismo que nos confere a santidade de Deus e que nos incorpora na feliz multidão dos santos. Substituir o Ato penitencial com a aspersão. A seguir uma fórmula de oração de bênção da água contextualizada para a celebração de todos os santos e santas:

Senhor Deus, criador e salvador do mundo,

Neste dia em que celebramos vossas maravilhas

Na vida de homens e mulheres, santos e santas

De todos os lugares e de todos os tempos,

Louvemos a vós porque viestes ao nosso encontro

Mediante a vida de Jesus, estimado exemplo para nós.

Nascidos das águas do batismo,

Que provêm de vossas generosas mãos,

Assumiram em seu corpo a vida de Cristo.

Com eles irmanados, também nós,

Queremos permanecer fiéis ao evangelho

E desfrutar da verdadeira bem-aventurança

Que consiste em participar de vossa vida

Por isso vos pedimos,

Abençoai esta água que recorda o nosso batismo

Para que possamos continuamente viver

Aqui na terra como viveis no céu,

Na companhia dos santos e santas que hoje celebramos.

Por Cristo, Senhor nosso. Amém.

Canta-se um refrão apropriado, enquanto se dá a aspersão.

  1. Onde for possível, toda a assembléia tenha uma palma na mão, como sinal da sua comunhão com a comunidade celeste.
  1. A oração do Dia pede a Deus que pela intercessão dos santos possamos obter a misericórdia divina.

Rito da Palavra

  1. Na liturgia da Palavra as mesmas pessoas que entraram com as vestes brancas podem circundar a mesa da Palavra e ali permanecer até o final da proclamação do Evangelho. Ou fazer este gesto somente durante a primeira leitura do Apocalipse.
  1. Na homilia, onde for possível, quem preside a celebração, se for oportuno, pode abrir espaço para a recordação de pessoas que vivem hoje a santidade de Deus, por seu testemunho de fé e compromisso solidário com as pessoas. Também na homilia, esclarecer os fiéis a diferença entre “adoração” (dirigida a Deus) e “veneração” (dirigida aos santos), visto que há muitas dúvidas referentes a esse assunto. Muitos católicos sentem dificuldade de dialogar com membros de outras igrejas e outras religiões sobre o verdadeiro sentido da veneração aos santos. Como fonte para reflexão, pode-se tomar os dois prefácios dos santos, que se encontram no Missal Romano, páginas 451-452.
  1. Após a homilia, os fiéis se aproximam do Altar para a bênção de objetos devocionais: imagens, medalhas, escapulários e outros objetos ligados à piedade dos santos. O Ritual de Bênçãos oferece bênçãos da nossa Igreja para objetos destinados ao uso da piedade dos fiéis.
  1. No lugar das preces, invocar as testemunhas fiéis, rezando ou cantando a Ladainha de Todos os Santos. Lembrar os(as) santos(as) de devoção do povo da região. O sentido, inclusive, pode ser esclarecido durante a homilia, de modo que assembléia contemple a si mesma não só entre “Todos os Santos e Santas de Deus”, que encerra a lista daqueles que foram oficialmente reconhecidos e podem ser venerados, mas inclusive vendo-se ligados a esses últimos. Sugerimos o texto da Ladainha que se encontra no subsídio de Marcelo Guimarães e Irmã Penha Carpanedo: Dia do Senhor, Tempo Comum, Ano A. São Paulo, Paulinas e Apostolado Litúrgico, páginas 333 a 335.

Rito da Eucaristia

  1. A preparação dos dons tem uma finalidade prática, expressa na procissão com que o pão e o vinho são trazidos ao altar. Segundo o costume das refeições judaicas, bendiz-se a Deus pelo alimento básico, o pão, e pela bebida mais significativa, o vinho. Evitar chamar este momento de “ofertório”, pois ele acontece após a narrativa da ceia (consagração).
  1. A oração sobre as oferendas destaca a importância da contínua intercessão dos santos que alcançaram a imortalidade, para a nossa salvação.
  1. Utilizar o Prefácio próprio que cujo embolismo com aqueles elementos, nos ajudam e entrar em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo: Contemplação da Jerusalém celeste.
  1. Recomendamos a Oração Eucarística I (Cânon Romano) que contempla o nome de muitos santos. No momento da intercessão, quando lembramos santos e santas, se for oportuno, quem preside pode recordar alguns nomes de santos e mártires.
  1. Durante a intercessão pelos mortos na Oração Eucarística, lembrar-se, de forma especial, de todos os membros da comunidade paroquial que morreram e que, em vida, marcaram com seu testemunho a vida da comunidade.
  1. A participação dos fiéis no cálice do Senhor ajudará a recuperar a dimensão de comunhão com seu destino e sua missão. Os santos são aqueles que beberam no cálice de Cristo, no sentido de prolongar sua entrega pela salvação do mundo. Seria muito oportuno a comunhão nas duas espécies. A comunhão em duas espécies manifestará a santidade, pela obediência da comunidade ao mandamento de Jesus “Tomai e comei… Tomai e bebei…”. (IGMR, nº 240).

Ritos Finais

  1. Na oração depois da comunhão destaca que celebrar a Solenidade de Todos os Santos é adorar a Deus que nos santifica, e que “desta mesa de peregrinos, passemos ao banquete do vosso Reino”.
  1. Os santos são nossos companheiros. Seria muito interessante mostrar exemplos de uma sadia piedade para com os santos, através de um breve testemunho antes da bênção.
  1. Na bênção final, enviar o povo com a Bênção Solene sugerida pelo Missal Romano, página 529.
  1. No final da celebração após a bênção, se for oportuno e de acordo com as manifestações da piedade popular, pode haver alguma expressão de devoção ao santo(a) padroeiro(a) com uma oração própria ou o hino do padroeiro(a).
  1. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Bem-Aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe. 

9- CONSIDERAÇÕES FINAIS

O ideal da vida do cristão é ser “perfeito como o Pai é perfeito”. Ideal ou utopia? Não importa. Importa saber que estamos nos esforçando para essa transparência de nosso viver. Fazendo assim, estaremos no número daqueles que buscam o Senhor.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

Pe. Benedito Mazeti

Ver todos os posts
Addthis Facebook Twitter Google+ PDF Online

Deixe o seu comentário

Você deverá estar conectado para publicar um comentário.