11/10/2016 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

As parábolas da Misericórdia

A bula de proclamação do Ano Santo da Misericórdia “MISERICORDIAE VULTUS” afirma no seu número sete que, Deus nunca se cansa de procurar o homem para estabelecer um diálogo com ele a fim de ajudá-lo a ser feliz. A Bula cita as parábolas da Misericórdia, referindo-se ao capítulo quinze do Evangelho Segundo Lucas. Convido você a realizar a leitura o capítulo indicado para começar a conversa.

O capítulo quinze do Evangelista Lucas apresenta três parábolas, denominada pelo Papa Francisco de Parábolas da Misericórdia, referindo-se a parábola da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho que estava perdido. As três parábolas são contadas num contexto em que Jesus é acusado pelos fariseus e escribas de fazer refeição com publicanos e pecadores. Fazer refeição com eles é estar com eles, é estar com alguém sem simular essa presença. Como é bom quando alguém confia na gente, dá um voto de confiança mesmo na dúvida que os outros tem. Se alguém confia em você, você pode passar a acreditar também.

O que sempre me chamou a atenção nessas três parábolas é a alegria do reencontro, seja da ovelha, seja da moeda, seja do filho mais novo. O papa Francisco em diversos textos vem falando dessa alegria do reencontro. Deve ser uma alegria para nós também ver alguém se reencontrando, acreditando de novo em si mesmo, refazendo os laços de amizade, de respeito, voltando à família, voltando à sociedade de cabeça erguida. Precisamos fazer também uma festa e lutar para que o outro recupere a dignidade e encontre espaço na sociedade e que muitas vezes também é responsável por muitas exclusões.

O filho mais velho, na Parábola do Pai Misericordioso (Lc. 15, 11-32), também havia recebido a herança do Pai e continuava a morar com ele, mas não se alegrou com o retorno do filho mais novo. Essa atitude se repete muitas e muitas vezes se levarmos em conta o contexto social atual, pois muitas pessoas não conseguem ver com bons olhos a ascensão do outro, ou melhor, não consegue aceitar que o outro também tenha as mesmas oportunidades e se reintegre socialmente. Se ninguém acreditar naquele que está preso e deseja se recuperar, quem vai acreditar? Se ninguém luta pelas crianças, dando-lhes oportunidades, quem fará? Se não nos alegrarmos com as oportunidades recebidas pelos outros, então, talvez, nem mesmo eles se alegrem.

Quando se deparar com alguém que realmente quer mudança não vire as costas, seja solidário estendendo-lhe a mão, lutando para que ele recupere a dignidade, para que ele se reintegre à sociedade. As más experiências não podem nos fazer desistir de acreditar no bem. Quando você estiver diante de alguém que realmente quer mudança, dê-lhe um voto de confiança e tenha paciência, pois nada acontece da noite para o dia, é um processo.