3º DOMINGO DO ADVENTO | ANO A | 15 de dezembro de 2019

13/12/2019 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Isaias 35,1-6a.10. Coragem, não tenham medo.
Salmo 145/146,7.8-9a.9bc-10. O Senhor é fiel para sempre.
Tiago 5,7-10: A vinda do Senhor está próxima.
Mateus 11,2-11: És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?

“FELIZ AQUELE QUE NÃO SE ESCANDALIZA POR CAUSA DE MIM!”

1) PONTO DE PARTIDA

Domingo Gaudete. No 3º Domingo do Advento, celebramos a alegria da proximidade do Senhor. É chamado “Domingo da alegria”, Gaudete. Neste dia, a cor litúrgica roxa pode dar lugar ao rosa. O Advento, tempo de espera pela chegada do Senhor, vai crescendo na alegria e na ansiedade perante o Deus que se aproxima. É tempo privilegiado, é preparação de festa, alegria profunda e discreta, crescente, consciente.

Na Liturgia da Palavra, as figuras centrais, Isaias e João Batista, convidam-nos ao ânimo e à esperança, apontando os sinais da salvação. Co mais força, neste domingo, o tempo do Advento recobre-nos de fortaleza na certeza da presença do Senhor, que quer transformar nossa vida e nosso coração.

Ao ascendermos a terceira vela na coroa do Advento, a luz fica mais forte, iluminando a todos nós, simboliza a proximidade do Natal, a chegada da luz do Salvador, Jesus!

Hoje é o dia da Coleta da Campanha da Evangelização. Queremos ser generosos e responsáveis pela nossa Igreja.

 

2) REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Isaias 35,1-6a.10

Escolheu-se esta passagem do Primeiro Testamento por causa da citação ou referencia a Isaias 35,5s no Evangelho: “os cegos recuperam a vista, os coxos andam,… os surdos ouvem” (Mateus 11,5).

Seu tema é a volta ao Paraíso. A vinda do Salvador transformará o deserto em paraíso (versículos 1-2;67; cf. Isaias 41,17-20; 43,20; 48,21); todas as enfermidades serão curadas (versículos 5-6) e a própria fadiga desaparecerá (versículo 3).

Esses poucos versículos anunciam, pois, a próxima abolição das maldições atribuídas à queda de Adão: o cansaço (Gênesis 3,19), o sofrimento (Gênesis 3,16), os espinhos e plantas espinhosas do deserto (Gênesis 3,18) não mais serão do que penosas recordações.

Como no primeiro Êxodo Deus abriu um caminho pelo mar Vermelho, parando as águas, assim, no novo Êxodo, Deus fará o contrário e abrirá um caminho pelo deserto, fazendo jorrar águas em abundância (Isaias 35,6b-7; cf. 43,16-21), que transformarão o deserto numa terra fértil e transitável (Isaias 35,1-2). Toda a viagem de volta, da Babilônia até Sião-Jerusalém, é imaginada como uma grande romaria por uma estrada no deserto, enfeitada com flores e cedros, graças ao “poder de Deus” que em tudo isto manifesta a sua glória e grandeza (versículos 1-2). A alegria do povo e os cânticos de triunfo (versículo 10) são a resposta do povo a esta revelação da glória de Deus. O tema da alegria predomina no início (versículos 1-2) e no fim (versículo 10) e lembrado no centro da leitura (versículo 6a).

O tom solene de anúncio, que dá unidade e significado aos primeiros dez versículos do capítulo 35 de Isaias, confere ao olhar do profeta sobre o futuro um caráter de algo iminente. Do resto, os ritmos do tempo de Deus não são medidos pelos relógios das pessoas: “Olhai para o vosso Deus… vem para vos salvar” (versículo 41). O futuro já começou, embora a experiência da presença divina seja para a pessoa humana lenta e progressiva. O deserto, transfigurado num jardim, serve de cenário ao regresso a Deus para todos os que provêm de experiências de desorientação e de desconfiança.

A libertação mais completa da pessoa humana chama-se “salvação” e não tem o ser humano por autor, mas o próprio Deus! Todas as outras formas de auto-libertação humana – social, religiosa, intimista – são demasiado condicionadas pelos limites da criatura e por amargas desilusões.

O nosso oráculo de confiança não nos isenta de procurar, não desencoraja as iniciativas humanas, seja qual for a distância de onde começam, mas convida a contar principalmente com Deus. No capítulo 6 do mesmo livro de Isaias denunciam-se olhos fechados e ouvidos surdos à voz de Deus. Finalmente, a cura que salva sertã dada pelo Senhor a todos os que restituírem a Ele a iniciativa e acolherem o Seu dom. Esta obra de salvação já foi inaugurada em Jesus Cristo (Mateus 11,2-11).

 

Salmo responsorial – Salmo 145/146,7-10

É um hino de louvor, celebrando o projeto de Deus e o que ele produz, em oposição aos projetos dos poderosos e injustos. Para os judeus, começa aqui o louvor da manhã, terceiro louvor do povo de Deus (Salmos 113-118; 136; 146-150).

O rosto de Deus. Em tudo e sempre, aliado dos justos, contra os injustos, fiel. Feliz quem em Deus se apóia. Aqui está o rosto de Deus: fiel, libertador, justo, protetor.

Jesus e o salmo 145/146. Os contatos deste salmo com a vida de Jesus são inúmeros. Basta lembrar seu programa de vida (Lucas 4,18-21). E as conseqüências disso: oprimidos de toda espécie libertados, famintos que comem até fartar-se, “prisioneiros”, cegos e encurvados, o carinho que Jesus teve pelos estrangeiros, viúvas e órfãos, o Reino que anunciou entregou aos pobres (Lucas 6,20s; Mateus 5,1-12). Não podemos esquecer a atitude de Jesus contra os poderosos, ensinando o povo a não confiar neles.

A misericórdia de Deus foi revelada no Primeiro Testamento, preparando a grande revelação da misericórdia divina em Cristo. Na sinagoga de Nazaré, Cristo leu um dia uma passagem de Isaias que expõe o mesmo tema do salmo, e comentou: “Hoje realizou-se esta Escritura que acabastes de ouvir” (Lucas 4,21).

Cantemos, neste salmo, nossa resposta cheia de admiração ao Deus que sempre vem para nos levantar, para nos livrar de opressão e de morte.

R: VEM, SENHOR, NOS SALVAR; VEM SEM DEMORA, NOS DAR A PAZ!

Segunda leitura – Tiago 5,7-10. As primeiras comunidades cristãs acreditavam que o Senhor iria voltar logo. A demora de sua vinda fez com que muitas comunidades desanimassem. É neste contexto que foi escrita a Carta de São Tiago.

Da longa série de exortações à autentica espiritualidade evangélica, recolhida na Carta de Tiago, a que está contida no texto de hoje é a penúltima (seguida de um original e denso apelo á oração: Tiago 5,13-18). Tiago convida os cristãos a uma espera fiel e perseverante do Senhor, segundo o modelo de espera dos profetas.

A “vinda” do Senhor é traduzida no texto de hoje com uma palavra grega (Parusia) que literalmente exprime “presença” (versículos 7 e 8). E este significado é confirmado também pela frase conclusiva: “Eis que o Juiz está à porta” (versículo 9). Portanto, não vivamos com a idéia de quem se julga órfão e no exílio. Voltemos o olhar da fé para a presença do Senhor. Certamente, é mais fácil ver o Senhor em Belém, do que caminhando para Jerusalém, não tanto em ambientes e “culturas” de abundância, autonomia e grandeza presumida, mas voltado para os pequenos e para os simples (onde existem nonos esfomeados, estrangeiros, encarcerados, doentes), como os próprios profetas nos ensinaram.

Não se pode evitar depois o outro tema espiritual do texto de hoje: “Sede pacientes” (versículos 7-8), como o agricultor que espera “pacientemente” (versículo 7), como os profetas, autênticos modelos de “paciência” (versículo 10). O vocábulo utilizado não diz somente “suportar” (como em Tiago 1,2-12), mas também “ânimo grande e forte” (em grego temos o verbo makrothymeo), plena confiança num Deus ao qual se adere sem receio. É isto precisamente o que exige o fato de irmos de novo em direção ao Natal e encontrarmos ou descobrirmos o Senhor em Belém.

A paciência não é resignação. É fruto do amor, vontade de descobrir o outro e tudo fazer para ajudá-lo a libertar-se de tudo o que o aliena, dinheiro inclusive. Isso exige tempo. A paciência que Tiago reclama de seus irmãos, os pobres, não consiste em medir os ricos com a medida do tempo que o amor leva para amar. Possa ao menos o amor ter o tempo de amar antes que a fatalidade auto-destruidora, na qual se entrelaçam os poderosos e os ricos, faça o seu trabalho.

Evangelho – Mateus 11,2-11

É a segunda vez nestes domingos do Advento que João Batista nos guia à procura e ao reconhecimento de Jesus, “Aquele que há de vir” (versículo 3) e que a Humanidade espera, exprimindo de várias maneiras a sua esperança. Por seu lado, Jesus faz um grande elogio à personalidade profética do precursor: “De todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista” (versículo 11b). Isto é, a grandeza passa a medir-se em relação ao Reino e já não em relação à função profética, a respeito da qual João foi o último grande intérprete!

Nos dez versículos do texto evangélico a questão central é obviamente a resposta de Jesus à questão colocada por João Batista “mediante os seus discípulos” (versículo 2b). Porém, deve ter-se presente o contexto: do cárcere, no qual se encontra, João “ouve falar das obras de Cristo” (versículo 2a). Isto justifica o envio de discípulos a Jesus: então já não eram as obras de Cristo que o convenciam?

Jesus enumera o tipo de obras em que pode ser reconhecido, em linha com os grandes anúncios proféticos (Isaias 29,18-19; 35,5-6; 61,1). É surpreendente, mas significativa, a frase conclusiva: “Feliz daquele que não se escandaliza por causa de mim” (versículo 6). Então, esse tipo de “obras” pode escandalizar? Por que?

A esta altura é inevitável um esclarecimento posterior, ou seja: qual é o Jesus de Nazaré que estamos a procurando e esperando?

 

3) A PALAVRA VIVIDA NO COTIDIANO DA NOSSA VIDA

Mais do que nunca, hoje, precisamos ouvir as palavras do profeta: “Criai animo, não tenhais medo!” (Isaias 35,4). As angústias, as dificuldades do mundo atual configuram-se como um tempo muito difícil, e apenas a certeza que o Senhor veio, virá e vem a cada celebração, que caminha ao nosso lado, é que pode dissipar nosso medo, redobrar nossas forças e alimentar nossa esperança. Precisamos identificar no mundo em que vivemos os sinais de Deus e sermos profetas hoje, auxiliando também os outros a identificarem a presença do nosso Deus nos acontecimentos atuais, na realidade vivida.

É preciso, hoje, olhar para João Batista e não nos deixarmos quebrar, agitados pelo vento da injustiça, das mais diversas formas de agressão à vida, tão desrespeitada impunemente. É preciso resistir, mostrar fortaleza na nossa fragilidade, perseverar na fidelidade, sendo corajosos, aplainando os caminhos do Senhor, promovendo a paz, acolhendo os que precisam de nós, não tendo medo de testemunhar os valores do Evangelho.

Essa não é uma tarefa fácil. Os apelos do mundo atual nos levam a valorizar os aspectos materiais e externos em prejuízo dos valores interiores e verdadeiros, exatamente ao inverso de como se apresentava João Batista, que por isso não se deixou vencer, pois sua fortaleza estava em seu interior, na verdade, na fidelidade a Deus.

Na Mensagem da V conferencia de Aparecida, os Bispos confirmam esta proposta: “Com firmeza e decisão continuaremos exercendo a nossa tarefa profética discernindo onde está o caminho da verdade e da vida”. Levantando a nossa voz nos espaços sociais dos nossos povos e cidades, especialmente a favor dos excluídos da sociedade. Isso requer que nos alimentemos da Palavra de Deus, na oração, pedindo que o Espírito do Senhor nos revigore e fortaleça, fazendo de nós instrumentos de transformação, ricos interiormente do amor de Deus, verdadeira riqueza que nos torna mensageiros de Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

Trata-se de viver o Espírito do Advento, deixar ressoar o tempo da Liturgia no nosso dia-a-dia, celebrar em nossa vida o que celebramos Eucaristia. Podemos, assim, distinguir dois momentos complementares, às vezes chamados de “liturgia-celebração” (liturgia em sentindo restrito) e “liturgia-vida” (liturgia em sentido amplo, também chamada de liturgia da história). Somos convidados a fazer de toda a nossa vida uma liturgia em sentido amplo, decorrente da liturgia enquanto celebração do mistério cristão. Uma não existe sem a outra.

Ter a ousadia e a determinação de sonhar ser identificado pelo Mestre como foi João Batista. Que, a cada um de nós, Jesus possa chamar de seu mensageiro, discípulo missionário, que passou no mundo testemunhando seus ensinamentos.

Aceitemos o convite que nos faz a Mensagem de Aparecida para “defender a verdade e velar pelo inviolável e sagrado direito à vida e à dignidade da pessoa humana, da concepção até a morte natural”. Pensemos que hoje não aceitar o aborto nem a eutanásia é nos mantermos firmes e fiéis como João Batista, testemunhando e anunciando Jesus Cristo.

 

4) A PALAVRA SE FEZ CARNE E SE FAZ CELEBRAÇÃO

Realizem-se em nós as maravilhas da salvação

A Liturgia não celebra idéias e temas, mas põe à nossa disposição eventos enraizados em determinados momentos históricos, sobretudo aqueles ligados ao povo da Bíblia. Entendemos os acontecimentos que nos envolvem como sinais simbólicos, verdadeiros sacramentos. Poderíamos dizer do mundo de Deus e de seu Governo. Os dois primeiros domingos do Advento falam, exatamente, desta “ordem sacramental” da criação em relação ao Seu Senhor: “Julgar com sabedoria os valores terrenos e colocar as nossas esperanças nos bens eternos” ou “caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam”.

São João Crisóstomo chama a isso o olhar da fé, quando os olhos da fé vêem coisas que escapam aos do corpo, “como se estivessem patentes diante de nós”.

Assim, vamos percebendo que a acolhida ao Mistério do Reino de Deus passa pela vida humana, por suas relações, suas razões e afetos, enfim, pela história que o mundo vai contando de si mesmo.

Ser benditos por Deus é ser julgados por seu amor

A bênção solene do Tempo do Advento traz a súplica pela firmeza na fé, alegria na esperança e solicitude na caridade. Isso quer dizer que a “bênção” está relacionada diretamente com a forma com a qual levamos a vida. Que eternidade e tempo se entrelaçam. Afinal, este é o mistério que celebramos no “Ciclo do Natal”.

São João Crisóstomo afirma, ainda, ser de nossa responsabilidade a eternidade. Neste sentido, não deixa de ser a bênção, uma forma de Juízo. Aliás, no Advento de Nosso Senhor, celebra-se o juízo que Deus realiza no mundo e nas histórias humanas. Sua sentença é de tornar nossos caminhos na terra um itinerário para o céu. A Oração Dominical sintetiza bem isso: Santificado seja o vosso nome, assim na terra como no céu. Essa bênção que a comunidade recita nos Ritos da Comunhão solicitam o advento do Reino, o julgamento de Deus sobre o mundo, mas vinculam esta realidade à nossa existência terrena e aos rumos que damos a ela.

 

5) LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Este domingo é chamado tradicionalmente de “Domingo Gaudete”, isto é, “Domingo do Alegrai-vos”. O nome vem da Antífona de entrada, tirada de Filipenses 4,4-5: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto”.

A alegria de João Batista ao saber que Jesus já estava entre o povo é vivida por nós a cada celebração, quando o Mestre, atendendo à nossa súplica, “Vem, Senhor Jesus”, torna-se vivo e presente no meio de nós no pão da Eucaristia. Essa súplica, que acompanha todo o Advento, deve ser a mesma que antecipa nossas Liturgias, que, por isso, devem sempre ser vividas na alegria da presença do Senhor entre nós.

“Ó Deus de bondade, que vedes o povo esperando fervoroso o Natal do Senhor, dai chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo na solene liturgia. Por nosso Senhor Jesus Cristo…”.

Assim quando celebramos a Eucaristia, Jesus nos visita; é sempre dia de sua vinda, de onde saímos fortalecidos para viver na esperança e na fé “até que ele venha”.

Toda a Liturgia, neste tempo, deve ser vivida de modo a auxiliar a celebrarmos sempre melhor o espírito do Advento, fazendo com que a visita de Jesus torne cada um de nós e nossa comunidade transformadores do mundo.

Depois de participarmos da santa comunhão, na mesa do Senhor, o presidente da celebração implora em nome de todos a graça da conversão: “Imploramos, ó Pai, vossa clemência para que estes sacramentos nos purifiquem dos pecados e nos preparem para as festas que se aproximam” (Oração depois da comunhão).

Viver a Liturgia em comunidade, ser Igreja discípula missionária de Jesus é seguir o exemplo de João Batista, é viver sua alegria na Liturgia e na vida de cada dia.

 

6) ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Lembrar que a cor litúrgica neste Terceiro Domingo do Advento é o rosado mais relacionado com a piedosa e alegre espera do Salvador, onde não for possível pode-se manter o roxo. É ser um dia de esperançosa alegria, e os paramentos com cores rosadas, mas não festivos, sem querer antecipar o Natal! Toda a celebração pode ser marcada por um toque de esperançosa alegria. Por exemplo, nos ritos iniciais as pessoas têm a oportunidade de saudar uma às outras com palavras inspiradas na antífona de hoje: “Alegre-se! O Senhor está perto!”!

2. Atenção: Não se canta e nem se reza o glória mesmo por ser o Domingo Gaudete.

3. Se a comunidade ainda não começou a montar o presépio, será muito oportuno começar a fazê-lo neste domingo da alegria. A partir deste domingo começa a preparação direta para o Natal. Podemos armar toda a base do presépio e no final da celebração, antes da bênção de maneira ritualizada, a comunidade pode colocar as imagens do presépio menos o Menino Jesus. Este deve ser entronizado de maneira solene na missa da noite de Natal. Seria interessante colocar a imagem de São José e a imagem de Maria grávida, que já temos nas livrarias. Como devemos armar o presépio este ano? Que local?

4. É importante lembrarmos às comunidades a Coleta Campanha para a Evangelização, que se realiza neste 3º Domingo do Advento. A Campanha para a Evangelização é, na Igreja do Brasil, uma resposta firme e significativa de todos aqueles que acreditam e assumem a responsabilidade evangelizadora. A Boa-Nova da salvação deve chegar a todos os cantos de nosso país: das grandes cidades às pequenas aldeias, das periferias às comunidades rurais, alcançando as crianças, os jovens, os adultos, os ricos e os pobres, de modo especial a todos aqueles que sofrem. Nossa generosidade seja uma oferta viva ao Cristo, que por nós se encarnou no ventre da Virgem Maria.

5. Revitalizar na Igreja, através do Advento, o espírito missionário de anúncio do Messias a todos os povos e a consciência de ser sinal concreto de esperança. Desafia-nos a um amor concreto por todos, preferencialmente pelos pobres, através de práticas solidárias e ações sócio transformadoras.

 

7) MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo do Advento, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo do Advento, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

Escolher com cuidado os cantos de modo que a assembleia cante o mistério de Cristo, celebrado neste tempo de espera vigilante. As equipes de canto não devem colocar o seu gosto pessoal, é um direito da assembleia cantar o mistério celebrado. O melhor instrumento musical que temos é a nossa voz já dizia Santo Agostinho. É um direito da assembleia aprender os cantos da celebração para que possa participar de maneira ativa e consciente. É dever da equipe de canto ensinar a assembleia os cantos, ela tem o direito de ter a letra dos cantos nas mãos. O Hinário Litúrgico I, da CNBB, oferece ótimas sugestões, assim como o Ofício Divino das Comunidades, onde encontramos salmo, hinos e refrões. Existe um CD: publicado pela Paulus com as músicas do Hinário adequadas pra este Ano C: o volume “Liturgia VIII”.

A “liturgia” é coisa de Deus e nós somos servos e servas dessa “Divina Liturgia”. Portanto nenhum movimento e nenhuma pastoral, deve manipular a “Divina Liturgia” e impor a sua espiritualidade e seus cantos. O próprio Jesus mandou realizar o rito: “Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22,19b). Memória: trazer o sacrifício não apenas no rito, mas também na nossa vida.

1. Canto de abertura. “Alegrai-vos sempre no Senhor, ele está perto” (Filipenses 4,4-5). “Alegrai-vos: ele está bem perto; sim, alegrai-vos mais no Senhor!”. Articulado com o Salmo 84/85, CD: Liturgia VIII, melodia da faixa 5. Outra ótima opção é a outra versão do Salmo 84/85 articulado com Filipenses 4: “Alegrai-vos, irmãos, no Senhor. Sem cessar eu repito alegrai-vos”, CD: Liturgia IV, melodia da faixa 4.

2. Canto para o acendimento das velas da Coroa do Advento

3º Domingo
“Acendamos a terceira vela, acendamos a terceira vela”, CD: Cristo Clarão do Pai, melodia da faixa 2, Paulus.

3. Ato Penitencial. Ver a fórmula n. 2 do Missal Romano para o Tempo do Advento. “Senhor, que sois o defensor dos pobres, tende piedade de nós”.

4. Salmo responsorial 145/146. Deus é fiel para sempre e exerce a justiça em favor dos fracos. Vem, Senhor, nos salvar; vem, sem demora, nos dar a paz!”, CD: Liturgia IV, melodia da faixa 9.

O Salmo responsorial, ao mesmo tempo resposta da Igreja e proclamação da Palavra, tomou importância na reforma litúrgica. Trata-se do texto colocado após a primeira leitura bíblica e retirado da própria Sagrada Escritura, isto é, um Salmo.

Para que cumpra sua função litúrgica, não pode ser reduzido a uma simples leitura. É parte constitutiva da liturgia da Palavra e tem exigências musicais, litúrgicas e pastorais.

5. Aclamação ao Evangelho. “Aleluia… O Espírito consagrou-me…”, CD: Liturgia IV, melodia da faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

6- Canto para a resposta das preces:

R: Vem, vem, Senhor Jesus, vem,/ Vem, bem-amado Senhor! (bis); Hinário Litúrgico I, página 88-89.

7. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve despertar na assembleia a alegria da chegada do Senhor. A partilha nos torna sinal vivo do Senhor. O canto de apresentação dos dons, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. É importante lembrar às comunidades a Coleta para a Evangelização que nos chama a ser solidários. Esta Campanha é, na Igreja do Brasil, uma resposta firme e significativa de todos aqueles que acreditam e assumem a responsabilidade evangelizadora. Neste Terceiro Domingo do Advento o canto mais apropriado seria: “As nossas mãos se abrem, mesmo na luta e na dor”, CD: Liturgia IV, música da faixa 10.

7. Canto de comunhão. Deus vai salvar seu povo (Isaias 35,4). “Dizei, gritai aos corações desanimados: Não tenham medo!”, CD: Liturgia IV, melodia da faixa 7. Este canto retoma o Evangelho na comunhão de maneira autentica.

8. Canto de louvor a Deus após a comunhão: Durante o Tempo do Advento omite-se este canto.

 

8) ESPAÇO CELEBRATIVO

1. O Tempo do Advento, como sabemos, é marcado por certa austeridade no ambiente. Chamamos de “reserva simbólica” o procedimento de “guardar” certos elementos rituais ou ornamentais durante o período preparatório das festas. Fazemos isso tanto na Quaresma, quanto no Advento. O Clima do Tempo do Advento, porém, não possui o grau de austeridade próprio do tempo quaresmal. Neste terceiro domingo, chamado de “Domingo Gaudete”, tal simplicidade dá lugar à “alegria serena” do Natal, antecipada, tanto nas flores quanto nos paramentos e toalhas que dão lugar do roxo ao róseo.

2. Ornamentar, discretamente, o espaço celebrativo com flores em tons de rosa, para salientar a alegria deste Terceiro Domingo “Gaudete”.

3. Durante o tempo do Advento, como já é costume, tem destaque a Coroa do Advento. Evite-se utilizar flores e matérias artificiais e espalhafatosos, muitas vezes típicos da linguagem comercial: pisca-pisca, festões, papai noel, etc. Fiel à sua origem, a Coroa do Advento é confeccionada apenas com galhos verdes em forma circular, símbolo do eterno que mergulha e se deixa entrever no tempo. A nossa exagerada criatividade fez a coroa tomar outras formas e, conseqüentemente, perder seu sentido. As quatro velas acesas uma a cada domingo, de forma crescente, anunciam que a Luz vence as Trevas. Proclamam o porvir da Páscoa do Natal. A Coroa pode ser colocada próximo ao altar ou da mesa da Palavra.

 

9) AÇÃO RITUAL

1. O terceiro domingo do Advento conhecido por Domingo Gaudete. Solicita-nos a alegria de perceber a proximidade urgente do Senhor que santifica o mundo. Conforme canta a Antífona: Alegrai-vos, o Senhor está perto, a assembléia dos fiéis rejubila em torno da Mesa da Palavra e da Eucaristia que ressignificam o mundo e a história como lugares da epifania do Messias.

Ritos Iniciais

2. A comunidade reunida é sinal da espera do Advento do Senhor. Dar atenção especial aos ritos iniciais, cuja finalidade é de constituir a assembleia, formando o Corpo vivo do Senhor. Fazer uma acolhida afetuosa às pessoas, reconhecendo em cada uma delas a presença do Senhor que chega entre nós.

3. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembleia no Mistério celebrado. A procissão de entrada pode ser acompanhada com a entrada do Evangeliário, que deve ser colocado na mesa do Altar, até a hora da aclamação ao Evangelho, durante a qual é levado, solenemente, até a mesa da Palavra.

4. Para saudação presidencial, sugerimos a fórmula “d” do Missal Romano da Carta aos Romanos 15,13:

O Deus da esperança, que nos cumula de toda a alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.

5. Após o sinal da cruz, da saudação presidencial, e da recordação da vida, antes de dar o sentido litúrgico, inicie-se o rito de acendimento da terceira vela da Coroa do Advento. É válido recordar que a coroa deve ser feita de forma circular, com ramagens verdes naturais. Evite-se o uso de objetos natalinos, pois dão a impressão de que a coroa é uma guirlanda, o que tira todo o seu simbolismo. As velas não precisam ser coloridas, visto que o símbolo, mesmo, é a luz que delas irradiam. Acende-se solenemente a coroa com a seguinte oração de bênção, dentro do rito proposto.

6. Alguém se aproxima da coroa, trazendo uma pequenina chama ou uma vela pequena acesa (evitem-se os fósforos que criam ruído, apagam-se facilmente, enfraquecendo a ação simbólica, do ponto de vista exterior, o que acarreta na assembleia dispersão e impaciência).

Depois de acesa a segunda vela, cantar este refrão que está no CD: Cristo Clarão do Pai, melodia da faixa 2, Paulus. Se a equipe de canto não tiver o CD, é só entrar no Google que encontra-se a música e também a partitura.

Acendamos a terceira vela, acendamos a terceira vela.
Sentinela a vigiar:
logo o Senhor virá, logo o Senhor virá.
Deus-Conosco: luz a brilhar. Deus-Conosco: luz a brilhar!
7. Para o acendimento da segunda vela da Coroa do Advento, ver a letra e partitura acima em Música Ritual.

8. Terminado o acendimento da Coroa, o presidente da celebração, ou diácono ou mesmo o animador leigo, dá o sentido da celebração:

Domingo da alegria. A celebração de hoje é uma exultação de imensa alegria, porque Aquele que esperamos já está conosco, em nosso meio. Ele mesmo vem para endireitar nossos caminhos e para nos conduzir à festa do seu Natal, num grande sinal da sua manifestação no meio dos pobres, humildes e sofredores.

9. Toda a celebração pode ser marcada por um toque de esperançosa alegria. Por exemplo, nos ritos inicias antes do Ato Penitencial, as pessoas têm a oportunidade de saudar uma às outras com palavras inspiradas na antífona de hoje: “Alegre-se! O Senhor está perto!”!

10. É muito significativo para este Terceiro Domingo do Advento escolher para o Ato penitencial a fórmula n. 2 do Missal Romano, página 395:

Senhor que sois o defensor dos pobres, tende piedade de nós.

11. Na Oração do Dia, suplicamos a Deus que é cheio de bondade, a reconhecer na liturgia a alegria da esperança da vinda Senhor.

Rito da Palavra

1. A Palavra é realçada também por momentos de silêncio, por exemplo. Após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecendo a atitude de acolhida à Palavra de Deus. No silêncio, o Espírito torna fecunda a Palavra no coração da comunidade e de cada pessoa.

2. Após o Evangelho ou após a homilia, sugerimos proclamar à maneira do anúncio das “calendas” que se faz na Solenidade da Epifania do Senhor, as “Trovas da Alegria”, conforme o texto abaixo, anunciando o enfoque do mistério das duas semanas que seguem: a memória da visita do Verbo na Encarnação no seio da Virgem Maria, em Jesus seu Filho.

Eis, queimando em nosso peito Alegrai-vos, pois, irmãos
Jubilosa alegria: O Senhor já está bem perto.
A Palavra do Eterno Seu fulgor em nós rebrilha
Faz-se nossa companhia; Sua visita é fato certo.

Grita João, com voz feroz O Mistério que, de longe,
Contra a morte, pela vida Vem o mundo visitar
O Messias já virá Vai, decerto, envolver
Com vontade decidida: Água e terra, fogo e ar.

Pelo Espírito animado Tudo novo, recriado
Vai limpar nossos canteiros Pela voz da eternidade.
Palha estéril queimará Vinte e cinco de dezembro
Vai o trigo p’ro celeiro. Veste-se Deus de humanidade.

3. A resposta das preces poderá ser cantada e expressar desejo e expectativa, retomando o clamor das comunidades do Apocalipse: “Vem, Senhor Jesus!” Por exemplo: “Vem, vem, Senhor Jesus, vem,/ Vem, bem-amado Senhor!” Hinário Litúrgico I, página 88-89. Se a equipe de canto não conhecer a música, pode-se simplesmente responder: Vem, Senhor Jesus.

4. Outra opção, é no momento das preces, como nos domingos anteriores, cantar ou recitar a Ladainha do Advento, substituindo-se as fórmulas convencionais, de todos os domingos. Esta sugestão vale para todos os domingos do Advento.

Rito da Eucaristia
1. Na Oração sobre as oferendas suplicamos a Deus que os dons do pão e do vinho, não restringe os cristão só no espaço sagrado, mas deve nos orientar na vida, para que, em nós, se realizem-se as maravilhas de Deus no cotidiano da vida.

2. Deste domingo em diante começa o Advento natalícia, isto é a preparação direta para o Natal. Por este motivo, escolher o Prefácio II do Advento, que contempla as duas esperas de Cristo. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Predito por todos os profetas, esperado com amor de mãe pela Virgem Maria, Jesus foi anunciado e mostrado presente no mundo por São João Batista. O próprio Senhor nos dá a alegria de entrarmos agora mo mistério do seu Natal, para que sua chegada nos encontre vigilantes na oração e celebrando os seus louvores”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Nas missas do Advento e em todas as outras, desde o primeiro domingo até 17 a 24 de dezembro, exceto nas Missas com prefácio próprio.

3. O Hinário Litúrgico, página 73, apresenta para este domingo a louvação, em melodia popular, própria do Advento, muito apropriada para o eito de Ação de graças na Celebração da Palavra.

4. Neste Domingo é muito oportuno apresentar o pão e o vinho para o convite à comunhão utilizando o Salmo 33,9: “Provai e vede, como o Senhor é bom, Feliz de quem nele encontra seu refúgio. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo…”

Ritos Finais

1. Na oração após a comunhão imploramos a Deus que a Eucaristia nos purifique do pecado e nos preparem para a celebração da festa do Natal.

2. Bênção solene própria do Advento, com imposição das mãos sobre o povo (página 519 do Missal Romano).

3. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Alegrai-vos sempre no Senhor! Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

4. O Tempo do Advento é muito oportuno para aprofundar e exercitar a piedade mariana, dando-lhes os contornos da espiritualidade do Advento que é da memória e expectativa a respeito da manifestação do Verbo de Deus no seio do mundo. Assim, após a bênção final, é oportuno a partir do 3º Domingo saudar a Virgem Maria com uma Ave Maria ou a Salve Rainha. Outra opção são as palavras do Anjo, conforme o texto que está no Hinário Litúrgico I da CNBB, página 9:

“EU TE SAÚDO, CHEIA DE GRAÇA”, (Bis)
SAUDOU O ANJO A VIRGEM SANTA. (Bis)
“CUMPRA-SE EM MIM TUA PALAVRA, (Bis)
POIS DO SENHOR SOU A ESVRAVA”. (Bis)

Ou a forma tradicional conhecida do Ângelus.

5. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: “Alegrai-vos sempre no Senhor e publicai sua fama a todos”! Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

10) CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Terceiro Domingo do Advento celebra a nossa alegria porque nos aproximamos da manifestação do Senhor na carne, isto é, como pessoa humana, em Jesus de Nazaré e por conseqüência, naqueles e naquelas que celebram sua memória e a seu Corpo estão vinculados.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

 

Um abraço fraterno a todos.

Pe. Benedito Mazeti

 

 

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