Igreja no Mundo › 23/10/2018

Última semana do Sínodo dos Bispos

Migração e perseguições serão dois dos temas centrais do documento final do Sínodo

 

Na manhã de hoje os padres sinodais que participam do Sínodo dos Bispos sobre os jovens em Roma receberam o projeto do documento final, que deverá ser discutido antes da redação final e cada parágrafo será submetido à votação.

Embora o conteúdo do projeto não tenha transcendido, o tema das migrações, que afetam especialmente os jovens dos países pobres, estará muito presente.

Segundo explico Dom Bienvenu Manamika Bafouakouahou, Bispo de Dolisie, República do Congo, os padres sinodais manifestaram grande preocupação ante este fenômeno.

Em declarações à imprensa, disse que se trata de um tema que foi discutido amplamente, como revelaram diversos padres sinodais, e fizeram um esforço para olhar do ponto de vista do migrante, tentando se afastar de uma perspectiva eurocêntrica.

Dom Bafouakouahou afirmou que falaram sobre as causas que levam os jovens a emigrar, entre elas a devastação ambiental devido às atividades de mineração ou exploração de madeira, que não costumam ser mencionadas.

“Quando a terra é devastada pela extração de minerais e pelo desmatamento, os jovens vão embora e as multinacionais querem manter o seu poder nesses territórios. O tema da migração deve ser visto inclusive sob o prisma da economia e da ecologia. Se o planeta morre, o homem também morre. Por isso, este tema é fundamental”, assinalou.

Desde o início do Sínodo, o tema das migrações esteve muito presente nos debates. Tanto a situação no Mediterrâneo, que há alguns anos vive uma crise migratória devido às guerras no Oriente Médio e a deterioração das economias africanas, como nos países da América Central, tornou este tema inevitável.

Neste momento, o tema é muito atual devido à caravana de mais de sete mil pessoas procedentes de Honduras que estão tentando chegar aos Estados Unidos e já estão no México.

Outro tema comentado por Dom Bafouakouahou é o da perseguição contra os cristãos, “uma questão delicada que afeta diferentes regiões do mundo”.

É um tema “que estará nas conclusões”, assegurou. “Estão dando uma grande atenção ao martírio, às pessoas que derramaram o seu sangue, mas também a outras formas de martírio, além da morte: Também existe uma perseguição psicológica que faz com que as pessoas percam a sua identidade”.

Nesse contexto, “ouvimos os patriarcas que pediram ajuda e nos pedem para que não esqueçamos o que está acontecendo no Oriente”.

Além disso, o Cardeal Luis Antonio Tagle, Arcebispo de Manila, nas Filipinas, também assegurou que o tema da comunidade homossexual “está presente nos debates”, pelo menos nos círculos menores. “Sinto que estes temas estarão, não sei de que modo, mas confio que este temas estarão no documento final”.

Segundo assinalou o Prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, no mesmo encontro com a imprensa, na próxima etapa os padres sinodais “poderão realizar propostas para modificar alguns parágrafos ou adicionar novos”.

 

Fonte: ACI Digital

 

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