Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 20/05/2016

SOLENIDADE DO SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO ANO C – 26 de maio de 2016

Leituras

Gênesis 14,18-20: Melquisedec ofereceu pão e vinho a Abraão.
Salmo 109/110,1-4 – O Senhor estenderá desde Sião o cetro de seu poder.
1Coríntios 11,23-26 – Este cálice é a nova Aliança no meu sangue.
Lucas 9,11b-17 – Todos comeram e ficaram satisfeitos.

“DAI-LHES VÓS MESMOS DE COMER”

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1- PONTO DE PARTIDA

Hoje a Igreja celebra a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, popularmente chamada de Corpus Christi. Celebrada na Quinta-feira após a festa da Santíssima Trindade, é uma profissão de fé na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. Na Quinta-feira Santa, iniciando o Tríduo Pascal, celebramos a instituição da Eucaristia. A solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, celebrada na Quinta-feira após a Solenidade da Santíssima Trindade, durante o Tempo Comum, é como um eco dessa celebração do Tríduo Pascal. Foi no século XIII, numa época de controvérsias sobre a presença de Cristo nas espécies consagradas, que a Igreja introduziu esta solenidade, ajudando-nos assim a fazer da Eucaristia “o memorial de sua Morte e Ressurreição: o sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da futura glória” (SC 47).

Diz o Papa em Ecclesia de Eucharistia que “Do mistério pascal nasce a Igreja. Por isso mesmo, a Eucaristia, que é o sacramento por excelência do mistério pascal, está colocada no centro da vida eclesial (n. 3).

No início (Missal Romano de 1570), era denominada festa “do Santíssimo Corpo de Cristo”. O Vaticano II conservou a solenidade, complementando-a. O Missal de 1970 a denomina “Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo”, significando assim a realidade integral do sacramento da Eucaristia.

Embora sendo uma duplicação da Quinta-feira Santa, dia da instituição da Eucaristia, a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo é um eco da última ceia do Senhor com os seus discípulos.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Gênesis 14, 18-20. O contexto da primeira leitura de hoje é o seguinte: Abraão estava voltando para casa após uma dura luta contra alguns reis. Cansado e faminto chegou com seus homens a Salém (Jerusalém) na qual reinava Melquisedec, rei e sacerdote, fato comum nas antigas cidades-Estado. Sendo rei e também sacerdote (v. 18), ele exerce um culto para Deus, mas com referencia a uma pastoral, o que ignorava em grande parte o sacerdócio do templo de Jerusalém, e é mais espiritual, pois oferece a Deus um sacrifício incruento: do pão e do vinho, expressão de obediência e de hospitalidade (v. 18: Melquisedec oferece o pão a Abraão e não a Deus!). Melquisedec era ancestral dos Jebuseus e fizera juramento de fidelidade a Abraão, o ancestral de Davi.

Melquisedec é pagão; de bom grado poderá ser considerado o representante de um culto aberto| a todas as nações e oposto ao particularismo aaronitas. Esta fato, raro nas Escrituras, nos permite imaginar um sacerdote que recebe sua vida de Deus e assume entre ele e os homens uma efetiva mediação. Melquisedec é rei: não é, pois, um “especialista” em culto e das rubricas; ele tem, mais do que os sacerdotes do templo, a preocupação pelo povo de Deus e leva sua vida e suas crises diante de Deus. Enfim, Melquisedec apresenta o pão e o vinho a seu hóspede num gesto de acolhimento que os cristãos guardarão com tanto mais agrado quanto sua liturgia também é feita, em grande parte de acolhimento à mesma mesa e de abertura ao estrangeiro, isto é, a missionariedade da liturgia.

Por que este texto é lido hoje? Porque Melquisedec é figura do Messias, rei e Sacerdote, e a sua oferta de pão e vinho, o sustento cotidiano das pessoas, prefigura a Eucaristia. Melquisedec partilhou o seu pão e o seu vinho com quem estava com fome. Gesto parecido com o Cristo no Evangelho de hoje.

O próprio Cristo foi inscrito na ordem de Melquisedec (cf. Hebreus 5), mas o Novo Testamento preferiu definir o sacerdócio de Cristo a partir do tema do Servo Sofredor. Algumas tradições litúrgicas, no entanto, mantiveram a recordação de Melquisedec na oração eucarística, para lembrar o nível de espiritualização do sacrifício de Cristo, o caráter régio de seu sacerdócio e sua referência ao povo reunido.

Salmo responsorial 109/110, 1-4. O Salmo responsorial de hoje 109/110, 1-4, fala de um sacerdócio “segundo a ordem de Melquisedec”. Fala que Deus é soberano e introduz o rei vassalo, sentando-o no trono à sua direita. No pequeno estrado ou escabelo estão figuradas as cabeças dos reis inimigos e estes reis serão súditos desse “rei soberano”. Como no reinado de Davi, que é modelo para a dinastia. O rei soberano adota o súdito como filho. Deus, que é soberano, utiliza termos e imagens correntes do dia a dia.

A terceira palavra de ordem do Salmo confirma o rei no trono de Jerusalém, a cidade em que outrora reinava o rei-sacerdote Melquisedec. A dinastia de Davi, que conquistou Jerusalém, cidade-fortaleza dos jebuseus, continua as funções sagradas da antiga dinastia de Canaã.

É um salmo régio. São pronunciados três oráculos a respeito do rei (cf. vv. 1.2.4). Este Salmo, de grande uso na liturgia, foi um dos preferidos do Novo Testamento e dos primeiros cristãos para demonstrar que o Messias, filho de Davi, era também Filho de Deus. Esta foi a solução da fé cristã baseada na ressurreição de Jesus.

O Salmo 109/110, celebra a vitória, a salvação de Deus, manifestada de modo especial em Jesus Cristo, o Messias. Como Melquisedec, a realeza de Cristo e o sacerdócio eterno não decorrem de nenhuma investidura terrestre. Mediante a presença de Jesus Cristo ressuscitado, sentado à direita do Pai (Hebreus 10,12; Efésios 1,20-21), experimentamos a graça e a misericórdia de Deus.

O rosto de Deus no Salmo 109 continua sendo o Deus da Aliança. Os primeiros cristãos transformaram este salmo no texto mais importante para falar de Jesus Cristo rei, morto e ressuscitado. Cada frase foi lida e relida à luz da prática de Jesus. A realeza de Jesus consiste em defender o povo e a Cruz torna-se, então, seu trono. A toalha do lapa pés é seu cetro. Da a vida por amor, não reservando coisa alguma para si, é seu sacerdócio.

Cantando este Salmo, somos chamados a nos colocar sempre na presença do Senhor que estende o seu domínio e seu amor a toda a extensão do mundo.

TU ÉS SACERDOTE ETERNAMENTE,
SEGUNDO A ORDEM DO REI MELQUISEDEC!

Segunda leitura – 1Coríntios 11,23-26. A segunda leitura de hoje fala sobre a Ceia do Senhor. É o texto mais antigo que temos sobre a Eucaristia onde o apóstolo Paulo transmite a catequese recebida dos apóstolos. A primeira carta aos Coríntios foi escrita por volta do ano 57.

Os cristãos de Corinto celebram a Eucaristia no decurso de um ágape que muito freqüentemente dividia a comunidade, pois os ricos se agrupavam em torno das mesmas mesas, deixando os pobres afastados de suas refeições fartas e alegres. (versículos 18-22). Para por um fim a estes abusos, Paulo relembra a instituição de Cristo (versículos 23-26) e revela as estreitas ligações entre Eucaristia e Igreja, entre o Corpo sacramental e o corpo místico (versículos 27-29; cf. 1Coríntios 10,16-17). Paulo quer corrigir os abusos em Corinto. Os pobres estavam sendo humilhados e desprezados na Ceia do Senhor. É impossível ter comunhão com o Senhor, enquanto são desprezados os irmãos e irmãs. Na Eucaristia, “anunciamos a morte do Senhor, proclamamos a sua ressurreição, até que ele venha”. Quando Ele vier, vai nos julgar pela maneira como vivemos a Eucaristia. Paulo quer corrigir abusos nas celebrações em

Devemos guardar especialmente a repetição da ordem: “Fazei isto em memória de mim” (versículos 24-25). Mas numa versão mais próxima do aramaico, a ordem de Cristo talvez significasse isto: “Na ação de graças que dais durante a refeição e na qual fazeis memória (anamnese) das maravilhas de Deus na antiga economia, acrescentai doravante a memória de minha obra. Paulo quer corrigir os abusos em Corinto. Os é da significação da Assembléia litúrgica: ela é o sinal da reunião de todos os homens e mulheres pobres estavam sendo humilhados e desprezados na Ceia do Senhor. É impossível ter comunhão com o Senhor, enquanto são desprezados os irmãos e irmãs. Na Eucaristia, “anunciamos a morte do Senhor, proclamamos a sua ressurreição, até que ele venha”. Quando Ele vier, vai nos julgar pela maneira como vivemos a Eucaristia.

Paulo nos mostra que uma celebração indigna da Eucaristia termina por desprezar o Corpo místico de Cristo, que é a Assembléia (cf. ainda 1Coríntios 11,22, onde o desprezo se dirige à Igreja de Deus). A perspectiva de Paulo é o significa da Assembléia litúrgica: ela é o sinal da reunião de todos os homens e mulheres no Reino e no Corpo de Cristo! Uma Assembléia que se reúne numa mesa à parte não dá testemunho e torna-se contra testemunho.

Portanto, festejar o Corpo de Cristo, não é concentrar exclusivamente sua atenção sobre as espécies sacramentais. Elas estão no coração da celebração eucarística para permitir à Assembléia “fazer memória” da morte de Jesus; morte que ele enfrentou na perfeita obediência à sua condição de Servo.

O apóstolo Paulo relata a última Ceia de Jesus realizada na noite em que foi entregue (traído). A traição em Paulo equivale a toda a paixão em contraposição á ressurreição. O apóstolo estabelece uma ligação entre a ceia e a morte de Jesus.

Evangelho – Lucas 9,11b-17. O Evangelho de Lucas nos revela outros aspectos do significado que Jesus atribui à Eucaristia. Ele acolhe a multidão num lugar deserto. Naquele tempo os escravos não sentavam para comer. Jesus pede para todos sentar-se, posição de homens livres; toma o pão (supõe pães grandes, que é preciso partir), olha para o céu e abençoa. Olhar para o céu é sinal de petição, mas também de confiança; abençoar é transmitir fecundidade. Portanto, Eucaristia ou “partir o pão” significa, para aqueles que participam, sinal de vida, de fecundidade, de fraternidade, de compromisso consigo mesmo e com os irmãos e irmãs.

Os quatro gestos de Jesus – tomar o pão, elevar os olhos ao céu, abençoá-lo e distribuí-lo – recebem destaque especial, porque a celebração da Eucaristia em seu ritual já via na multiplicação dos pães uma referência clara ao mistério eucarístico.

Portanto, não devemos olhar para o gesto de Jesus com um olhar míope, como se tudo tivesse reduzido a partir o pão e a saciar. Jesus revela muito mais, que também as nossas celebrações devem contemplar: a acolhida fraterna (em contraste com a atitude dos Doze que queriam mandar o povo embora, para que cada um se virasse sozinho, uma posição individualista). Todo gesto de Jesus é um hino à vida; é uma ação efetiva para devolver à humanidade sua integridade, sua saúde, sua salvação.

Lembremos que Jesus, por isso, continua presente não apenas no pão consagrado, mas também na sua Palavra, nos gestos da Igreja que curam (como os sacramentos), na oração de louvor e ação de graças, na comunidade que pratica a partilha fraterna

Podemos ver que no Evangelho, Jesus se deparou com o problema da fome, e nós continuamos também deparando com esse terrível problema social. O mundo resolveu tantos problemas, mas o da fome ainda não. Isto significa que não partilhamos, ainda não levamos a sério o sacramento do amor (João 13,1).

A celebração de hoje deve gerar em nós compromisso de vida e de solidariedade para com os irmãos e irmãs que passam fome. Eis o apelo que a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo nos pede.

O milagre dos multiplicação dos pães foi escrito numa “linguagem eucarística”, isto é, a parte principal do episódio usa os mesmos termos com as quais é descrita a Última Ceia: Jesus toma, abençoa, parte e distribui o pão. Os quatro gestos de Jesus – tomar o pão, elevar os olhos ao céu, abençoá-lo e distribuí-lo – recebem destaque especial, porque a celebração da eucaristia em seu ritual já via na multiplicação dos pães uma alusão ao mistério da Eucaristia. Mas não é qualquer pão, é o Pão da Eucaristia que lembra sua entrega por nós, sofrendo na cruz em total doação, como Ele mesmo diz: “Isto é o meu corpo que é dado por vós”. “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue”.

Jesus quis ser pão, alimento do dia-a-dia para todos nós. Alimento que Ele não deu a uma só pessoa, partiu-o e deu a todos que ceavam com Ele.
Jesus repartiu sua vida com todos, vida vinda do Pai, pão vivo descido do céu. Através dele a Aliança do Pai renova-se, é a “Nova Aliança”, agora com todos e para toda a humanidade.

Jesus nos deixa no gesto da partilha, o grande amor do pai por nós, exemplo que nos pede para repetir: “Dai-lhes vós mesmos de comer.” A lição da partilha é uma dimensão irrenunciável da Eucaristia. “Na multiplicação dos pães Jesus não fez descer pão do céu, como o maná de Moisés. Nem transformou pedras em pão, como lhe sugerira o tentador quando das tentações no deserto. Mas ordenou aos discípulos: ‘Vós mesmos, dai-lhes de comer’… e o pão não faltou. Porém, se não observarmos esta ordem de Jesus e não dermos de comer aos nossos irmãos, ele também não poderá tornar-se presente em nosso dom. Então, não só o pão, mas Cristo mesmo faltará” (Konings, Johan. Liturgia Dominical. Vozes, 2003, pág. 397).

A multidão que ia ao encontro de Jesus, como ouvimos no santo Evangelho, pedia a cura aos que precisavam, mas ouvia atenta a sua Palavra, sem perceber o entardecer.

Jesus alimentou-os primeiro com a Palavra, depois, com todos que comungaram sua mensagem, partilhou o pão. Tudo começa com a partilha da Palavra, depois segue a partilha do pão. É preciso conscientizar urgentemente em nossas celebrações que os fiéis celebrantes comunguem primeiro a Palavra.

Jesus mostrou aos discípulos o milagre do amor. O amor infinito que vem de Deus. O amor que se transforma em pão, multiplica-se quando partilhado, alimenta a todos. Quando o pão é partilhado sempre sobram cestas. As sobras que são recolhidas e guardadas em cestas (v. 17) têm uma significação missionária de reunir os ausentes e levar a eles a Palavra e o Pão. As sobras também significam as reservas eucarísticas que guardamos no Tabernáculo.

O gesto pode também significar sinal de respeito pela bondade divina que dá o pão cotidiano. Era também costume judaico recolher as sobras e migalhas na mesa e no chão.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

O Cristo vivo no Santíssimo Sacramento é vivo também na Palavra do Evangelho. Por isso que no Rito Romano o canto de comunhão deve retomar o Evangelho.

Precisamos colocar-nos a seus pés, como a multidão que o seguia, primeiro para ouvir o que Ele quer nos falar para depois recebê-lo no pão da Eucaristia.
Palavra e Eucaristia, pão para ser comungado e adorado. Não só adorado. Cristo não nos deixou uma foto sua ou uma relíquia. Perpetuou sua presença entre os seus discípulos como alimento. E este alimento é para ser consumido, porém não isoladamente: é pão partido e repartido entre os irmãos. Os que se alimentam do seu corpo, bebem também do seu sangue, identificam-se com Ele, formam um só corpo, repetem o seu gesto de amor: “Concedei que, alimentando-nos com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, sejamos repletos do Espírito Santo e nos tornemos em Cristo um só corpo e um só espírito” (Oração Eucarística III). “E quando recebermos pão e vinho, pó Corpo e Sangue dele oferecidos, o Espírito nos uma num só corpo, para sermos um só povo em seu amor” (Oração eucarística V).

Como discípulos, também recebemos o pedido de “dai-lhes vós mesmos de comer”. Não podemos despedir os que precisam de nós, seja em necessidades materiais e espirituais.

Jesus está conosco, mas depende de nós o milagre da partilha. Quando sabemos partilhar, geramos felicidade e recolhemos mais que sobras de pão. Recolhemos alegrias e multiplicamos a esperança de que o pão sempre poderá ser partilhado para saciar a fome dos famintos.

Neste dia, é bom olharmos para as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, no capítulo III que fala das Diretrizes de Ação, destacando-se o item 3. “Construir uma sociedade solidária. É preciso garantir, a todo o povo brasileiro, o direito humano básico à alimentação e à nutrição.” (DGAE, 166CCc).

Olhando o mundo de hoje com os olhos da fé, vemos uma multidão faminta, necessitada de pastores capazes de agir, movidos por compaixão, como Jesus. No Documento de Aparecida lemos: “a Eucaristia, sinal da unidade com todos, que prolonga e faz presente o mistério do Filho de Deus feito homem (Filipenses 2,6-8), nos propõe a exigência de uma evangelização integral. A imensa maioria do povo de nosso continente vive sob o flagelo da pobreza. Esta tem diversas expressões: econômica, física, espiritual, moral, etc. Se Jesus veio para que todos tenham vida em abundância (…) não podemos ser alheios aos grandes sofrimentos que a maioria de nossa gente vive e que com muita freqüência são pobreza escondidas” (página 89, n. 176).

“Queres honrar o Corpo do Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem o honres aqui no templo com vestes de seda, enquanto lá fora abandonas ao frio e à nudez. Deus não precisa de vasos de ouro mas de almas de ouro. Ao dizer não quero impedir que se façam ofertas ao templo; o que quero pedir é que além dessas, e antes dessas, se pense na esmola aos pobres. (…) De que serviria adornar a mesa de Cristo com vasos de ouro, se Ele morre de fome na pessoa dos pobres?” (das homilias de São João Crisóstomo). Para nos ajudar nessa reflexão de São João Crisóstomo, podemos compara com o juízo final em Mateus 25, 31-46.

A desigualdade social pela qual os pobres continuam morrendo de fome é incompatível com a Eucaristia. Por isso o apelo de Jesus: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lucas 9,3) transforma-se em denúncia profética. O pão repartido, na Eucaristia, é sinal da presença de Cristo. A fração do pão no rito sacramental deve prolongar-se nos gestos concretos de partilha e solidariedade. Como corpo de Cristo, nossas comunidades são chamadas a viver em comunhão, partilhando o pão com os irmãos necessitados, sendo assim sinais do Reino.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Tomar parte na Vida de Deus

“Comer e beber significa unir-se, entrar em comunhão, por meio do sinal sacramental, à paixão e morte de Jesus; significa entrar em seu mistério para receber e dar a vida” (Missal Dominical – Missal da Assembléia Cristã, página 476). “Comer e beber Cristo significa fazer Dele a fonte de nossa vida. Uma vez unidos a Cristo pelo ato da comunhão eucarística, sua vida palpita em nós, dando à nossa existência, à nossa vida aquela qualidade de vida que só Ele pode dar: a vida eterna.

Essa vida eterna não é apenas uma etapa da vida que se inicia depois da nossa morte biológica e não terá mais fim. Ela é a vida de Deus latejando em nós já agora, desde o “nosso batismo”, fazendo-nos novas criaturas. O pão e o vinho eucarísticos alimentam em nós essa vida, de forma que “quem come desse pão e bebe desse cálice vive eternamente”, pois são o sacramento da própria vida de Cristo – sua carne e seu sangue – dado a nós na cruz. Acolher Cristo na Eucaristia é, portanto, “escolher a vida”.

O Mistério da Fé

Muitos cristãos ainda pensam que a expressão “Eis o mistério da Fé” se dirige ao Pão e Vinho eucaristizados. De fato, a tradução do latim Misteryum Fidei para o português não foi das melhores levando a tal consideração. A versão francesa “Grande é o mistério da fé” parece ser mais adequada. O grande Mistério é a “morte e ressurreição de Jesus”, acontecimento a partir do qual toda a sua vida foi interpretada e a partir de “onde” nasceu a própria Igreja, como comunidade dos seus seguidores e seguidoras.

A aclamação memorial “toda vez que se come deste pão, toda vez que se bebe deste vinho se recorda a paixão de Jesus Cristo e se fica esperando a sua volta” responde satisfatoriamente à pergunta: qual é o Mistério da Fé? A paixão de Nosso Senhor (incluindo morte e ressurreição) e sua volta não somente no final dos tempos, mas a cada vez que nos juntamos para celebrar em sua memória. São Cromácio que viveu no século IV afirmava em suas pregações e comentários que a morte de Jesus é sua verdadeira Páscoa.

A Vida que nos vem das duas Mesas

Ao participarmos da Mesa da Palavra e da Mesa do Banquete, somos inseridos nesta lógica do evangelista João, da participação na Vida Eterna. Nós mergulhamos na Páscoa de Jesus, seu transitum (passagem) da morte para a vida, através de nossa participação ativa ao redor do Ambão e do Altar. Nós vamos ao encontro do Senhor e Ele vem ao nosso encontro. Por isso, é de se esperar que as ações rituais manifestem esta realidade essencial para a vida cristã.

Os espaços sagrados de nossas comunidades, portanto, devem permitir à assembléia aproximar-se da Mesa da Palavra para escutar o ensino do Mestre e da Mesa do Pão para nela comungar. Se isto ainda não pode se tornar uma prática comum em nossas igrejas, sobretudo por “culpa” da arquitetura não ser funcional, está na hora de promovermos algumas adaptações, pelo bem da fé de nosso povo.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

O Evangelho de hoje começa com as palavras: “Jesus acolheu as multidões, falava-lhes sobre o Reino de Deus e curava todos os que precisavam” (Lucas 9,11b). É exatamente o que acontece nos ritos Iniciais de nossas celebrações eucarísticas – o presidente, que representa Cristo, acolhe todos os fiéis com a saudação de paz – e na Liturgia da Palavra – anúncio do Reino de Deus. O versículo 12 do Evangelho lido faz uma indicação de tempo: “a tarde vinha chegando”. Semelhante observação encontramos no episódio dos discípulos de Emaús: “Permanece conosco, pois cai a tarde e a noite já vem. Entrou então para ficar com eles (Lucas 24, 29).

Ao celebrarmos a presença de Jesus no pão, não podemos mais separar o pão da mesa da Palavra, do pão da mesa da Eucaristia e do pão da mesa do povo: “Aos mortais dando comida, dais também o pão da vida; que a família assim nutrida seja um dia reunida aos convivas lá no céu”. É assim que cantamos, no Hino Eucarístico (Seqüência), após a segunda leitura.

Por essa união indissociável das três mesas (da Palavra, da Eucaristia, do povo), o canto que entoamos, durante a procissão da Comunhão, deveria trazer presente o que escutamos nas leituras de hoje. Nossas vozes refletindo a mensagem do Evangelho durante o canto de comunhão, devem expressar que aceitamos o Cristo inteiro, pois Ele é o mesmo na Eucaristia e na Palavra.

Na Oração Eucarística atualizamos e vivemos a Paixão e Ressurreição de Jesus: “Recordamos, ó Pai, neste momento, a paixão de Jesus, nosso Senhor, sua ressurreição e ascensão; nós queremos a vós oferecer este Pão que alimenta e que dá vida, este Vinho que nos salva e dá coragem” (Oração Eucarística V).

Assim como Melquisedec trouxe pão e vinho, como sacerdote do Deus Altíssimo, nós apresentamos ao Pai pão e vinho bendizendo. Nós, porém, o fazemos para se tornarem Corpo e Sangue de Jesus, como reafirmamos diante do grande Mistério de nossa fé: “Toda vez que se come deste pão, toda vez que se bebe deste vinho, se recorda a paixão de Jesus Cristo e se fica esperando sua volta” (Aclamação Eucarística).

Nossas ofertas, levadas até o altar, são elevadas ao Pai e, no Espírito Santo, transformadas. Quando participamos da Ceia do Senhor, recebemos o Corpo e o Sangue de Jesus. Por isso suplicamos: “Recebei ó Pai esta oferenda, como recebestes a oferta de Abel, o sacrifício de Abraão e os dons de Melquisedec. Nós vos suplicamos que ela seja levada à vossa presença, para que, ao participarmos deste altar, recebendo o Corpo e Sangue do Vosso Filho, sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do céu” (Oração Eucarística I).

Se, recebemos o Corpo de Cristo, é porque Ele se doou a nós. Na presença do Santíssimo Sacramento, não podemos pensar apenas em nós, no alimento que se dá à nossa vida. Esta oferta contém, pela sua doação, toda a Paixão do Senhor, seu sacrifício e seu sofrimento para a nossa salvação. Assim rezamos na oração do dia: “Senhor Jesus Cristo, neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão. Dai-nos venerar com tão grande amor o mistério do vosso Corpo e do vosso Sangue, que possamos colher continuamente os frutos da vossa redenção. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo”.

Levemos, para a caminhada do nosso dia-a-dia, a vida que recebemos no Corpo e Sangue do Senhor, a certeza da ressurreição e da sua volta. Levemos nosso responsabilidade de anunciar e viver a sua Palavra, repartindo-a com alegria de sermos, em Cristo, filhos e filhas amados do Pai.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. A solenidade do Corpo e Sangue do Senhor é o único dia em que se permite fazer exposição e bênção do Santíssimo Sacramento imediatamente após a celebração da eucaristia. Faria bem uma leitura do Missal Romano com atenção às orações, prefácios e rubricas.

2. Prepare-se, além das hóstias que serão distribuídas ao povo, uma hóstia grande para a exposição.

3. Esta solenidade, em si mesma, já possui “traços ostensivos” suficientes. Seria bom cuidar de não recuperar nenhum sentido triunfalista ou apologético, já superados pela reforma da Liturgia. Sobriedade e brevidade são as características fundamentais do Rito Romano.

4. Valorizar nos vários momentos da celebração, a participação das crianças, jovens e adultos que celebraram sua Primeira Eucaristia neste ano, ou mais recentemente.

5. Onde houver procissão eucarística pelas ruas, jamais e nunca fazê-la antes da Missa e sim depois. O culto eucarístico brota da celebração do “Mistério Pascal”. Consagra-se uma hóstia grande para a procissão.

6. O Ritual Romano – A Sagrada Comunhão e o Culto Eucarístico fora da Missa dos números 101 a 108, nos dá a seguinte orientação: “ O povo cristão dá um testemunho público de fé e piedade para com o Santíssimo Sacramento nas procissões em que a Eucaristia é levada pelas ruas em rito solene com canto. (…) Entre as procissões eucarísticas adquire importância e significado especiais na vida pastoral da paróquia ou da cidade a que costuma ser realizada cada ano na solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo ou outro dia mais apropriado perto desta solenidade. Convém, pois, que, onde as circunstâncias dos tempos atuais o permitirem e onde puder ser realmente um sinal de fé e adoração da comunidade, esta procissão seja mantida, segundo a determinação do direito. (…) Convém que a procissão com o Santíssimo Sacramento se realize após a Missa na qual se consagrará a hóstia a ser levada na procissão.” Não se trata de uma questão de proibição, mas de uma teologia interna que deve ser respeitada.

7. Primeiro que neste dia não se trata de um culto eucarístico fora da Missa. Segundo porque a adoração do Santíssimo na Quinta-Feira Santa, a exposição e procissão com o Santíssimo neste dia e em outros dias na comunidade, dependem da Celebração Eucarística. Portanto, devemos valorizar primeiro a Ceia do Senhor e depois valorizarmos também os momentos de adoração do Santíssimo Sacramento.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. O canto de abertura deve nos introduzir no mistério celebrado.

A equipe de canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a presidência e para a Mesa da Palavra.

1. Canto de abertura. Deus alimenta seu povo (Salmo 81/80,17). “Todos, convidados, cheguem ao banquete do Senhor…”, CD Festas Litúrgicas II, faixa 1.

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

3. Salmo responsorial. Sacerdote eterno, como Melquisedec. “Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem do rei Melquisedec”, CD: Festas Litúrgicas II, faixa 4.

4. Aclamação ao Evangelho. O pão da Vida, descido do Céu (João 6,51). “Aleluia… Eu sou o pão vivo descido do céu…, CD: Festas Litúrgicas II, faixa 6. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

5. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, na Solenidade de hoje. A fé na Eucaristia deve manifestar-se na partilha para com os necessitados e também para com as necessidades da Igreja. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. “Tanta gente vai andando à procura de uma luz…”, CD: Festas Litúrgicas II, faixa 7.

6. Canto de comunhão. Quem come minha carne… (João 6,56). Sem dúvida, o canto de comunhão mais adequado para a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo neste Ano C é “O Pão da Vida a comunhão, nos une a Cristo e aos irmãos, e nos ensina abrir as mãos para partir, repartir o pão…”. Outros cantos também nos ajudam a fazer a ligação com o Evangelho: “Nós somos muitos”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, faixa 6; “Eu sou o pão que vem do céu”, CD: Festas Litúrgicas II, faixa 8; “No deserto da vida, quando a sede me vem…, CD: Festas Litúrgicas II, faixa 9. Segue abaixo a partitura.

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho da Solenidade de hoje. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho. Por essa união indissociável das três mesas (da Palavra, da Eucaristia, do povo), o canto que entoamos, durante a procissão da Comunhão, deveria trazer presente o que escutamos nas leituras de hoje. Nossas vozes refletindo a mensagem do Evangelho durante o canto de comunhão, devem expressar que aceitamos o Cristo inteiro, pois Ele é o mesmo na Eucaristia e na Palavra.

8- O ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Seria muito interessante que se preparasse o arranjo floral para a mesa da Palavra utilizando um grande pão partido. Não um pão desenhado ou de isopor, mas pão verdadeiro. Não se trata de uma alegoria, pois não são elementos artificiais querendo indicar uma realidade verdadeira. Mas trata-se de explicitar “plasticamente”, exteriorizar através de sinais sensíveis verdadeiros, a verdade profunda da Palavra compartilhada com o Senhor, além de estarmos relacionando diretamente a mesa da Palavra com a Mesa da Eucaristia. O que, absolutamente, não cabe, é ornar a mesa da Eucaristia com pães e usar hóstias para a Comunhão, que em nada se parece com alimento (cf. IGMR, nn. 282-283). A introdução do Missal recomenda que a “hóstia” se pareça com alimento.

2. O espaço da celebração deve recordar para nós a Jerusalém. Portanto, o lugar da celebração deve ser preparado para as núpcias do Cordeiro. Deve ser belo, sem ser luxuoso; deve ser simples, sem ser desleixado; deve ser aconchegante para que todos se sintam participantes do banquete. A mesa da Eucaristia é o lugar de convergência de toda a ação litúrgica. Assim o altar não pode ser “escondido” por imensas toalhas, arranjos de flores e outros objetos. O altar é Cristo. É ele o ator principal da liturgia. “As flores, por exemplo, não são mais importantes que o altar, o ambão e outros lugares simbólicos. Nem a toalha é mais importante que o altar. Os excessos desvalorizam os sinais principais. A sobriedade da decoração favorece a concentração no mistério celebrado” (Guia Litúrgico Pastoral, página 110).

9. AÇÃO RITUAL

Ritos Iniciais

1. Valorizar os ritos iniciais, que constituem a assembléia como Corpo Vivo do Senhor. A presença real do Senhor ressuscitado, se manifesta também nos sinais sensíveis da comunidade reunida em nome do Senhor que “ora e canta”, pelo tom de vós, pelo conjunto de gestos, símbolos e atitude orante e consciente da assembléia, dos acólitos, dos leitores, salmista e outros ministérios e, principalmente de quem preside.

2. Como saudação presidencial sugerimos a de 2Tessalonicenses 3,5 (opção c):

O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco.

3. Após a saudação presidencial, as comunidades que já deixaram de fazer comentário antes do canto de abertura, porque entenderam o rito da Igreja e a primazia da saudação (Palavra de Deus que nos convoca), em seguida podem propor o sentido litúrgico que pode ser feito por quem preside, por um diácono ou um leigo(a) preparado.

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Estamos reunidos em Nome do Senhor para celebrar o Mistério Pascal. Na Eucaristia Cristo se doa como alimento e como bebida para fortalecer nossa caminhada cristã na fraternidade e no amor para que possamos testemunhar o Reino de Deus. A morte e ressurreição do Senhor é o grande mistério de nossa vida.

4. Para o Ato penitencial sugerimos a fórmula 1 do Missal Romano, página 393, que contempla a Verdade de Deus que ilumina os povos e a Vida que renova o mundo. Outra opção é cantar o ato penitencial que está no CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 16: “Senhor, tende piedade dos corações arrependidos”.

5. O Hino de louvor “Glória a Deus nas alturas” é antiqüíssimo e venerável, com ele a Igreja, congrega no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto desse hino por outro (cf. IGMR n. 53). O CD: Festas Litúrgicas I propõe, na faixa 2, uma melodia para esse hino que pode ser cantado de forma bem festivo, solista e assembléia. Vejam também os outros CDs.

6. Na Oração do Dia, suplicamos ao Senhor Jesus Cristo que possamos colher continuamente os frutos da redenção. A Eucaristia é o memorial da morte e ressurreição do Cristo, mas não um mausoléu. Deus alimenta seu povo.

Rito da Palavra

1. Dar destaque especial à Liturgia da Palavra, proclamando bem as leituras, especialmente o Evangelho. O Evangeliário pode ser acompanhado de tochas e incenso. E a proclamação deve ser feita de tal maneira que a comunidade viva e experiência da Encarnação de Jesus o Verbo (Palavra) que se fez carne e habitou entre nós. Palavra que é o próprio Cristo, recebendo acolhida na assembléia reunida, seu Corpo. Cristo, Pão da Vida, se faz presente e nos alimenta com a Palavra.

2. Antes de ler, é preciso primeiro mergulhar na Palavra, rezar a Palavra. Pois “na liturgia da Palavra, Cristo está realmente presente e atuante no Espírito Santo. Daí decorre a exigência para os leitores, ainda mais para quem proclama o Evangelho, de ter uma atitude espiritual de quem está sendo porta-voz de Deus que fala ao seu povo”.

3. Dar destaque especial à Liturgia da Palavra, proclamando bem as leituras, especialmente o Evangelho. O Evangeliário pode ser acompanhado de tochas e incenso. E a proclamação deve ser feita de tal maneira que a comunidade viva e experiência da Encarnação de Jesus o Verbo (Palavra) que se fez carne e habitou entre nós. Palavra que é o próprio Cristo, recebendo acolhida na assembléia reunida, seu Corpo. Cristo, Pão da Vida, se faz presente e nos alimenta com a Palavra.

4. A Palavra é realçada também por momentos de silêncio, por exemplo. Após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecendo a atitude de acolhida à Palavra de Deus. No silêncio, o Espírito torna fecunda a Palavra no coração da comunidade e de cada pessoa. Nunca é demais insistir: proclamem-se bem as leituras até mesmo fazendo um breve silêncio entre cada uma delas. Por exemplo, após o salmo responsorial, não iniciar logo a segunda leitura. Dar uma pequena pausa para assimilar-se a riqueza do salmo.

Rito da Eucaristia

1. Realizar a procissão das oferendas vinda da assembléia. Com o pão e o vinho, dons da Eucaristia, trazer outros dons, sinais que tornam presente os inúmeros gestos de amor, de caridade e de solidariedade da comunidade cristã. Neste momento caberia bem a coleta de alimentos não-perecíveis e sua distribuição aos necessitados.

2. Na Oração sobre as Oferendas pão e vinho são símbolos de unidade e paz. Merece atenção a esta oração que é inspirada na Didaqué e em 1Coríntios 10,17, utilizando o simbolismo do trigo e da uva reunidos até formarem pão e vinho, para simbolizar a unidade da Igreja em Cristo. Pois a festa de Corpus Christi é também a festa do seu Corpo Místico, a Igreja, que Ele nutre e leva à unidade da mútua doação.

3. Mais importante que a bênção do Santíssimo é a Oração Eucarística. Esta sim é a bênção das bênçãos. Por isso, todos se esmerem em prepará-la bem: aclamações do povo, Santo, aclamação memorial, amém final cantados ajudam na participação. O presidente cuide de, na pessoa do Cristo, falar ao Pai, a quem neste momento se adora “Por Cristo, com Cristo e em Cristo, na unidade do Espírito Santo”. Não é uma oração dirigida à assembléia. Por isso, não tem sentido olhar para o povo como se estivesse falando com ele, mas para Deus, a quem se dirige esta prece. Jesus é o modelo de louvor ao Pai. Quem preside deve se inspirar na sua maneira de rezar: Mt 14,19; Jo 11,41; 17,1.

4. Temos dois prefácios para a Solenidade de hoje. No prefácio I da Santíssima Eucaristia, contemplamos a Eucaristia como alimento e bebida, no prefácio II, contemplamos a Eucaristia na dimensão da comunhão, fé e caridade.

5. Quanto ao prefácio: quem preside procure proclamá-lo com ênfase, mas ao mesmo tempo calmamente, de forma serena e orante. Frase por frase. Cada frase é importante, anunciadora do mistério que hoje celebramos. Basta prestar bem atenção nelas! A boa proclamação do Prefácio, como abertura solene da grande oração eucarística (bem proclamada também), tem um profundo sentido evangelizador, pois, por seu conteúdo e, sobre tudo, por ser oração, toca fundo no coração da assembléia.

6. Na Oração Eucarística, “compete a quem preside, pelo seu tom de voz, pela atitude orante, pelos gestos, pelo semblante e pela autenticidade, elevar ao Pai o louvor e a oferenda pascal de todo o povo sacerdotal, por Cristo, no Espírito”.

7. Cantar com vibração o “Amém” conclusivo da Oração Eucarística. Por Cristo, com Cristo, em Cristo…
8. Um lembrete quanto à comunhão na missa: “A verdade do sinal exige que o pão eucarístico seja reconhecido com alimento, e que, portanto, sempre que possível, o pão, embora ázimo seja preparado de tal forma que possa ser repartido entre todos”. Não sendo possível repartir entre todos, em razão do sinal que se expressa, convém que alguma parte do pão eucarístico obtido pela fração seja distribuída ao menos a algum fiel no momento da comunhão […]. Valem todos os esforços para garantir aos comungantes o santo alimento oferecido na mesma celebração, deixando a reserva eucarística para a finalidade a que se destina, a saber, a comunhão aos enfermos e ao culto eucarístico’ (IGMR, nn. 282-283).

9. Na celebração eucarística, cuide-se especialmente do rito da fração do pão. Que ele seja sempre uma “ação ritual visível, acompanhada meditativamente pela assembléia com o canto do Cordeiro. Este canto pertence à assembléia e por isso não seja entoado nem recitado por quem preside… (cf. Guia Litúrgico Pastoral, páginas 28-29). Se houver o abraço da paz, quem preside espere todo o povo se acalmar para, só então, proceder ao rito, de maneira “visível”, sem pressa, de forma que todos possam de fato acompanhá-lo de maneira contemplativa através do olhar e do canto do Cordeiro. É o Corpo do Senhor que se parte e se reparte para nós!… Seria bom que o rito expressasse bem este mistério. Muitas vezes a movimentação exagerada e o barulho no abraço da paz ofusca este gesto tão significativo que é a “fração do pão”. Executar o canto como Ladainha: solista e assembléia.

10. A comunhão expressa mais nitidamente o mistério da Eucaristia quando distribuída em duas espécies, como ordenou Jesus na última ceia, “tomai comei, tomai bebei”. Vale todo esforço e tentativa no sentido de se recuperar a comunhão no Corpo e Sangue do Senhor para todos, conforme autoriza e incentiva a Igreja. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

11. Após a comunhão, deixe ainda algum espaço de silêncio. Silêncio para você que preside e para a assembléia. Silêncio orante, contemplativo e de adoração. Silencio para todos se conscientizarem de que são o verdadeiro corpo do Senhor. Talvez a assembléia ainda não esteja habituada com este espaço de silêncio. Motive-a com breves e piedosas palavras para este momento silencioso, de profunda contemplação da maravilha que Deus fez por nós nesta celebração.

12. Na Oração após a comunhão meditamos na alegria eterna que já começamos a saborear na Eucaristia; é um memorial vivo, no qual assimilamos o Senhor, mediante a refeição da comunhão cristã, saboreando um antegosto da glória futura. O “Sacrum Convivium”, de São Tomás de Aquino.

13. Após a oração depois da comunhão, realiza-se a procissão eucarística, com a hóstia consagrada na mesma celebração.

Omitem-se os Ritos Finais

Os cantos durante a procissão deverão contribuir para que todos manifestem sua fé em Cristo, atentos somente ao Senhor. Durante a procissão, devemos cantar cantos que utilizamos durante a comunhão nas celebrações ou cantos de caminhada. Devemos evitar cantos intimistas, individualistas tais como: “Eu amo você meu Jesus”; “Eu quero”; “Eu sinto”; “Pão e vinho são pra ti, Senhor”; “E quando eu levantar este pão… e este cálice; “Como Zaqueu, eu quero subir…; “Ti olhar, ti tocar, e ver meu Deus como és lindo”, etc. Optar por cantos que expressam a comunhão do Senhor com a Igreja, isto é, cantos com dimensão eclesial.

Cantos para a procissão. “É bom estarmos juntos, à mesa do Senhor” de irmã Míria; “O pão da vida, a comunhão, nos une a Cristo e aos irmãos…” “Quando te domina o cansaço…” (A força da Eucaristia) de Irmã Míria.

1. No final da procissão se dará a bênção com o Santíssimo Sacramento na Igreja ou outro lugar mais apropriado; em seguida, se repõe o Santíssimo Sacramento.

2. Após a celebração e a procissão, seria significativo fazer uma confraternização com comes e bebes expressando o nosso desejo de concretizar na vida do dia a dia a partilha como Jesus nos ensina.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Cada um de nós é membro desse grande corpo social. Se um membro está doente, todo o organismo se ressente. Nossa doença, muitas vezes, é preguiça, medo, apego, extrema segurança pessoal. Peçamos hoje ao Senhor que nos permita viver em nossa vida o que aprendemos, pelo Espírito de Deus, em nosso espírito, a fim de que a Igreja, corpo de Cristo, seja em nós sinal do mistério de salvação e anúncio eficaz do Reino inaugurado por Jesus.

Celebremos o Mistério Pascal do Senhor, valorizando os gestos de partilha possibilitando a todos o direito de lutar pela vida e ter o direito de “sentar para comer”.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

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