Artigos, Pe. Rafael Dalben › 10/05/2015

É comum que as pessoas procurem direção espiritual para se orientar quanto ao estado de vida que vão seguir ou quanto à profissão que vão exercer. Para descobrir isso, no entanto, é necessário dar um passo atrás. Assim como uma casa não pode ser bem construída se não tem um bom alicerce, não é possível que sigamos em frente sem que esteja assegurada a consciência de nossa vocação à santidade, que recebemos pelo sacramento do Batismo.

vocHoje, as pessoas vivem com a cabeça no futuro, estudando para trabalhar e trabalhando para acumular dinheiro… Mas, ao final de suas cansativas e atarefadas existências, sobra apenas um sentimento de vazio, porque todas elas passam o hoje pensando apenas no amanhã – e, um dia, com a morte, o amanhã não vem, porque transferem o sentido de tudo o que fazem para este mundo – e a luz deste mundo, mais cedo ou mais tarde, para de brilhar. É preciso admitir que, se a vida tem realmente um sentido, ele se encontra fora da vida. Se essa existência, transitória, tem razão de ser, essa razão só pode ser eterna e transcendente. Caso contrário, como pregaram os filósofos existencialistas, só existe o nada.

Realmente, se Deus não existisse, não só a existência humana seria um absurdo como o próprio homem seria um animal defeituoso. Afinal, enquanto todos os animais encontram o objeto de seus desejos na natureza, o homem, mesmo que se lhe deem fama, sucesso, dinheiro e prazer, permanece insatisfeito. Na verdade, essa sede aparentemente insaciável do ser humano aponta para o alto: “Criastes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousa em Vós”. Eis uma verdade essencial para toda a nossa vida: fomos feitos para Deus! Por isso, não só não nos pertencemos, como devemos dirigir todos os nossos atos a Ele. Caso contrário, tudo perde o seu sentido.

Antes de trilhar uma vocação específica, portanto, é preciso que purifiquemos a nossa intenção. Muitas pessoas perseguem um determinado estado de vida ou uma determinada carreira deixando de lado a verdadeira causa final, que dá fundamento às suas vidas e ordena todas as coisas. Não raramente, elas demoram em encontrar a sua vocação, porque descuidaram do seu primeiro chamado, agindo como se a vida tivesse sentido em si mesma.

O famoso psicólogo Viktor Frankl, que passou a Segunda Guerra Mundial nos campos de concentração da Alemanha, dizia que “o homem (…) pode suportar tudo, menos a falta de sentido”. Uma pessoa pode ser bem ou mal sucedida, mas se olha para as realidades terrenas, todas as coisas se lhe tornam leves. A finalidade da vida, definitivamente, é geradora de saúde e o fim último de nossa existência não está aqui, mas em Deus.

Pe. Rafael Dalben Ferrarez
Vice-reitor do Seminário Propedeutico Nossa Senhora da Paz

 

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