15/05/2016 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

A Igreja no Brasil, à luz da experiência de Jesus, tem seu olhar fortemente voltado para a realidade que o Senhor lhe confiou para evangelizar. No desejo de sempre estar atualizada para poder ser eficaz em sua missão, continuamente está atenta ao momento histórico, com suas possibilidades, problemas e apelos.

Os discípulos de Jesus, que tem os olhos e o coração abertos para a realidade, encontram no Brasil de hoje alguns desafios muito fortes à maneira como vivem e devem viver a fé, a esperança e a caridade. À medida que crescem na maturidade cristã, passam a ter critérios evangélicos para analisar o que acontece e são levados a orar permanentemente ao Espirito Santo, muitas vezes até com lágrimas, sobre graves aspectos do contexto social, como Jesus o fez sobre Jerusalém e sobre o povo sofrido (cf. Lc 19,41).

Reconhecem também com esperançosa alegria os sinais de fraternidade, solidariedade e sensibilidade aos valores do Reino demonstrados por tantos grupos e pessoas que desejam sinceramente um mundo melhor e por ele trabalham, dentro e fora das fronteiras visíveis da Igreja. Apesar de todas as injustiças, podemos trabalhar com dimensões bastante positivas do mundo atual, como, por exemplo, a valorização da participação e da liberdade, a luta contra preconceitos, a difundida consciência da importância de defender os direitos humanos e de lutar pela qualidade do meio ambiente.

A realidade social em que vivemos está marcada pela mundialização do mercado. Isto significa que não somente as sociedades mais industrializadas, mas o mundo inteiro refere-se ao mercado como instituição que rege sua vida econômica cotidiana, e, vale dizer, sua vida material. As leis do mercado desembocaram num sistema de relações sociais marcadas pela concorrência, na qual vence sempre o mais forte, o mais competente.

Há aqui enormes desafios aos cristãos, principalmente aos jovens e adultos, chamados ao evangélico engajamento por uma mudança social a favor dos mais pobres e excluídos do mercado. Temos que saber trabalhar a esperança dos que sofrem e de quem está solidariamente com eles, porque ela alimenta a organização e a criatividade do povo em busca de vida digna, da justiça e fraternidade, e o estimula a assumir politicamente os destinos da nação. É missão da Igreja estimular todas as forças vivas da sociedade em vista da construção de um novo milênio de dignidade humana e paz sem exclusões.

Estudos da CNBB 80