11º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C – 12 de junho de 2016

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C – 12 de junho de 2016

09/06/2016 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Leituras

2Samuel 12,7-10.13. O Senhor perdoou o teu pecado: não morrerás.
Salmo 31/32,1-2.5-7.11. Eu confessei afinal meu pecado.
Gálatas 2,16.19-21. É Cristo que vive em mim
Lucas 7,36—8,8. A tua fé te salvou.

“OS MUITOS PECADOS QUE ELA COMETEU ESTÃO PERDOADOS, PORQUE ELA MOSTROU MUITO AMOR!”

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1- PONTO DE PARTIDA

Domingo da pecadora arrependida e afetuosa. Neste 11º Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos revela mais uma vez o rosto amoroso e misericordioso de Deus, em Jesus Cristo. A compaixão de Deus que vê a pessoa acima do pecado é experimentada por Davi, que, apesar de ter sido infiel a Deus e ao seu povo como rei, merece o perdão de Deus; pela pecadora, que tem um encontro com Jesus, de amor de perdão, de salvação; por Paulo, que, depois de alcançado por Cristo, e partir daí, mistura sua vida à de Cristo; e ainda pelo salmista, que proclama a misericórdia do Senhor, o qual perdoa e salva gratuitamente.

Vamos ao encontro do Senhor com a mesma atitude da pecadora, na certeza de que Ele nos trata conforme a sua misericórdia.

“Ò Senhor, ouve o meu grito, tu és minha proteção. Senhor, não me abandones, Deus, minha salvação!”, Salmo 26/27.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – 2Samuel 12,7-10.13. A leitura de hoje abrange uma parte das palavras de denúncia de Natã ao rei Davi e a reação deste frente à denúncia. Estas palavras só são compreendidas dentro de todo o contexto do crime de Davi e de seu respectivo castigo. Davi havia seduzido e engravidado a esposa de um oficial de seu exército (2Samuel 11,1s). E para que tudo ficasse escondido, ordenou ao general do exército que colocasse Urias, o oficial, no lugar mais perigoso da batalha, “porque ele deve morrer” (2Samuel 11,14-17). Deve morrer, mas como por acaso… O rei e o general devem aparecer como inocentes… A humanidade não mudou muito nestes três mil anos, desde Davi até nós! Com essa atitude, Davi quebra a Aliança realizada com Deus, uma vez que ele como rei tinha a missão de cuidar do povo. Num momento de paixão, Davi transgride a Lei, trazendo sobre si o castigo divino que passa por sua família e ameaça até mesmo seu trono.

Passou-se quase um ano, e Davi gozava tranquilamente dos frutos de seu crime. Não sofria inquietações de consciência. Com certeza cumpria regularmente seus deveres religiosos. Mas Deus, que havia escolhido e protegido Davi e que o fizera rei de seu povo, não podia deixar passar em branco um crime desta ordem. O profeta Natã sente o impulso de Deus e pede-lhe uma audiência, como fosse para consultá-lo sobre um problema. Prepara o terreno contando a parábola do pobre que possuía apenas uma ovelha e do rico possuidor de grandes rebanhos e que para festejar um amigo rouba e mata a ovelha do pobre (cf. 2Samuel 12,1-4). Davi conserva toda a sua retidão de consciência e o senso de justiça, para os outros… Ficou indignado ao extremo contra o injusto e criminoso rico.

Ai é que Natã coloca o dedo na ferida. “Esse homem és tu!” Admiramos neste fato a coragem de Natã. Os verdadeiros profetas nunca tiveram medo dos reis e dos grandes. Não pelo sádico de denunciar, mas porque falam em nome de Deus, que é maior que os reis. Natã recorda a Davi todos os benefícios recebidos de Deus. Todo crime reclama seu respectivo castigo.

A reação de Davi nos impressiona. Não se revolta, não se indignou contra a ousadia do profeta que tão duramente lhe põe diante dos olhos seu crime. Davi reconhece que é culpado diante de Deus. É um dos fatos que melhor revelam a grandeza de alma de Davi. Santo Ambrósio escreve, a respeito: “Davi pecou, o que fazem todos os reis. Mas também fez penitência, derramou lágrimas e suspirou, o que não costumam fazer os reis”. Diante desta confissão simples, sincera, espontânea, o profeta anuncia-lhe que Deus lhe perdoou o pecado. Deus perdoa. Isto é uma das grandes revelações da Bíblia!

Davi, no final da parábola de Natã, pronuncia imediatamente a sentença condenatória. Deus imediatamente após a confissão oferece o perdão. O perdão de Deus, sempre pronto para os que se arrependem, devia ser uma realidade capaz de nos impressionar sempre.

Salmo responsorial – Salmo 30/31,1-2.5-7.11. É um salmo de ação de graças pelo perdão do pecado. Em forma de bem-aventurança, proclama a felicidade essencial de ter sido perdoado. Todo ser humano é pecador, a iniciativa de Deus se adianta para salvar. “Apontar” é linguagem é linguagem jurídica, registro de dívidas e haveres com valor efetivo. É uma confissão preparada pela experiência do sofrimento. Quando o ser humano se confessa pecador diante de Deus, Deus o perdoa.

O salmo mostra que depois da conversão e do perdão, o ser humano deixa-se guiar pelo caminho de Deus e como conseqüência vem a ação de graças. Ele também declara abençoados todos os que são perdoados por Deus. Termina fazendo um convite à comunidade a fazer a experiência do perdão como fonte de alegria.

O rosto de Deus neste salmo. Depois que o salmista experimenta o perdão, ele vê Deus como refúgio e libertação, Aquele que devolve a felicidade. É o aliado que liberta. O caminho do reencontro com Deus mediante o perdão liberta e faz viver feliz. Aqui está estampado o rosto de Deus como perdão, misericórdia, aliado, refúgio, libertador.

No Novo Testamento Jesus assume esse rosto do Deus que liberta quem se aproxima dele. É o caso da pecadora perdoada (Lucas 7,36-50) e do cobrador de impostos que volta para casa justificado (Lucas 18,9-41). O Jesus de Lucas mostra que Deus perdoa (veja todo o capítulo 15 de Lucas). Mas, diante de Jesus, há também os que são como cavalos e jumentos estúpidos, e por isso o pecado deles permanece (João 9,41).

A Igreja reza esta súplica como um dos sete salmos penitenciais: o texto adapta-se muito bem à situação do cristão, pecador perdoado por Cristo, no seio da comunidade. São Paulo cita em Romanos 4,7-8 os dois primeiros versículos deste salmo para comprovar o perdão de Deus oferecido a todos, sem mérito humano. São João (1João 1,8-2,2) nos convida a confessar nossos pecados confiando em Jesus Cristo.

O salmo de hoje faz com que cada pessoa presente na assembléia se coloque no lugar de Davi ou da mulher pecadora, na certeza de receber o perdão de Deus. Com o Salmo de hoje, proclamemos a misericórdia do Senhor, que nos perdoa e nos salva gratuitamente. Deus guia, no caminho da justiça, os que reconhecem seus pecados, suas fraquezas e confiam em seu em seu amor misericordioso.

EU CONFESSEI, AFINAL, MEU PECADO
E PERDOASTES, SENHOR, MINHA FALTA.

Segunda leitura – Gálatas 2,16.19-21. O contexto da leitura de hoje inclui o incidente de Antioquia, onde Paulo defende o Evangelho mesmo contra Pedro (cf. Gálatas 2,11-21).

Diante de uma incoerência de Pedro, cuja atitude hipócrita aprovava as prescrições sobre a pureza legal (versículos 12-13). Paulo o repreende, porque “não andava retamente, segundo a verdade do Evangelho” (versículo14). Nos versículos 15-21, Paulo continua o discurso. Aqui ele vai expor o resumo do Evangelho de Cristo, mostrando que é pela fé em Jesus Cristo e não pelas obras da Lei que o ser humano é justificado. No versículo 15, ele faz uma clara distinção entre os judeus que possuem a Lei e os pagãos que não a possuem, e no versículo 16, onde começa a leitura na celebração, que mesmo eles judeus (“também nós”): o “nós” tem uma referência direta à ele e a Pedro) precisam crer em Jesus Cristo para serem justificados, pois não adianta possuir a Lei, uma vez que pela Lei ninguém será justificado. Afinal todos nós judeus e pagãos vivemos sob a escravidão do pecado (cf. Romanos 1,18—3,20) e é só a fé em Cristo que poderá nos libertar.

A expressão “obras da Lei” não se refere apenas às prescrições litúrgicas, mas à Lei de Moisés e opõe-se à outra expressão “fé em Jesus Cristo”, “que é a atitude pela qual a pessoa humana aceita a revelação divina dada a conhecer por Cristo e responde a ela com a dedicação total de sua vida pessoal ao mesmo Cristo”. No versículo 19, Paulo afirma que em virtude da lei que ele morreu para a lei, “a fim de viver para Deus”. Morri para a Lei, sendo crucificado com Cristo, porque ao ser crucificado Cristo me remiu da maldição da Lei (cf. Gálatas 3,13). Assim a Lei indiretamente serviu para a minha emancipação diante dela. Morto para a Lei, eu posso viver para Deus. Realmente o batismo é morte e ressurreição. Hoje “vivo, mas não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim”. Esta é a meta de todo cristão atingido por Paulo. Mais do que meta é a renovação interna do ser humano provocada pela sua união com Cristo ressuscitado. Na segunda parte do versículo 20, Paulo vai dizer que sua vida na carne ele a vive pela fé no Filho de Deus. “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim”. Cristo realmente vive naquele que aceitou ser transformado por Ele.
Evangelho – Lucas 7,36—8,3. Após a ressurreição do filho da viúva de Naim, Lucas insere em seu Evangelho informações sobre João Batista. João é “aquele mensageiro que prepara o caminho do Senhor” (Lucas 7, 27). Tanto a mensagem de João Batista quanto a de Jesus são rejeitadas pelos fariseus e especialistas na ciência do direito. É nesse contexto que Lucas insere o relato da mulher-pecadora afetuosa.

Esta passagem comovente e rica em doutrina só existe em Lucas figura do novo como amigo dos pecadores e, na opinião dos seus opositores, comilão e beberão (Lucas 7,34). Não é a primeira vez que Ele anda em casa de fariseus (cf. Lucas 11,37; 14,1). Jesus está com fariseus e pecadores, pois sua missão é para todos. Participar à mesa no Oriente, era símbolo de comunhão de vida (Marcos 2,15); pelo contexto, o fariseu não parecia hostil a Jesus, porque o convidara (versículo 36); todavia omitiu todas as atenções e a cordialidade devidas a um hóspede: lavar os pés, ósculo, unção da cabeça (versículos 44-46).

Por que Jesus foi convidado? É que o fariseu estava muito interessado em conhecer Jesus e poder fazer um juízo, devido a sua fama que era muito grande. Havia mais convidados (versículo 49; no Oriente, quando havia hóspedes, o ato de entrar naquela casa estava aberto também a pessoas não convidadas, como observadoras Lucas 14,2; Marcos 2,16). A mulher pecadora, é personagem central do enredo: é meretriz e não apenas pessoa de má fama ou pecadora segundo as categorias religiosas farisaicas; sua presença supõe que ela conhecesse e acompanhasse a Jesus, reconhecesse o seu estado de pecadora e, em virtude disso, sentisse atração pela sua pessoa e pregação, a ponto de chorar (versículo 38).

Os comensais estão reclinados em almofadas, com a cabeça para frente e os pés para fora (a refeição era feita em triclínios (3 leitos ao redor da mesa), as pessoas ai se reclinavam, sobre o lado esquerdo, com os pés para trás quase ao nível do chão. Ela chorou, lavou-lhe os pés com suas lágrimas, enxugando-os com os cabelos, beijando-os e perfumando-os. O beijos dos pés (versículo 38), sinal de profunda veneração pela outra pessoa, demonstra aqui a própria humilhação. As lágrimas da mulher podiam ser de arrependimento ou de vergonha pela vida anterior, ou ainda de satisfação pelo perdão já recebido; depende de como se interpretam os versículos 47 e 50a. Em todo caso ela também se tornaria “filha da sabedoria”.

Quando Jesus aplica a parábola (versículos44-46), não está querendo censurar o fariseu por ter descuidado as gentilezas devidas a um hóspede, mas realçar, paradoxalmente, o amor exuberante e o comportamento daquela mulher. Como ela mostrou cordialidade ao divino Hóspede! Ela fez tudo para o Hóspede, Simão o fariseu foi omisso. Ela foi a Jesus com ânsia de ser regenerada espiritualmente, com muito amor, vendo nele um enviado de Deus; por isso, Ele garantiu-lhe que “seus pecados seriam perdoados” (versículo 48).

As lágrimas, a humilhação são expressões de pudor e de arrependimento, o que se concilia com as palavras finais de Jesus – palavras de perdão à pecadora (versículo 48). Não que Jesus confirme, face ao acontecido, o perdão que Deus teria concedido à mulher, mas, como em Lucas 5,20 (cura do paralítico), atuou na qualidade de Filho de Deus, com poder de perdoar pecados sobre a terra. Como no caso do paralitico (Lucas 5,21s), os presentes julgavam Jesus como blasfemo, porquanto só Deus perdoa pecados; assim se pensava no Primeiro Testamento e, segundo os rabinos, o Messias, não teria poder de perdoar pecados.

O texto não pretende repreender o fariseu por não ter preenchido as etiquetas do recepcionista legal, mas acentuar e contrapor o grande amor da mulher; nem pretende levar o fariseu a reconhecer-se devedor, carente a graça divina. A parábola refere á conduta da mulher, cujos sinais de amor por Jesus são gestos de gratidão a Deus que utilizou o poder de seu Filho para tirá-la do pecado. Resulta, pois, do versículo 47 que a pecadora não foi levada a Jesus pelo remorso de consciência, do qual ela quisesse libertar-se em troca de gestos de amor, – mas pelo seu espírito renovado e justificado, que vive a certeza de estar livre de toda culpa (versículo 47). Com isso cai por terra a objeção do fariseu, ligada ao profetismo de Jesus e à moralidade da mulher (versículo 39).
A expressão final do versículo 50 – “a tua fé te salvou, vai em paz” – reaparece em Lucas 8,48, relacionada com a mulher que tinha um fluxo de sangue, mas com uma diferença essencial: a salvação não consiste na restauração da saúde física, mas no perdão dos pecados (cf. Tito 3,5). Desta forma a saudação de paz com que Jesus despede a pecadora recebe, graças à ligação com o versículo 48, uma significação bem mais profunda.

Esta pecadora confunde-se com Maria Madalena, da qual Jesus expulsou sete demônios (Marcos 8,2)? Não há base suficiente para tal identificação: a Madalena, de quem Jesus expulsou sete demônios, não costa que fosse pecadora; tal expulsão significa que Jesus a curou de várias doenças de possessão. Possesso não era sinônimo de pecador.

Os evangelistas citam várias mulheres em suas narrativas. São várias mulheres que atuaram como discípulas de Jesus com função de responsabilidade e deram sua contribuição na propagação da Boa-Nova de Jesus e para que as pessoas crescessem na fé. As mulheres que seguiram Jesus, citadas por Lucas no Evangelho de hoje, são exemplos eloqüentes (cf. Lucas 8,2-3): Maria Madalena, Joana e Susana.

As mulheres não abandonaram Jesus na hora de sua paixão (cf. Mateus 27,56.61), e Maria Madalena, citada por Lucas no texto de hoje, além de testemunhar a paixão, foi testemunha corajosa da ressurreição (cf. João 20,1.11-18). Ela é chamada de “apóstola dos apóstolos” por São Tomás de Aquino (cf. Audiência do papa Bento XVI, em 14 de fevereiro de 2007, quando ele fala “Das mulheres a serviço do Evangelho”).

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

O número 5 da constituição sobre a Sagrada Liturgia do Vaticano diz que “Deus quer salvar e chegar ao conhecimento da verdade todas as pessoas” e continua dizendo que para isso ele enviou profetas e, “quando chegou a plenitude dos tempos, enviou Seu Filho, Verbo feito carne, ungido pelo Espírito Santo, para evangelizar os pobres, curar os contritos de coração, como ‘médico corporal e espiritual’, Mediador entre Deus e os homens. Sua humanidade, na unidade da pessoa do Verbo, foi o instrumento de nossa salvação. Pelo que, em Cristo ocorreu a perfeita satisfação de nossa reconciliação e nos foi comunicada a plenitude do culto divino”. E acrescenta que esta obra da Redenção humana, iniciada com tantas ações de Deus, relatadas pelo Primeiro Testamento, foi completada por Jesus, principalmente por seu Mistério Pascal.
Tudo isso é sinal do amor imenso de Deus por nós. Deus ama muito. São várias as imagens bíblicas que demonstram o amor incansável de Deus pela humanidade e por todo o cosmo (cf. Gênesis 17; Êxodo 3,7ss; Isaias 43 etc.) Jesus é a revelação do amor do Pai.

Este domingo pode ser intitulado como “O amor gratuito de Deus vence o pecado”, ou “o domingo do amor gratuito de Deus que vai até as últimas conseqüências”.

O texto continua apresentando Jesus a caminho de Jerusalém, por cidades e aldeias, acompanhado dos Doze e de um grupo de mulheres, contra os costumes dos rabinos. Duas dessas mulheres, Maria de Magdala e Joana, serão citadas entre as primeiras testemunhas da ressurreição (Lucas 24,10); talvez elas e outras desse grupo estejam incluídas entre os que esperam, com os Doze, a vinda do Espírito Santo depois da Ascensão.

Nós somos vítimas de uma sociedade pecadora, sim, que infelizmente perdeu o sentido da ética, da verdade, da justiça etc. Somos parte dessa sociedade e, portanto, ao mesmo tempo, somos causadores do pecado e podemos também ser responsáveis pela mudança. O exemplo concreto de Jesus Cristo na humildade de sua Encarnação, na entrega através de sua paixão e morte, na “pobreza e materialidade de sua Eucaristia” nos enche de força, do vigor, da capacidade de seu amor e perdão. Esse amor e perdão é que devem inspirar nosso lutar e sofrer pela verdade, pela justiça, enfim pelo Reino. Nosso acolhimento aos irmãos, sem preconceitos, especialmente os mais marginalizados e desprotegidos, como as mulheres, as crianças, os idosos, os pobres.

Nesta celebração, inclinemos nossos corações, sabendo que nossa libertação é dom de Deus, que nos ama muito além de nossas ações.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Na ocasião em que o pecado se apresenta, a reconciliação nos faz experimentar a ação misericordiosa do Criador. Esta afirmação faz eco à afirmação do apóstolo Paulo: onde abundou o pecado superabundou a graça. A celebração Eucarística é também confissão da fraqueza humana, pela qual pedimos o socorro da graça divina conforme rezamos na Oração do Dia. Mas esta mesma celebração recorda que, em Cristo, é criada “com a família humana, novo laço de amizade”, conforme o prefácio da Anáfora (Oração Eucarística) sobre a Reconciliação I.

Cientes de nossa fraqueza, suplicamos por meio da Oração do Dia, que a graça de Deus venha em nosso socorro.

Santo Agostinho dizia que tudo quanto devemos procurar em nossas orações é “cantar a misericórdia do Senhor!”! Aplicando à Liturgia cada vez que celebramos, somos levados a experimentar os cuidados que Deus nos dispensa através de seu Filho Jesus Cristo. Há um bonito refrão da comunidade de Taizé que evoca este acontecimento em forma de súplica: Coração confiante, fonte de riqueza: Cristo dá-nos corações de pobre. Ao celebrarmos, portanto, assumimos o coração de Jesus, que é capaz de discernir e ler nos acontecimentos que lhe circundam a ocasião para a epifania da misericórdia de seu Pai.
Esta deve ser, inclusive, nossa postura ao rezar o Ato Penitencial na Missa, na celebração da Palavra ou no Ofício Divino noturno: a total confiança na misericórdia de Deus, que nos assume na fraqueza. Este rito é menos descrição das faltas e muito mais confissão de que Deus nos alcança em nossa fraqueza. Realiza-se o que diz a Escritura: É quando sou fraco que sou forte.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

A Sacrosanctum Concilium, constituição conciliar sobre a divina liturgia, que fala da obra da salvação, prenunciada e iniciada por Deus e realizada em Jesus. Continuando a falar sobre a natureza da sagrada liturgia e sua importância na vida da Igreja, a mesma constituição diz que a obra de Cristo continua na Igreja e se coroa em sua liturgia. Portanto, as ações litúrgicas, nas quais Cristo se faz presente, são momentos privilegiados para fazermos experiência da salvação. À medida que nos reunimos para celebrar o mistério pascal, “lendo ‘tudo quanto a ele se referia em todas as Escrituras, na qual se torna novamente presente a vitória e o triunfo de sua morte’ (…)” Sacrosanctum Concilium, nº 6), somos tocados, atingidos pelo mistério de Cristo e “pascalizados”.

O ritual da Penitência diz o seguinte: “No sacrifício da missa a paixão de Cristo se faz presente e a Igreja oferece de novo a Deus, para a salvação de todo o mundo, o corpo, que é entregue por nós, e o sangue, que é derramado para a remissão dos pecados. Na Eucaristia, Cristo está presente e se oferece como ‘vítima de nossa reconciliação’ e para que ‘sejamos reunidos num só corpo’ pelo seu Espírito Santo” (Introdução, nº 2).

Neste domingo, somos convidados a fazer Nele e com Ele a experiência de afeição e do perdão, reunindo-nos como irmãos e irmãs, escutando sua Palavra e celebrando a sua entrega na Eucaristia. Corpo entregue e Sangue derramado para a remissão dos pecados.

A antífona de entrada, que inspira o canto de abertura, e também a oração do dia já nos convida para uma disponibilidade à graça: “Ouvi, Senhor, a voz do meu grito: tende piedade de mim e atendei-me; vós sois meu protetor: não me deixeis; não me abandones, ó Deus meu Salvador!”, Salmo 26/27 (Antífona de Entrada). “Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo, e como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme a vossa vontade, seguindo seus mandamentos (…)” (Oração do Dia).

Deus oferece o seu perdão, a sua bondade infinita, conforme vemos na Palavra proclamada. De nossa parte é preciso, diante do amor infinito de Deus, reconhecer as nossas falhas e pecados, como diz o salmo responsorial de hoje: “Eu confessei, afinal, o meu pecado e perdoastes, Senhor, minha falta”. Toda a “ação eucarística” é uma experiência da misericórdia de Deus. O Prefácio da Oração Eucarística sobre a Reconciliação I nos ajuda a rezar a ternura e a bondade de Deus, que nunca cansa de perdoar: “Na verdade, é justo e bom agradecer-vos, Deus Pai, porque constantemente nos chamais a viver na felicidade completa. Vós, Deus de ternura e de bondade, nunca cansais de perdoar. Ofereceis vosso perdão a todos convidando os pecadores a entregarem-se confiantes à vossa misericórdia. Jamais nos rejeitastes quando quebramos a aliança, mas, por Jesus, vosso Filho e nosso irmão, criastes com a família humana novo laço de amizade, tão estreito e forte, que nada poderá romper. Concedeis agora a vossa povo tempo de graça e reconciliação. Dai, pois, em Cristo novo alento à vossa Igreja, para que se volte para vós. Fazei que, sempre mais dócil ao Espírito Santo, se coloque ao serviço de todos”.

Com Cristo, por Cristo e em Cristo – nossa Páscoa e certeza da paz definitiva, vítima de reconciliação – nós nos entregamos ao Pai (Oração Eucarística sobre a Reconciliação I). Aproximemos do Deus Santo e Justo para que possamos obter misericórdia.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. E preciso cuidar da formação técnica, teológica e espiritual de todos os (as) ministros (as).

2. A leitura contínua do Evangelho, harmonizada com a primeira leitura, tirado do Primeiro Testamento, dá a tônica da celebração e apresenta um itinerário de seguimento. Aí temos a espiritualidade a ser vivida durante a semana e a vida toda.

3. A homilia (conversa familiar) interpreta as leituras bíblicas a partir da realidade atual, tendo o mistério de Cristo como centro do anúncio e fazendo a ligação com a liturgia eucarística (dimensão mistagógica) e com a vida (compromisso e missão). A homilia dever ser um elemento integrador da espiritualidade do Tempo Comum. Permite uma profunda educação para a fé, fundada na teologia das atividades de Jesus.

4. A mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia formam um só ato de culto; portanto, é preciso manter um equilíbrio de tempo entre as duas. Demasiada atenção dada à procissão com o Lecionário ou com a Bíblia, homilias prolongadas, introduções antes das leituras parecendo comentários ou pequenas homilias, tudo isso prejudica o rito eucarístico, que em conseqüência acaba sendo feito às presas.

5. A Oração Eucarística pode ser a da Reconciliação I ou II.

6. “É muito recomendável que os fiéis recebam o Corpo do Senhor em hóstias consagradas na mesma Missa e participem do cálice nos casos previstos, para que, também através dos sinais, a comunhão se manifeste mais claramente como participação do Sacrifício celebrado” (IGMR nº 56 h). Um dos mais graves abusos nas celebrações da eucaristia é a distribuição da comunhão do sacrário como prática normal. Assim pecamos contra toda a dinâmica da ceia eucarística, que consta da preparação das oferendas, da ação de graças sobre os dons trazidos, da fração do pão consagrado e da sua distribuição àqueles que, com a oblação deste pão, se oferecem a si mesmos com Jesus ao Pai.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo do Tempo Comum, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do 11º Domingo do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento. Como a equipe de canto da sua paróquia executa os cantos durante o Tempo Comum? É com atitude espiritual?

A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 11º Domingo do Tempo Comum, “cantar a liturgia”, e não “na liturgia”. Os cantos devem estar em sintonia com o ano litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que a “equipe de canto” deve estar em sintonia com a equipe de liturgia.

1. Canto de abertura. Deus tenha compaixão de nós. “Ó Senhor, ouve o meu grito”, Salmo 26, CD: Liturgia VI, faixa 12, exceto o refrão; “Vimos aqui, ó Senhor”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão do Hinário III da CNBB, melodia da faixa, 7.

Somos chamados a sermos instrumentos da misericórdia de Deus no seguimento Daquele que é perdão e misericórdia. A própria celebração deve ser um sinal da consolação de Deus que não fica indiferente aos pecadores arrependidos. Nesse sentido temos mais duas ótimas opções: “Canta, meu povo, canta o louvor de teu Deus”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 11 ou também no CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 15. Na celebração cantamos a bondade e o amor de Deus que vem para salvar a todos. “Vimos aqui, ó Senhor”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 7.

2. Ato penitencial. Deus salva os que se arrependem. “Senhor, que viestes salvar os corações arrependidos”, CD: Partes Fixas Ordinário da Missa, melodia da faixa 1.

O Ato Penitencial seja realizado com a conhecida fórmula de tropário (formula 3) que mescla “invocações” e Kyrie: “Senhor que vistes salvar os corações arrependidos”. Sugerimos a melodia de Frei Joel Postma, porque sua rítmica deixa transparecer a confiança daqueles que suplicam a misericórdia do Senhor e caracteriza melhor o Kyrie como aclamação e não somente prece. Está gravado na CD: Partes Fixas Ordinário da Missa, melodia da faixa 1.

3. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

4. Salmo responsorial. A felicidade de confessar o pecado e ser perdoado. “Eu confessei afinal, meu pecado e perdoastes, Senhor, minha falta” CD: Liturgia XI, melodia igual à faixa 14.

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

5. Aclamação ao Evangelho. Tua fé te salvou (Lucas 7,50). “Aleluia… O Reino do céu está perto”, CD: Liturgia XI, melodia da faixa 13. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

6. Apresentação dos dons. Nossa disposição em acolher e perdoar deve gerar na assembléia a partilha. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. “Senhor, meu Deus, obrigado, Senhor…”, CD: Liturgia XI, melodia da faixa 15.

7. Canto de comunhão. O desejo de habitar na casa do Senhor (João 17,11) “…para que sejam um como nós…”. “Se esta mulher, que na vida errou”, CD: Liturgia XI, melodia da faixa 10, exceto o refrão, do Hinário Litúrgico III da CNBB.

Proclamando na celebração o perdão e a misericórdia de Deus, podemos cantar o Salmo 31: “Feliz o homem que da culpa é absolvido”, Salmo 31, página 355 do Hinário III, da CNBB gravado no CD: Liturgia XIV QUARESMA Anos B e C.

O Canto de Comunhão “Se esta mulher que na vida errou” ou “Feliz o homem que da culpa é absolvido”, gravado pela Paulus, articula-se com a Liturgia da Palavra, o que permite estabelecer e experimentar a unidade das duas mesas, considerando a Liturgia um único ato de culto. O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho do dia. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia.

8- O ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Preparar o espaço celebrativo de forma festiva usando a cor verde na Mesa da Palavra e na Mesa do Altar. Destacar no espaço celebrativo um ícone da mulher lavando e ungindo os pés do Senhor.

2. O simbolismo da cruz traz presente o anúncio da paixão e ressurreição do Senhor. A cruz processional, a mesma que será usada na procissão de abertura, esteja na entrada da Igreja, por onde todos passam. É uma forma de trazer presente o mistério que será celerado. Ela pode ficar aí até o início da celebração, ladeada de velas e flores, de forma que chame a atenção de todos os que vão chegando para a celebração.
3. Preparar o espaço celebrativo. A mesa da Palavra receba também destaque semelhante à mesa eucarística: toalhas, cor litúrgica (verde no Ambão). Os enfeites não podem ofuscar as duas mesas principais: mesa da Palavra e o Altar.

9. AÇÃO RITUAL

Enquanto as pessoas vão chegando canta-se: “Louvarei a Deus, seu nome bendizendo! Louvarei a Deus, à vida nos conduz”. (Orações e cantos de Taizé, n. 71).

Ritos Iniciais

1. Valorizar os ritos iniciais, que constituem a assembléia como Corpo Vivo do Senhor. A presença real do Senhor ressuscitado, se manifesta também nos sinais sensíveis da comunidade reunida em nome do Senhor que “ora e canta”, pelo tom de vós, pelo conjunto de gestos, símbolos e atitude orante e consciente da assembléia, dos acólitos, dos leitores, salmista e outros ministérios e, principalmente de quem preside.

2. A cruz é símbolo da fraqueza humana fortalecida pela graça de Deus. Nela ficou exposta toda a fragilidade e se manifestou a misericórdia de Deus ao ressuscitar seu Filho Jesus Cristo.

3. Neste sentido, tê-la como estandarte que guia a procissão de abertura é muito significativo e pode ser algo a se tratar mistagogicamente na homilia. Além dos cantos indicados, sugerimos, então, como segunda opção, que o canto de abertura desta celebração seja “Vimos aqui, ó Senhor”.

4. Levar na procissão de entrada um ícone da mulher lavando e ungindo os pés do Senhor.

Seria muito oportuno a saudação inicial de 2Tessalonicensses 3,5:

“O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco”.

5. Após o sinal da cruz e a saudação do presidente, dar o sentido litúrgico da celebração. O Missal deixa claro que o sentido litúrgico da celebração pode ser feito pelo presidente, pelo diácono ou outro ministro devidamente preparado (Missal romano página 390).

6. O sentido litúrgico pode ser proposto, através das seguintes palavras, ou outras semelhantes:

Domingo da mulher perdoada. Irmãos e irmãs, vamos ao Senhor com a mesma atitude da pecadora, na certeza de que Ele nos trata conforme a sua misericórdia.

7. Seria muito oportuno o convite para o Ato penitencial a fórmula 3 do Missal Romano página 392:

O Senhor disse: “Quem dentre vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”. Reconheçamo-nos todos pecadores e perdoemo-nos mutuamente do fundo do coração.

8. Após uns momentos de silêncio, o presidente propõe Sugerimos cantar o Ato Penitencial que está no CD: Partes Fixas Ordinário da Missa, melodia da faixa 1.

9. O Ato Penitencial seja realizado com a conhecida fórmula de tropário (formula 3) que mescla “invocações” e Kyrie: “Senhor que vistes salvar os corações arrependidos…” como está em Música Ritual acima Sugerimos a melodia de Frei Joel Postma, porque sua rítmica deixa transparecer a confiança daqueles que suplicam a misericórdia do Senhor e caracteriza melhor o Kyrie como aclamação e não somente prece.

10. O Domingo é Páscoa semanal dos cristãos. Cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).

11. Na Oração do Dia tomamos consciência de que sem Deus, o homem, na sua fraqueza, não pode nada; precisa da graça para querer e agir conforme a vontade de Deus.

Liturgia da Palavra

1. Destacar o Evangeliário. Depois da procissão de entrada deve permanecer sobre a Mesa do Altar até a procissão para a Mesa da Palavra como é costume no Rito Romano.

2. Onde for possível, após a homilia realizar a bênção e a unção com o óleo como segue:

3. (Uma mulher traz até o presidente da celebração um pequeno pote bonito e não de plástico, contendo o óleo perfumado. Quem preside reza abençoando o perfume).

Deus da vida que não cansa de perdoar, que nos alegras com este perfume e manifestas por meio dele a tua bênção e a ternura do teu amor, dá-nos a graça de manifestar sempre a compaixão, uns para com os outros, e de sermos em todo lugar o bom perfume de Cristo, por quem te pedimos, na unidade do Espírito Santo. Amém.

4. Mesmo que o Ato Penitencial seja feito nos Ritos Iniciais, é muito oportuno realizar a unção com o óleo manifestando nessa ação ritual a afetuosidade do nosso Deus que muito ama.

Liturgia Eucarística

1. Na Oração sobre as Oferendas, contemplamos o pão e o vinho como alimento de renovação da vida cristã.

2. Para este domingo seria muito oportuno rezar a Oração Eucarística sobre a Reconciliação I ou II onde somos convidados a ser sinal dessa reconciliação que Cristo veio nos trazer. Se for escolhida outra prece eucarística, sugerimos o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum IV, no qual contemplamos “o perdão do pecado”. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Nascendo na condição humana, renovou inteiramente a humanidade. Sofrendo a paixão, apagou nossos pecados. Ressurgindo, glorioso, da morte, trouxe-nos a vida eterna. Subindo, triunfante, ao céu, abriu-nos as portas da eternidade”. Seguindo essa mesma lógica outra opção é o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum I. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. Elas não podem ter os prefácios substituídos com grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

3. Quanto ao prefácio: se não for cantado, quem preside procure proclamá-lo com ênfase, mas ao mesmo tempo calmamente, de forma serena e orante. Frase por frase. Cada frase é importante, anunciadora do mistério que hoje celebramos. Basta prestar bem atenção nelas! A boa proclamação do Prefácio, como abertura solene da grande oração eucarística (bem proclamada também), tem um profundo sentido evangelizador, pois, por seu conteúdo e, sobre tudo, por ser oração, toca fundo no coração da assembléia.

4. Cantar com vibração o “Amém” conclusivo da Oração Eucarística. Por Cristo, com Cristo…

5. Neste Domingo é muito oportuno destacar a misericórdia de Deus ao apresentar o pão e o vinho para o convite à comunhão utilizando o Salmo 33,9:

“Provai e vede, como o Senhor é bom, Feliz de quem nele encontra seu refúgio. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo…”

6. A comunhão, em duas espécies, além de cumprir o mandato do Senhor, sinaliza com maior clareza nossa participação na vida de Jesus.

7. Distribuir o corpo de Cristo de forma consciente e orante, como um gesto de profundo serviço, expressando nele o próprio Cristo que se dá como servo de todos. Isso vale tanto para quem preside como para seus ajudantes.

Ritos Finais

1. Na Oração depois da comunhão suplicamos que a comunhão eucarística sacramento da união dos fiéis, nos mantenha no amor de Deus e na comunhão da Igreja.

2. Chamar todas as mulheres para que se aproximem do presbitério para uma bênção especial.

3. A bênção final é a do Tempo Comum I do Missal Romano.

4. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Sejam testemunhas do amor e da misericórdia de Deus. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
11- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quem nos livra de nossa dívida é Deus. Só Ele, que criou nossa vida, é capaz de restaurá-la na sua integridade. E quando Jesus perdoa pecados, Ele revela que o Pai está com Ele (o que os comensais perceberam: Lucas 7,49). Pedir perdão é dar a Deus uma chance para refazer em nós a obra de seu amor criador. Mas quem pouco o ama, não lhe dá esta chance…

Celebremos a Páscoa semanal do Senhor. Que a força do perdão do Senhor transforme a nossa vida.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

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