2º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C

16/01/2019 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Imagem: Google

20 de janeiro de 2019

Leituras

  • Isaias 62,1-5. As nações verão a tua justiça.Salmo 95/96,1-3.7-10. Dia a pós dia anunciai sua salvação.

    1Coríntios 12,4-11. Um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos.

    João 2,1-11. Este foi o início dos sinais de Jesus.

“FAZEI O QUE ELE VOS DISSER”

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo das Bodas de Caná. Mesmo já situado no Tempo Comum, dá continuidade à festa da Epifania, pois faz memória do dia em que Jesus começou a revelar sua identidade de Messias-esposo da nova humanidade. Por isso todo o universo é convidado a adorar o Senhor.

A Igreja celebra como Epifanias três manifestações da vida de Jesus: a Epifania diante dos Magos do Oriente (manifestação aos pagãos), a Epifania do Batismo do Senhor (manifestação aos judeus) e a Epifania das Bodas de Caná (manifestação aos seus discípulos).

Terminado o Tempo do Natal, com a festa do Batismo do Senhor, até Quarta-Feira de Cinzas, no dia 06 de março, temos a intercalação de sete domingos do Tempo Comum para acompanharmos e vivermos o mistério da revelação do Senhor ao seu povo. O batismo de Jesus foi celebrado no dia 13 de janeiro. Por isso o 2º Domingo do Tempo Comum, celebrado hoje, está ainda no contexto da festa do Batismo do Senhor, isto é, o Mistério que hoje celebramos é prolongamento da manifestação de Jesus como Salvador da humanidade.

Neste domingo, estamos em Cana da Galiléia para ver Jesus realizar seu primeiro sinal numa festa de casamento e manifestou na Sua glória. Nós somos a festa de casamento, os privilegiados, os escolhidos para conhecer e celebrar a intimidade do amor de Deus com a humanidade. Com o Salmo 65/66, somos chamados a adorar o Senhor com todo o universo

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Isaias 62,1-5. Tudo leva a crer que esta profecia aconteceu no fim do exílio ou nos primeiros anos após o decreto de Ciro no ano 538. Ciro acaba de lançar um decreto autorizando a reconstrução do templo de Jerusalém. A primeira caravana de exilados certamente já partiu da Babilônia em direção a Jerusalém. A esperança e a expectativa desses exilados concretizam-se, pois, em torno do Templo. O profeta sustenta o ânimo dos exilados, expondo-lhes o quadro do extraordinário futuro da cidade.

Depois de tantas desgraças e sofrimentos, e diante das perspectivas de restauração, o profeta sente um impulso irresistível de proclamar estas maravilhas que Deus está realizando em favor de seu povo e da cidade de Jerusalém. Todas as nações ficarão pasmadas ao ver a glória da Cidade de Deus que receberá um nome novo. Ela será como uma jóia nas mãos de Deus.

No versículo 1 o profeta manifesta que já está entrevendo as maravilhas que Deus vai realizar. E por isso ele não se cala, ele vai anunciar e proclamar até que isto aconteça plenamente. Usa aqui também, como em Isaias 61,10, o binômio: salvação e justiça.

Na tentativa de descrever a nova situação, utiliza agora (versículo 3) outra imagem: uma coroa e um diadema. Coroa e diadema, não enquanto símbolos do poder, mas no sentido de jóia preciosa que se torna objeto de admiração e por isso se olha e se acaricia com as mãos.

O versículo 5 continua desenvolvendo a imagem do casamento. Deus, não só vai reconstruir a cidade, mas vai desposá-la com o amor e o entusiasmo com que um jovem desposa uma moça. E tem mais: não é Deus que vai causar a felicidade de Sião, mas é esta que vai fazer a felicidade de Deus. Imagem ousada, mas de profundo sentido teológico. Certamente estamos diante de um antropomorfismo, em que se revela o amor, a delicadeza e todo o apreço que Deus tem pela pessoa e por seu povo. Esta idéia aparece também em Isaias 65,19. Jesus tem expressões semelhantes nas parábolas da ovelha e da moeda perdidas (Lucas 15,7.10). A fonte da felicidade desta futura cidade é a presença de Deus no coração da cidade

A figura do matrimônio é, sem dúvida, a mais ousada que os profetas utilizaram para expressar o amor de Deus para com seu povo. É a forma humana que melhor exprime o amor, a partilha, a identidade e a doação mútua. A Encarnação de Jesus, a Eucaristia e o dom do Espírito Santo realizam e, ao mesmo tempo, ultrapassam infinitamente estas promessas feitas ao povo escolhido pelos profetas.

A Encarnação, na qual Cristo transmite a sua divindade à nossa humanidade, e também na Eucaristia, que prossegue a troca, constituem os movimentos mais ricos desta partilha de amor.

Salmo responsorial 95/96,1-3.7-10. Com o Salmo 95/96, resposta à Palavra de Deus, mesmo sendo um salmo de realeza, é também um hino de louvor. Israel tem por ofício louvar a Deus, e com este louvor leva todos os povos a conhecer a Deus. A eleição de Israel é missionária, seu louvor é testemunho. A ação criadora demonstra o poder de Deus.

O rosto de Deus no Salmo 95/96. O salmista insiste no nome de Deu, merecedor de um canto novo. Por que? Porque é Criador (versículo 5b), o libertador (as “maravilhas” do versículo 3b recordam a saída do Egito) e, sobretudo, o Rei universal. Fala-se muito no seu governo (versículos 10b.13), e três são as características de sua administração universal: retidão (versículo 10b), justiça e fidelidade (13b). Podemos dizer que é o aliado da humanidade, soberano do universo e da história.

O tema da realeza de Jesus está presente em todos os evangelhos. Mateus mostra que Jesus traz uma nova prática da justiça para todos, e isso faz acontecer o reinado de Deus na história. Os contatos de Jesus com os não judeus demonstram que seu Reino não tem fronteiras e que seu projeto é o de um mundo cheio de vida para todos.

Por Ele, bendizemos nosso Deus e nos alegremos. Expressemos também nossa confiança, pois sabemos que Ele virá “julgar a terra inteira” e seu julgamento será justo. Cantemos ao Senhor nosso Deus porque Ele se revela na humanidade de Jesus e se faz presente em nossas vidas.

CANTAI AO SENHOR DEUS UM CANTO NOVO,
MANIFESTAI OS SEUS PRODÍGIOS ENTRE OS POVOS.

Segunda leitura – 1Coríntios 12,4-11. No capítulo 12 de 1Coríntios, Paulo aborda um novo tema: o problema dos carismas, muito relacionado com as celebrações litúrgicas, das quais começara a tratar no capítulo 11, apontando abusos na ceia, no traje e, agora, no uso dos carismas, cada um buscando sua própria utilidade, seu gosto, sua glória.

“Carisma” para Paulo é um dom ou fervor espiritual, que o Espírito Santo concedia gratuitamente (versículo 11) para os membros da comunidade cristã, como expressão visível da presença do Espírito, para o bom funcionamento da Igreja. Jesus havia prometido tais dons antes da Ascensão (Marcos 16,17s) e os Atos dos Apóstolos confirmam o cumprimento desta promessa (Atos 2,4; 6,8; 8,7; 10,45; 21,20). Os cristãos de coríntios se prendiam aos carismas sensacionalistas, como a glossolalia, confundindo-os com certos fenômenos de entrar em êxtase, isto é, arrebatamento que era muito forte no paganismo.

A comunidade carismática de Corinto passa pela tentação do “sincretismo”, isto é, misturava elementos do paganismo com o Cristianismo: o mundo pagão exige um “conhecimento” experimental da divindade por meio de transes, de fenômenos de entrar em êxtase e outros “carismas” duvidosos. Aos cristãos, Paulo fala de um conhecimento apoiado na fé. Esta fé cristã é acompanhada de sinais e carismas que os cristãos de Corinto não diferenciam muito bem dos sinais e carismas do paganismo. Na comunidade cristã tinham resquícios, isto é, resíduos do paganismo.

Inicialmente, lembra o Apóstolo nos versículos 4-6 que, se o paganismo com seus vários deuses gozava de carismas de toda espécie, eles eram concedidos por deuses sempre diferentes e se disputavam. Na Igreja, pelo contrário, tudo é uno e unificado pela vida da Santíssima Trindade, quer se trate de graças, de funções comunitárias ou de atividades extraordinárias. Além do mais, os carismas são distribuídos em vista da utilidade de todos, sem excluir ninguém. Esta regra afasta imediatamente os fenômenos da embriaguez pagã ou transes individuais. Já que um único Espírito é a fonte de todos os dons, estes não podem opor-se uns aos outros, nem tão pouco os que deles se beneficiam: se há, pois, oposição entre os carismáticos daquele tempo e de hoje, é que o Espírito não os inspira e seus dons não são os dons de Cristo (versículo 7).

Os versículos 4-6 oferecem um paralelismo perfeito: a diversidade dos carismas corresponde sempre o mesmo princípio divino. Os vários carismas vêm do Espírito Santo (versículo 3) e são distribuídos sobre muitos. Entretanto, os “ministérios” são atribuídos ao Senhor Jesus Cristo e as “atividades”, a Deus Pai. Contudo, no versículo 7, os carismas são qualificados indistintamente de manifestações do Espírito Santo e, no versículo 11, atribuídos ao mesmo Espírito. É que Pai, Filho Espírito Santo são um só Deus, com um único princípio de ação que é a natureza divina. Os carismas, segundo Paulo, procedem das Três Pessoas da Santíssima Trindade (versículos 4-6), mas são atribuídos de modo particular ao Espírito Santo, princípio de amor e de santidade. O Espírito Santo é um Espírito do “todo”, incompreensível aos pagãos que admitiam contradições e disputas entre seus deuses. Dons, ministérios, atividades são a mesma realidade, relacionada com a ação “externa da Trindade, mas, por apropriação, os “carismas”, são atribuídos ao Espírito Santo, os “ministérios” a Cristo, Senhor e cabeça da Igreja, e as “atividades” ao Pai, origem do ser e do poder”.

Paulo fala de dois carismas da inteligência: a sabedoria e a ciência. O carisma “palavra de sabedoria” seria o dom de penetrar nos mistérios divinos e saber fazer a exposição aos fiéis (1Coríntios 2,6-16; Hebreus 6,1). “Palavra de ciência” é o carisma de conhecer e expor adequadamente as Escrituras e as verdades cristãs elementares. Vem em seguida a fé, que aqui não indica a virtude teológica, mas a possibilidade de fazer milagres (1Coríntios 13,2; cf. Marcos 11,19-26), o dom de curar e o dom de fazer milagres, três carismas bem semelhantes. Curar e fazer milagres faz parte da fé. A fé é uma atitude de quem ora e crê, viva e confiantemente, em Deus a ponto de transportar montanhas (13,2) na edificação da Igreja. O “dom das línguas” (glossolalia) consiste não tanto em falar línguas estranhas, mas de emitir em êxtase sons incompreensíveis e palavras incoerentes, só traduzíveis por quem possui o carisma de “interpretação”. Seriam palavras dirigidas a Deus – cânticos, preces inspiradas e em êxtase como no pentecostalismo.

A segunda leitura quer expressar que na diversidade de pessoas e de dons, a comunidade forma um só Corpo, no Espírito. A comunidade de Corinto apresentava divisões, preferências, sectarismos e por isso Paulo sublinha que a comunidade cristã é uma unidade que não exclui ninguém e supõe uma diversidade de dons e serviços para a edificação do bem de todos.

Pelo Batismo o Espírito Santo anula distinções raciais, sociais, nacionais, e leva à fé comum e ao reconhecimento de que Jesus Cristo é o nosso Senhor e nós somos irmãos. A unidade não significa uniformidade, mas presume uma complementaridade rica e saudável, onde cada pessoa conserva sua originalidade, seu modo particular de ser, pensar, falar e agir. Cada pessoa tem sua história e uma função própria e especial na construção da comum-unidade. Quem discrimina não tem abertura nenhuma ao Espírito Santo.

Evangelho – João 2,1-22. Estamos ainda no espírito da Epifania, da manifestação de Deus em Jesus. Na liturgia antiga, as festas da Epifania, do Batismo do Senhor e das Bodas de Cana da Galiléia, formavam a tríade da Epifania.

O Evangelho apresenta não só o primeiro milagre de Jesus, mas também o primeiro dos seus “sinais”. Em uma festa de casamento, algo tão humano, simples e popular, Jesus inicia os sinais de sua manifestação, da sua Epifania no mundo. Compartilha da alegria dos noivos e a faz sua para dizer que a sua glória é se o noivo da humanidade. João coloca este “sinal” no início do seu Evangelho, porque é uma síntese de tudo o que Jesus fará ao longo de sua missão. Em uma palavra: Ele é o esposo que celebrará as núpcias com a humanidade.

Jesus inicia seu ministério de rabino e de taumaturgo em círculos íntimos, por assim dizer: sua própria cidade, Cafarnaum, sua família ou a dos Apóstolos. Mas nesses primeiros passos ainda discretos, João já entrevê toda a obra de divinização da humanidade e, ao mesmo tempo, o resplandecer do Mistério Pascal.

A transformação da água em vinho a apresentada pelo quarto Evangelho como o “início dos sinais” realizados por Jesus (2,11). Nesta passagem, como aliás através de todo o Evangelho, o termo “sinal” é empregado de uma forma própria de João. Indica os milagres de Jesus. João não se prende ao conteúdo exterior ou material dos acontecimentos. Ele procura o seu significado. Os milagres revelam em João mais claramente que Mateus, Marcos e Lucas o sentido profundo dos atos de Jesus, eles revelam quem Ele é. Assim a cura do cego de nascença (João 9) nos manifesta Jesus como a Luz do mundo (João 9,5: enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo”), a ressurreição de Lázaro (João 11) nos revela o Cristo como “a ressurreição e a vida” (João 11,25).

Uma das idéias centrais do Evangelho de hoje é o tema da substituição das realidades antigas pelas novas. Este tema das coisas novas está de ponta a ponta no Evangelho de João. Em João 1,14, a tenda da Aliança, lugar privilegiado da presença de Deus no povo eleito, é substituída pela humanidade de Jesus Cristo (“E o Verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós e nós vimos a sua glória…). Em João 2,21, o Templo de Jerusalém dá lugar ao novo Templo que é o corpo de Jesus (“Ele, porém, falava do templo do seu corpo”). Em João 4,21-24, o culto em Jerusalém ou no monte Garizim torna-se um culto “em espírito e verdade”. Em João 6,49-50, o maná do deserto é substituído pelo “pão descido do céu”.

Aqui, as seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, “contendo cada uma de duas a três medidas” (João 2,6), representam o Judaísmo. E a enorme quantidade de vinho – 480 a 720 litros – é já no Primeiro Testamento (Amós 9,13-14 e Oséias 14,8) sinal da presença do Messias.

O fato de Maria dizer a Jesus que os convivas não têm mais vinho conclui-se uma preocupação de ordem prática de mulher atenta às minúcias da recepção. Entretanto, isto significa também, no plano simbólico (cf. Isaias 55,1-3 e Joel 2,25-27), que o povo está inebriado com o vinho da felicidade e da sabedoria e se mantém numa atitude de pobres, aguardando a iniciativa de Deus para dar-lhes a felicidade. Jesus distribui, efetivamente, o “bom vinho” desta felicidade prometida para os últimos tempos, sinal da plenitude e da sabedoria que Ele traz ao mundo como esposo da humanidade.

Portanto, a afirmação de Maria: “eles não têm vinho” (2,3) é uma constatação simples e clara da esterilidade ou fim do Judaísmo. E a exclamação do mestre-sala dirigida ao noivo (o Cristo!): “tu guardaste o bom vinho até agora!” (2,10) é uma proclamação da chegada dos tempos messiânicos. Em outras palavras, diante do Cristo, as instituições judaicas perdem o seu sentido. Jesus é agora o único caminho que leva ao Pai. Ele é a manifestação plena e definitiva de Deus entre no meio da humanidade. O versículo 6 ao falar das seis talhas de pedra, traz à tona a necessidade de mudança de uma religião que já não tem um vinho novo para oferecer, principalmente para os mais pobres. Se o Judaísmo fosse pra ser continuado teria que ter 7 talhas de pedra.

O fato de João situar o milagre no “terceiro dia” (versículo 1 ; cf. João 11,6-7; 13,33; Lucas 24,7; Oséias 6,2-5) é igualmente uma maneira de referir-se à realização da Páscoa de Cristo, e de chamar a atenção dos cristãos para os fatos de Cana que serão interpretados a partir do Mistério Pascal.

Mas é sobretudo o tema da hora o ponto decisivo deste assunto (versículo 4, cf. João 2,19; 7,30-39; 8,20; 13,1;17,1). A hora indica concretamente a morte do Salvador, morte que O glorifica e glorifica o Pai, porque realiza a salvação do mundo. Podemos mesmo dizer que, a partir de João 7,30, as referências à hora de Jesus indicam aquele momento de sua vida em que será reduzido a total incapacidade, em que não mais fará milagres (cf. João 9,4; 11,9-10; cf. o tema do “elo” em João 18,12,24; 9,40).

Cristo refere-se, pois, ao “sinal” e à hora por excelência, que realizará de sua morte, mas, enquanto espera o acontecimento desta hora, é permitido a Ele apresentar sinais e realizar maravilhas provisórias, assim como eram provisórias as diferentes liberações maravilhosas do Primeiro Testamento.

Tudo acontece numa festa de casamento em uma aldeia que sustenta e unifica um grande número de ações simbólicas. Momento que costuma unir muitas pessoas, o matrimônio é, no Primeiro Testamento, símbolo freqüente do amor do Senhor pela comunidade. No Novo Testamento, é símbolo da união do Messias com a Igreja. O vinho é dom do amor e se anuncia como dom messiânico e símbolo do Espírito Santo.

O uso da palavra “mulher” não é um tratamento ofensivo, mas um costume grego existente na época e significa “senhora”. Qual é o papel de Maria nesse casamento? Ela está presente, mas não diz que ela seja uma simples convidada. Sua presença é importante, pois possui autoridade de circular entre os criados e dar-lhes a ordem de obedecer a seu filho Jesus: “Fazei tudo o que ele vos disser” (2,5). Ela sabe o que acontece e tem conhecimento da necessidade do vinho.

A idéia de Cristo seria portanto, esta: posso fazer hoje o milagre proposto; uma hora virá, entretanto, em que meu poder realizará o milagre por excelência, porque passará pelo amor até à morte “E tendo amado os seus que estavam no mundo amou-os até o fim” (João 13,1).

Conforme as notícias de Eusébio, Judas Tadeu teria sido o esposo nas núpcias de Caná (bodas de Caná), isso explicaria a presença de Maria e de Jesus. Dada a notoriedade de Tiago na Igreja primitiva, Judas era sempre lembrado como irmão de Tiago. O breve escrito de Judas Tadeu é severa advertência contra os falsos mestres e convite a manter a pureza da fé.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Hoje, nesta liturgia, nós nos reunimos para participar da festa de casamento de Deus com a humanidade, ouvindo a Palavra e rendendo graças por tão grande salvação; repartindo e comendo o pão na refeição que o Senhor nos oferece.

Fazemos parta da humanidade. Trazemos as marcas do sofrimento, da dor e das lágrimas como o povo na volta do exílio. Muita decepção e abandono invadem nosso coração. Não sabemos o que fazer nem por onde andar. Sentimo-nos pobres, desvalidos e sem forças. Nessa situação de abandono e exílio, Deus se manifesta em nossa assembléia e confirma a palavra dita pela boca de Isaías: “[…] por amor de Jerusalém não descansarei, enquanto não surgir nela à justiça e não se acender nela a salvação […]. Não mais vão chamar-te abandonada e tua terra não mais será chamada deserta; teu nome será minha Predileta e tua terra será a Bem-casada, pois o Senhor agradou-se de ti e tua terra será desposada.” (Isaias 62,1.4).

Por isso, alegres cantamos com o salmista: “Cantai ao Senhor Deus um canto novo, manifestai os seus prodígios entre os povos […] cantai ao senhor Deus, ó terra inteira. Cantai e bendizei seu santo nome […]” (Salmo 95/96).

Podemos cantar especialmente esse salmo porque, hoje, Jesus nos torna partícipes do seu milagre, o primeiro sinal, realizado em Cana da Galiléia, em que se celebra o seu casamento com a humanidade e acontece o início da nova relação com Deus, fonte de vida e plenitude.

O sinal de Cana fala do amor conjugal de Deus para com a humanidade, no desejo de contrair com ela uma aliança nupcial. Por isso, o seu amor é fiel, interessado, terno e alegre.

A “glória” de Jesus é a revelação do segredo de sua vida, de sua intimidade oculta aos nossos olhos: a prestação humilde de um serviço do qual possam beneficiar-se todas as pessoas e ter alegria e sustento para a caminhada. Importa, então, reler o Evangelho na perspectiva e na luz da sua presença, como Ressuscitado em nosso meio. A festa das nos convida a melhor concedê-lo nesta festa litúrgica.

O Deus de Jesus não nos é revelado nos templos ou em acontecimentos fantásticos, mas na festa de casamento e acompanhado de amigos. Ele, com sua presença nas bodas, prepara o seu povo numa festa, uma nova aliança. O que agora se apresenta como festa de casamento será uma realidade plena quando chegar a hora, ou seja, trata-se da nova relação de Deus com o seu povo.

Mas como entender o evangelho de hoje na perspectiva litúrgica?

O Evangelho de João recupera duas idéias básicas do Antigo Testamento: aliança e criação. Jesus nas bodas de Cana inaugura a Nova Aliança e dá início à Nova Criação. Nesta festa, tem início a nova humanidade. O fundamento da nova humanidade é a aliança que Jesus, Cordeiro Esposo, realiza com a comunidade. A presença de Jesus em um casamento sem vinho quer significar que ele é o esposo ou noivo da comunidade.

Na Bíblia, o casamento é sinônimo da aliança (cf. Isaias 62,5). Ser infiel à aliança é o mesmo que ser adúltero, prostituir-se.
A aliança antiga caducou, perdeu seu sentido: “Eles não têm vinho” (João 2,3). “Que é a vida do homem se lhe falta o vinho?” (Eclesiástico 31,33). No tempo de Jesus, Israel está à espera do Reino de Deus, o Reino que os profetas descreveram como um banquete preparado com carnes gordas, com iguarias finas, com vinhos antigos e refinados (cf. Isaias 25,6). Este Reino, contudo, parece estar muito distante. E o povo desanimado, triste, abatido como se estivesse celebrando uma festa de casamento sem vinho. Mas por que essa tristeza?

Porque as suas relações com Deus já não são como as da esposa que se sente feliz, pois pode experimentar o carinho do esposo, mas são relações de escrava, forçada a obedecer às ordens e desmandos do senhor. Os guias espirituais reduziram os contatos com Deus ao cumprimento meticuloso de muitas normas e prescrições. Com muitas infrações e transgressões todos se sentiam impuros e culpados. Foram inventados ritos de purificação para os quais era necessário ter muita água, difícil de conseguir naquele meio e naquelas circunstâncias geográficas.

As seis talhas de pedra estão vazias – ainda não chegou até elas a água para as purificações. Logo, impossível de se realizar a purificação.

As bodas de Cana sem vinho representam a situação do povo desiludido e insatisfeito. Revelam a religião baseada no ritualismo e nas obrigações jurídicas.

A mãe de Jesus pode ser Maria, mas também pode indicar a comunidade na qual Jesus nasceu e foi educado. Ainda pode significar as pessoas piedosas que percebem que a atual situação na qual estão vivendo é insustentável. Não recorrem ao mestre-sala, ou seja, aos chefes religiosos que não conseguem realizar uma verdadeira festa, mas a Jesus. Entendem que só ele pode oferecer a água que se transforma em vinho e que traz felicidade para os que a bebem.

A sua hora ainda não chegou, pois está no começo da sua vida pública. A festa já começou, mas atingirá o seu cume quando “chegar a hora” de Jesus, no Calvário; quando ele dará sua vida por amor à esposa; quando, do seu coração transpassado, sairá “sangue e água” (João 19,34). Em Caná, ele só dá um sinal daquilo que há de realizar. Na hora em que passar deste mundo para o Pai (cf. João 13,1), ele dará realmente a água “que jorra para a vida eterna” (João 4,14), água que se transformou em vinho, que comunica alegria.

4- A PALAVRA SE FEZ CARNE E SE FAZ CELEBRAÇÃO

A vida cristã como leito nupcial

Dom Pedro Casaldáliga, certa vez, escreveu que nas chagas do Ressuscitado se encontram as marcas do “casamento” de Deus com o seu povo. Esta união do divino com o humano, que celebramos a pouco, no ciclo natalino, se desdobra agora para ser cultivada no tempo comum.

A celebração da Eucaristia, por sua vez, permite-nos visualizar e experimentar este “matrimônio” entre Deus e a humanidade, entre o divino e o humano, entre a eternidade e o tempo. A redenção coincide exatamente com este “assumir” de nossa condição, realizada por Deus em Jesus, para que sejamos libertos da morte e de suas conseqüências. Ela se nos é apresentada cada vez que celebramos, conforme reza a oração sobre as oferendas.

Se a Eucaristia celebrada é o desdobramento e cultivo desta parceria entro o divino e humano, a vida dos que participam se torna “leito nupcial”, ou seja, lugar onde esta relação de amor se manifesta com exuberância. A vida dos cristãos é a vida redimida, sinal de um mundo redimido, de uma história construída em parceria com o Senhor.

As núpcias do Cordeiro

Segundo Francisco Taborda, o convite inserido no Missal de Paulo VI, como fruto da reforma litúrgica, no momento da apresentação do pão e vinho para que a assembléia se aproxime da mesa do banquete é: “Felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro”…expressão que foi modificada na versão portuguesa para “ceia do Senhor”. As núpcias, que a comunhão sacramental revela e realiza em nós é exatamente a plena união: casamento, do divino com o humano, para que o mundo e a história sejam permanentemente vividos como “Bodas” e antecipação da “hora” de Jesus. Nesse sentido, a Eucaristia faz da vida permanente festa, na qual se rememora a nossa participação na vida de Deus, mediante a comunhão com a pessoa, palavra e ação de seu Filho Jesus – nosso “casamento” com ele, pois ele é o noivo e a comunidade cristã, sua noiva.

5- LUGAR NA LITURGIA DO DIA

Como na liturgia antes do Vaticano II, também na liturgia renovada o 2º Domingo do Tempo Comum continua o tema da Epifania, da chegada da Salvação. Nesta temática inserem-se principalmente a primeira leitura e o Evangelho, sendo que a segunda leitura faz parte da “leitura continua” das advertências da 1Coríntios e não participa da temática principal.. A primeira leitura, Isaias 62,1-5, é um anúncio messiânico, utilizando o símbolo das núpcias de Deus com seu povo. Como vimos, é este um dos simbolismos presentes em João 2,1-12 também (Jesus toma o papel do esposo). Parece-nos porém mais oportuno considerar o tema do messianismo num sentido amplo (realização das aspirações de felicidade humana como sinal da Epifania, manifestação de Deus).

6- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

A celebração litúrgica é a “hora” de Jesus em nossas vidas. Nele o sinal de Caná torna-se realidade. Acontece a transformação da água em vinho, ou seja, entramos na profunda experiência de comunhão e de aliança.

Para nós que vivemos em meio a tantos desafios e sofrimentos, encontramos na liturgia deste domingo uma luz preciosa: Deus é nosso amigo, o esposo apaixonado. Aquele que nos ama e cuida de nós.

Estar na celebração, participar dela ativamente, ouvindo as leituras, cantando com a comunidade, rendendo graças e comungando no pão e vinho, significa aceitar o casamento que Deus nos oferece. Significa tornar-se sua esposa amada. Significa viver as núpcias do Cordeiro. Por isso, rezamos depois da comunhão: “Penetrai-nos, ó Deus, com o vosso Espírito de caridade, para que vivam unidos no amor os que alimentais com o mesmo pão”.

A morte e a ressurreição de Cristo dão início a uma nova comunidade dos homens com Deus. Celebrar a Eucaristia representa renovar o gesto que constitui esta comunidade, o povo de Deus e sua Igreja. O vinho, sangue de Cristo, é o sinal do seu amor pela Igreja, vinho que antecipa a festa da nova assembléia que se plenificará nas núpcias eternas; por isso, na oração sobre as oferendas, pedimos que o Senhor atualize a salvação em nossas vidas.

7- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. A celebração eucarística é festa e memorial do casamento de Deus com o seu povo. Quando fazemos o que Jesus mandou que realizássemos em sua memória, a Aliança Nova feita com seus discípulos se desdobra em nossa vida e nós a cultivamos. Tudo ao nosso redor ganha ares festivos, o mundo se vê renovado, pronto para dar a conhecer a bonita e agradável relação de amor com o seu Criador.

2. Cada pessoa que chega deve sentir-se de fato na Casa aconchegante de Deus. Por isso, é de suma importância que todos sejam bem acolhidos, num espaço também acolhedor. Não de Maneira formal, artificial, como acontece muitas vezes em ambientes de prestação de serviços públicos. Mas de maneira profundamente humana, carinhosa, afetuosa, divinamente humana. Acolher na celebração é uma forma de oração! Valorizar o encontro de irmãos, a acolhida das pessoas e alegria que deverá perpassar toda a celebração.

8- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 2º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados nos CDs Liturgia VI, XI e CD Cantos de Abertura e Comunhão.

1. Canto de abertura. Adoração e louvor universal a Deus. Sem dúvida, o canto de abertura mais adequado para esse dia é o Salmo 65/66, somos chamados a adorar o Senhor com todo o universo. “Toda terra te adore, ó Senhor do universo”, CD: Liturgia VI, faixa 1.

Como povo de Deus, somos chamados a formar um só corpo, que o Corpo do Senhor, a Igreja, isto é, viver na unidade. A Igreja oferece outra excelente opção: “Nós somos muitos, mas formamos um só corpo”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 6. Como canto de abertura, não podemos deixar de entoar um desses cantos que nos introduzem no mistério a ser celebrado.

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

3. Salmo responsorial 95/96. Louvor universal a Deus. “Cantai ao Senhor Deus um canto novo manifestai os seus prodígios entre os povos!” CD: Liturgia XI, melodia da faixa 1.

Para a Liturgia da Palavra ser mais rica e proveitosa, há séculos um salmo tem sido cantado como prolongamento meditativo e orante da Palavra proclamada. Ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita os laços de amor e fidelidade. A tradicional execução do Salmo responsorial é dialogal: o povo responde com um refrão aos versos do Salmo, cantados um ou uma salmista. Deve ser cantado da mesa da Palavra.

4. Aclamação ao Evangelho. O bom vinho do fim (João 2,10). “Aleluia… No casamento de Cana, de água vinho fez Jesus… ”, CD: Liturgia XI, melodia da faixa 2. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

5. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. Sem dúvida o canto mais apropriado para esta festa das bodas de Cana, é o canto “Brinde ao Amor de Zé Vicente. Outra possibilidade é o canto “Sertanejo, prepare o jantar” Hinário Litúrgico III, página 340 ou “De mãos estendidas” CD: Liturgia VI, faixa 4.

6. Canto de comunhão. Deus prepara-nos a mesa (Salmo 22,,5 / Deus nos ama e nós cremos no seu amor (João 4,16. Sem dúvida, o canto de comunhão mais adequado para esse dia é “Se houver amor na vida, se houver sempre união”, CD: Liturgia XI, melodia da faixa 4. Outra excelente opção é o canto “Foi assim em Cana, foi assim., CD: Liturgia XI, melodia da faixa 3. Estes dois cantos retomam o Evangelho na comunhão de maneira autentica.

9- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Gregório Lutz, conhecido liturgista, há pouco tempo lançou um escrito
chamado “Eucaristia, a família de Deus em festa”. Nesse opúsculo, ele relata e argumenta de forma bastante clara e simples sobre a dimensão “festiva da Eucaristia”. Ele diz que esse caráter festivo pode ser visualizado nas vestes dos convidados, nas toalhas, velas e flores do espaço, que indicam a presença daquele que é festejado e da alegria dos convidados em desfrutarem a sua “hora”.

2. Com simplicidade, o espaço sagrado deve manifestar esta alegria de celebrarmos as “Bodas” de Deus com a humanidade. Toalhas simples, limpas e bonitas, sem muitos brocados e bordados, que transmitam a dignidade do acontecimento. Tudo deve evocar a alegria de vestes dos ministros e ministras não podem chamar mais atenção do que Aquele que deve ser lembrado e que deve transparecer na proclamação dos textos e na oração de ação de graças e suplica.

3. Vemos por aí muito exagero nas vestes – muito brilho, muito glamour, muitos floretes, pregas que se usava antigamente em saias, na toalha do Altar – e nas toalhas e demais alfaias – rendas, brocados, franjas – que dão às vestes litúrgicas das pessoas e do altar a aparência de “figurino” de teatro, de árvore de Natal ou alegoria. Beleza não é sinônimo de estardalhaço visual, plumas e paetês. Isso fica bem no carnaval. Mas o bom uso das cores, dos tons irá conduzir a feliz certeza da presença de Deus que nos põe em ritmo de festa…

10. AÇÃO RITUAL

Um pouco antes da celebração, a comunidade pode cantar um refrão meditativo.

Ritos Iniciais

1. Nos casamentos de que já participamos, uma das horas mais aguardadas é a da entrada “triunfal” da noiva. Com esta metáfora, gostaríamos de chamar a atenção para a procissão de entrada da missa. Ela é importante e, utilizando a imagem da festa de Casamento deste domingo, corresponde à entrada da Noiva, que é a comunidade cristã, caminhante e representada por seus ministros, em direção ao seu noivo, que é Deus revelado em Jesus de Nazaré. Na verdade, o noivo e a noiva entram em procissão em cada eucaristia e cultivam aquele casamento que fora realizado na Páscoa, quando se unem paras sempre céus e terra (Exultet). A sugestão é caprichar na procissão com flores e velas. O Evangeliário pode entrar ornado num cesto florido, sendo retirado desse e posto sobre o altar. A cruz processional também poderá estar ornamentada.

2. Na saudação de quem preside, poderiam ser usadas as palavras conforme a fórmula “d” inspirada em Romanos 15,13:

O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.

3. O sentido Litúrgico, deve ser após a saudação de quem preside e não antes do canto de abertura. Após a saudação presidencial, o diácono, o diácono ou um leigo propõe o sentido litúrgico espontaneamente, inspirado nas palavras que se seguem:

Domingo das Bodas de Caná. O mistério que hoje celebramos é prolongamento da manifestação de Jesus como Salvador da humanidade. A liturgia deste Domingo nos convida a perceber e acolher na fé, os sinais da presença amorosa do Senhor, nos fatos que tecem nosso cotidiano, no ritmo comum de nossa vida.

4. Em seguida quem preside fazer uma recordação da vida, trazendo presente os acontecimentos significativos da comunidade, da sociedade e do mundo, mas de forma orante e não como noticiário.

5. Para o Ato penitencial seria muito oportuno a fórmula n. 1 do Missal Romano, página 393, que destaca Cristo como caminho que nos leva ao Pai, a verdade que ilumina os povos e a vida que renova o mundo.

6. O Hino de louvor deve ser cantado solenemente por toda a assembléia. Deve-se estar atento na escolha dos cantos para o momento do glória. Ideal seria cantar o texto mesmo, tal como nos foi transmitido desde a antiguidade, que se encontra no Missal Romano, ou, pelo menos, o mesmo texto em linguagem mais adaptada para o nosso meio e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria, Frei Telles e outros compositores (como já existe!). Evitem-se, portanto, os “glórinhas” trinitários! O hino de louvor (glória) não de caráter Trinitário e sim Cristológico.

7. Na oração do dia suplicamos a Deus que escute as preces do povo e lhe dê a paz.

Rito da Palavra

1. Valorize-se o silêncio na Liturgia da Palavra, como momento privilegiado da escuta do Senhor. O salmo responsorial seja verdadeiro momento de diálogo entre o Senhor e sua Esposa, a Igreja. Após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecendo a atitude de acolhida à Palavra de Deus. No silêncio, o Espírito torna fecunda a Palavra no coração da comunidade e de cada pessoa.

Rito da Eucaristia

1. Na oração sobre o pão e o vinho, suplicamos a Deus que nos dê a graça de participar sempre da Eucaristia para se tornar presente o a nossa redenção.

2. Na preparação das oferendas, trazer além do pão, “Vinho abundante” numa ou mais jarras, para que a assembléia possa participar da comunhão no Sangue do Senhor, o “vinho novo da salvação”. Se for celebração da Palavra, após a celebração, a assembléia reparte um suco entre os participantes, como expressão de alegria pelo encontro e confraternização.

3. Sugerimos o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum, III. Esse texto canta a salvação de Deus que nos alcança, mediante a humanidade de Jesus. Parece-nos uma forma de abordar o “matrimônio” entre Deus e a humanidade. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Nós reconhecemos ser digno de vossa imensa glória vir em socorro dos mortais com a vossa divindade. E servir-vos de nossa condição mortal, para nos libertar da morte e abrir-nos o caminho da salvação…”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia. Outra opção é o Prefácio Comum I que canta Deus como “fonte de salvação para todos”.

4. Na apresentação do pão e do vinho consagrados, antes da comunhão, sugerimos que se use o versículo bíblico conforme a versão latina: “Felizes os convidados para as núpcias do Cordeiro…”.

5. Distribuir a comunhão é uma ação ritual. Por isso, distribuir o corpo de Cristo de forma consciente e orante, como um gesto de profundo serviço, expressando nele o próprio Cristo que se dá como servo de todos. Isso vale tanto para quem preside como para seus ajudantes.

6. A comunhão seja com o Corpo e o Sangue do Senhor, como instituído por Cristo, para sua memória. A comunhão em duas espécies, além de um direito de todo o povo de Deus, é sinal eficaz de nossa íntima união como Senhor e, por isso, com Sua Igreja, estreitando os laços da Aliança de amor entre Deus e nós, pois dessa forma, a comunhão se dá “mais perfeitamente”. É oportuno que a comunhão seja feita sob as duas espécies para toda a assembléia, conforme IGMR, n. 240.

Ritos Finais

1. Na oração após a comunhão suplicamos a Deus para que Seu Espírito de caridade penetre a nossa vida para que vivam em união os que foram saciados com o mesmo pão.

2. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: Cristo, o vinho novo da Nova Aliança vos fortaleça. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

11- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Povo Santo, Santa Igreja, Comunhão dos Santos. Não, são pode ser um ambiente ou contexto de tristeza ou pessimismo. As nossas reuniões têm que respirar um clima de alegria confiante. Na nossa liturgia tem que ressoar o canto feliz e jubiloso. A nossa catequese e toda a pastoral devem, não apenas anunciar, mas também ter o caráter de uma Boa-Nova, que infunda nos corações fidelidade. O nosso anúncio não pode ser feito de cara amarrada; deve respirar e irradiar a alegria da festa, do banquete. Apresentamos o Deus de amor, o Deus-Esposo. A apresentação deve corresponder à realidade, mesmo em meio às tribulações (cf. 2Coríntios 7,4). O anjo que anunciou aos pastores o nascimento de Cristo resplandecia da glória de Deus. O santo radiante é um santo.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
Pe. Benedito Mazeti

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