A Rmorte-ressurreiçãoessurreição de Jesus é a grande notícia e a grande mensagem da Igreja. Cristo ressuscitou e nossa alegria se renova! Depois da crucifixão, ocorreu a dispersão dos seguidores de Jesus, que regressaram para a Galileia e reassumiram as suas antigas profissões. Contudo, surpreendentemente, pouco tempo depois, eles estão de novo em Jerusalém pregando; pregam não os atos ou ensinamentos de Jesus, mas um acontecimento: “o Jesus que vós matastes, Deus o ressuscitou dos mortos” (At 2,22-24.32-36). Algo ocorreu para que os apóstolos estivessem novamente reunidos e anunciando, corajosamente, a ressurreição de Cristo; a mudança no comportamento sugere que houve uma inspiração de Deus para a compreensão do mistério da ressurreição.

A ressurreição é mistério vivido, que se faz experiência, pois afirma que o Ressuscitado se faz presente na vida cotidiana, na comunhão fraterna e na vida litúrgica. Sendo assim, a ressurreição foi experimentada pelos apóstolos, como processo, como experiência morosa. Os evangelhos trazem presente a elaboração da ressurreição em vista dos processos vividos pelos apóstolos após a morte de Jesus. A comunidade agrega sentido salvífico mediante a ressurreição.

Para se chegar a saborear a ressurreição, foi preciso a frustração e o escândalo da cruz. A dureza desse momento pode ter feito os discípulos dispersarem, mas após a construção do significado daquela decepção, saborearam a ressurreição; a cruz não permaneceu, então, como desgraça ou fim de tudo, mas na ressurreição recebe sentido de vida entregue e salvação do mundo.

A ressurreição propriamente dita tem caráter teológico e diz da vida humana de Jesus: a morte, na humilhação, foi acolhida pelo Pai, e a vida do justo injustiçado foi resgatada – Jesus foi ressuscitado; na obediência, portanto, Deus o exaltou, colocando-o no posto mais alto que podia existir. Seu título é Senhor do universo e da história e diante dele todos se prostram (Fl 2,6-11).

O processo de compreensão da ressurreição, que chamamos também de hermenêutica da fé, se dá com base na releitura do primeiro testamento, observando as proposições messiânicas e o cumprimento das promessas divinas em Jesus; os discípulos passam a compreender o tempo a partir da “plenitude dos tempos”, do “kairós” (tempo da graça). O relato dos discípulos de Emaús condensa esse caminho de compreensão, a busca de sentido nas Sagradas Escrituras até a celebração da identidade dos primeiros cristãos, momento em que se abriram os olhos dos discípulos e eles reconheceram que Jesus lhes falava no caminho, por isso saíram anunciando.

A vida sem ressurreição é uma vida sem graça, sem esperança, sem saída. Jesus vive após sua morte: essa é a certeza anunciada pelos primeiros discípulos, pela Igreja e por nós. Assim, do medo à alegria, a ressurreição foi saboreada como experiência de fé dos próprios discípulos, que fizeram profunda recordação de todo projeto de Deus entendendo em Jesus o pleno cumprimento, transmitiram essa mensagem, apontando para toda humanidade que o cerne do cristianismo está em ressuscitar com Cristo: “Ressuscitei, Senhor, contigo estou, Senhor, Teu grande amor, Senhor, de mim se recordou, Tua mão se levantou, me libertou!” (Reginaldo Veloso).

Envie sua dúvida que poderá ser respondida na próxima edição do jornal, escreva e-mail para robertobocalete@yahoo.com.br.
Obrigado e até o mês que vem.

Pe. Roberto Bocalete
Administrador Paroquial da Paróquia São João Batista – Américo de Campos

Addthis Facebook Twitter Google+ PDF Online

Conteúdo relacionado

Deixe o seu comentário

Você deverá estar conectado para publicar um comentário.