15/06/2016 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Misericórdia e Justiça

A bula de proclamação do Ano Santo da Misericórdia “MISERICORDIAE VULTUS” afirma que a misericórdia não é contra a justiça, e até mesmo que elas se completam, pois na misericórdia Deus mostra sua justiça, através de um rosto concreto, Jesus Cristo. Para refletir sobre o assunto indicado, vamos fazer uma leitura do texto de Mateus 25, 31-46.

O referido texto de Mateus traz a possibilidade de refletir sobre o Juízo Final, um tema bastante caro à teologia, e que vamos aproveitar aqui neste espaço. No texto, Jesus utiliza a parábola do pastor que separa bodes de ovelhas. Estas para a direita e aqueles para a esquerda, indicando o destino de cada um dos envolvidos. Aqueles que foram chamados para a direita são os benditos do Pai e por isso vão receber como herança o Reino. Os que foram para a esquerda são os que perderam esse Reino preparado para todos.

O critério para a salvação apresentado na parábola é a sensibilidade/misericórdia praticada aos excluídos, aos famintos, aos nus, aos presos, aos doentes, ou seja, àqueles que estão fragilizados, abandonados e excluídos, pessoas que ninguém se importa mais e que até são estigmatizadas, pessoas que na maioria das vezes não tem nada pra oferecer de consolo. Não é difícil compreender o critério utilizado por Jesus na parábola, pois em toda sua trajetória apresentada nos Evangelhos, Ele se revela amigo daqueles que ninguém se importa, daqueles que ninguém quer saber, a não ser quando necessita usá-los.

Estão preparados para o Reino somente aqueles que defendem a dignidade da pessoa acima de qualquer coisa, independentemente de sua condição social, idade, cor, pois no Reino de Deus apresentado por Jesus, não existe quem manda e nem quem é mandado, não existe desiquilíbrio, não existem pretensões de grandeza, pois todos são filhos do mesmo Pai que criou a todos. Diante desse critério apresentado, a escolha acaba ficando nas mãos dos filhos que, são capazes de viver em comunidade ou não, que são capazes de suportar que os outros são tão especiais quanto eles mesmos.

E você, já se perguntou o porquê da vida de uns ter mais valor que a de outros? Ou continua achando que a sua vida vale mais que a dos outros? Para responder a essa questão, nos questionamos a respeito das oportunidades que já tivemos e que não foram partilhadas, das alegrias que vivemos e que não foram multiplicadas, das vantagens que recebemos e que não abrimos mão, etc.

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