08/08/2016 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

 A Misericórdia e a Igreja (continuação)

A bula da proclamação do Ano Santo da Misericórdia “MISERICORDIAE VULTUS” afirma no seu número 5 que, a onipotência de Deus se manifesta de modo especial através da Misericórdia, e citando Santo Tomás de Aquino, afirma que a misericórdia não é uma fraqueza, mas justamente o contrário, é a sua força. Convido você a ler o texto de João capítulo 8 versículos de 1 a 11, que passo a comentar brevemente.

O referido texto aparece em muitas bíblias com o título de “Mulher Adúltera”, referindo- se ao episódio da mulher surpreendida em adultério e humilhada publicamente. Levada à presença de Jesus, pressionado a concordar com a situação de apedrejamento, pois assim dizia a Lei de Moisés. Jesus se inclina e começa a escrever no chão e os surpreende diante da insistência deles, dizendo: “quem não tiver pecado, que atire
a primeira pedra”. Posto o desafio, saíram um a um dos que queriam apedrejá-la.

A situação apresentada pelo texto mostra uma ação desproporcional de julgamento, onde os Escribas e Fariseus acusam uma mulher, que naquele contexto está totalmente em desvantagem,primeiro por ser mulher e depois por ter sido surpreendida em adultério, ou seja, numa situação de pecadora. As mulheres naquele tempo eram submissas aos homens, e não tinham autonomia, passando da tutela do pai para o marido, e quando este morria, piorava ainda mais a sua situação, pois a mesma não alcançava autonomia social que era sempre negada pela sociedade patriarcal. Jesus pratica o não julgar, ensinado antes ou mais tarde, e escrevendo no chão espera que os acusadores se arrependam e enxerguem que estão sendo injustos. Como não acontece, Jesus os desafia a justificarem-se, o que não acontece, pois percebem a astúcia de Jesus.

Convido você a refletir sobre o julgamento que muitas vezes praticam: Quantas vezes já repetimos a frase de que a vida é feita de escolhas, como se todos tivessem escolhido nascer nessa ou naquela família, nesse ou naquele país, como se tivessem escolhido nascer homem ou mulher, negro ou branco, rico ou pobre. Esse discurso serve para manter privilégios e não direitos.