10/04/2016 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Como conclusão do alegre tempo pascal, vivenciaremos a solenidade de Pentecostes, o envio do Espírito Santo a toda humanidade. Como podemos entender a atividade do Espírito Santo na Igreja? 

Em Pentecostes, o Espírito Santo é enviado como santificador do povo de Deus e como alma da Igreja, calor da fé, ar divino, sopro de vida, comunhão, “consolo que acalma, hóspede da alma e doce alívio”. Este sopro divino visa superar qualquer hálito de maldade, inveja, prestígio, divisão, ciúmes e competição por vaidade, evidenciando que a Igreja nasce da força e do dom de Deus e sente a necessidade de tornar conhecido o Espírito Santo.

Na leitura dos Atos dos Apóstolos 2,1-11 entendemos que o Espírito Santo ensina a comunidade a continuar o projeto de Deus. Lucas prefere, ao retratar Pentecostes, o paralelo com a festa litúrgica judaica dos 50 dias, a festa da Aliança do Sinai, (sukkôt, em hebraico; Pentecostes, em grego), tendo como pano de fundo a entrega da “Torah” a Moisés, no Monte Sinai (Ex 19-20); por isso, a descrição da cena teofânica é resgatada nos trovões e ventania. Agora, porém, na festa da Nova Aliança, que acontece em Jerusalém, emerge o “Povo de Deus” na nova lei, agora dada pelo Espírito Santo; lei que rompe a divisão, motiva o anúncio e está contrária a Babel, pois apossa-se de uma linguagem capaz de ser compreendida porque é falada no Espírito Santo e tem como proposta a continuidade do projeto de Deus. Todos ficaram repletos do Espírito Santo e anunciaram as maravilhas de Deus!

Com o envio do Espírito Santo, nos entendemos como Igreja missionária, que abre suas portas e anuncia de maneira universal o querigma na linguagem do Espírito Santo e todos ouvem porque a mensagem é divina. Entendemo-nos como Igreja da reconciliação pelo convite a perdoar pecados, quebrando os mecanismos de desumanização e de poder opressor que são sinais de antirreino. Igreja da continuidade do projeto divino porque o Espírito Santo foi recebido do próprio Cristo, sendo enviado para que os apóstolos tivessem o ânimo corajoso de assumir a semeadura do Reino proposto por Jesus, não diferente ao que nos é proposto hoje. Igreja ressuscitada e alegre na acolhida do dom da vida e no anúncio da vitória da vida sobre a morte e o mal. Igreja do sopro divino porque nos deixamos invadir pelo respiro de Deus para um discipulado autêntico e frutuoso.

Na solenidade de Pentecostes, portanto, podemos concluir que a Igreja tem seu fundamento em Jesus ressuscitado e no sopro santificante do Espírito Santo, que lhe dá identidade e identificação com seu fundamento. No Espírito Santo a Igreja é doadora e distribuidora de dons e carismas na unidade; no Espírito Santo a Igreja é caminho de seguimento, reconciliação e discipulado; no Espírito Santo a Igreja é a beleza e a ordem, longe de ser disforme ou caótica, tendo a transformação frequente modelada pelo próprio Espírito; no Espírito Santo a Igreja é presença divina morando em nós, que somos o corpo místico, povo de Deus. Por isso, como Igreja reunida somos convidados à experiência de sempre pedirmos com fé: Vem, Espírito Santo! Sopre sobre cada um de nós para nos divinizar! Amém…

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Pe. Roberto Bocalete
Administrador Paroquial da Paróquia São João Batista – Américo de Campos