10/08/2016 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

A iniciação cristã constitui um dos maiores desafios pastoral da atualidade. Ela participa do dilema dos grandes sistemas de transmissão de valores da sociedade atual. São responsáveis pelas dificuldades em iniciar na fé aspectos socioculturais, mas igualmente aspectos internos, oriundos de métodos pastorais e posturas eclesiais. Por séculos predominou o modelo tradicional de catequese, insustentável hoje. Por outro lado, assistimos atualmente ao surgimento de um novo paradigma de iniciar a fé, com novos pressupostos, renovadas metodologias, novos acenos e com aguda clareza da identidade teológica da iniciação cristã, entre outras dimensões.

A passagem da catequese tradicional ao renovado compromisso com a iniciação à vida cristã.

A história da evangelização tem registrado momentos de intensa vitalidade, mas também períodos de radical estagnação no tocante à iniciação à vida cristã. Nos primeiros séculos da era cristã, o anúncio da Boa-Nova, a transmissão da fé aos novos cristãos, foi marcado por um impulso único na história do cristianismo. Os cristãos, mesmo constituindo uma parcela inexpressiva numericamente, ora perseguidos, ora tolerados pelo Império Romano, conseguiam atrair, através do testemunho de vida e auxiliados por uma exímia pedagogia iniciática, novos simpatizantes ao cristianismo, aos quais era oferecida uma autêntica caminhada de aprofundamento na fé.

Com a oficialização do cristianismo, cuja consequência maior foi a adesão em massa à fé cristã, em grande parte motivada por outros interesses, sobretudo pelos benefícios do Império Romano, entra em crise a iniciação cristã, ou, mais especificamente, o caminho privilegiado de iniciar na fé, denominado catecumenato, que ficará esquecido na Igreja praticamente até o Concilio Vaticano II.

Durante o extenso período de cristandade vigorou o assim chamado “catecumenato social”, através do qual a sociedade se encarregava de “transmitir” a fé às novas gerações por meio dos pilares sociais, religiosos e culturais. Eis porque a iniciação cristã não apresentou maiores preocupações no decorrer desses séculos. Em outras palavras, numa sociedade onde o cultural e o religioso se identificavam, a preocupação eclesial com a transmissão da fé não estava entre as principais questões pastorais, uma vez que nesse contexto era natural ser cristão, ou nascer cristão.

Fonte: A Paróquia e Iniciação Cristã

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