Igreja no Mundo › 06/01/2016

Visita do Papa à Sinagoga de Roma:

É necessário “reiterar com convicção às nossas comunidades e à todos os homens ricos de sensibilidade e de sabedoria”, a urgência de “prosseguir o caminho do diálogo que há 20 anos quisemos iniciar”. Esta é prioridade indicada na mensagem conjunta da Conferência Episcopal Italiana (CEI) e dos Rabinos da Itália, que apresenta o XX Dia para o Aprofundamento e o Desenvolvimento do Diálogo entre Católicos e Judeus. A Jornada será celebrada no próximo dia 17 de janeiro, mesmo dia em que o Papa Francisco visitará a Sinagoga de Roma. A visita ao Templo Maior será realizada exatamente seis anos após a de Bento XVI.

Católicos e judeus, por meio de sua fé, reconhecem  “antes de tudo o bem que existe no mundo”, escrevem na mensagem Dom Bruno Forte, Presidente da Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Episcopal Italiana, e o Rabino Giuseppe Momigliano, Presidente da Assembleia dos Rabinos da Itália. O Dia para o aprofundamento e o desenvolvimento do diálogo entre católicos e judeus terá por tema: “Não desejarás a casa de teu próximo. Não desejarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem a sua escrava, nem o seu boi, nem o seu asno, nem nada que pertença ao teu próximo”.

Um caminho comum entre as angústias do presente

É um caminho comum – explicam Dom Bruno Forte e o Rabino Giuseppe Momigliano – aquele que leva a viver “com angústia os acontecimentos do presente” e a colher com preocupação “os sinais sempre mais frequentes de uma humanidade perdida, desiludida por tantas falsas idolatrias que conduziram os seus seguidores por caminhos cheios de ruínas e sem futuro”.

Sem a busca do Eterno, se perde o valor do tempo

É um tempo – lê-se no texto – marcado pelo cansaço dos homens “em conceber projetos para o futuro”, em proteger “com responsabilidade os bens da criação” para as gerações futuras, porque “quando vem a faltar a busca do Eterno, se perde também os valores do tempo”  além dos confins da vida.

Diálogo fecundo para um recíproco conhecimento

Outrossim, é reiterada a confiança de que precisamente “a partir do diálogo fecundo começado”, “da busca de valores morais e espirituais compartilhados, nos quais trabalhar em sintonia”, possa nascer “um testemunho positivo de fé”. Todo caminho – sublinha a mensagem – pode conhecer “etapas de maior impulso”. Mas todo o caminho feito juntos “é indispensável para o recíproco conhecimento”.

A Nostra Aetate abriu uma nova época

O percurso do diálogo assumido é uma concreta realização daquele diálogo fraterno do qual falava a Nostra Aetate, “para ambas as partes, uma pedra fundamental na abertura de uma nova época”. A fraternidade – lê-se por fim no documento – “por muito escondida e desumanamente obstacularizada” se manifesta sempre na “sua providencial atualidade”.

O Dia para o Aprofundamento e o Desenvolvimento do Diálogo entre Católicos e Judeus será coroado em 17 de janeiro próximo com a visita do Papa Francisco à Sinagoga de Roma, como sublinha aos microfones da Rádio Vaticano, o Presidente da Assembleia dos Rabinos da Itália, Rabino Giuseppe Momigliano:

“É um evento importante que confirma, quer a atualidade do diálogo, quer a importância de manifestar com eventos que evocam a profundidade dos temas do próprio diálogo…Portanto, seguramente, assim como ocorreu nos encontros na Sinagoga realizados a partir do Papa João Paulo II, também este terá um papel muito importante em manter a atenção em temas mais importantes sobre os quais concentrar o diálogo”.

RV: O diálogo fecundo entre católicos e judeus prossegue em um tempo marcado pela angústia pelo presente. A humanidade – lê-se na mensagem – está perdida, “desiludida por tantas falsas idolatrias”…

“Neste momento o diálogo tem valor não somente enquanto momento importante nas relações judaico-cristãs, mas também como um tema que vem proposto como um chamado à consciência, para a busca dos valores espirituais, a busca da relação com o eterno, de chaves de resposta e de interpretação de um período dramático. Neste tempo é necessária a defesa, mas é necessário também remeter-se a temas morais, a valores mais elevados… Penso que a fé nos ajude também a raciocinar em âmbitos mais amplos, portanto, em fazer propósitos e projetos que não sejam somente para o imediato”.

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